Apocalipse 1.4-8 – A Segunda Vinda de Cristo

Introdução

O texto de Apocalipse 1.4-8 é uma formula de saudação epistolar, mas que apesar disso, também está em um gênero apocalíptico. Esse texto diverge de outros prólogos pois na própria saudação, João inclui uma fórmula trinitária (1.4,5a) e na doxologia (1.5b,6), João desenvolve uma tese para o cerne soteriológico e eclesiológico do livro. Nesse texto temos uma demostração do Deus trino que por meio de Cristo resgatou os eleitos para si, e por fim mostra uma ênfase escatológica na segunda vinda de Cristo, que é o governador do universo, o alfa e o ômega, o Deus Todo-Poderoso.

Diante desse texto, abordaremos sobre a saudação de João, o que são as sete igrejas, além de um entendimento sobre a pessoa de Cristo, a fórmula trinitária e o que são os sete Espíritos de Deus. Por fim, abordaremos sobre o que Cristo fez pelos eleitos, e como, da mesma forma como subiu aos céus, ele voltará nas nuvens.

O texto será abordado a partir da língua original, partindo da análise gramatical e estrutural. Para tanto, será feito uso de ferramentas exegéticas, como o Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, Dicionário Teológico do Novo Testamento e outros dicionários afins. O estudo de variantes será feito com base no The Greek New Testament (4a ed. – UBS/DB) e a análise estrutural a partir do Nestle-Aland Novum Testamentum Graece (27a ed.). Para uma melhor base exegética serão utilizados comentários e obras que tratem temática e exegeticamente do livro de Apocalipse. Além daquelas já citadas, podem ser acrescentadas: A Greek-English Lexicon of the New Testmente (William Arndt e F. Wilbur Gingrich); Comentário do Uso do Antigo Testamento no Novo Testamento (Carson e Beale); Grant Osborne (Comentário Exegético: Apocalipse); William Hendriksen (Mais que Vendecedores); David Aune (Word Biblical: Apocalipse); George Ladd (Apocalise); e Gramática Grega (Daniel Wallace).

O estudo constará de quatro partes, sendo a primeira a presente introdução, a segunda parte é composta pelo contexto do texto de Apocalipse 1.4-8 que exporá o contexto histórico, literário e canônico que são relevantes para o entendimento desse texto. Em seguida, uma análise do texto grego, com análise de palavra por palavra em grego, seguida de tradução literal e comentário. Ainda nesta parte será exposto a mensagem para a época e para todos os tempos e as teologia bíblica, sistemática e pastoral relacionadas ao texto. Por fim, o sermão do texto relacionado e uma breve conclusão.

 

1) Estudo Contextual

1.1) Contexto Histórico

O livro de Apocalipse foi escrito por volta da década de 90 d.C.[1], quando Domiciano era imperador de Roma (81-96 d.C.). Esse imperador, seguindo a política estabelecida por Nero, e com uma atenção cuidadosa para com a traição. Tácito e Plínio falam com horror daqueles dias, quando a aristocracia e o Senado foram dizimados pelas suspeitas do imperador.[2] Os cristãos também eram vítimas desse imperador e o livro de Apocalipse é escrito neste contexto, segundo Irineu (ver. Heresias V. XXX. 3), refletindo a atitude anticristã do imperador. Depois de Nero, foi o segundo imperador romano que perseguiu os cristãos, e o banimento era um dos seus modos de punição preferidos. Depois de um começo promissor, tornou-se tão cruel e sanguinário como Nero, e superou-o na hipocrisia e na blasfêmia auto-deificação. Dominicano começava suas cartas com: “Nosso Senhor e Deus ordena”, e exigiu que seus súditos se dirigissem desta forma a ele. Ordenou que as estátuas de ouro e prata dele fossem colocadas no lugar mais sagrado dos templos.[3]

Domiciano se considerava o Todo-Poderoso, porém João, ao se dirigir às sete igrejas, que estavam sendo perseguidas por esse cruel imperador, revela aquele que é o Alfa e o Ômega, o Todo-Poderoso sobre o universo e que virá para julgar os vivos e os mortos, os grandes e os pequenos. Domiciano queria adoração, porém João exorta que a glória e o domínio para todo o sempre devem ser dados somente a Deus. Somente Jesus Cristo é o Soberano sobre os reis da terra, está acima de Dominicano, que será julgado por ele.

 

1.2) Contexto Literário

1.2.1) Contexto Próximo

O texto de Apocalipse 1.4-8, faz parte do prólogo do livro de Apocalipse. Ele apresenta muitos dos principais temas da obra de João. O prefácio (1.1-3) mostra que a obra é apocalíptica, e mostra a origem das visões (de Deus para Cristo, para um anjo, para João, para as igrejas).[4]

No cap. 1.9-20, João traz uma visão mais aprofundada sobre o Cristo glorificado. Aquele que virá sobre as nuvens é um Cristo vitorioso, que não virá mais para sofrer e morrer em uma cruz, mas triunfante, com poder e grande glória para punir os maus e salvar os eleitos. Ele está vestido para a batalha. A igreja sofre perseguições, mas Jesus tem o controle de todas as coisas e está no meio das igrejas. E ele voltará para dar a vitória final ao seu povo.

 

1.2.2) Contexto Remoto

            João dirige o prólogo às sete igrejas da Ásia menor. Nos capítulos 2 e 3, temos cartas específicas dirigidas a cada uma das igrejas, segundo a rota do entregador das cartas, sendo a primeira, Éfeso, a cidade portuária. Nessas cartas as igrejas são exortadas à vigilância, uma vez que Cristo virá, ao mesmo tempo que são encorajadas a perseverarem em meio às tribulações e perseguições pois Cristo é o primogênito dos mortos e o Soberano dos reis da terra. Eles deveriam permanecer fieis e rejeitar todo erro e heresias pois Cristo, a Fiel Testemunha, os libertou para serem sacerdotes para Deus.

1.2.3) Estrutura de Contexto

 

1.3) Contexto canônico

Em 1Tessalonicenses 4.13-18, Paulo fala sobre a vinda do Senhor Jesus. Assim como João afirma que sua vinda será nas nuvens, Paulo afirma que o Senhor descerá dos céus para ressuscitar os mortos e arrebatará os vivos para o encontro com Jesus nos ares.

Em Atos 1.11 temos os dois anjos falando aos discípulos de Jesus depois dele ter subido aos céus e desaparecido nas nuvens: “Varões galileus, por que estais olhando para as alturas? Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu, virá do modo como o vistes subir”. O que Lucas nos relata é que Jesus subiu aos céus nas nuvens, e voltará nas nuvens também. João, em conformidade com o livro de Atos, mostra que Jesus virá nas nuvens e todo o olho verá.

Em Colossenses 1.15 e 18, Paulo fala que Jesus Cristo é o primogênito da criação e o primogênito entre os mortos. No verso 15, primogênito (πρωτότοκος) sugere tanto a precedência no tempo como a supremacia. No verso 18 temos uma ideia predominante de precedência cronológica. Cristo é o primeiro a ressuscitar sem morrer novamente (diferentemente das pessoas que foram ressuscitadas, mas voltaram a morrer). Ele é o que inicia a ressurreição escatológica (cf. 1Co. 15:20). Jesus Cristo é o inaugurador de uma nova humanidade.[5]

Os sete Espíritos de Deus citado por João faz menção ao texto de Isaías 11.1-2, que faz menção ao renovo que virá do tronco de Jessé, em quem repousará: 1) O Espírito do SENHOR; 2) Espírito de sabedoria; 3) Espírito de entendimento; 4) Espírito de conselho; 5) Espírito de fortaleza; 6) Espírito de conhecimento; e 7) Espírito de temor do SENHOR.

 

2) Estudo Textual

2.1) Tradução do Texto

2.1.1) Texto Grego

Apocalipse 1.4-8
4 Ἰωάννης ταῖς ἑπτὰ ἐκκλησίαις ταῖς ἐν τῇ Ἀσίᾳ· χάρις ὑμῖν καὶ εἰρήνη ἀπὸ ὁ ὢν καὶ ὁ ἦν καὶ ὁ ἐρχόμενος, καὶ ἀπὸ τῶν ἑπτὰ πνευμάτων ἃ ἐνώπιον τοῦ θρόνου αὐτοῦ,
5 καὶ ἀπὸ Ἰησοῦ Χριστοῦ, ὁ μάρτυς ὁ πιστός, ὁ πρωτότοκος τῶν νεκρῶν καὶ ὁ ἄρχων τῶν βασιλέων τῆς γῆς. Τῷ ἀγαπῶντι ἡμᾶς καὶ λύσαντι ἡμᾶς ἐκ τῶν ἁμαρτιῶν ἡμῶν ἐν τῷ αἵματι αὐτοῦ
6 καὶ ἐποίησεν ἡμᾶς βασιλείαν, ἱερεῖς τῷ θεῷ καὶ πατρὶ αὐτοῦ— αὐτῷ ἡ δόξα καὶ τὸ κράτος εἰς τοὺς αἰῶνας τῶν αἰώνων· ἀμήν.
7 Ἰδοὺ ἔρχεται μετὰ τῶν νεφελῶν, καὶ ὄψεται αὐτὸν πᾶς ὀφθαλμὸς καὶ οἵτινες αὐτὸν ἐξεκέντησαν, καὶ κόψονται ἐπʼ αὐτὸν πᾶσαι αἱ φυλαὶ τῆς γῆς. ναί, ἀμήν.
8 Ἐγώ εἰμι τὸ Ἄλφα καὶ τὸ Ὦ, λέγει κύριος, ὁ θεός, ὁ ὢν καὶ ὁ ἦν καὶ ὁ ἐρχόμενος, ὁ παντοκράτωρ.
Holmes, M. W. (2011–2013). The Greek New Testament: SBL Edition (Ap 1.4–8). Lexham Press; Society of Biblical Literature.

 

           2.1.3) Tradução
Vs 4
Tradução João, às sete igrejas que estão na Ásia, graça para vós e paz, da parte daquele que é, que era e que virá, e da parte dos sete Espíritos que estão diante do seu trono
ARA João, às sete igrejas que se encontram na Ásia, graça e paz a vós outros, da parte daquele que é, que era e que há de vir, da parte dos sete Espíritos que se acham diante do seu trono
ACF João, às sete igrejas que estão na Ásia: Graça e paz seja convosco da parte daquele que é, e que era, e que há de vir, e da dos sete espíritos que estão diante do seu trono;
NVI João às sete igrejas da província da Ásia: A vocês, graça e paz da parte daquele que é, que era e que há de vir, dos sete espíritos que estão diante do seu trono,
Católica João às sete igrejas que estão na Ásia: a vós, graça e paz da parte daquele que é, que era e que vem da parte dos sete Espíritos que estão diante do seu trono
Comentário As traduções ARA, ACF e NVI traduzem aquele que é, que era e que há de vir, ao passo que a bíblia católica traduz como aquele que é, que era e que vem (traduzindo o último verbo, que é futuro como presente), a nossa tradução traduziu como aquele que é, que era e que virá. A tradução ACF e NVI traduzem espíritos em letra minúscula, ao passo que a nossa tradução, a ARA e a Católica traduzem como Espíritos, com E maiúsculo, dando ênfase no português que é o Espírito de Deus.
Vs 5
Tradução E da parte de Jesus Cristo, a fiel testemunha, o primogênito dentre os mortos e o soberano entre os reis da terra. Àquele nos ama, e que nos libertou dos nossos pecados por meio de seu sangue.
ARA e da parte de Jesus Cristo, a Fiel Testemunha, o Primogênito dos mortos e o Soberano dos reis da terra. Àquele que nos ama, e, pelo seu sangue, nos libertou dos nossos pecados,
ACF E da parte de Jesus Cristo, que é a fiel testemunha, o primogênito dentre os mortos e o príncipe dos reis da terra. Àquele que nos amou, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados,
NVI e de Jesus Cristo, que é a testemunha fiel, o primogênito dentre os mortos e o soberano dos reis da terra. Ele que nos ama e nos libertou dos nossos pecados por meio do seu sangue,
Católica e da parte de Jesus Cristo, testemunha fiel, primogênito dentre os mortos e soberano dos reis da terra. Àquele que nos ama, que nos lavou de nossos pecados no seu sangue
Comentário  

A ACF traduziu ἄρχων como príncipe, ao passo que todas as outras traduziram como soberano. A ACF traduziu o particípio presente ἀγαπῶντι como “aquele que nos amou”, ao passo que todas as outras traduzem como “aquele que nos ama”. A ACF e a Católica traduzem o particípio Λύσαντι como “lavou”, ao passo que as outras traduziram como “libertou”.

 

Vs 6
Tradução E nos fez reino e sacerdotes para seu Deus e Pai, a ele a glória e o poder pelos séculos dos séculos, amém!
ARA e nos constituiu reino, sacerdotes para o seu Deus e Pai, a ele a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém!
ACF E nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai; a ele glória e poder para todo o sempre. Amém.
NVI e nos constituiu reino e sacerdotes para servir a seu Deus e Pai. A ele sejam glória e poder para todo o sempre! Amém.
Católica e que fez de nós um reino de sacerdotes para Deus e seu Pai, glória e poder pelos séculos dos séculos! Amém.
Comentário  

A ARA e NVI traduzem o aoristo ἐποίησεν como “constituiu”. As outras traduzem como “fez”. A Católica traduz como “reino de sacerdotes”, ao passo que as outras traduzem como “reino e sacerdotes”. A NVI inclue a palavra “servir” que não existe no grego. A ARA traduz κράτος como “domínio”, as outras traduzem como “poder”.

Vs 7
Tradução Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, também aqueles que o traspassaram, então lamentarão perante ele todas as nações da terra. Certamente, Amém!
ARA Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até quantos o traspassaram. E todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Certamente. Amém!
ACF Eis que vem com as nuvens, e todo o olho o verá, até os mesmos que o traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Sim. Amém.
NVI Eis que ele vem com as nuvens, e todo olho o verá, até mesmo aqueles que o traspassaram; e todos os povos da terra se lamentarão por causa dele. Assim será! Amém.
Católica Ei-lo que vem com as nuvens. Todos os olhos o verão, mesmo aqueles que o traspassaram. Por sua causa, hão de lamentar-se todas as raças da terra. Sim. Amém.
Comentário  

A Católica traduz no plural: “os olhos o verão”, no grego está no singular. A palavra φυλαὶ é traduzida como “tribos” na ARA e ACF, como “povos”na NVI, como “raças” na Católica e como “nações” na nossa tradução.

Vs 8
Tradução EU SOU o Alfa e o Ômega, diz o SENHOR Deus, aquele que é, que era e que vem, o Rei do Universo.
ARA Eu sou o Alfa e Ômega, diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso.
ACF Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso.
NVI “Eu sou o Alfa e o Ômega”, diz o Senhor Deus, “o que é, o que era e o que há de vir, o Todo-poderoso”.
Católica Eu sou o Alfa e o Ômega, diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que vem, o Dominador.
Comentário Nossa tradução traduz o “eu sou” em letras maiúsculas, fazendo menção ao nome de Deus no AT. E Traduz “senhor” em letras maiúsculas pelo mesmo motivo. O verbo particípio presente ἐρχόμενος é traduzido como futuro, na ARA, ACF e NVI. A Católica, que havia traduzido como presente no vs. 6 o particípio futuro, aqui traduz corretamente o presente. Traduzimos como “o que vem”. A palavra “παντοκράτωρ” é traduzida como “todo-poderoso” na ARA, ACF e NVI, como “Dominador” na Católica e como “Rei do Universo” na nossa tradução pois significa literalmente “o governador de tudo”.

 

 

2.1.4) Estrutura do Texto

João, às sete igrejas que estão na Ásia,

graça para vós e paz,

da parte daquele que é, que era e que virá,

e da parte dos sete Espíritos

que estão diante do seu trono

e da parte de Jesus Cristo,

a fiel testemunha, o primogênito dentre os mortos e o soberano entre os reis da terra.

À quem nos ama,

e que nos libertou dos nossos pecados

por meio de seu sangue.

E nos fez reino e sacerdotes

para seu Deus e Pai,

a ele a glória e o poder pelos séculos dos séculos, amém!

Eis que vem atrás das nuvens,

e todo olho o verá,

também aqueles que o traspassaram,

então lamentarão perante ele todas as nações da terra. Certamente, Amém!

EU SOU o Alfa e o Ômega,

diz o SENHOR Deus,

aquele que é, que era e que vem, o Rei do Universo.

 

2.1.5) Comentário

Vs. 4. Ἰωάννης ταῖς ἑπτὰ ἐκκλησίαις ταῖς ἐν τῇ Ἀσίᾳ· χάρις ὑμῖν καὶ εἰρήνη ἀπὸ ὁ ὢν καὶ ὁ ἦν καὶ ὁ ἐρχόμενος, καὶ ἀπὸ τῶν ἑπτὰ πνευμάτων ἃ ἐνώπιον τοῦ θρόνου αὐτοῦ,

Vs. 4. João, às sete igrejas que estão na Ásia, graça para vós e paz, da parte daquele que é, que era e que virá, e da parte dos sete Espíritos que estão diante do seu trono

João inicia com uma introdução típica das cartas da época, o que difere da literatura apocalíptica judaica. Segundo Ladd, isso ancora o livro firmemente na história.[6] João não se identifica como apóstolo e nem outro adjetivo para identificar-se, e por causa disso, muitos tem inferido não ser o apóstolo João o autor de Apocalipse. Entretanto, justamente porque João é extremamente conhecido das sete igrejas, e já na sua velhice, a maior referência de todas as igrejas da época, uma vez que todos os outros apóstolos já estavam mortos, que isso não nos deixa dúvidas de que seja o Apóstolo João, mesmo autor do Evangelho de João e das cartas de João.

João se dirige às sete igrejas que se encontram na Ásia. O livro tem como destinatários as igrejas da Ásia menor, igrejas reais, históricas e que conheciam o Apóstolo João. Há quem defenda que por serem sete igrejas, João se dirige a sete períodos sucessivos da história da igreja, entretanto, não é o caso. João conhece essas igrejas, que tem problemas reais e daquela época. De fato, sete é um número muito utilizado por João, e sabemos que a mensagem foi escrita para aquelas igrejas daquela época, mas também tem aplicações a todas as igrejas de todas as épocas. O significado do número sete aqui significa completude segundo Kistemaker.[7] Desta forma, o propósito de João é endereçar às sete igrejas conhecidas dele mas também toda a igreja de todas as épocas.

Graça e paz é a saudação favorita de Paulo em suas cartas, e tornou-se a saudação costumeira dos cristãos. À semelhança de Paulo, João une o mundo gentílico com o mundo judaico nessa saudação, juntando a cháris (χάρις), uma saudação comum grega (At 23.26), com a shalom (paz em hebraico), uma saudação judaica que é traduzida como eiréne (εἰρήνη).[8]

Da parte daquele que é, que era e que virá. João começa essa sentença com a preposição apó (ἀπὸ) que leva ao genitivo, que mostra que a origem da mensagem é o próprio Deus. João faz referência ao texto de Êx 3.14: “Disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU”. A Septuaginta ao traduzir esse texto, traduz como ho õn (ὁ ὢν), mesma expressão utilizada por João neste texto. Segundo Kistemaker, João se recusa a conformar o nome “EU SOU” às regras da gramática grega pois a preposição apó rege o genitivo, e João utiliza o nome de Deus no nominativo. João escreve de uma perspectiva judaica, segundo a qual, o nome de Deus não pode ser alterado por regras gramaticais.[9] João mostra a imutabilidade de Deus em uma simples construção de frase grega. João se refere à YHWH, Deus Todo-Poderoso e pai do nosso Senhor Jesus Cristo. Essa frase denota a eternidade de Deus que tem sob o seu controle a história humana.[10]

e da parte dos sete Espíritos que estão diante do seu trono. João continua com a preposição apó (ἀπὸ), continuando em uma base trinitária para dizer que a mensagem tem sua origem no Pai, no Espírito Santo e no Filho. João se refere à sete Espíritos que estão diante do trono de Deus. Alguns estudiosos defendem que são sete anjos pois às vezes espíritos são chamados de anjos (Hb 1.7,14). Aune afirma que não é o Espírito Santo, mas sim sete anjos.[11] Porém, neste caso, João está se referindo ao Espírito Santo. João nunca se refere ao Espírito de Deus como Espírito Santo, mas sim como Sete Espíritos (1.4, 3.1, 4.5, 5.6), justamente para descrever o Espírito de Deus, onde o número sete descreve a abundância da pessoa e obra do Espírito, que é revelado em Zacarias 4.2,6: “eis um candelabro todo de outro e um vaso de zeite em cima com suas sete lâmpadas e sete tubos, um para cada uma das lâmpadas que estão em cima do candelabro… Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o SENHOR dos Exércitos”. Zacarias nos mostra que a ilustração das sete lâmpadas do candelabro é uma referência ao Espírito Santo, mesma referência que João se utiliza nesse texto. O Espírito está diante do trono de Deus. O Espírito vêm da parte de Deus e é enviado por Deus. Beale afirma que essa menção aos sete Espíritos também aponta para o texto de Isaías 11.2 sobre o sétuplo Espírito de Deus: “Repousará sobre ele o Espírito do SENHOR, o Espírito de sabedoria e de entendimento, o Espírito de conselho e de fortaleza, o Espírito de conhecimento e de temor do SENHOR”.[12]

 

Vs. 5. καὶ ἀπὸ Ἰησοῦ Χριστοῦ, ὁ μάρτυς ὁ πιστός, ὁ πρωτότοκος τῶν νεκρῶν καὶ ὁ ἄρχων τῶν βασιλέων τῆς γῆς. Τῷ ἀγαπῶντι ἡμᾶς καὶ λύσαντι ἡμᾶς ἐκ τῶν ἁμαρτιῶν ἡμῶν ἐν τῷ αἵματι αὐτοῦ

Vs. 5. E da parte de Jesus Cristo, a fiel testemunha, o primogênito dentre os mortos e o soberano entre os reis da terra. Àquele que nos ama, e que nos libertou dos nossos pecados por meio de seu sangue.

E da parte de Jesus Cristo, a fiel testemunha, o primogênito dentre os mortos e o soberano entre os reis da terra. Jesus Cristo, assim como o Pai e o Espírito Santo é a origem da mensagem e da graça e da paz desejada pelo Apóstolo João às sete igrejas. João continua caracterizando a pessoa do Senhor Jesus. Ele é a fiel testemunha. A testemunha (μάρτυς) é aquela que presencia um fato, e conta aquilo que viu. A testemunha fiel (ὁ μάρτυς ὁ πιστός) é aquele que revela exatamente quem é o Pai por meio de suas obras, ensino e vida. Jesus Cristo é a testemunha fiel pois ninguém jamais viu a Deus, mas o Deus unigênito o tornou conhecido (Jo 1.18). Ele é a imagem do Deus invisível (Cl 1.15), e é a expressão exata do ser de Deus (Hb 1.3). Jesus Cristo não apenas viu a Deus como ele é, mas revelou a Deus plenamente em si e por si. Ele mesmo diz: quem me vê, vê o Pai (Jo 14.9). Ele é o primogênito dentre os mortos. Em Colossenses 1.15, Paulo diz que Jesus Cristo é o primogênito da criação. O termo grego protótokos (πρωτότοκος) pode se referir tanto a primeira na ordem do tempo, como um primeiro filho, ou poderia se referir a alguém que é destaque na classificação. O “primogênito” (Como traz a ARA, NVI e ACF) era filho mais velho de uma família ou uma pessoa de posição preeminente. A LXX usa este termo para descrever o rei Davi no Salmo 89.27. Aqui a ênfase parece estar sobre a prioridade de classificação de Jesus acima e além da criação.[13] Esse termo, frequentemente foi usado na LXX para designar aquele que teve um lugar especial no amor do pai. Israel é chamado de “meu amado filho” (υἰὸς πρωτότοκός μου, Ex 4:22), uma frase que expressa a relação particularmente estreita entre Deus e Israel. De toda a criação é um genitivo de subordinação (sobre toda a criação). Não é no sentido de fazer parte, mas de preceder toda criação e ser soberano sobre ela. O termo primogenitor dentre os mortos (ὁ πρωτότοκος τῶν νεκρῶν) em Ap. 1.5, nos sugere tanto a precedência no tempo como a supremacia. Aqui temos uma ideia predominante de precedência cronológica. Cristo é o primeiro a ressuscitar sem morrer novamente (diferentemente das pessoas que foram ressuscitadas, mas voltaram a morrer). Ele é o que inicia a ressurreição escatológica (cf. 1Co. 15:20). Jesus Cristo é o inaugurador de uma nova humanidade.[14]

Ele é o soberano entre os reis da terra (ὁ ἄρχων τῶν βασιλέων τῆς γῆς). Jesus Cristo está acima de todos os imperadores. Jesus Cristo é o príncipe, o primeiro, o governador que está acima de todos os reis. Ele está assentado em um trono de glória e reina sobre céus e terra. Tudo veio dele e é para ele. Segundo Ladd, Jesus Cristo, por sua ressurreição foi exaltado à mais alta posição como filho primogênito, coroado de glória.[15] E por isso seu nome está acima de todo nome. Por trás de todos os acontecimentos caóticos da história, onde reis pensam estar no controle, sabemos que Jesus Cristo foi exaltado à destra de Deus e governa sobre céus e terra. Apesar de o Imperador Domiciano requerer adoração para si, pensando ter o controle de tudo e todos, chamando-se de deus, a igreja do Senhor Jesus sabe que o seu Senhor está acima de todos, e Domiciano se curvará diante dele e prestará contas para ele, assim como todos os governantes da terra.

Àquele que nos ama, e que nos libertou dos nossos pecados por meio de seu sangue. Primeiramente João afirma que Jesus Cristo nos ama (ἀγαπῶντι ἡμᾶς). O verbo agapónti é um particípio presente ativo. Esse particípio tem como verbo principal o verbo epoiesen (ἐποίησεν) que é um aoristo, o que dá ideia de simultaneidade e continuidade em relação ao verbo principal.[16] O amor de Cristo é algo contínuo e que permanece. Ele está amando agora. Em seguida, João utiliza o verbo “nos libertou” (λύσαντι ἡμᾶς) que é um verbo particípio aoristo ativo. Esse verbo também acompanha o verbo epoiesen (ἐποίησεν) que é um aoristo, porém por ser um particípio aoristo, ele dá a ideia de anterioridade ao verbo principal.[17] Ou seja, primeiramente fomos libertos, e então fomos feitos reino e sacerdotes. Esse verbo no textus receptus traz λoύσαντι (que lavou) ao invés de libertou. De fato, segundo Osborn, um dos sentidos básicos de λύω é de libertar.[18] Deve-se preferir a leitura λύσαντι porque tem o apoio dos melhores manuscritos, além de concordar com a linguagem do AT (Isaías 40.2 LXX), além de combinar com a ideia do v. 6a.[19] Jesus Cristo nos ama e por isso nos libertou de uma vez por todas. O tempo do verbo nos dá a ideia de um ato rendentivo concluído. Os cristãos em face da perseguição romana deveriam lembra-se que Cristo morreu para liberta-los porque os amava, e os continuava amando. Esse amor de Deus é demonstrado na história objetivamente por meio da morte de Cristo. Em Romanos 5.8 temos: “Mas Deus prova o seu amor para conosco, pelo fato de Cristo ter morrido por nós, sendo nós ainda pecadores”. A palavra sangue (αἵματι) é um substantivo dativo que mostra que o sangue foi o instrumento pelo qual Deus utilizou para libertar os eleitos. O sangue aponta para o sacrifício do cordeiro no altar, representando a morte sacrificial e substitutiva pelos pecadores. Temos essa figura tanto no Dia da Expiação quanto na Páscoa, onde Cristo é o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, e com seu sangue paga o preço para libertar os homens da escravidão do pecado.

 

Vs. 6. καὶ ἐποίησεν ἡμᾶς βασιλείαν, ἱερεῖς τῷ θεῷ καὶ πατρὶ αὐτοῦ— αὐτῷ ἡ δόξα καὶ τὸ κράτος εἰς τοὺς αἰῶνας τῶν αἰώνων· ἀμήν.

Vs. 6. E nos fez reino e sacerdotes para seu Deus e Pai, a ele a glória e o poder pelos séculos dos séculos, amém!

E nos fez reino e sacerdotes. O verbo epoiesen (ἐποίησεν) é um aoristo ativo que mostra que fomos feitos de uma vez por todas. Não se trata de um processo, mas de um ato único de Deus para com seu povo. Ele nos fez reino (βασιλείαν), sacerdotes para seu Deus e pai (ἱερεῖς τῷ θεῷ καὶ πατρὶ αὐτοῦ). João leva em conta o texto de Êx 19.6 que diz: “vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa”. Pedro também utiliza-se desse texto em 1Pe 2.9. Esse conceito de sacerdócio abrange a ideia de acesso a Deus em conhecimento íntimo, bem como do papel profético do sacerdócio ao proclamar o conhecimento de Deus.[20] Os crentes foram libertos pelo sangue de Cristo para se tornarem proclamadores do reino de Deus. Além de sacerdotes, selecionados no meio da humanidade para o serviço de Deus, cumprindo a promessa de Êx 19.6. Temos aqui o reino no singular, e sacerdotes no plural. Eles são reino no sentido de habitarem o reino, serem propriedade exclusiva do rei e reinarem com Cristo nesse reino, como um só povo. Além disso, cada um individualmente é um sacerdote e tem livre acesso a Deus.

Os cristãos são feitos reino e sacerdotes para seu Deus e Pai (τῷ θεῷ καὶ πατρὶ αὐτοῦ). Assim como Cristo é rei e sumo-sacerdote servindo a seu Deus e Pai, os cristãos são feitos por causa do sangue de Cristo reino e sacerdotes para seu Deus e Pai. As palavras τῷ θεῷ são um dativo de destino,[21] ou seja, Deus Pai é o alvo e o fim do reinado e serviço dos crentes.

A Ele a Glória e o Poder pelos séculos dos séculos, Amém! (αὐτῷ ἡ δόξα καὶ τὸ κράτος εἰς τοὺς αἰῶνας τῶν αἰώνων· ἀμήν.) A Ele (αὐτῷ) é um dativo de destino, a Cristo devem ser destinados a glória e o poder. João faz uma doxologia nesse momento, uma adoração a Cristo por sua glória e domínio, lembrando que somente Cristo e não César ou qualquer outro poder deste mundo é digno de ser louvado, pois somente Cristo é capaz de efetuar redenção.[22] A palavra glória (δόξα) e uma tradução da palavra kabôd que tem como significado algo pesado a que se dá importância, riqueza (Gn 13.2, 31.3) ou honra (Gn 45.13). A glória de Deus está ligada normalmente ao seu nome, sua divindade.[23] Por isso Deus não dá glória a outro. Jesus Cristo é aquele que tem a mesma glória do Pai. Na oração sacerdotal, o Senhor Jesus disse: “Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste para fazer, e agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo”. Jesus foi glorificado em sua ressurreição. Além disso, devem ser lhe tributados o poder (κράτος). Essa palavra significa força, poder, controle, supremacia. Quando unida à palavra glória (Ap 1.6, 5.13,1Pe 4.11) nos dá a ideia de um poder supremo e vitorioso.[24] Ou seja, Cristo tem todo o poder e glória pois é o cordeiro que venceu e governa sobre o universo.

Pelos séculos dos séculos, Amém! A glória e o poder são para Cristo para todo o sempre. As palavras pelos séculos (εἰς τοὺς αἰῶνας) começam com a preposição εἰς (para) acompanhando o acusativo dando a ideia de tempo.[25] O governo vitorioso e glorioso de Cristo durará para todo o sempre. Boa parte dos manuscritos não aparecem as palavras τῶν αἰώνων (dos séculos).[26] Porém forma mais longa acontece onze vezes em Apocalipse (Ap. 1.18, 4.9-10, 5.13, 7.12, 10.6, 11.15, 15.7, 19.3, 20.10, 22.5), sendo possível que seja o mesmo caso neste versículo. A doxologia termina com a palavra “amém”. Essa palavra é utilizada para a conclusão de orações e doxologias (Gl 1.5, Ef 3.21, 1Tm 1.17). Neste caso atesta louvor a Deus como resposta à doxologia.[27]

 

Vs. 7. Ἰδοὺ ἔρχεται μετὰ τῶν νεφελῶν, καὶ ὄψεται αὐτὸν πᾶς ὀφθαλμὸς καὶ οἵτινες αὐτὸν ἐξεκέντησαν, καὶ κόψονται ἐπʼ αὐτὸν πᾶσαι αἱ φυλαὶ τῆς γῆς. ναί, ἀμήν.

Vs. 7. Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, também aqueles que o traspassaram, então lamentarão perante ele todas as nações da terra. Certamente, Amém!

Eis que vem com as nuvens. Segundo Kistemaker, esse verso é uma passagem litúrgica que foi composta e circulava na igreja primitiva. É uma estrofe de quatro versos, seguida pela conclusão “sim, de fato. Amém”.[28] Neste caso temos o anúncio profético baseado nas profecias do Antigo Testamento da vinda do Filho do Homem (Dn 7.13, Zc 12.10). Aqui temos o primeiro anúncio do retorno de Cristo, que é enfatizado em Ap. 22. João diz: “Veja”. Ele mostra a realidade da vinda de Cristo como algo real e incontestável. O verbo (Ἰδοὺ) dá a ideia de chamar a atenção para algo extremamente importante, real e que acontecerá em breve. Em seguida ele diz: ele vem com as nuvens (ἔρχεται μετὰ τῶν νεφελῶν). O verbo vem (ἔρχεται) está no presente, que dá a ideia de algo que acontecerá com certeza, incontestavelmente. Com as nuvens (μετὰ τῶν νεφελῶν) aponta para os sinais visíveis com que Deus manifesta a sua majestade.[29] Nuvens envolvem Jesus e seus anjos (Êx 13.21, Mt 16.27, 24.30-31). Além disso o salmista diz: “toma as nuvens por teu carro” (Sl 104.3). A ideia de nuvens na vinda de Cristo mostra a sua divindade e aponta para o mesmo modo de como ele subiu, ele voltará.

E todo olho o verá. Hendriksen afirma que a bíblia nada sabe sobre uma segunda vinda invisível e secreta.[30] Todo olho o verá (καὶ ὄψεται αὐτὸν πᾶς ὀφθαλμὸς). Neste caso João utiliza a palavra pas (πᾶς) para determinar que cada pessoa verá a vinda do Senhor Jesus, de modo nenhum será algo invisível ou secreto. Isso inclui também aqueles que o traspassaram. Aqueles que o crucificaram, e aqueles que têm ferido a Cristo por meio de suas vidas de rebeldia. Essa expressão é utilizada em Zacarias 12.10,14.[31] Aqueles que o crucificaram, então descobrirão que ele é o Cristo, o Senhor dos Senhores e rei dos reis. Ele será reconhecido como rei e juiz do mundo.[32]

Então lamentarão perante ele todas as nações da terra. João utiliza a conjunção kai (καὶ) para dar continuidade à frase anterior. Desta forma, depois de terem visto e reconhecido quem ele é, então eles lamentarão sobre ele(κόψονται ἐπʼ αὐτὸν). Esse verbo literalmente significa bater, bater no peito, que dá a ideia de lamento.[33] Neste caso, temos um lamento escatológico onde não há mais espaço para arrependimento (cf. Zc 12.10). Segundo Stahlin, esse lamento é uma combinação de remorso pela morte de Jesus com tristeza frente ao dano pessoal no juízo.[34] Eles compreendem a verdade com a vinda de Cristo, mas essa compreensão vem tarde demais. Além disso, o juízo de Cristo virá sobre todos pois ele governa sobre todos. Terminando a frase temos “Certamente. Amém!” (ναί, ἀμήν). Temos uma repetição, típica do hebraico, porém, primeiro há uma expressão tipicamente grega que significa “certamente”, “de fato”, seguida da expressão hebraica sinônima. Além disso, o amém nesse versículo é próximo ao Sim divino, que é aqui a base da repetição escatológica. Mesmo sentido do amém em 2Co 1.20 é o mesmo, pois o Sim de Deus em Cristo é o fundamento do Amém da comunidade. Cristo como a própria testemunha pode ser chamado de “o Amém” ao responder ao divino sim que é declarado nele (Ap 3.14).[35]

 

Vs. 8. Ἐγώ εἰμι τὸ Ἄλφα καὶ τὸ Ὦ, λέγει κύριος, ὁ θεός, ὁ ὢν καὶ ὁ ἦν καὶ ὁ ἐρχόμενος, ὁ παντοκράτωρ.

Vs. 8. EU SOU o Alfa e o Ômega, diz o SENHOR Deus, aquele que é, que era e que vem, o Rei do Universo.

Temos uma autodesignação de Deus, que é repetida por João em Ap. 21.6 com um acréscimo: “Eu su o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim”. A questão principal aqui é determinar quem está falando, Deus Pai ou Jesus Cristo. Aqui temos “Eu sou o Alfa e o Ômega”. Em Ap. 1.17 Jesus diz: “Eu sou o Primeiro e o Último”. Em Ap. 21.6, Deus diz: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o Início e o Fim”. E Cristo diz em Ap. 22.13: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Início e o Fim”. Considerando a sequência de 1.17,18 (eu sou o primeiro e o último), neste caso é o Senhor Jesus quem está falando acerca de si mesmo, seguindo a sequência em diante.[36]

Temos inicialmente as palavras EU SOU (Ἐγώ εἰμι), palavras muito utilizadas pelo Senhor Jesus nos evangelhos. Jesus Cristo atribuía a si mesmo o nome de Deus. No Antigo Testamento, quando Moisés pergunta ao Senhor qual é o seu nome, Deus lhe responde: “EU SOU O QUE SOU” (Êxodo 3.14). Em Deuteronômio 32.39 temos: “Vede agora que eu sou, eu somente, e nenhum outro Deus além de mim”. O nome que Deus se apresenta ao seu povo é Yahweh (YHWH), que significa EU SOU. Jesus constantemente utiliza as palavras EU SOU para revelar-se ao seu povo. João nos revela por pelo menos vinte e cinco vezes Jesus diz que ELE É. Em alguns momentos utilizando predicados como: “Eu sou o pão da vida” (João 6.48). “Eu sou a luz do mundo” (João 8.12). “Eu sou a porta” (João 10.9). “Eu sou o bom pastor” (João 10.11). “Eu sou a ressurreição e a vida” (João 11.25). “Eu sou a videira verdadeira” (João 15.1). Em João 14.6 temos: “EU SOU o caminho, a verdade e a vida, ninguém VEM ao Pai a não ser por mim”. Jesus diz que ELE É o único caminho, a única verdade e a única vida que levam ao Pai. É interessante notar que o verbo utilizado é o verbo “vem”, que aponta para Cristo junto ao Pai e não o verbo “vai” que apontaria para o Pai em outra direção fora de Cristo, e com isso Jesus mostra que ele e o Pai são um. Isso é o que Jesus responde a Filipe logo em seguida, quando Filipe pede que Jesus mostrasse o Pai para seus discípulos. Jesus responde: “Quem me vê, vê o Pai” (João 14.9). Em outros momentos Jesus utiliza as palavras EU SOU sem nenhum predicado, fazendo uma alusão clara ao nome Yahweh, nome impronunciável de Deus para os judeus. Nome que somente Deus tem. Esse nome é traduzido para o português, muitas vezes, como SENHOR. Ao passo que “Senhor” é a tradução de Adonai. A palavra Senhor pode ser utilizada para qualquer pessoa de autoridade. Porém SENHOR é utilizado apenas para Deus no Antigo Testamento. No Novo Testamento, a tradução tanto de SENHOR quanto de Senhor é Kyrios. Utilizada para o Pai e para Jesus.[37] Porém, as palavras EU SOU, um hebraísmo é encontrado no evangelho de João, mostrando claramente que Jesus revela sua divindade, e que para crer nele, é necessário crer que ELE É, ou seja, que Jesus é Deus Todo-Poderoso. Em João 4.26, Jesus revela-se à mulher samaritana, que havia dito que esperava o Messias: “EU SOU, eu que falo contigo”. Em João 8.24, Jesus diz: “Se não crerdes que EU SOU morrereis em vossos pecados”. Em João 8.28 temos: “Quando levantardes o Filho do Homem, então sabereis que EU SOU e que nada faço por mim mesmo”. Em João 8.58, Jesus revela sua divindade e sua eternidade: “Antes que Abraão existisse, EU SOU”. Em João 13.19: “Desde já vos digo, antes que aconteça, para que quando acontecer, creiais que EU SOU”. Por fim, em João 18.6, quando os guardas levitas vão até Jesus para prendê-lo, ele revela-se: “Jesus lhes disse: EU SOU, recuaram e caíram por terra”. Quando Jesus diz EU SOU, eles caem por terra diante dele. Ninguém o prendeu porque o subjugaram, antes, o prenderam porque ele espontaneamente se entregou. “O EU SOU de Cristo, absoluto e sem predicado, tem o mesmo alcance que o EU SOU de Iavé.”[38] Sua identidade é sem par e sem limites.

Ele diz: “Ἐγώ εἰμι τὸ Ἄλφα καὶ τὸ Ὦ” (Eu sou o Alfa e o Ômega). Neste caso ele faz referência à primeira e última letras do alfabeto grego, dando a ideia de que Jesus Cristo é o primeiro e o último, como ele mesmo diz em Ap. 1.17. Segundo Aune, as letras A e W no alfabeto grego em papiros antigos serviam como abreviação das sete vogais que representavam o nome de Deus.[39] Ao atribuir a Cristo as mesmas atribuições de Deus, João demonstra a divindade de Cristo.

Depois de ômega (Ὦ), o textus receptus, em concordância com alguns manuscritos e algumas versões, acrescenta αρχή καὶ τέλος (princípio e fim). Se o texto longo fosse o original, não haveria como explicar o surgimento do texto mais breve. Parece claro que a presença da formulação mais longa em 21.6 levou alguns copistas a ampliar o texto desse versículo.[40]

Diz o SENHOR Deus (λέγει κύριος, ὁ θεός). A combinação “SENHOR Deus” ocorre onze vezes em Apocalipse (1.8, 4.8,11, 11.17, 15.3, 16.7, 18.8, 19.6, 21.22, 22.5,6). Nesse momento temos o nome de YHWH Elohim em hebraico traduzido para o grego. Quando utilizado dessa maneira no AT, ele faz alusão à aliança com seu povo. O Deus que tem um pacto com Abraão, Isaque e Jacó. Em Gênesis 1.1 a Gênesis 2.3, Deus é chamado apenas de Elohim. Porém a partir de Gênesis 2.4, quando há uma ênfase na criação do homem e do pacto de Deus com o homem (seja das obras, seja o da graça em Gn 3.15), o nome de Deus é apresentado de forma diferente, como YHWH Elohim. Nesse caso, após dizer que Jesus Cristo virá nas nuvens, a vinda do Messias é certa, pois ele mesmo prometeu. Ele é o início e fim na história do homem, tudo foi feito por ele, e tudo terá um fim planejado por ele. Foi YHWH Elohim quem prometeu a Adão e Eva que o descendente da mulher pisaria na cabeça da serpente (Gn 3.15). YHWH Elohim (κύριος, ὁ θεός em grego) foi quem prometeu que todas as famílias da terra seriam benditas em Abraão (Gn 12.3). Foi YHWH Elohim quem prometeu que o descendente de Davi se assentaria no trono para todo o sempre (2Sm 7.12). Porque Ele é imutável e porque ele cumpre suas promessas, podemos crer e estar certos que Jesus Cristo, o próprio YHWH Deus, virá nas nuvens com poder e grande glória.

Aquele que é, que era e que vem, o Rei do Universo. (ὁ ὢν καὶ ὁ ἦν καὶ ὁ ἐρχόμενος, ὁ παντοκράτωρ). Temos aqui uma continuação da designação da divindade do Senhor Jesus. Aquele que é, que era e que vem é uma sequência do verbo ser no grego em diferentes tempos. Aquele que é (ὁ ὢν) é um particípio presente que demonstra a existência de Deus contínua no tempo hoje. Aquele que era (ὁ ἦν) é um imperfeito que mostra a contínua existência de Deus desde a eternidade no passado. Aquele que vem (ὁ ἐρχόμενος) é um particípio presente do verbo vir, que mostra a certeza, por estar no presente, que ele virá e dará vitória à sua igreja. Segundo Osborn ele é o “Deus eterno que une passado, presente e futuro sobre seu controle soberano”.[41] Essa sequência de frases aponta para o nome de Deus no AT (EU sou o que sou), da mesma maneira que o EU SOU dito anteriormente, e na repetição, típica do hebraísmo, João aponta para a divindade do Senhor Jesus. O único que deve ser adorado pelos cristãos, e não César. Ele é o Governador de Todas as coisas (ὁ παντοκράτωρ) . Essa palavra é a junção da palavra “poder”, “supremacia” (κράτος)[42] com a palavra “todas as coisas” (παντα). Ele tem a supremacia sobre todas as coisas. Ele é o governador do universo, o Todo-Poderoso. O termo pantokrator muitas vezes traduz o título veterotestamentário “Senhor dos Exércitos” na LXX (cf. 2Sm 5.10, Jr 5.14, Am 3.13), dando ênfase à onipotência e autoridade de Deus sobre todos os poderes do mundo.[43] Ou seja, ele tem domínio sobre toda a história, sobre tudo que existe, no passado, presente e no futuro, ele tem toda autoridade sobre os poderes cósmicos e terrenos cumprindo o que ele mesmo diz em Mateus 28.18: “Toda autoridade me foi dada no céu e na terra”.

 

2.1.6) Mensagem para a Época da Escrita

João dirige-se às sete igrejas da Ásia menor em um contexto de perseguição do Imperador Romano. Diante disso, ele saúda a igreja demonstrando que a esperança da igreja deve estar em Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Jesus Cristo é a fiel testemunha, o mártir que foi fiel até o fim, e as igrejas deveriam permanecer testemunhando e fiel, mesmo em face da morte. Ele é o promogênito entre os mortos, aquele que morreu mas ressuscitou e venceu a morte, e as sete igrejas deveriam ter sua esperança na ressurreição e não em uma libertação passageira. Jesus Cristo os libertou com seu sangue, e eles deveriam então serem reino e sacerdotes de Deus. Eles devem adorar a Jesus Cristo, que é o Deus Todo-Poderoso e eterno. Não devem temer a César mas a Cristo. Por fim, as igrejas da Ásia menor são chamadas a esperarem pelo retorno de Cristo, pois ele virá para dar a vitória final à sua igreja, para a glória de Deus.

 

2.1.7) Mensagem para todas as Épocas

A mensagem de Apocalipse 1.4-8 é atual e fala para todas as épocas também. O cristão é desafiado, mesmo em face do sofrimento que tem nesse presente século, a olhar para o porvir, e ter sua esperança na vinda de Cristo e na ressurreição dos mortos. A igreja é chamada a reconhecer a divindade do nosso Senhor Jesus Cristo, não mais vendo-o como um Cristo pregado em uma cruz e impotente, mas como o pantocrator, o Todo-Poderoso que virá para julgar as nações e para dar vitória à sua igreja. Nossa esperança está somente nele.

O cristão é desafiado nesse texto também a buscar ser propriedade exclusiva de Deus, como reino, e buscar servir a Deus como sacerdotes do Senhor, proclamando sua palavra e a volta de Cristo, exaltando-o como Deus e prestando culto a ele.

 

2.1.8) Teologia do Texto

2.1.8.1) Implicações para a Teologia Bíblica

O Filho do Homem de Daniel 7.13,14 aplicado a Ap. 1.7

O texto de Daniel 7.13, 14 é aplicado pelo apóstolo João em Apocalipse 1.7. A expressão “filho do homem” é de longe a mais utilizada a respeito de Jesus em todo o Novo Testamento e o modo favorito de Jesus ao se referir a si mesmo. Ele refere a si mesmo como Filho do Homem por mais de quarenta vezes. Contudo, esse título poderia significar apenas um homem comum, como a própria tradução do termo grego parece trazer. No Hebraico, o significado poderia ser Filho de Adão. Entretanto, ao olhar para o Antigo Testamento, o contexto do título “Filho do Homem” encontra-se no livro de Daniel, quando este tem uma visão, na qual observa quatro animais selvagens, surgindo um após o outro do mar.[44] Eles simbolizam quatro impérios mundiais sucessivos. Depois disto ele diz: “eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do Homem, e dirigiu-se ao Ancião de Dias, e o fizeram chegar até ele. Foi-lhe dado domínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas o servissem; o seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruído” (Dn 7.13,14). Por meio desse título, Jesus Cristo reivindicou para si tanto a dignidade messiânica quanto a função messiânica.[45] Desta maneira, Jesus ao declarar-se o Filho do Homem, dá uma ênfase tanto à sua humanidade quanto sua deidade. Nos Evangelhos é possível vermos que o Filho do Homem vem para julgar, salvar e reinar. Em cada uma dessas ações, Jesus faz isso como ser divino e humano.[46] Ele é o segundo Adão que é o representante dos homens diante de Deus, mas ao mesmo tempo é o Deus Todo-Poderoso que pode cumprir a lei perfeitamente, pagar o preço pelos pecados da humanidade suportando a ira do Pai e ressuscitar ao terceiro dia. Desta maneira, temos primeiramente em Daniel 7.13,14 uma demonstração da divindade de Jesus, aplicada por João. É dito em Daniel que foi-lhe dado domínio, glória e o reino, e João diz que ele é o pantokrator (governador sobre tudo). Em segundo lugar, temos a demonstração em Daniel 7.13,14 de como será a vinda do Senhor Jesus, e aplicada diretamente pelo apóstolo João. Ele virá nas nuvens do céu para reinar para todo o sempre sobre pessoas de todas as nações.

 

2.1.8.2) Implicações para a Teologia Sistemática

Cristologia

            João aponta para a divindade de Cristo durante todo o tempo nesse texto. Ele aponta para a eternidade de Cristo (aquele que é, que era e que há de vir – vs. 8). Ele aponta para a divindade de Cristo ao citar o texto de Daniel 7.13,14, como já vimos no ponto anterior em Teologia Bíblica. Ele aponta para a imutabilidade e soberania de Cristo mostrando que ele é o Alfa e o Ômega (o princípio e o fim). Além disso, aponta para a onipotência de Cristo ao chamá-lo de pantocrator, o Todo-Poderoso. Ele também é chamado de SENHOR Deus, nome de Deus no AT.

Além disso, João aponta para a obra de Cristo no vs. 5. Jesus Cristo nos libertou dos nossos pecados pelo seu sangue. João aponta para o resgate feito por Cristo na redenção, onde os nossos pecados foram perdoados, sendo libertados por Deus do Império das Trevas e transportando-nos para o Reino do Filho. Além disso, João aponta para o sacrifício substitutivo de Cristo em nosso lugar. Ele é o cordeiro pascal que morreu em lugar dos eleitos. Ele é a expiação e propiciação por nossos pecados.

 

Trindade

            João utiliza uma fórmula trinitária para iniciar sua dedicatória às sete igrejas. Ele diz que a graça e a paz são provenientes do Espírito Santo, e o identifica como os sete Espíritos, apontando para Zacarias 4.2,6 e para Isaías 11.2. Ele segue apontando para a pessoa e obra de Cristo, que nos libertou dos pecados pelo seu sangue, e por fim aponta para o Pai, quando diz que Cristo nos constinuiu reino e sacerdotes para seu Deus e Pai.

Tanto o Pai quanto o Filho são chamados de Alfa e Ômega. Somente em Apocalipse 21.6 ocorre essa descrição de Deus. Em Apocalipse 1.8 e 22.13 esse título é atribuído a Jesus. Segundo Guthrie:

esse título é especialmente significativo em um livro que trata muito do fim dos tempos. Ele concebe toda a extensão da história em termos da atividade de Deus. Não há lacunas. Esse conceito está estreitamente relacionado ao conceito de Deus como Criador.[47]

 

Escatologia

Apocalipse aponta desde seu início para a vinda de Cristo. Nesse texto, temos o primeiro indício dessa vinda (1.7). Nesse caso, João está mostrando que a vinda de Cristo é certa e iminente. Guthrie aponta que uma manifestação future de Cristo é inegável no Apocalipse, e está em harmonia com a evidência de outros livros no NT. [48]

A vinda de Cristo será uma vinda visível. As testemunhas de Jeová afirmam que Cristo voltou de forma secreta em 1914. Porém o texto de Apocalipse 1.7, segundo Hoekema, “exclui qualquer concepção dessa espécie sobre a segunda vinda”[49] (cf. Tt 2.11-13). Apocalipse além disso, aponta para um forte senso de expectativa da volta de Cristo, seja nesse texto de Ap. 1.7: “Eis que vem com as nuvens e todo olho o verá”. Seguido por “Venho sem demora, conserva o que tens, para que ninguém tome tua coroa” em Ap. 3.11. por fim em Ap. 22.20, no penúltimo versículo do NT temos: “Aquele que dá testemunho dessas coisas diz: Certamente, venho sem demora. Amém! Vem, Senhor Jesus!”.[50]

 

2.1.8.3) Implicações para a Teologia Prática

John Walvoord conclui sobre essa periscope:

Se nada mais tivesse sido escrito além dessa porção introdutória do capítulo 1, ela teria representado uma tremenda reafirmação da pessoa e da obra de Cristo que não é encontrada de modo comparável em nenhuma outra seção das Escrituras.[51]

O texto de Apocalipse 1.4-8 nos mostra a tensão entre o já e o ainda não. A escatologia realizada, em tudo aquilo que já recebemos por meio da morte vicária do Senhor Jesus, pois já somos reino e sacerdotes, reinando com ele e servindo-o, e já fomos libertos da escravidão do pecado. Porém ainda sofremos, e também devemos aguardar com grande expectativa a vinda do Senhor Jesus para o cumprimento da redenção final, destruindo o mal, sendo transformados com um corpo glorificado, e reinando com ele para todo o sempre na Nova Jerusalém. Desta forma, somos chamados a viver com gratidão por tudo que Cristo é e fez por nós, e com expectativa por sua volta.

A igreja precisa ter uma visão da glória do Noivo da Igreja, que foi preparar lugar para sua noiva e está voltando (cf. Jo 14). É necessário que a igreja esteja como as virgens prudentes com suas lâmpadas cheias de azeite (cf. Mt 25.1-13).

 

3) Sermão

Título do Sermão:

Tema: A visão da escatologia realizada e da escatologia futura como esperança para uma igreja que sofre

Doutrina: Cristologia e Escatologia

João escreve às sete igrejas da Ásia menor, que estão passando por perseguições por parte do Imperador Romano. A igreja sofre, mas João conclama-os a adorar a Trindade Santa, a olhar para tudo que já foi realizado por Cristo na cruz, percebendo que já são reino e sacerdotes por meio do sangue de Cristo, servindo e proclamando o reino. E devem olhar para o futuro, para a volta de Cristo como maior esperança da igreja, ele virá e todo olho verá e ele julgará todas as nações, e tem todo poder pois é Deus, tem todo poder e é eterno e imutável.

Necessidade: Fazer com que os cristãos compreendam que mesmo em face das dificuldades e sofrimentos, devem compreender que já desfrutam de bênçãos espirituais na presente era, e desfrutarão muito mais na vinda de Cristo. A maior esperança do cristao deve ser a volta de Cristo.

Imagem: A imagem de João 14 em paralelo com o casamento judaico. Jesus Cristo subiu aos céus para preparar morada para sua noiva, e voltará. Está a sua noiva preparada para a vinda do noivo, para as bodas do cordeiro?

Objetivo: Causar uma mudança na visão da igreja sobre sua esperança baseada apenas emu ma visão material, mas perceber o que Cristo já fez, e gerar a expectativa da volta do Senhor Jesus.

Esboço:

Introdução

A igreja hoje muitas vezes está em busca de conforto e prosperidade. Sua maior expectativa não está na vinda de Cristo, mas na busca por um cristianismo que seja relevante para a cultura e que tenha uma expectativa de alívio momentâneo. Porém, somos conclamados a olhar para uma outra visão no livro de Apocalipse. A vinda de Cristo é certa e nossa expectativa deve ser ardente por isso. Está a igreja olhando e aguardando pelo noivo, olhando para o que ele fez, e para sua vinda, ou está como as noivas nécias, preocupada com coisas triviais e sem azeite?

 

Pontos e Subpontos

  • A escatologia realizada como esperança para a igreja que sofre (1.4-6)

A trindade como base para esperança cristã

A esperança por quem é Jesus: fiel testemunha, primogênito entre os mortos, Soberano dos reis da terra

A esperança pelo que Jesus fez: nos ama, derramou seu sangue por nós, nos libertou dos nossos pecados, nos contituiu reino e sacerdotes.

Essa deve ser a base para nossa adoração.

  • A escatologia futura como esperança para a igreja que sofre (1.7,8)

A esperança da igreja porque Cristo voltará assim como ele foi. Assim como ele ressuscitou, ele também voltará como prometeu.

A esperança por quem Cristo é: o Deus todo-poderoso, o Alfa e o Ômega.

 

Conclusão e Aplicação

Uma vez que compreendemos tudo que já recebemos e temos a expectativa pelo que vamos experimentar na vinda de Cristo devemos viver:

  • Com gratidão por tudo que já temos recebido
  • Com perseverança mesmo em meio ao sofrimento
  • Com expectativa ardente pela vinda de Cristo e a redenção final.

 

Conclusão

Podemos perceber, após esse trabalho de Apocalipse 1.4-8 que João, já no prólogo aponta para um resumo de todo o livro de Apocalipse. Ele mostra que as sete igrejas devem olhar para Cristo, seu Salvador e soberano sobre tudo e não para César. Eles devem temer a Deus e não ao imperador romano. Sua esperança deve ser na vinda de Cristo e não em uma busca por auto-preservação temporária. Para isso, eles devem compreender o que Cristo fez por eles, pois ele derramou seu sangue por seus pecados, e então eles devem estar dispostos a morrer por Cristo. Ele os constituiu reino e sacerdotes para Deus, e por isso eles não pertencem mais a si mesmos, mas devem servir a Deus, independentemente de circunstâncias. Além disso, a igreja deve compreender quem Cristo é: ele é a testemunha fiel, e eles devem ser mártires, testemunhas fieis, proclamando a Cristo e apontando para o seu redentor. Ele é o primogênito dentre os mortos, por isso eles devem ter a esperança de que não permanecerão na morte, e ele é o soberano entre os reis da terra, por isso eles não devem se curvar e nem temer a César. Por fim, a igreja deve saber que Cristo voltará. É certa sua vinda, e todo olho verá, incluindo aqueles que o mataram, e aqueles que continuam negando-o com suas ações e vida. Ele virá e eles serão julgados por ele. E sua igreja reinará com ele para todo o sempre. Amém.

Jesus ocupa o centro de todas as coisas como o agente da revelação de Deus em Apocalipse (vs. 1, 2). Ele é a fiel testemunha, o primogenitor dentre os mortos e o soberano sobre os reis da terra (vs. 5a). Jesus Cristo é seu redentor e rei. Jesus Cristo é o Deus Todo-Poderoso e eterno. E Jesus Cristo voltará para encontrar sua noiva e dar-lhe a vitória final.

 

Bibliografia

[1] LADD, George E. Apocalipse: Introdução e Comentário. São Paulo: Vida Nova; 2011, p. 9.

[2] BLAIKLOCK; E. M. “Domiciano”. in: TENNEY, Merril C. Enciclopédia da Bíblia – Vol 2. São Paulo: Cultura Cristã, 2008, p. 217.

[3] SHAFF, Philip. History of the Christian Church. Grand Rapids: Eerdmans Publiching Company, 1994, p. 427.

[4] OSBORN, Grant R. Comentário Exegético: Apocalipse. São Paulo: Vida Nova, 2014, p. 79.

[5] RIDDERBOS, Herman N.  A teologia do apóstolo Paulo: a obra definitiva sobre o pensamento do apóstolo aos gentios. São Paulo: Cultura Cristã, 2004. p. 58.

[6] LADD, George Eldon. Apocalipse: Introdução e Comentário. São Paulo: Vida Nova, 2014, p. 21.

[7] KISTEMAKER, Simon. Apocalipse. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2014. p. 112.

[8] KISTEMAKER, Simon. Apocalipse. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2014. p. 112.

[9] KISTEMAKER, Simon. Apocalipse. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2014. p. 113.

[10] LADD, George Eldon. Apocalipse: Introdução e Comentário. São Paulo: Vida Nova, 2014, p. 21.

[11] AUNE, David E. Word Biblical Commentary – Revelation 1-5. Dallas: Word Books, 1997, p. 272.

[12] BEALE, G. K., CARSON, D. A. Comentário do uso do Antigo Testamento no Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2014, p. 1327.

[13] O’BRIEN, Peter T.. Word Biblical Commentary : Colossians-Philemon. Dallas: Word, Incorporated, 2002 (Word Biblical Commentary 44).

[14] RIDDERBOS, Herman N. A teologia do apóstolo Paulo: a obra definitiva sobre o pensamento do apóstolo aos gentios. São Paulo: Cultura Cristã, 2004. p. 58

[15] LADD, George Eldon. Apocalipse: Introdução e Comentário. São Paulo: Vida Nova, 2014, p. 21s.

[16] WALLACE, Daniel B. Gramática Grega. São Paulo: Editora Batista Regular do Brasil, 2009, p. 625.

[17] WALLACE, Daniel B. Gramática Grega. São Paulo: Editora Batista Regular do Brasil, 2009, p. 624.

[18] OSBORN, Grant R. Apocalipse: Comentário Exegético. São Paulo: Vida Nova, 2014, p. 70.

[19] OMANSON, Roger L. Variantes Textuais do Novo Testamento. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2010, p. 547.

[20] BAEHR, J. Sacerdote. In: COENEN, Lothar; BROWN, Colin. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2000, p. 2185.

[21] WALLACE, Daniel B. Gramática Grega. São Paulo: Editora Batista Regular do Brasil, 2009, p. 147.

[22] OSBORN, Grant R. Apocalipse: Comentário Exegético. São Paulo: Vida Nova, 2014, p. 73.

[23] RAD, G. Von. Dóxa. In: KITTEL, Gehard; FRIEDRICH, Gehard. Dicionário Teológico do Novo Testamento. Vol 1. São Paulo: Cultura Cristã, 2013, p. 196.

[24] MICHAELIS, W. Krátos. In: KITTEL, Gehard; FRIEDRICH, Gehard. Dicionário Teológico do Novo Testamento. Vol 1. São Paulo: Cultura Cristã, 2013, p. 517.

[25] WALLACE, Daniel B. Gramática Grega. São Paulo: Editora Batista Regular do Brasil, 2009, p. 369.

[26] OMANSON, Roger L. Variantes Textuais do Novo Testamento. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2010, p. 547s.

[27] SCHLIER, H. Amen. In: KITTEL, Gehard; FRIEDRICH, Gehard. Dicionário Teológico do Novo Testamento. Vol 1. São Paulo: Cultura Cristã, 2013, p. 59s.

[28] KISTEMAKER, Simon. Apocalipse. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2014. p. 119.

[29] KISTEMAKER, Simon. Apocalipse. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2014. p. 119.

[30] HENDRIKSEN, William. Mais que Vencedores. São Paulo: CEP, 1987, p. 72.

[31] HENDRIKSEN, William. Mais que Vencedores. São Paulo: CEP, 1987, p. 72s.

[32] LADD, George E. Apocalipse. São Paulo: Vida Nova, 2014, p. 24.

[33] STAHLIN, G. Kopetós. In: KITTEL, Gehard; FRIEDRICH, Gehard. Dicionário Teológico do Novo Testamento. Vol 1. São Paulo: Cultura Cristã, 2013, p. 502.

[34] STAHLIN, G. Kopetós. In: KITTEL, Gehard; FRIEDRICH, Gehard. Dicionário Teológico do Novo Testamento. Vol 1. São Paulo: Cultura Cristã, 2013, p. 506.

[35] SCHLIER, H. Amen. In: KITTEL, Gehard; FRIEDRICH, Gehard. Dicionário Teológico do Novo Testamento. Vol 1. São Paulo: Cultura Cristã, 2013, p. 60.

[36] KISTEMAKER, Simon. Apocalipse. São Paulo: Cultura Cristã, 2014, p. 121.

[37] OSBORN, Grant R. Apocalipse: Comentário Exegético. São Paulo: Vida Nova, 2014, p. 78s.

[38] BERKOUWER, G. C.; A Pessoa de Cristo; São Paulo: ASTE, 2011, p. 109.

[39] AUNE, David E. Word Biblical Commentary – Revelation 1-5. Dallas: Word Books, 1997, p. 291.

[40] OMANSON, Roger L. Variantes Textuais do Novo Testamento. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2010, p. 548.

[41] OSBORN, Grant R. Apocalipse: Comentário Exegético. São Paulo: Vida Nova, 2014, p. 79.

[42] MICHAELIS, W. Kratos. In: KITTEL, Gehard; FRIEDRICH, Gehard. Dicionário Teológico do Novo Testamento. Vol 1. São Paulo: Cultura Cristã, 2013, p. 517.

[43] OSBORN, Grant R. Apocalipse: Comentário Exegético. São Paulo: Vida Nova, 2014, p. 79.

[44] HORTON, Michael; Doutrinas da Fé Cristã; São Paulo: Cultura Cristã, 2016, p. 479.

[45] LADD, George Eldon; Teologia do Novo Testamento; São Paulo; Vida Nova, 2003, p. 206.

[46] HORTON, Michael; Doutrinas da Fé Cristã; São Paulo: Cultura Cristã, 2016, p. 480.

[47] GUTHRIE, Donald. Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2011, p. 90.

[48] GUTHRIE, Donald. Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2011, p. 818.

[49] HOEKEMA, Antony A. A Bíblia e o Futuro. São Paulo: Cultura Cristã, 2012, p. 185.

[50] HOEKEMA, Antony A. A Bíblia e o Futuro. São Paulo: Cultura Cristã, 2012, p. 121.

[51] WALVOORD, John F. The revelation of Jesus Christ. Chicago: Moody, 1966, p. 40.

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