Deuteronômio 30.15-20 – A Aliança

Deuteronômio 30:15-20

Vê que proponho, hoje, a vida e o bem, a morte e o mal; se guardares o mandamento que hoje te ordeno, que ames o SENHOR, teu Deus, andes nos seus caminhos, e guardes os seus mandamentos, e os seus estatutos, e os seus juízos, então, viverás e te multiplicarás, e o SENHOR, teu Deus, te abençoará na terra à qual passas para possuí-la.  Porém, se o teu coração se desviar, e não quiseres dar ouvidos, e fores seduzido, e te inclinares a outros deuses, e os servires, então, hoje, te declaro que, certamente, perecerás; não permanecerás longo tempo na terra à qual vais, passando o Jordão, para a possuíres. Os céus e a terra tomo, hoje, por testemunhas contra ti, que te propus a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência, amando o SENHOR, teu Deus, dando ouvidos à sua voz e apegando-te a ele; pois disto depende a tua vida e a tua longevidade; para que habites na terra que o SENHOR, sob juramento, prometeu dar a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó.

Introdução:

Jean Valjean começa no romance de Victor Hugo Os Miseráveis como um vagabundo, que ficou preso por 19 anos por roubar pão. Agora solto, caminhou durante 4 dias no frio dos Alpes franceses sem receber qualquer ajuda, alimento ou repouso. Finalmente ele bate em uma igreja, a casa do monsenhor Myriel de 75 anos. Este bom senhor o trata bem, perdera muitos dos seus bens por causa da revolução, mas restaram algumas peças de prata, que ele faz questão de usar no jantar com seu convidado.

Você não precisa me contar quem você era. Essa não é minha casa, é a casa de Jesus Cristo.

Eles comem e ele mostra o quarto para Valjean. O ex-prisioneiro não consegue dormir e não resiste a tentação: rouba os utensílios de prata e foge. Mas é pego pelos guardas que o levam de volta a casa do bispo. Ele sabe que a pena seria prisão perpétua. Passaria o resto da vida preso fazendo trabalhos forçados.

Antes de o policial explicar o crime o monsenhor adianta:

– oh aqui está você. Estou contente em vê-lo. Não acredito que tenha esquecido os castiçais. Eles também são feitos de prata pura. Leve-os com os garfos e colheres que dei a você.

Jean Valjean meu irmão, você não mais pertence ao mal, mas sim ao bem. Comprei sua alma de você. Tomo-a de volta dos pensamentos e feitos malignos e do espírito do inferno e dou-a a Deus.

Agora Jean Valjean, totalmente liberto tem a responsabilidade diante de si de viver de modo digno pelo qual foi “comprado”.

Frase de Transição: Algo semelhante havia acontecido com Israel. Israel havia sido liberto da escravidão do Egito e agora o Senhor lhe exige que eles respondam a esse amor pactual de maneira digna.

 

Contexto Histórico, Literário e Canônico

O texto que temos diante de nós foi escrito por Moisés quando o povo de Israel estava prestes a entrar na terra prometida. Sua morte é iminente e esse livro contém as últimas coisas que ele diz ao povo que liderava.

Deuteronômio é uma repetição da lei e da história de Israel e contém três grandes discursos de Moisés dirigido ao povo. Nesse livro temos a renovação da Aliança de Deus com os descendentes daqueles a quem libertara do Egito e agora os direciona a viverem em obediência ao pacto estabelecido no Sinai.

Todo o livro pode ser considerado um tratado de Vassalagem.

O Tratado Vassalar[1] tinha as seguintes composições:

  • Preambulo (Estas são as palavras – Cap. 1.1-5)
  • Prólogo Histórico (1.6-3.29)
  • Cláusulas (4-26)
  1. Básicas (4.1-11.32)
  2. Detalhadas (12.1-26.19)
  • Maldições e Bênçãos, ratificação (27-30)
  • Acordos de sucessão (31-34)
  1. Invocação de testemunhas
  2. Preceitos de Leitura Pública

Primeiramente devemos nos lembrar de que a Aliança é feita de Deus com seu povo. Essa aliança é monergista, ou seja, não depende do homem, apenas de Deus. Deus já havia escolhido seu povo e decidido desde a eternidade que seria seu Deus. A aliança é proposta a um povo que foi liberto pelo Senhor e o não cumprimento da aliança não significa a sua quebra, mas sim sansões que levariam o povo de Deus a voltar-se a Ele em arrependimento. É como um pai que punirá seu filho em face da desobediência, mas este jamais deixará de ser filho.

A Salvação já houve. Agora temos desdobramentos dessa Salvação. Foram tirados do Egito, foram salvos. Agora há desdobramentos dessa Salvação. A lei. As condições. As maldições e bênçãos.

Tema: A renovação da Aliança é proposta e exige uma resposta: obedecer e então crescer ou desobedecer e então sofrer.

Desta maneira:

  1. A Renovação da Aliança é Proposta

Versos 15, 19

A renovação da aliança é proposta ao povo de Israel. Podemos perceber que essa proposição é uma ação completa. Essa aliança não é algo que está em desenvolvimento e pode ser quebrada a qualquer momento por alguma desobediência às cláusulas. A proposição da aliança já está feita e automaticamente está renovada de uma vez por todas. As renovações que ocorrem são como manifestações progressivas da revelação de Deus ao seu povo, e não novas alianças sendo formadas.

Principal promessa da aliança é: Eu serei seu Deus e vos sereis o meu povo. (Desde Adão, Noé, Abraão até o pleno cumprimento em Cristo).

Essa aliança começa em Gn 3.15 (protoevangelho).

A doutrina da graça é espantosa pois Deus se amarra sem precisar para nos salvar. De forma condescendente, Deus se submete ao pacto. A palavra aliança ocorre mais de trezentas vezes nas escrituras e significa cortar uma aliança. Um animal era cortado ao meio e as partes passavam no meio dizendo: que seja feito a mim o que foi feito ao animal se não cumprir minha parte. Quando Deus faz uma aliança com Abrão em Gn 15, somente Deus passa entre os pedaços nos mostrando que sua aliança com seu povo é unilateral. O dano não virá sobre nós, mas sobre ele mesmo.

Deus não exige do homem previamente e sim posteriormente a sua graça. Primeiro ele tira do Egito e depois demanda (10 mandamentos).

Condições: É Pacto de graça porque não depende de nosso desempenho para sua manutenção.

Testemunhas: Céus e Terra

Os deuses eram invocados como testemunhas nos tratados de vassalagem. Aqui Deus invoca céus e terra como testemunhas. Eram coisas permanentes e imutáveis na criação em contraste com a inconstância dos homens.

Dt 4.26: hoje tomo por testemunhas contra vós outros o céu e a terra…

Em Dt 32.1 os céus e a terra devem ouvir como testemunhas do pacto.

Escutem, ó céus, e eu falarei; ouça, ó terra, as palavras da minha boca.
Deuteronômio 32:1

Ouçam, ó céus! Escute, ó terra! Pois o Senhor falou: “Criei filhos e os fiz crescer, mas eles se revoltaram contra mim”.
Isaías 1:2

Os céus e terra também são lembrados na manifestação do pacto da nova aliança quando Cristo morre na cruz do Calvário.

Bênçãos e Maldições: recompensa e punição

Os capítulos 27 e 28 de Deuteronômio nos trazem as bênçãos e maldições. E há uma clara ênfase maior nas maldições que em versículos são mais do que o dobro das bênçãos.

As maldições funcionam como advertências solenes para aqueles que renovavam sua lealdade ao Deus da aliança.

A perspectiva dentro da qual as bênçãos e maldições são postas é a da comunidade como um todo. A obediência ao Senhor da aliança resultaria em benção, vida longa e posse da terra prometida, enquanto a desobediência levaria ao desastre. Assim, quando Israel renovava sua aliança com Deus, a clara expectação do futuro com Deus era contrastada com a desesperança de um futuro sem Deus.

  1. Exige uma resposta: obedecer e então crescer

Ler versos 15 e 16, 19b e 20.

Aqui podemos perceber que a ideia dada no texto é de uma coisa que leva à outra. Podemos ver que a conjunção E não tem ideia de ser aditiva, mas de ser consecutiva. Uma coisa é consequência da outra.[2]

Se:

– amar YHWH

A ideia que nos é passada no contexto do texto é que o amar a YHWH deve ser de forma contínua.[3]

No livro de Deuteronômio essa palavra aparece doze vezes.

Amor de Deus pelo seu povo com relação à aliança. Esta palavra ocorre no mesmo contexto no livro de Oseias que trata da manutenção de YHWH da relação pactual entre ele e seu povo. [4]

Aqui Deus exige do seu povo a resposta a esse amor pactual. Seu povo deve amá-lo acima de todas as coisas assim como Ele amou.

Motivação para o povo amar ao Senhor:

  • O fato que somente ele é Deus e consequentemente somente a ele tal devoção afetuosa exclusiva é devida.
  • Resposta de gratidão adequada dada por um homem (um israelita comprometido por tudo que Javé têm feito por ele em termos de eleição, redenção e cuidado providencial, ou por Israel como nação).
  • É adoração exclusiva e devoção total que são justamente devidas a Javé.
  • É uma expressão de escolha definida entre a vida e a morte, benção e maldição.
  • É uma condição definida para assegurar o recebimento de benefícios da parte de Javé.
  • Um dos modos (Dt 11.13,22) pelos quais os mandamentos de Javé, sua Torá pactual, são cumpridos. Amar Javé e guardar os mandamentos são coisas que caminham juntas.
  • Não há nada melhor e não há lugar melhor para colocar seu coração e seu amor.

Deuteronômio desenvolve uma religião do coração que se concentra no amor de YHWH. É disso que se trata todo o conselho de Deus: amá-lo com todo seu coração, com todo seu entendimento, com toda a sua força e com toda a sua alma. Quando amo ao Senhor, necessariamente irei andar nos seus caminhos.

– Andar nos caminhos[5]

O andar também nos dá ideia de continuidade. É utilizado à vida vivida em obediência ou desobediência, isto é, com referência aos padrões da aliança. Mesmo antes de revelar sua lei no Sinai, Javé pôs à prova o seu povo de Israel no deserto para ver se andariam ou não na sua lei (Ex 16.4). Seu povo, quando amá-lo de todo seu coração, então andará pelos seus caminhos. Caminho esse que é a sua prescrição, aquilo que Israel deveria seguir. Sua lei, seus mandamentos e decretos.

Depois que eles entraram em aliança com Deus, esperava-se que andassem segundo os estatutos do pacto.

São os justos que desfrutam plenamente da benção da vida, pois a justiça precede o caminho deles proporcionando terreno firme aos seus passos (Sal 85.13,14; cf. Pv 8.20)

– Guardar os mandamentos

Uma vez que amo ao Senhor, e ando nos seus caminhos, então diligentemente irei me preocupar em perceber se estou cumprindo totalmente as minhas responsabilidades. E isso deve ser feito continuamente.

O verbo é uma admoestação a ser cuidadoso e diligente com relação às responsabilidades diante da aliança. De Abraão em diante, os fiéis a Deus deviam ordenar os filhos a guardar o caminho do Senhor[6]. Obedecer à lei não significava uma condição prévia à salvação, mas a resposta grata daqueles que já haviam sido salvos.[7]

Ilustração: Não basta apenas confiar acima de tudo e procurar andar no caminho, eu irei constantemente ver se estou certo. Como o GPS. Não olho uma vez e depois deixo pra lá. Eu ligo e vou seguindo e constantemente olhando e ouvindo até chegar ao fim do destino.

Então irá crescer em:

– Vida: viver neste caso não significa simplesmente existir. No contexto da Aliança, desde Adão, vida está relacionada a comunhão com Deus, ao passo que morte significa não comunhão com Deus. Sabemos que vida eterna para nós será comunhão ininterrupta com Deus para todo o sempre. Desta forma, devemos responder em obediência ao pacto, uma vez que teremos comunhão com Deus e isso deve ser nosso maior incentivo: não há nada melhor nesse mundo do que ter comunhão com Deus.

– Número: a obediência ao pacto faz com que o povo se multiplique. Lembra-se de quando Deus diz que faria a descendência de Abraão tornar-se como a areia do mar e as estrelas dos céus? Por meio da obediência ao pacto, essa descendência crescerá sobremaneira.

– Bênçãos: receberão todas as bênçãos descritas em Deuteronômio 28.

O Senhor fará de vocês o seu povo santo, conforme prometeu sob juramento, se guardarem os mandamentos do Senhor, do seu Deus, e andarem nos caminhos dele.
Então todos os povos da terra verão que vocês são chamados pelo nome do Senhor e terão medo de vocês.
O Senhor lhes concederá grande prosperidade, no fruto do seu ventre, nas crias dos seus animais e nas colheitas da sua terra, nesta terra que ele jurou aos seus antepassados que daria a vocês.
O Senhor abrirá o céu, o depósito do seu tesouro, para enviar chuva à sua terra no devido tempo e para abençoar todo o trabalho das suas mãos. Vocês emprestarão a muitas nações, e de nenhuma tomarão emprestado.
O Senhor fará de vocês a cabeça das nações, e não a cauda. Se obedecerem aos mandamentos do Senhor, do seu Deus, que hoje lhes dou e os seguirem cuidadosamente, vocês estarão sempre por cima, nunca por baixo.
Deuteronômio 28:9-13 (NVI)

Eles serão abençoados por Deus na terra. Estarão em aliança com seu Deus em um estado de benção.

Vs. 19b e 20 – repetição da escolha pela vida

Perceba que ele repete a ideia novamente ao final da proposição da renovação do pacto. A repetição hebraica é uma forma de inculcar na mente e coração. De ensino e internalização do conceito. Deus quer muito que seu povo seja obediente. Nos versículos 19b e 20 temos a repetição e resumo do pacto com a ênfase apenas na obediência. É como se dissesse: Olha, eu já disse que tem que fazer isso aqui, mas vou repetir pra ficar mais claro ainda.

Ilustração: sabe quando sua mãe repetia várias vezes alguma coisa na sua infância? Parecia que era chatice, mas era cuidado dela com você. Lembro-me de como meu pai toda vez que eu já estava dormindo, me levantava para que eu fosse escovar os dentes. Eu achava aquilo muito chato. Mas de tanto acontecer isso, hoje eu não consigo ir dormir sem escovar os dentes. Foi internalizado em mim. A repetição hebraica no ensino era internalizada no coração dos judeus. Não tenha dúvida que é o melhor método de ensino, ignorado hoje.

Contudo se:

  1. Resposta: desobedecer e então sofrer

Versos 17 e 18.

Novamente podemos perceber que a ideia dada no texto é de uma coisa que leva à outra. Podemos ver que a conjunção E não tem ideia de ser aditiva, mas de ser consecutiva. Uma coisa é consequência da outra.[8]

Se:

– desviar o coração

O verbo nos passa a ideia de uma ação inacabada[9], ou seja, está desviando, não necessariamente está totalmente longe de Deus.

Normalmente associado à orientação espiritual, como a de virar-se para os ídolos (Lv 19.4).

Os israelitas foram acusados de voltarem as costas para Deus e não a face (Jr 2.27, cf. Dt 31.18)

Ilustração: Eva e a Serpente – ela começa a dar ouvidos à serpente e duvidar em seu coração.

Assim, isso nos leva ao próximo passo que é

– não dar ouvidos

Não prestar atenção aos mandamentos de Deus. Novamente o verbo nos dá uma ideia de ação inacabada[10], ou seja, não estão dando ouvidos à voz de Deus nem aos seus mandamentos e isso é consequência de estar se desviando dos caminhos do Senhor.

Isto é explicado em detalhes no livro de Jeremias. A obediência a Deus é o requisito fundamental da aliança do Sinai. Disso dependia a relação entre Deus e Israel e sua permanência na terra. Deus enviou posteriormente os profetas para advertir Israel mas eles não deram ouvidos. Não deram ouvidos e foram exilados.

Depois do exílio o povo de Israel é relembrado da sua rejeição a ouvir e é convocado a ouvir e obedecer a Deus. Ouvir a Deus significa necessariamente obedecer a sua aliança.

Não basta ler a bíblia. Isso não é ouvir a Deus. Tornai-vos praticantes e não somente ouvintes (Tg 1.22). Quando deixo de praticar aquilo que ouço, estou deixando de ouvir e consequentemente me afastando do Senhor.

Ilustração: Eva agora ignora o que diz o Senhor e dá mais ouvidos à serpente.

Consequentemente

– será seduzido

Depois de estar se desviando e deixando de ouvir a voz de Deus, agora de forma plena será seduzido.[11]

É usado para dirigir ou incitar gado. O povo então é desviado do caminho. É seduzido a mudar de direção. Estava se desviando e não ouvindo, agora se desviou completamente.

Ilustração: Eva agora vê que o fruto é desejável para comer, bom para os olhos e deseja ser igual a Deus. (desejo dos olhos, desejo da carne e soberba da vida).

– inclinará diante de outros deuses

Depois de se desviar completamente a próxima ação é se curvar diante de falsos deuses quebrando toda a primeira tábua da lei de YHWH e se prostituindo diante de falsos deuses.

Posição de humilhação. Diante de Deus associado a pranto do luto (Sl 35.14). Também é uma posição de rebaixamento, humilhação.

Calvino “o coração do homem é uma fábrica de ídolos”. O desafio de Israel era ver diante de quem os seus joelhos estavam dobrados constantemente.

– servirá (tornar-se-á escravo)

Agora, já eram servos desses deuses. A idolatria leva à escravidão. Isso leva Israel posteriormente a se tornar escravo também das nações (Babilônia).

A escravidão seria espiritual por causa do pecado e o Ídolo sempre irá desejar sangue. Levando-os a sacrificar seus filhos a Moloque, levando-os a serem mortos por pragas, etc. E a escravidão também seria física: seriam escravizados por outros povos como acontece no livro de Juízes e no exílio para a Babilônia.

Ilustração: Tomo emprestado o exemplo do nosso querido irmão Fabiano que é piloto de avião. Segundo ele, o teste mais difícil para tirar a licença para pilotar é o último teste, onde você deve pilotar durante um bom período de tempo manualmente. O grande risco é de errar pouquíssimos graus para um lado ou para o outro, pois esse pequeniníssimo erro aparente, leva a muitos quilômetros de distância longe do ponto final e com um tanque de gasolina contado, isso pode custar não apenas a licença mas a própria vida.

Então irá sofrer:

– perecer e não permanecer na terra:

Os seus filhos e as suas filhas serão entregues a outra nação e os seus olhos se consumirão à espera deles, dia após dia, sem que você possa erguer uma só mão para trazê-los de volta.
Um povo que vocês não conhecem comerá aquilo que a terra e o seu trabalho produzirem, e vocês sofrerão opressão cruel todos os seus dias.

Os estrangeiros que vivem no meio de vocês progredirão cada vez mais, e cada vez mais vocês regredirão.
Eles lhes emprestarão dinheiro, mas vocês não emprestarão a eles. Eles serão a cabeça, e vocês serão a cauda.
Todas essas maldições cairão sobre vocês. Elas o perseguirão e o alcançarão até que sejam destruídos, porque não obedeceram ao Senhor, ao seu Deus, nem guardaram os mandamentos e decretos que ele lhes deu.
Essas maldições serão um sinal e um prodígio para vocês e para os seus descendentes para sempre.
Uma vez que vocês não serviram com júbilo e alegria ao Senhor, ao seu Deus, na época da prosperidade,
então, em meio à fome e à sede, em nudez e pobreza extrema, vocês servirão aos inimigos que o Senhor enviará contra vocês. Ele porá um jugo de ferro sobre o seu pescoço, até que os tenham destruído.
O Senhor trará, de um lugar longínquo, dos confins da terra, uma nação que virá contra vocês como a águia em mergulho, nação cujo idioma não compreenderão,
nação de aparência feroz, sem respeito pelos idosos nem piedade para com os moços.

Deuteronômio 28:32, 33,43-50(NVI)

Serão escravizados. Isso se cumpre em todo o livro de Juízes. O mesmo ocorre quando são exilados para a Babilônia.

Apesar de uma aparente destruição, Deus não aplica as sanções da desobediência ao pacto com o fim de acabar com a aliança, o que poderia ser feito. Mas o seu objetivo é bom. Podemos perceber isso quando Deus diz por intermédio de Jeremias ao seu povo quando estavam sendo punidos na Babilônia:

Assim diz o Senhor: “Quando se completarem os setenta anos da Babilônia, eu cumprirei a minha promessa em favor de vocês, de trazê-los de volta para este lugar.
Porque sou eu que conheço os planos que tenho para vocês”, diz o Senhor, “planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dano, planos de dar-lhes esperança e um futuro.
Então vocês clamarão a mim, virão orar a mim, e eu os ouvirei.
Vocês me procurarão e me acharão quando me procurarem de todo o coração.
Eu me deixarei ser encontrado por vocês”, declara o Senhor, “e os trarei de volta do cativeiro. Eu os reunirei de todas as nações e de todos os lugares para onde eu os dispersei, e os trarei de volta para o lugar de onde os deportei”, diz o Senhor.
Jeremias 29:10-14

Ilustração: O livro de Oséias nos mostra o amor de Deus por Israel e como ele age com relação ao seu amor pactual. Deus manda que Oséias se case com Gômer, uma mulher adúltera. Ele se casa e tem filhos com ela. Porém, um tempo depois, Gômer é seduzida por amantes que lhe dão presentes, e ela foge com eles abandonando Oséias. Depois de um tempo, esses amantes escravizam-na e ela faz com que Oséias fique sabendo que ela se tornou escrava naquela terra distante. O que Oséias faz? Vai em busca da sua esposa e a compra de volta para si. O Senhor faz o mesmo com o seu povo, quando cai em idolatria contra ele.

Conclusão:

Deus propôs por condescendência um pacto unilateral conosco. Esse pacto não depende de nós. Chamou os céus e a terra como testemunhas.

Em resposta à renovação do pacto devemos responder em obediência à sua lei, e por consequência sendo abençoados e não em desobediência.

A nossa crise talvez seja: quem pode cumprir o pacto? Todos merecemos as sanções e a destruição. O sofrimento eterno deveria vir sobre nós. Israel não pôde ficar na terra prometida e nenhum homem consegue obedecer cabalmente à lei de Deus. E agora?

Jesus Cristo é aquele que se humilha e se submete ao pacto para cumpri-lo em nosso lugar. A terra prometida tem um papel na história, mas de forma escatológica aponta para a nova terra onde teremos acesso ininterrupto a Deus, ou seja, vida eterna. Cristo cumpriu toda a lei em nosso lugar e levou sobre si as punições da quebra em nosso lugar. Ele não apenas morreu a morte que deveria ser imposta a nós, ele viveu da maneira correta oferecendo a nós as bênçãos do pacto.

Os céus e terra que como testemunhas eram coisas permanentes e imutáveis na criação em contraste com a inconstância dos homens no pacto, agora diante do Deus Todo-Poderoso e ao mesmo tempo Imutável, Jesus Cristo, o Rei dos Reis, quando ele cumpre toda a lei e é crucificado, aquelas testemunhas antes inertes, agora se enegrecem e tremem diante do Rei da Glória que cumpriu todo o pacto e recebeu as maldições em nosso lugar. Por causa dele podemos receber a terra prometida como herança. Novos céus e nova terra. Pelos méritos dele. Pela graça. Por seu amor pactual a nós.

Diante disso nossa resposta deve ser de rejeitar o mal, e amar a Deus. De ouvir a Deus, de nos dobrarmos diante dele, não para sermos aceitos mas em gratidão por já ter sido salvos. Ele tornou a vida possível a nós e nós devemos nos curvar diante desse Deus que nos amou primeiro.

Aplicação

  1. A obediência a Deus deve ser constante e não para sermos salvos e sim como gratidão por já termos sido salvos. Um não salvo não pode obedecer.

Contudo, mesmo na obediência a Deus devemos nos lembrar de qual a motivação da nossa obediência. Muitas vezes obedecemos mas abandonamos o amor ao Senhor como razão de todas as coisas. Quem ama cumpre a lei. Se não amo o Senhor, sou como aquela esposa que não trai o marido, mas não o ama mais. Não estar no primeiro amor é pecado (Ap. 2).

Qual a sua motivação para obedecer aos mandamentos? É porque é seminarista e o que podem pensar de você? É por ter uma reputação a zelar? E quando ninguém está vendo? Seu zelo é por ganhar debates e por ser mais inteligente ou por amar a palavra de Deus e sua glória acima de todas as coisas?

Precisamos temer ao Senhor acima de todas as coisas e nossa maior motivação deve ser a sua glória. Poder desfrutar de sua doce presença. Não há nada mais belo que o Senhor na criação. Não há prazer maior que possa ser desfrutado do que andar nos seus caminhos, guardar seus mandamentos e estar de joelhos diante do Rei do Universo e nosso Pai.

  1. A desobediência muitas vezes começa de forma pequena, mas isso no final levará à escravidão.

Lembre-se do exemplo do avião querido. Muitas vezes práticas erradas que começamos pensando não ter nada a ver, pode nos levar a destruição de nosso ministério e vida.

Quantos aconselhamentos de pastores em locais onde não havia mais ninguém levaram posteriormente a adultérios? Devemos tomar cuidado com os pequenos erros para não se tornarem em ídolos em nosso coração.

Declarações de leitura que não ocorreram são mentiras. E um crente tendo a prática da mentira é algo inaceitável, quanto mais um pastor.

Muitos pastores não amam a Deus acima de todas as coisas, mas sim seus próprios ministérios. Por isso não procuram fazer a obra de Deus, mas lugares mais confortáveis, posições mais elevadas e onde podem receber mais. Já estão curvados diante de ídolos em seus corações e estão pregando dominicalmente por aí. Esse deve ser o maior desafio do nosso ministério. Sempre pararmos e nos perguntarmos: diante de quem meus joelhos estão dobrados? Por que estou fazendo o que faço? Estou honrando ao meu Deus ou será que estou manchando sua glória com minha vida?

Ilustração:

“Diga que eu fui um bom homem.”

Essa é a última frase dita, antes de morrer, pelo capitão John Miller (Tom Hanks) para o James Ryan (Matt Damon) no final do filme “O Resgate do Soldado Ryan”. Este filme retrata uma história da segunda guerra mundial: Após a invasão dos aliados à praia de Ohama na França, acontece a maior batalha da segunda guerra mundial que marca o famoso “Dia D”. O pelotão do capitão John Miller é quase extinto no “Dia D”, restando apenas alguns poucos soldados. Nesse momento um dos generais do exército estadunidense e o presidente do país, recebem a notícia de que 3 de 4 irmãos da família Ryan, filhos de uma viúva solitária, foram mortos durante a Guerra. Apenas um filho estava vivo, mas não se sabe onde ele está.

Com isso, o capitão John Miller recebe a missão de resgatar o último soldado Ryan em troca do direito de seu pelotão voltar para casa. Durante a procura pelo soldado Ryan, muitos soldados do pelotão morrem. E assim, começa uma discussão entre os soldados, se vale a pena sacrificar todo o pelotão por um soldado desconhecido. Durante uma conversa entre os soldados, o capitão Miller diz mais ou menos assim: “Espero que esse Ryan seja um bom soldado e invente a cura para o câncer, para valer a pena o sacrifício do resgate”.

Na parte final do filme, o capitão Miller, encontra e conhece o tal soldado Ryan. O Capitão percebe que ele é um bom e fiel soldado. E por isso, decide protegê-lo contra um iminente ataque dos nazistas a uma ponte guardada pelos aliados. Durante esse ataque, o capitão Miller é baleado um pouco antes do fim dessa batalha. Quase morrendo, o capitão Miller balbucia no ouvido do Ryan suas últimas palavras antes de morrer: “Faça por merecer”.

Essa última frase é levada pelo Ryan por toda a sua vida. O filme mostra o Ryan já idoso, com esposa, filhos e netos o acompanhando ao cemitério para homenagear os soldados mortos. Em frente ao túmulo do capitão Miller, o Ryan diz mais ou menos assim: “Eu procurei viver da melhor maneira que pude”. Então ele se dirige a sua esposa e diz: “Diga que eu fui um bom homem”. Ela responde que sim.

Da mesma maneira devemos viver nós. Diante da aliança que nos foi proposta, para nossa libertação, o sangue de Jesus foi derramado e tudo que devemos fazer é viver em obediência à sua lei, amando-o de todo nosso coração, vivendo de modo digno do sacrifício em obediência ao pacto que foi renovado na cruz do Calvário.

Bibliografia

[1] Longman III, 2006, p. 96

[2] No texto hebraico temos o Vav (conjunção E) seguido de verbo, que é chamado de Vav Consecutivo, que dá a ideia de uma relação de consequência e não apenas de adição.

[3] O verbo Ahav está no infinitivo e após o verbo principal que nos dá ideia de continuidade cf. Kelley, 2013, p. 223

[4] VanGemeren, 2011, p.272

[5] VanGemeren, 2011, p.1006

[6] VanGemeren, 2011, p.181

[7] Osborn, 2009, p.240

[8] No texto hebraico temos o Vav (conjunção E) seguido de verbo, que é chamado de Vav Consecutivo, que dá a ideia de uma relação de consequência e não apenas de adição.

[9] O verbo está no imperfeito.

[10] Um verbo imperfeito seguido de outro verbo imperfeito nos traz a ideia de consequência cf. Kelley, 2013, p.250

[11] O verbo está no perfeito nos dando a ideia de ação completa.

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