Joel 2.28-3.8 – O derramamento do Espírito Santo

1. INTRODUÇÃO

1.a. Autoria

1.a.1. Quem está falando?

O livro pode ser dividido em duas partes: 1.1-2.11 e 2.12 a 3.21. Na primeira parte, temos basicamente o profeta Joel se dirigindo ao povo de Judá. Na segunda parte, temos Yahweh falando principalmente.

 

1.a.2. Quem redigiu o texto?

Considerando que o livro tem uma introdução que é padronizada com os demais Profetas Menores, sendo que se repete “palavra do Senhor” para Oséias, Joel, Jonas, Sofonias, Zacarias e Ageu. Repete-se “palavra do Senhor em visão” em Amós e Miquéias. Repete-se “sentença” em Habacuque e Malaquias e apenas “visão” em Obadias e Naum. Desta forma, quem redige o texto final aparentemente não é o profeta Joel, mas alguém que uniu os 12 profetas menores, provavelmente Esdras.

 

1.a.3. Quem é o autor final?

O autor do livro de Joel é o próprio profeta, sobre o qual não se tem muitas informações além das apresentadas na profecia. O nome de seu pai é Petuel. Não é mencionado como profeta em nenhum outro livro do AT, embora seja citado como um pregador vigoroso. As referências geográficas no livro aparentemente indicam que Joel era residente de Judá, e provavelmente Jerusalém. Seu interesse por Jerusalém e pelas cerimônias do templo (1.9; 1:13ss; 2.14-17,32) nos levam à conclusão de que ele era um profeta do templo, ou ao menos valorizava bastante seus rituais.

 

1.b. Data e composição

1.b.1. Data do evento

Há pelo menos quatro mais importantes opiniões sobre a data de Joel, todas baseadas em evidências internas do livro:

1) 835-796 a.C. Durante o tempo em que Joás reinou e o sacerdote Joiada governou o reino (2 Re 11;[1] 2 Cr 23-24);

2) Por volta de 775-725 a.C. sendo contemporâneo de Oséias e Amós;

3) Por volta de 500 a.C. sendo contemporâneo de Zacarias e

4) Por volta de 400 a.C. depois de Esdras e Neemias.[2]

A primeira data, ajudaria a explicar a não referência a um rei, além de colocar sua atuação contra o culto a Baal e sua posição no Cânon próximo de Oséias. Desta forma, o livro estaria situado no governo sacerdotal durante a infância de Joás. A ocasião para a profecia de Joel foi uma terrível praga de gafanhotos seguida por uma seca desoladora, ambos como prenúncio do Dia do Senhor. Ainda havia oportunidade para arrependimento por parte do povo.[3] Jerônimo, um dos pais da igreja, também situou Joel próximo de Oséias. Porém, não podemos situar o texto em um período tão distante pois não há qualquer menção sobre Assíria, Babilônia e Pérsia, nações predominantes entre o século VIII e V a.C.[4]

Bill Arnold e Bryan Beyer, bem como Clyde Francisco propõem uma data entre 500 e 450 d.C.[5] Uma vez que a lista de inimigos também envolve o Egito, e também no final do século 6, no tempo de Josias, o Egito era um poder considerável.[6] Gleason Archer e Charles Feinberg defendem que a profecia ocorreu por volta de 835 a.C., no reinado de Joás, quando tutelado pelo sacerdote Joiada.[7]

A data mais provável seria em um contexto pós-exílico por causa dos textos que descrevem as devastações feitas pelas nações em Judá (3.1-8): loteando e distribuindo a terra, lançando sortes sobre o povo, vendendo crianças à escravidão por quase nada, arrancando o outro e prata das pessoas, espalhando-os por toda a região do Mediterrâneo. A menção aos filhos dos gregos (3.6) também situa o livro em um contexto pós-exílico.

Desta forma, podemos situar o livro de Joel em uma data após exílio. Isso explica a não existência de um rei sendo intimado, também, lembra como os Edomitas foram perversamente oportunistas no exílio (3.19) e como os egípcios, em quem Judá confiou na sua rebelião contra a Babilônia, foram impotentes e até traiçoeiros (2 Rs 24.1-7, Jr 46.1-26). O povo de Tiro e Sidom e Filístia também contribuiu para o sofrimento de Judá, seja de forma direta (Ez 25.15-26.7), seja de forma indireta através da compra de escravos. Judá foi exilado, porém o ritual do templo ainda está em plena atividade. Com toda essa combinação de inferências, é possível situarmos o livro de Joel em uma data próxima à dos livros de Ageu e Zacarias, mas após o término do segundo templo, reconstruído por Zorobabel e concluído por volta de 515 a.C. Como o livro de Malaquias está em 450 a.C. e relata a devastação de Edom no passado, e Joel a relata como no futuro, então podemos situá-lo por volta de 500 a.C.[8]

1.b.2. Data do texto

O padrão do título (comparar com os outros profetas menores). Harrisson defende que o texto foi escrito por volta de 400 a.C. durante o tempo em que a Pérsia dominava Israel.[9] É mais provável que tenha sido Esdras o escritor final do texto. Primeiramente por causa das introduções muito semelhantes que existem em quase todos os profetas menores, os quais podem ter sido organizados por Esdras.

Oséias: “palavra do Senhor dirigida a Oseias, filho de”

Joel: “palavra do Senhor dirigida a Joel, filho de”

Amós: “palavra que em visão vieram a Amós, entre os pastores de tecoa”

Obadias: “visão de Obadias”

Jonas: “palavra do Senhor que veio a Jonas, filho de”

Miquéias: “palavra do Senhor, que em visão veio a Miqueias, morastita,”

Naum: “livro da visão de Naum, o elcosita”

Habacuque: “sentença revelada ao profeta Habacuque”

Sofonias: “palavra do Senhor que veio a Sofonias, filho de”

Ageu: “palavra do Senhor que veio por intermédio de Ageu”

Zacarias: “palavra do Senhor que veio a Zacarias filho de”

Malaquias: “sentença pronunciada pelo Senhor por intermédio de Malaquias”.

Sendo que se repete “palavra do Senhor” para Oséias, Joel, Jonas, Sofonias, Zacarias e Ageu. Repete-se “palavra do Senhor em visão” em Amós e Miquéias. Repete-se “sentença” em Habacuque e Malaquias e apenas “visão” em Obadias e Naum. Portanto, provavelmente Esdras redigiu o texto final por volta de 400 a.C.

 

1.c. Contexto histórico

Há pelo menos três pontos que precisam ser considerados para o contexto histórico:

1) O incidente do saque dos utensílios de ouro (3.5). A prata e o outro foram levados por Nabucodonosor quando invadiu a Jerusalém. Em Daniel 5.2 lemos que Belsazar mandou trazer os utensílios de ouro que seu pai tirara do templo para que eles bebessem em sua festa. Isso situa o livro de Joel em um contexto histórico pós-exílico.

2) No Cap. 1.6 – nação subiu, e é uma das nações que vai invadir, e mostra que Israel ou já fora invadido. Quanto ao povo que “subiu” o Pulpit Commentary afirma que o passado utilizado no termo hebraico se refere ao futuro. Ou seja, situam também em um contexto pré-exílico, pois a nação “subirá”. A relevância desta referência para o contexto histórico tem a ver com o fato de uma nação já ter subido. Isso está relacionado ao que foi dito anteriormente por causa da partícula . O vs 6 explica o vs 5. O enxame de gafanhotos é usado como uma nação hostil, insetos como nação, a mesma analogia é feita em Pv 30.25,26. A praga de gafanhotos é usada como metáfora, chama esse exército de gafanhotos – meu grande exército que enviei contra vós outros (2.25). Isso significa algo bem mais sério. Eles sofreram o exílio, a escravidão e o sofrimento. E agora estão sendo chamados a um culto puro, a abandonarem a idolatria e voltarem-se para o Senhor. Além disso, Deus promete vingar-se dos inimigos de Judá.

3) A pregação do profeta Joel ocorreu quando o templo ainda existia e o sacerdócio estava em funcionamento. Não sabemos com exatidão o tempo de sua pregação. Segundo Hubbard, há indícios que sugerem que Joel tinha vínculo com o templo, familiaridade com a liturgia e atividades do templo e a descrição do papel dos sacerdotes.[10] Em Jl 1.6, Joel faz referência aos gafanhotos e os compara a um povo que subiu. Quanto a isso, o Pulpit Commentary afirma que o passado utilizado no termo hebraico se refere ao futuro. Ou seja, situam também em um contexto pré-exílico, pois a nação “subirá”. A relevância desta referência para o contexto histórico tem a ver com o fato de uma nação já ter subido. Isso está relacionado ao que foi dito anteriormente por causa da partícula ki. O vs 6 explica o vs 5. O enxame de gafanhotos é usado como uma nação hostil, insetos como nação, a mesma analogia é feita em Pv 30.25,26. A praga de gafanhotos é usada como metáfora (chama esse exército de gafanhotos – meu grande exército que enviei contra vós outros (2.25). A praga já tinha vindo, e o exército que será enviado no futuro. Isso significa algo bem mais sério. Virá uma nação. Joel via a praga de gafanhotos como meio divino de corrigir e purificar o culto e levar seu povo à bênção de Yahweh. Mesmo com o exílio, o sofrimento e deslocamento do povo, o povo ainda não estava totalmente voltado para o Senhor e Joel os chama ao arrependimento.[11] Isso situa Joel em um contexto pós-exílico, onde Judá já retornou para sua terra e o templo já fora edificado por Zorobabel.

 

1.d. Contexto literário

O livro de Joel é dividido em duas partes. A primeira vai de 1.1 a 2.17, e a segunda vai de 2.18 a 3.21. A primeira parte trata como o pronunciamento da ira de Yahweh, onde domina a praga de gafanhotos e a recuperação dela. A segunda parte, é introduzida pelo amor ativo de Yahweh que o leva a defender e fazer prosperar seu povo, com uma ênfase em uma era escatológica vindoura.

A primeira parte de Joel tem correlações com a segunda, demonstrando uma estrutura cuidadosamente planejada.[12] Temos por exemplo:

 

Chamado ao arrependimento (1.2-14) Derramamento do Espírito (2.28-29)
Dia do SENHOR (1.15-2.2a) Dia do SENHOR (2.28-32)
O exército do SENHOR (2.2b-11) O exército das Nações (3.1-3)
A misericórdia do SENHOR da Aliança (2.12-14) A preocupação do SENHOR com a aliança (3.4-8)
Chamado ao arrependimento (2.15-17) Chamado à guerra do SENHOR (3.9-11)
A reação do SENHOR (2.18-20) A reação do SENHOR (3.12-17)
Renovação das bênçãos (2.21-27) Renovação das bênçãos (3.18-21)

 

O Dia do Senhor ocorre cinco vezes (1.15, 2.1, 11; 3.4; 4.14) em uma distribuição que envolve cada uma das quatro maiores divisões do livro. O Dia do Senhor deve ser entendido como tendo origem na guerra santa Israelita e particularmente na expectativa cultural de que a verdadeira soberania poderia completar a guerra de conquista em um único dia, onde ele escolheu intervir em uma batalha existente.[13] A guerra de conquista é central em Joel. A grande conquista de Judá e Jerusalém, sem paralelo em outras eras (1.2). O dia do Senhor quando ele intervirá para proteger e beneficiar seu povo e suprimir seus inimigos. Esses dias estavam próximos, a iminência desse dia é um padrão profético, mas o tempo atual dos dois eventos são separados com um tempo incerto.

O oráculo de Joel acerca do derramamento do Espírito do Senhor teve um cumprimento muito além dos ouvintes originais. O apóstolo Pedro não hesita em afirmar este cumprimento no dia de Pentecostes. Na verdade, este cumprimento vai ao encontro do antigo desejo de Moisés descrito em Números 11:29: “Tomara que todo o povo do Senhor fosse profeta, que o Senhor lhes desse o Seu Espírito”. Quando o Espírito Santo encheu todos os presentes na reunião no cenáculo, Pedro explicou que o acontecimento cumpria a profecia de Joel, descrita em 2:28-32. Os aspectos do derramamento do Espírito e a invocação do Senhor para a salvação foram suficientes para Pedro estabelecer a relação, embora alguns aspectos como sangue, fogo e nuvens de fumaça não tenham se concretizado naquele dia. Neste episódio a Igreja é alistada para anunciar a mensagem escatológica do dia do Senhor que vem chegando.

 

2. ANÁLISE EXEGÉTICA

A análise exegética apresentada a seguir é o resultado da pesquisa exegética feita na planilha de exegese utilizada no curso. As referências aos tópicos e detalhes do texto dependem do conhecimento e da visualização da estrutura montada na segunda aba da planilha.

 

2.a. Apresentação da Estrutura

O texto analisado nessa exegese pode ser estruturado da seguinte maneira:

Tabela 1: Estrutura de Joel 2.28-3.8 (Na Bíblia Hebraica de 3.1-4.8)

BHS Tradução
T1 O Derramamento do Espírito
וְהָיָ֣ה אַֽחֲרֵי־כֵ֗ן L1 3.1 E acontecerá depois disto,
אֶשְׁפֹּ֤וךְ אֶת־רוּחִי֙ עַל־כָּל־בָּשָׂ֔ר L2 Que derramarei do meu Espírito sobre toda carne
וְנִבְּא֖וּ בְּנֵיכֶ֣ם וּבְנֹֽותֵיכֶ֑ם L3 E profetizarão vossos filhos e filhas
זִקְנֵיכֶם֙ חֲלֹמֹ֣ות יַחֲלֹמ֔וּן L4 Vossos velhos sonharão sonhos proféticos,
בַּח֣וּרֵיכֶ֔ם חֶזְיֹנֹ֖ות יִרְאֽוּ׃ L5 Vossos jovens verão visões
וְגַ֥ם עַל־הָֽעֲבָדִ֖ים וְעַל־הַשְּׁפָחֹ֑ות L6 2 Também sobre escravos e escravas
בַּיָּמִ֣ים הָהֵ֔מָּה אֶשְׁפֹּ֖וךְ אֶת־רוּחִֽי׃ L7 Naqueles dias, derramarei o meu Espírito,
וְנָֽתַתִּי֙ מֹֽופְתִ֔ים בַּשָּׁמַ֖יִם וּבָאָ֑רֶץ L8 3 E darei sinais nos céus e na terra,
וָאֵ֔שׁ וְתִֽימֲרֹ֖ות עָשָֽׁן׃ L9 Sangue, fogo e coluna de fumaça,
הַשֶּׁ֨מֶשׁ֙ יֵהָפֵ֣ךְ לְחֹ֔שֶׁךְ L10 4 O sol se tornará em escuridão,
וְהַיָּרֵ֖חַ לְדָ֑ם L11 E a lua em sangue,
לִפְנֵ֗י בֹּ֚וא יֹ֣ום יְהוָ֔ה הַגָּדֹ֖ול וְהַנֹּורָֽא׃ L12 Antes que venha o grande e terrível Dia do SENHOR.
T2 A Salvação de todo que invocar o nome do SENHOR
וְהָיָ֗ה כֹּ֧ל אֲשֶׁר־יִקְרָ֛א בְּשֵׁ֥ם יְהוָ֖ה יִמָּלֵ֑ט L13 5 E acontecerá que todo aquele que invoque o nome do SENHOR será salvo,
כִּ֠י בְּהַר־צִיֹּ֨ון וּבִירוּשָׁלִַ֜ם L14 Pois, no monte de Sião e em Jerusalém,
תִּֽהְיֶ֣ה פְלֵיטָ֗ה L15 Haverá libertação,
כַּֽאֲשֶׁר֙ אָמַ֣ר יְהוָ֔ה L16 Como disse o SENHOR;
וּבַ֨שְּׂרִידִ֔ים אֲשֶׁ֥ר יְהוָ֖ה קֹרֵֽא׃ L17 E entre os sobreviventes os que o SENHOR chamar.
T3 A restauração do SENHOR sobre seu povo
כִּ֗י הִנֵּ֛ה בַּיָּמִ֥ים הָהֵ֖מָּה L18 4.1 Pois certamente naqueles dias,
ווּבָעֵ֣ת הַהִ֑יא L19 E naquele tempo
אֲשֶׁ֥ר אָשִׁ֛וב אֶת־שְׁב֥וּת יְהוּדָ֖ה וִירוּשָׁלִָֽם׃ L20 Em que restaurarei a sorte de Judá e de Jerusalém.
וְקִבַּצְתִּי֙ אֶת־כָּל־הַגֹּויִ֔ם L21 2 E reunirei todas as nações
וְהֹ֣ורַדְתִּ֔ים אֶל־עֵ֖מֶק יְהֹֽושָׁפָ֑ט L22 E as farei descer ao vale onde o SENHOR julga
וְנִשְׁפַּטְתִּ֨י עִמָּ֜ם שָׁ֗ם עַל־עַמִּ֨י L23 E ali entrarei em juízo contra eles por causa do meu povo,
וְנַחֲלָתִ֤י יִשְׂרָאֵל֙ L24 E a minha herança, Israel,
אֲשֶׁ֣ר פִּזְּר֣וּ בַגֹּויִ֔ם L25 A quem eles dispersaram entre as nações,
וְאֶת־אַרְצִ֖י חִלֵּֽקוּ׃ L26 E repartiram minhas terras,
וְאֶל־עַמִּ֖י יַדּ֣וּ גֹורָ֑ל L27 3 E lançaram sortes sobre o meu povo,
וַיִּתְּנ֤וּ הַיֶּ֨לֶד֙ בַּזֹּונָ֔ה L28 E deram meninos por prostitutas,
וְהַיַּלְדָּ֛ה מָכְר֥וּ בַיַּ֖יִן וַיִּשְׁתּֽוּ׃ L29 E venderam meninas por vinho que beberam.
T4 O juízo contra as nações inimigas
וְ֠גַם L30 4 E também,
מָה־אַתֶּ֥ם לִי֙ צֹ֣ר וְצִידֹ֔ון L31 Que tendes vós comigo, Tiro e Sidom,
וְכֹ֖ל גְּלִילֹ֣ות פְּלָ֑שֶׁת L32 E todas as fronteiras da Filístia?
הַגְּמ֗וּל אַתֶּם֙ מְשַׁלְּמִ֣ים עָלָ֔י L33 Quereis vingança contra mim?
וְאִם־גֹּמְלִ֤ים אַתֶּם֙ עָלַ֔י L34 Se quereis vingar contra mim,
קַ֣ל מְהֵרָ֔ה אָשִׁ֥יב גְּמֻלְכֶ֖ם בְּרֹאשְׁכֶֽם׃ L35 Rapidamente devolverei vossa vingança sobre a vossa cabeça
אֲשֶׁר־כַּסְפִּ֥י וּזְהָבִ֖י לְקַחְתֶּ֑ם L36 5 Porque levastes a minha prata e meu ouro
וּמַֽחֲמַדַּי֙ הַטֹּבִ֔ים הֲבֵאתֶ֖ם לְהֵיכְלֵיכֶֽם׃ L37 E meus melhores tesouros levastes para vossos templos.
וּבְנֵ֤י יְהוּדָה֙ וּבְנֵ֣י יְרוּשָׁלִַ֔ם L38 6 E os filhos de Judá e de Jerusalém,
מְכַרְתֶּ֖ם לִבְנֵ֣י הַיְּוָנִ֑ים L39 Vós vendestes para os filhos dos gregos
לְמַ֥עַן הַרְחִיקָ֖ם מֵעַ֥ל גְּבוּלָֽם׃ L40 Para afastá-los da sua terra.
הִנְנִ֣י מְעִירָ֔ם מִן־הַ֨מָּקֹ֔ום L41 7 Eis que eu os arrancarei do lugar
אֲשֶׁר־מְכַרְתֶּ֥ם אֹתָ֖ם שָׁ֑מָּה L42 De onde vós os vendestes,
וַהֲשִׁבֹתִ֥י גְמֻלְכֶ֖ם בְּרֹאשְׁכֶֽם׃ L43 E farei cair sobre vossas cabeças a vossa vingança.
וּמָכַרְתִּ֞י אֶת־בְּנֵיכֶ֣ם וְאֶת־בְּנֹֽותֵיכֶ֗ם L44 8 E venderei os vossos filhos e vossas filhas
בְּיַד֙ בְּנֵ֣י יְהוּדָ֔ה L45 Para a mão dos filhos de Judá
וּמְכָר֥וּם לִשְׁבָאיִ֖ם אֶל־גֹּ֣וי רָחֹ֑וק L46 E eles os venderão aos sabeus, um povo distante,
כִּ֥י יְהוָ֖ה דִּבֵּֽר׃ L47 Pois o SENHOR falou.

Fonte utilizada: SBL Hebrew (Logos Bible Software)

 

2.a.1. Justificar a estrutura.

O texto de Joel 2.28-3.8 se divide em quatro seções:

  • Joel 2.28-31 – O Derramamento do Espírito (L1-L12)
  • Joel 2.32 – A Salvação de todo que invocar o SENHOR (L13-L17)
  • Joel 3.1-3 – A Restauração do SENHOR sobre seu povo (L18-L29)
  • Joel 3.4-8 – O juízo contra nas nações inimigas (L30-L47)

A primeira seção pode ser vista por iniciar-se com wĕhāyâ que é um indicador de tempo para os verbos posteriores.[14] Gottfried Vanoni sustenta que o wĕhāyâ é uma expressão que tem uma construção temporal adverbial, e será seguido por outros verbos seguidos do wav, que mostrará uma sequência no futuro.[15] Depois do juízo de Deus, sua misericórdia vem sobre seu povo e agora temos uma restauração da aliança de Deus de forma plena. Há duas ênfases na primeira seção sobre a restauração da aliança de Deus com seu povo: 1) o Espírito será dado em abundância; e 2) será dado sobre toda a carne.

A segunda seção também se inicia um um wĕhāyâ. É um indicador de tempo e uma cláusula consecutiva. Que é consequência do derramamento do Espírito. Agora, todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo. O tempo da restauração do povo de Deus é chegado.

A terceira seção inicia-se com a partícula , iniciando uma oração subordinada explicativa que fundamenta a consequência de terem invocado o nome do SENHOR. Fala sobre a restauração do SENHOR sobre o seu povo. Há uma referência temporal (naqueles dias). A referência temporal aqui presente diz respeito do tempo em que Deus trará a salvação ao monte de Sião. É um tipo de referência utilizada pelos profetas (Ex. Jr. 33.15). Porém, não é uma simples referência temporal, mas está fazendo eco do Dia do Senhor. O que agora será relatado acontecerá naquele mesmo tempo.

Por fim, a última cláusula, há uma mudança na direção do conteúdo da mensagem. Agora o profeta volta sua atenção para as cidades de Tiro e Sidom e as regiões da Filistia, esta englobava as cidades de Gaza, Asdode, Ascalom, Gate, Ecrom, estas regiões eram inimigos tradicionais dos israelitas. O juízo de Deus virá contra essas nações inimigas.

David Allan Hubbard,[16] defende uma divisão primeira de Joel 2.28-32 e outra divisão em Joel 3.1-14. Ele inclui os versículos 3.9-14 na seção anterior. Porém, os versículos 9-14 constituem uma nova seção, que é poética, com ênfase em imperativos dados pelo SENHOR. No caso, é dirigido às mesmas nações inimigas dos versículos 1-8, entretanto, muda-se o estilo e modo dos verbos.

 

2.b. Primeiro tema: O Derramamento do Espírito. (L1-12)

L1) E acontecerá depois disto: A linha 1 começa com um wav seguido do verbo hāyâ. Gottfried Vanoni sustenta que o wĕhāyâ é uma expressão que tem uma construção temporal adverbial, e será seguido por outros verbos seguidos do wav, que mostrará uma sequência no futuro.[17]

Há duas ênfases na primeira seção sobre a restauração da aliança de Deus com seu povo: 1) o Espírito será dado em abundância; e 2) será dado sobre toda a carne.

O texto tem um tom escatológico, tendo em vista a palavra “depois” (aḥȧrē), o que implica que esta promessa seria cumprida por Deus em um tempo adiante. Há um cumprimento deste texto em Atos 2 de forma contínua, onde há um cumprimento inicial em Pentescostes que continua durante o período da Igreja, até o cumprimento final na segunda vinda de Cristo.[18] Em Atos 2, a partir do verso 16, Pedro explica que o derramar do Espírito que acabara de acontecer era o cumprimento da profecia de Joel. O derramar do Espirito sobre toda carne, abriria o período denominado “últimos dias”, e se manifestaria em pessoas de todos tipos, não só homens, mas também mulheres, jovens, crianças e servos.

O oráculo fala de uma nova era de relacionamento entre Deus e seu povo, diferente dos dias atuais em que ele vivia. Jeremias tinha descrito essa em termos de da lei escrita nos corações (Jr 31.31-34) e Ezequiel descreve como a doação de um coração novo (Ez 36.26,27). No ministério de Joel, a nação de Israel, não andava com fidelidade e intimidade com Deus.

Na L2, o verbo “derramarei” é um imperfeito que está relacionado ao wĕhāyâ. Segundo Waltke, esse verbo é um não-perfectivo que expressa uma situação futura como dependente ou contingente em alguma situação expressa ou não expressa.[19] Deus derramará o seu Espírito depois daqueles dias. Há algo encoberto aqui, do qual depende o derramar. Primeiramente seria necessário que algo acontecesse para que Deus derramasse do seu Espírito. Primeiramente seria necessário que Cristo viesse, para então Deus derramar do seu Espírito sobre toda a carne.

“Do meu Espírito” revela que Deus derramará de si mesmo, do seu próprio poder e vitalidade sobre seu povo. O Espírito que pairava sobre as águas, que estava sobre Moisés, e sobre os ungidos no Antigo Testamento, agora estará sobre toda a carne. “Sobre toda a carne” significa literalmente sobre cada um em Israel.

Na L3 temos as consequências do derramar do Espírito sobre toda a carne. Em primeiro lugar “vossos filhos e vossas filhas”, “vossos velhos”, “vossos jovens” e “escravos e escravas”, confirma a ideia de que não haverá exclusão de quem receberá do Espírito. Em Números 11.29, Moisés diz: “Oxalá todo o povo do Senhor fosse profeta, que o Senhor lhes desse o seu Espírito”. Agora, pessoas de todas as condições sociais, independentemente de idade ou sexo, receberão do Espírito. Existiam escravos em Israel provenientes de outros povos, e isso já mostra que Deus não faz acepção entre judeus e gentios quanto ao derramar do seu Espírito.

O derramar do Espírito será manifestado por atividades proféticas em todos os tipos de pessoas. Os profetas no AT basicamente profetizavam, tinham sonhos e visões. Assim, o texto utiliza sinônimos para tanto para o que aconteceria com jovens, filhos e filhas, velhos e escravos e escravas. Não haverá distinção. A palavra sonhos é incluída em um paralelo com visões para enriquecer o paralelismo poético.[20] Na L3, a palavra “profetizarão”, nesse texto, a ênfase está em um conhecimento mais profundo de Deus, uma forma mais rica do relacionamento prometido anteriormente (2.27). Na L4, os velhos “terão sonhos”, que é um paralelismo sinonímico com a L3, que significa o mesmo que “profetizarão”. O mesmo ocorre na L5, quando diz que os jovens “terão visões”. O sentido é o conhecimento verdadeiro de Deus, sem intermediários, sem necessidade de profetas para falarem em nome de Deus ao seu povo, porque o próprio Deus falará diretamente com cada um, independente de classe, idade ou sexo. E eles poderão compartilhar desse conhecimento de Deus com outros profetizando, ou seja, pregando sobre quem é o Deus com quem eles se relacionam. A palavra “profetizar” quando usada no Novo testamento está relacionada à pregação da Palavra. Nas Linhas 6 e 7, temos o derramamento “naqueles dias”, uma expressão escatológica onde o autor fecha a promessa do derramamento do Espirito Santo sobre escravos e escravas. Sobre os servos inclusive. Ao falar sobre escravos, temos uma menção também a outros povos, uma vez que existiam escravos de outros povos no meio de Israel. Deus não faria distinção inclusive entre povos.

Na Linha 8, “mostrarei prodígios no céu e na terra”. Primeiramente, é necessário entender as linhas 8 a 12, em um tom de poesia e não de prosa. É uma linguagem poética utilizada pelo profeta para falar sobre o Dia do Senhor. Desta maneira, entendemos que o derramar do Espírito Santo tem seu cumprimento em Pentecostes e vai até a segunda vinda do Senhor Jesus, quando esses eventos acontecerão. Primeiramente, o verbo “mostrarei” é um verbo que pode ser chamado de perfeito profético, segundo Waltke.[21] O verbo se refere a um evento futuro. O Senhor mostrará “prodígios”. Essa palavra significa sinais, maravilhas, milagres ou símbolos. Neste caso, os prodígios ou sinais do Dia do Senhor, serão mostrados tanto no céu como na terra, ou seja, em toda a dimensão cósmica, em todos os planos. Naquele momento, céus e terra estarão diante do Senhor e do seu poder. Os prodígios são sangue, fogo e colunas de fumaça, que são símbolos de uma guerra que o Senhor empreenderá contra os inimigos. Ao mesmo tempo, ao citar essas palavras, o autor descreve o juízo de Deus como um sacrifício mundial à sua santidade, quando serão julgadas pelo Senhor por desprezarem sua glória. Ao mesmo tempo que mostra cidades queimadas, tropas ensanguentadas, e fumaça de destruição deixando seu rastro. A palavra “colunas de fumaça” pode ser traduzida como “cogumelos”, em um sentido como “em forma de árvore” ou “nuvem de cogumelo”, o que nos dá a ideia de uma fumaça que sai de um vulcão em erupção, ou mesmo de uma grande explosão. Essas imagens passadas pelo profeta nos remetem aos feitos de Deus no Êxodo,[22] em que o julgamento do Egito significava a libertação de Israel. O rio Nilo se torna em sangue (Êx 7.17), a saraiva e fogo ferem a terra (Êx 9.24) e o monte Sinai fica encoberto de fumaça (Êx 19.18). Além disso, esse texto nos remonta ao texto de Apocalipse, quando o Dia do Senhor virá e ele julgará as nações.

Na linha 10, temos o sol escurecido e na linha 11, a lua em cor de sangue. Em Deuteronômio 30.15-20, Deus toma os céus e a terra como testemunhas do seu pacto com o povo, como testemunhas imutáveis diante de um povo volúvel. Quando Cristo morre na cruz, o sol se tornou em trevas durante o período que Jesus esteve na cruz. Os céus se enegrecem e a terra treme na morte de Cristo. Agora, no Dia do Senhor, novamente as testemunhas do pacto se manifestam. O sol e a lua mostrarão sinais quando o Senhor executar sua justiça contra os ímpios. Essas coisas acontecerão “antes que venha o grande e terrível dia do Senhor”. O profeta, na linha 12, nos dá dois adjetivos sobre como será o Dia do Senhor: grande e terrível. A palavra “grande” nos dá ideia de algo de grande magnitude, de grande extensão e grande intensidade. Além disso, também dá ideia de importância e será “terrível”. Essa palavra tem o sentido negativo de algo pavoroso, temível, algo a ser temido e um sentido positivo de inspirar reverência, temor e respeito piedoso. Desta forma, naquele dia, os ímpios estarão em desespero enquanto os eleitos estarão curvados em reverência e respeito piedoso diante do Justo Deus.

 

2.c. Segundo tema: A salvação de todo que invocar o nome do SENHOR. (L13-17)

“E acontecerá que todo aquele que chame o nome do Senhor será salvo” (L13). O termo “E acontecerá”, no hebraico, é uma repetição do termo utilizado na linha L1, que é uma expressão própria da narrativa hebraica para uma construção temporal adverbial, e será seguido por outros verbos que também apontam para o futuro.[23] Neste caso, acontecerá que todo o que invocar o nome do Senhor será salvo e será liberto.

O verbo invocar (yiqrā) está no Qal Imperfeito, e é um Imperfeito de possibilidade.[24] No caso, é possível ao sujeito realizar essa ação ou não. Somente aqueles que invocarem o nome do SENHOR serão salvos. O povo de Deus deveria buscá-lo com todo seu coração. Esse verbo também pode significar “pedir ajuda de Yahweh”.[25]

A expressão “o nome do SENHOR” aparece 48 vezes no Antigo Testamento e 6 vezes nos profetas menores. Delas, duas vezes em Joel. As duas vezes mostrando que o Nome de Yahweh deve ser louvado e invocado (2.26, 2.32). De fato, há vários exemplos nas Escrituras onde simplesmente se usa a palavra “nome” em referência a Deus, sem especificar a que nome se refere. No mundo semítico, o nome de uma pessoa costumava ter um significado que ia além da mera identificação, era uma descrição do caráter ou de sua condição. O nome de Deus representa a natureza essencial de Deus revelada ao povo como uma força atuante em sua vida. [26] Com isso podemos entender que a expressão é “indicativa de um ser pessoal ou da totalidade do caráter santo de Deus”.[27] Neste caso, eles não devem buscar um teísmo qualquer, mas devem uma dedicação exclusiva a Yahweh. Na sua adoração é ao nome de Yahweh e nada além do seu nome que eles devem clamar.

O verbo será salvo (yimmaliṭ) está no Nifal, ou seja, é passivo. Neste caso, o texto mostra que a salvação de Deus não vem deles, mas do Senhor. Além disso, esse verbo é um Imperfeito que dá a ideia de uma situação que ocorre como consequência de outra.[28] Neste caso, a salvação do Senhor, vem depois que eles clamam a Ele.

“Pois, no monte de Sião e em Jerusalém”. A conjunção “pois” (kî), é uma conjunção explicativa e mostra que a salvação daquele que clama está localizada “no monte de Sião e em Jerusalém”. O monte Sião e Jerusalém são destacados como o lugar da presença de Deus, onde sua glória é vista de forma mais brilhante dentro da revelação do Antigo Testamento (Sl 99, 110, 122, 126, 128, 134, 146, 147). Normalmente no Antigo Testamento, o monte de Sião e Jerusalém são termos para denotar o mesmo lugar. Assim, na Jerusalém, ou na “cidade da paz”[29], terá localizado a salvação daquele que clama.

Em seguida, o profeta afirma que em Jerusalém “haverá libertação” (L15), ou livramento. O verbo haverá é um qal imperfeito que conota a ideia de uma consequência relacionada à L16, “pois o Senhor falou”, o Senhor prometeu. Deus promete por meio do profeta que localizará a salvação em Sião para todo aquele que chame o nome do Senhor. O verbo “prometeu” ou “falou” é um qal perfeito, e mostra gramaticalmente o fato que, no caso de Deus, uma promessa é certeza.

“E entre os sobreviventes, aqueles que o Senhor chamar” (L17). Em Jerusalém haverá libertação, e agora, o profeta explica que aqueles que serão libertos ou salvos, são os sobreviventes, os que restarem. A partícula “ȧšher” pode dar a ideia de que o Senhor chama alguns entre os sobreviventes. Porém, não é essa a ideia do texto. Uma possível tradução seria: “E os sobreviventes, os que o Senhor chamar”. Neste caso, todos os sobreviventes são aqueles que foram chamados pelo Senhor. O verbo chamar aqui, é um particípio ativo, aqueles que foram chamados. Ou seja, Deus salvará, não porque eles clamaram, como se a salvação dependesse da escolha humana, mas porque antes disso, Deus os chamou.

 

2.d. Terceiro tema: A restauração do SENHOR sobre seu povo. (L18-29)

“Pois certamente naqueles dias e naquele tempo” (L18 e L19): O terceiro tema inicia-se com a conjunção kî, uma oração subordinada explicativa que fundamenta a consequência de terem invocado o nome do SENHOR.

Naqueles dias e naquele tempo faz uma referência temporal relativa ao tempo em que Deus trará a salvação no monte de Sião. É uma referência também utilizada por outros profetas (Cf. Jr. 33.15). Neste caso não é apenas uma referência temporal mas aponta para o Dia do Senhor, e no Dia do Senhor acontecerá essa restauração plena e o juízo contra as nações.

“Restaurarei a sorte de Judá e Jerusalém” (L20): O verbo restaurarei (ašūb) é um Qal Imperfeito. Esse verbo significa trazer de volta, fazer retornar.[30] No caso, Deus é quem restaura seu povo, e faz que sua sorte não seja aquela que eles merecem. No caso, sua sorte seria a destruição, a condenação, mas por sua graça, Deus muda o curso do destino de Judá e Jerusalém, porque ele já os havia chamado (L17). O imperfeito nesse caso dá a ideia de futuro.[31] Traduzimos por sorte, a palavra “š˙būt” que significa cativos, cativeiro. Ou seja, a construção hebraica literalmente significa: trarei de volta os cativos de Judá e Jerusalém. Eles estavam destinados a perecer como escravos, mas Deus traz libertação ao seu povo e traz juízo contra os seus inimigos.

A partir de agora, o profeta mostrará como será a restauração de Judá e Jerusalém:

“E reunirei todas as nações” (L21): Deus reunirá (qibbaṣtī) é um piel perfeito, que dá a ideia de uma ação mais intensiva do que o qal.[32] Esse verbo é utilizado com frequência em contextos de juízo divino (cf. Is 66.18; Os 8.10, 9.6; Mq 4.12). Todas as nações (kal hagōyīm) tanto pode dar a ideia de todas as nações escatologicamente no juízo final diante do trono do julgamento de Deus, como pode dar a ideia de um juízo a nações específicas, como os inimigos de Judá naquela época. Como o profeta dá a entender que acontecerá no dia do Senhor, defendemos que são todas as nações literalmente, incluindo os inimigos de Judá que são especificados posteriormente.

“E as farei descer ao vale onde Yahweh julga” (L22): a tradução desta linha poderia ser: “e as farei descer ao vale de Josafá”. “Farei descer” é um verbo Hifil Perfeito que dá a ideia de que o Senhor é o causador da ida das nações para o vale. Pode ser traduzido como “derrubar”, “humilhar”. O próprio Senhor é quem fará acusação contra eles e Ele mesmo é quem os julgará e os levará ao tribunal.[33]

Não há nada que possa justificar o nome próprio de Josafá, que foi rei de Judá. Neste caso, sugerimos o significado do nome que significa: “Yahweh tem julgado”. Não sabemos onde esse vale se encontra geograficamente, mas ele pode ser assimilado com o “vale da decisão” de 3.14. A sequência das linhas fortalece o argumento, pois neste local o Senhor entrará em juízo contra as nações.

“E ali entrarei em juízo contra eles por causa do meu povo” (L23): Ali, no Vale de “Josafá” é o local em que o Senhor “entrará em juízo” (nišpaṭtī) que é um verbo com a mesma raiz de Josafá, porém no Nifal Perfeito. Esse verbo significa “entrar em pleito, se colocar contra, entrar em juízo”. Deus se mostra como o juiz que há de julgar as nações. Nenhum dos atos realizados ficará impune diante dele. “Por causa do meu povo” nos dá a ideia de Deus trazendo juízo sobre os inimigos de Judá, que também são inimigos dele. Deus é quem vingará as injustiças feitas contra os seus.

“E a minha herança, Israel” (L24): a palavra herança (nïḥlat) também significa possessão, propriedade. Ou seja, o povo do Senhor é povo de sua propriedade exclusiva e quem os agride, se coloca contra o Senhor, e sofrerá seu juízo. Deus tem um pacto com seu povo como vemos em Êxodo 19.5: “sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos”. O profeta agora muda o nome de Jerusalém e Judá para Israel, mas como sinônimo de Judá, e não como uma menção ao Reino do Norte.

“A quem eles dispersaram entre as nações” (L25): “a quem” se refere a Judá e “eles” se refere às nações que serão julgadas. Essas nações espalharam Judá entre os povos e repartiram a terra do Senhor entre si. Aqui vemos uma alusão ao exílio de Judá que mostra quando Judá é exilada para a Babilônia, e aqueles que ficam em Jerusalém depois são espalhados indo para o Egito.

Na L26, “e repartiram minha terra”, as terras repartidas aqui são colocadas como terras do Senhor, como diz Êxodo 19.5: “porque toda a terra é minha”. Esses povos atacaram a Judá, mas por conta disso, é como se tivessem atacado diretamente a Deus. O verbo “repartiram” é intensivo e mostra que eles se apropriaram, como se tivessem direito sobre a terra, da terra que é do Senhor. Eles dispersaram o povo, e se tomaram posse das terras. Deus aqui mostra seu relacionamento com Israel especialmente quando diz: “meu povo”, “minha herança”, “minha terra”. Deus tem um relacionamento especial no pacto com seu povo, e aqueles que se levantam contra o seu povo, se levantam contra o próprio Deus, pois eles levam sobre si o Nome do Senhor.

“E lançaram sortes sobre o meu povo” (L27): essa expressão aparece 7 vezes nas Escrituras sagradas. Três vezes entre os profetas menores (Joel 3.3, Jonas 1.7, e Naum 3.10) e três vezes nos evangelhos falando sobre as vestes de Jesus quando foi crucificado. Essa expressão mostra como as pessoas eram tratadas como mercadorias e o destino de suas vidas eram sorteadas e definidas como se fossem peões de xadrez.

“E deram meninos por prostitutas e venderam as meninas por vinho que beberam” (L28 e L29): Neste caso o profeta mostra como as pessoas tinham valores irrisórios e permutadas como se fossem mercadorias. As pessoas eram utilizadas para satisfazer seus vícios e seus prazeres. Os filhos de Judá são humilhados e seu preço estipulado. A preposição “beutilizada juntamente com “prostitutas” mostra a ideia de preço no hebraico.[34] Os meninos custam o valor de uma noite com uma meretriz, e as meninas valem o preço de um odre de vinho.

 

2.e. Quarto tema: O juízo contra as nações inimigas. (L30-47)

“E também que tendes vós comigo, Tiro e Sidom, e todas as fronteiras da Filístia? Acaso quereis vingança contra mim? ” (L30-33). O profeta volta a atenção para Tiro e Sidom e as regiões da Filistia que englobavam as cidades de Gaza, Asdode, Ascalom, Gate e Ecrom. Estas regiões eram inimigas tradicionais do povo de Israel. Talvez também por conta da referência ao comércio escravagista, que se concentrava naqueles portos do Mar Mediterrâneo. Amós e outros profetas mostram como a hostilidade dessas regiões era permanente e profunda (cf. Am 1.6,9; Is 9.11; Jr 47.4; Sf 2.1-5). A linguagem é sarcástica mas tem um sentido claro: “querem retribuição? ” A palavra “gemûl” significa “resolver de vez ou concluir uma transação”. Eles querem retribuição daquele que retribui justamente. A expressão “que tendes vós” significa algo como “o que eu fiz para agirem assim”.[35]

“Se quereis vingar contra mim, rapidamente retribuirei vossa vingança sobre a vossa cabeça” (L34, L35). A preposição “se” (im) mostra uma oração condicional, uma vez que eles querem retribuição, Deus responde que então de forma ligeira, rápida, depressa (qal) ele trará sobre as cabeças deles a retribuição que desejam. Eles querem afrontar ao Senhor, porém essa afronta se volta contra eles trazendo destruição repentina para essas nações. O mesmo que fizeram com Israel, agora Deus faria com eles.

“Porque levastes a minha prata e o meu ouro, e meus melhores tesouros levastes para os vossos templos” (L36, L37). Neste momento Deus mostra as acusações contra essas nações. Essa acusação tem como base dois crimes: a primeira é que eles saquearam os tesouros de Israel. Levaram o ouro do palácio e do Templo. Todos os utensílios do Templo foram levados, incluindo a Arca da Aliança. E eles puseram os tesouros do Senhor em templos idólatras, de deuses pagãos.

“E os filhos de Judá e de Jerusalém vós vendestes para os filhos dos gregos” (L38, L39). Essa é a segunda acusação contra os povos estrangeiros. Eles venderam israelitas como escravos aos gregos. Uma tradução para gregos nesse texto pode ser “jônios”, nativos e colonizadores de ambos os lados do mar Egeu. Há documentos que registram contatos entre os jônios e o império assírio em épocas que remontam já ao oitavo século a.C., enquanto Ezequiel descreve o comércio entre Tiro e os jônios quando diz: “… em troca das tuas mercadorias davam escravos e objetos de bronze” (Ez 27.13).[36]

“Para afastá-los da sua terra” (L40). Era costume de as nações daquela época afastar os povos escravizados de suas nações, como faz Nabucodonosor ao levar os israelitas para a Babilônia.

“Eis que eu os arrancarei do lugar de onde vós os vendestes” (L41). A partir de agora, como de costume em oráculos como este, após o anúncio da acusação legal, segue-se o anúncio da punição. A punição inclui trazer de volta o povo do Senhor, que no hebraico pode ser traduzido como “despertar, acordar, estimular” que no hifil dá uma ideia causativa de uma intervenção especial de Yahweh para libertar os escravos judeus e impor uma retribuição apropriada aos que os venderam.

“E farei cair sobre as vossas cabeças a vossa vingança” (L42). Aqui, o profeta repete o que o Senhor falou na L34. Novamente o verbo está no Hifil, mostrando que o Senhor é quem causará toda essa retribuição. Ele é quem julga e quem condena esses povos. O verbo “farei cair” (hïšībōtī) significa “fazer voltar”. Neste caso, Senhor fará voltar para eles mesmos (vossas cabeças) a vingança que eles queriam executar. Em seguida, o profeta mostra como Deus infligirá essa punição contra essas nações.

“E venderei os vossos filhos e vossas filhas para a mão dos filhos de Judá” (L44, L45). Neste momento o profeta anuncia a sentença de punição contra os opressores de Judá mostrando que da mesma maneira que eles venderam o povo de Judá como escravos, humilhando-os, eles serão vendidos aos judeus. Aqueles que escravizaram os judeus, agora serão seus escravos.

“E eles os venderão aos sabeus, um povo distante”. (L46). A sentença de punição continua. Eles não apenas serão escravizados por aqueles que tinham escravizado, mas serão utilizados como moeda de troca, assim como fizeram com os judeus, agora terão seus descendentes sendo vendidos para uma nação distante, sendo afastados de sua terra, assim como os judeus também foram. A referência aos sabeus acentua a punição. Não apenas por serem do país da rainha de Sabá (1Rs 10.1-13). Eles eram uma nação do sul da Arábia[37], onde a vida no deserto seria terrível para aqueles que foram criados no litoral. E naquele local, que era rota de comércio, fazia que os escravos vendidos a eles fossem dispersos para qualquer lugar do Oceano Índico até a parte oriental da África. A retribuição ocorre na mesma medida: assim como os judeus, que não tinham amor pelo mar, foram vendidos a povos marítimos; já os povos da Fenícia e da Filístia, acostumados com o mar, serão vendidos aos sabeus, habitantes do deserto. Segundo Stuart,[38] é possível que alguns judeus tenham vendido escravos de Sidom nas incursões de Artaxerxes III em 345 a.C., ou mesmo de cidadãos de Tiro e de Gaza que foram vendidos como escravos para Alexandre, o Grande, em 332 a.C.

“Pois o Senhor falou” (L47). O oráculo termina com uma fórmula de confirmação de que a palavra do profeta veio diretamente do Senhor, fórmula comum entre os profetas (cf. Is 1.2) endossando a autoridade do oráculo e mostram que a profecia se realizará sem dúvidas. O verbo “falou” é um Piel, que é intensivo, e pode ser traduzido também como “prometeu”. Deus julgará os povos com reta justiça e salvará seu povo com graça e amor leal.

3. CONCLUSÃO

Esta investigação exegética tratou de Joel 2.28 a 3.8 conforme apresentado na estrutura descrita. Conforme a estrutura, concluímos que a perícope contém quatro temas. O primeiro tema (L1-12) mostra o Derramamento do Espírito. A primeira seção pode ser vista por iniciar-se com wĕhāyâ que é um indicador de tempo para os verbos posteriores.[39] Gottfried Vanoni sustenta que o wĕhāyâ é uma expressão que tem uma construção temporal adverbial, e será seguido por outros verbos seguidos do wav, que mostrará uma sequência no futuro.[40] Depois do juízo de Deus, sua misericórdia vem sobre seu povo e agora temos uma restauração da aliança de Deus de forma plena. Há duas ênfases na primeira seção sobre a restauração da aliança de Deus com seu povo: 1) o Espírito será dado em abundância; e 2) será dado sobre toda a carne. O segundo tema (L13-17) fala sobre A Salvação de todo aquele que invocar o nome do SENHOR. A segunda seção também se inicia um wĕhāyâ. É um indicador de tempo e uma cláusula consecutiva. Que é consequência do derramamento do Espírito. Agora, todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo. O tempo da restauração do povo de Deus é chegado.

O terceiro tema (L18-29) trata da restauração do SENHOR sobre seu povo. A terceira seção inicia-se com a partícula , iniciando uma oração subordinada explicativa que fundamenta a consequência de terem invocado o nome do SENHOR. Fala sobre a restauração do SENHOR sobre o seu povo. Há uma referência temporal (naqueles dias). A referência temporal aqui presente diz respeito do tempo em que Deus trará a salvação ao monte de Sião. É um tipo de referência utilizada pelos profetas (Ex. Jr. 33.15). Porém, não é uma simples referência temporal, mas está fazendo eco do Dia do Senhor. O que agora será relatado acontecerá naquele mesmo tempo.

O quarto tema (L30-47) trata do juízo de Deus contra as nações inimigas. Agora há uma mudança na direção do conteúdo da mensagem. Agora o profeta volta sua atenção para as cidades de Tiro e Sidom e as regiões da Filistia, esta englobava as cidades de Gaza, Asdode, Ascalom, Gate, Ecrom, estas regiões eram inimigos tradicionais dos israelitas. O juízo de Deus virá contra essas nações inimigas. David Allan Hubbard,[41] defende uma divisão primeira de Joel 2.28-32 e outra divisão em Joel 3.1-14. Ele inclui os versículos 3.9-14 na seção anterior. Porém, os versículos 9-14 constituem uma nova seção, que é poética, com ênfase em imperativos dados pelo SENHOR. No caso, é dirigido às mesmas nações inimigas dos versículos 1-8, entretanto, muda-se o estilo e modo dos verbos.

O Derramar do Espírito de Deus será sobre toda a carne e não haverá acepção de pessoas quanto a sexo, idade e condição social. Além disso, ao incluir os escravos e escravas, o profeta inclui também os estrangeiros que eram servos em Israel. Isso já nos antecipa que o pentecostes não aconteceria apenas sobre o povo de Israel, mas sobre todas as nações. Deus não faz acepção entre judeu e gentio. Além disso, no segundo tema, quando o profeta diz: “todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo”, também aponta para uma extensão maior do que apenas Israel, mas aqueles que o SENHOR chamar. A salvação não é consequência de terem invocado o SENHOR, mas porque o SENHOR os chamou, independente de sexo, idade, condição social e nacionalidade. Vemos isso em Atos, com o Espírito sendo derramado sobre judeus, samaritanos e sobre gentios.

Quanto à punição contra Tiro e Sidom e as fronteiras da Filístia, eles venderam os judeus para povos distantes, afastando-os de suas terras, agora, eles não apenas serão escravizados por aqueles que tinham escravizado, mas serão utilizados como moeda de troca, assim como fizeram com os judeus, agora terão seus descendentes sendo vendidos para uma nação distante, sendo afastados de sua terra, assim como os judeus também foram. Eles seriam vendidos aos sabeus, uma nação do sul da Arábia, onde a vida no deserto seria terrível para aqueles que foram criados no litoral. E naquele local, que era rota de comércio, fazia que os escravos vendidos a eles fossem dispersos para qualquer lugar do Oceano Índico até a parte oriental da África. A retribuição ocorre na mesma medida: assim como os judeus, que não tinham amor pelo mar, foram vendidos a povos marítimos; já os povos da Fenícia e da Filístia, acostumados com o mar, serão vendidos aos sabeus, habitantes do deserto. Porém, quanto ao cumprimento dessa profecia, não temos nenhum dado histórico que prove que os judeus teriam escravizado Tiro e Sidom ou mesmo pessoas da região da Filístia, porém é possível que alguns judeus tenham vendido escravos de Sidom nas incursões de Artaxerxes III em 345 a.C., ou mesmo de cidadãos de Tiro e de Gaza que foram vendidos como escravos para Alexandre, o Grande, em 332 a.C.

Esta pesquisa também aponta, não apenas para o seu cumprimento em Atos, no derramamento do Espírito, mas para um cumprimento final em Apocalipse, quando o Dia do SENHOR virá para julgar todas as nações. Diante das injustiças, do sofrimento do seu povo, Deus fará justiça e trará vingança sobre os seus inimigos naquele dia. Ninguém ficará impune, e Deus condenará os ímpios e salvará o seu povo para a glória do seu Nome.

 

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[11] HUBBARD, David Allan; “Joel e Amós”; São Paulo: Vida Nova, 1996, p. 36.

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[15] WALTKE, Bruce K., O’CONNOR, M.; “Introdução à Sintaxe do Hebraico Bíblico”; São Paulo: Cultura Cristã, 2006, p. 539.

[16] HUBBARD, David A.; “Joel e Amós – Introdução e Comentário”; São Paulo: Vida Nova, 1996, p. 78-88.

[17] WALTKE, Bruce K., O’CONNOR, M.; “Introdução à Sintaxe do Hebraico Bíblico”; São Paulo: Cultura Cristã, 2006, p. 539.

[18] PINTO, Carlos Osvaldo Cardoso; “Foco & Desenvolvimento no Antigo Testamento”; São Paulo: Hagnos, 2006, p. 709.

[19] WALTKE, Bruce K., O’CONNOR, M.; “Introdução à Sintaxe do Hebraico Bíblico”; São Paulo: Cultura Cristã, 2006, p. 512.

[20] HUBBARD, David Allan; “Joel e Amós”; São Paulo: Vida Nova, 1996, p. 80.

[21] WALTKE, Bruce K., O’CONNOR, M.; “Introdução à Sintaxe do Hebraico Bíblico”; São Paulo: Cultura Cristã, 2006, p. 490.

[22] HUBBARD, David Allan; “Joel e Amós”; São Paulo: Vida Nova, 1996, p. 81.

[23] WALTKE, Bruce K., O’CONNOR, M.; “Introdução à Sintaxe do Hebraico Bíblico”; São Paulo: Cultura Cristã, 2006, p. 539.

[24] WALTKE, Bruce K., O’CONNOR, M.; “Introdução à Sintaxe do Hebraico Bíblico”; São Paulo: Cultura Cristã, 2006, p. 508.

[25] JONKER, Louis; qr; in: VANGEMEREN; Willem A.; “Novo Dicionário Internacional de Teologia e Exegese do Antigo Testamento – Volume 3”; São Paulo: Cultura Cristã, 2011, p. 969.

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[27] CAMPOS, Heber Carlos de; “O Ser de Deus e seus atributos”; São Paulo: Editora Cultura Cristã, 1999, p. 81.

[28] WALTKE, Bruce K., O’CONNOR, M.; “Introdução à Sintaxe do Hebraico Bíblico”; São Paulo: Cultura Cristã, 2006, p. 511.

[29] “Cidade da paz”, “habitação da paz” ou “possessão da paz” (Js. 10.1). MORAES, Elias Soares de; “Dicionário etimológico de nomes bíblicos”; São Paulo: Beit Shalom, 2010, p. 235.

[30] THOMPSON, J. A.; MARTENS, Elmer A.; shuv; in: VANGEMEREN; Willem A.; “Novo Dicionário Internacional de Teologia e Exegese do Antigo Testamento – Volume 4”; São Paulo: Cultura Cristã, 2011, p. 58s.

[31] WALTKE, Bruce K., O’CONNOR, M.; “Introdução à Sintaxe do Hebraico Bíblico; São Paulo: Cultura Cristã”, 2006, p. 511.

[32] WALTKE, Bruce K., O’CONNOR, M.; “Introdução à Sintaxe do Hebraico Bíblico”; São Paulo: Cultura Cristã, 2006, p. 397.

[33] HUBBARD, David Allan; “Joel e Amós”; São Paulo: Vida Nova, 1996, p. 85.

[34] MCCOMISKEY, Thomas E.; “The Minor Prophets: Hosea, Joel and Amos. An Exegetical and Expository Commentary”; Michigan: Baker Book House, 1992, p. 301.

[35] HUBBARD, David Allan; “Joel e Amós”; São Paulo: Vida Nova, 1996, p. 87.

[36] Ibid. p. 87.

[37] MCCOMISKEY, Thomas E.; “The Minor Prophets: Hosea, Joel and Amos. An Exegetical and Expository Commentary”; Michigan: Baker Book House, 1992, p. 303.

[38] STUART, Douglas; “Word Biblical Commentary: Hosea-Jonah”; Texas: Word Books Publisher, 1987, p. 268.

[39] WALTKE, Bruce K., O’CONNOR, M.; “Introdução à Sintaxe do Hebraico Bíblico”; São Paulo: Cultura Cristã, 2006, p. 539.

[40] WALTKE, Bruce K., O’CONNOR, M.; “Introdução à Sintaxe do Hebraico Bíblico”; São Paulo: Cultura Cristã, 2006, p. 539.

[41] HUBBARD, David A.; “Joel e Amós – Introdução e Comentário”; São Paulo: Vida Nova, 1996, p. 78-88.

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