Jonas 1 – Fugindo de Deus

Jonas 1.3a: “Jonas se dispôs, mas para fugir da presença do SENHOR, para Társis”.

O capítulo 1 do livro de Jonas muito nos ensina sobre uma jornada diante de Deus. Muitas vezes queremos nos dispor para fazer a obra de Deus, mas somente a obra que nos agrada. E quando a obra de Deus nos leva para o desconforto? E quando tira nossa segurança e nos coloca em um lugar que odiamos? Certamente que nosso desejo será de fugir. Jonas foge. Porém ele foi escolhido por Deus para uma grande missão.

Deus chama quem ele quer. Jonas era um profeta que morava em Gate Héfer, uma cidadezinha sem importância, próxima de Nazaré. Ninguém esperava que um profeta saísse de lá. Além do mais, quem escolheria um profeta fujão? Mas quem escolheria Saulo, um perseguidor da igreja, para ser o maior proclamador do evangelho ao mundo? Quem escolheria Levi, um cobrador de impostos, para fazer parte de seu seleto grupo de discípulos? Deus escolhe quem ele quer e não depende da nossa capacidade e nem mesmo de nossa disposição. Ele muda a disposição do nosso coração. Nem que tenha que fazer vir uma tempestade e levar-nos ao ventre de um grande peixe.

Deus envia tempestades quando quer. Jonas odiava os ninivitas. Nínive era a capital da Assíria. No século VIII a.C. a Assíria era a principal potência do mundo. Antes, quem incomodava Israel era a Síria, mas agora, a ameaça a Israel se tornou a Assíria. Jonas havia profetizado a prosperidade e a expansão das fronteiras de Israel durante o reinado de Jeroboão II (2Rs 14.25). Ele não queria que essa profecia não se cumprisse, dando oportunidade para que os ninivitas não fossem destruídos e pudessem atacar Israel. Desta forma, Jonas se dispõe, mas para fugir. A palavra “dispôs” é a tradução da palavra qom em hebraico. Literalmente, ela significa “se levantar”. Porém, pode ser utilizada em dois sentidos: se levantar para ajudar ou se levantar para se opor. Deus diz para Jonas se dispor para ir à Nínive, mas Jonas se dispõe para fugir do Senhor. Sempre que queremos sair da presença do Senhor, Satanás tem um barco pronto para nós. A palavra “fugir” é a tradução da palavra hebraica bereh. Essa palavra traz um significado de sair de uma situação desfavorável, para uma situação favorável. Sair do desconforto para o conforto, da insegurança para a segurança. É a mesma palavra utilizada em Êxodo 2.15 quando Moisés foge de Faraó quando comete um homicídio. Também é a mesma palavra utilizada quando Davi foge de Saul, que quer matá-lo. Porém, nesse caso, Jonas está fugindo de Deus. Ele quer segurança, mas fora da presença de Deus tudo que encontrará será uma tempestade e desespero.

Jonas pagou para ir à Társis para fugir de Deus. Essa cidade, atual Espanha, fica a 4 mil quilômetros de Israel. Enquanto Nínive, atual Iraque, fica a 1 mil quilômetros de distância de Israel, para o lado oposto. Jonas, foge para 5 mil quilômetros de distância de Nínive, para um lugar conhecido como o fim do mundo na época. Imagine que uma passagem de navio para Társis não deveria ser muito barata. Jonas gastou suas economias, seu tempo e sua saúde para fugir da presença de Deus. Muitas vezes queremos fugir da vontade de Deus para fazer a nossa. Gastamos tempo, dinheiro e saúde em projetos que Deus não abençoa. Vivemos girando em círculos, indo para lugar nenhum, parados no meio de uma tempestade. Precisamos voltar ao caminho da obediência, caso queiramos ser abençoados e crescer diante do Senhor. No livro “O peregrino” de John Bunyan, o Cristão convida o Obstinado a segui-lo buscando o Reino de Deus, ao que o Obstinado pergunta: – Mas que coisas são essas que procuras, em troca das quais abandonas tudo que há no mundo? O cristão responde: – Procuro uma herança incorruptível, que não pode contaminar-se nem murchar (1Pedro 1.4). Diferentemente do Cristão, do livro “O Peregrino”, Jonas segue o Obstinado em busca de comodidade.

Jonas dormia profundamente. Enquanto os marinheiros temiam por suas vidas e buscavam seus deuses, Jonas dorme. Ele coloca sua própria vida e de outros em risco, e não se importa. Dorme para fugir da realidade. Está insensível espiritualmente. Está a um passo da morte, e não se importa. É como um cego andando tranquilamente à beira de um precipício. As palavras “dormia profundamente” são a tradução da palavra hebraica radam que significa um sono profundo. A ironia é que essa palavra normalmente é utilizada no Antigo Testamento para quando Deus fazia os profetas cairem profundo sono a fim de revelar-lhes profecias em sonho e visões da noite. Isso ocorre com Daniel e com Isaías. Porém, neste caso, com Jonas, o sono não é para ter acesso a Deus, mas para fugir dele. Jonas ao fugir não está preocupado em obedecer a Deus, mas em manter sua reputação. Afinal, e se a Assíria destruir Israel? Então a profecia de Jonas não se cumpriria, e ele cairia em descrédito e poderia até ser morto. Somos chamados à obediência e não ao conforto. Somos chamados a agradar a Deus e não a homens. Além disso, ao fugir, ele não quer salvar pessoas, antes coloca pessoas em perigo. A desobediência a Deus não apenas nos coloca em risco, mas afeta a todos ao nosso redor. Como podemos nos calar diante da graça e misericórdia que Deus teve para conosco? Como nos omitir diante de pessoas que estão cegas caminhando para o precipício? Em busca de sua prosperidade, Jonas trouxe prejuízo a outros, pois todos os bens que estavam no barco foram perdidos.

Deus governa todas as coisas. Satanás pode ter um barco pronto para nós quando queremos fugir, mas o Deus soberano levanta céus e terra para nos colocar no centro da sua vontade. Nada pode tirar o controle de Deus da história. Ele governa os céus e a terra. Ele tem nas suas mãos a história e a dirige como quer. Jonas entra no barco para fugir de Deus, mas o barco não sairia do lugar, pois Deus envia uma forte tempestade. Deus usa tempestades para trazer seu povo de volta para o caminho da obediência. Quando achamos que estamos no controle, se for necessário, Deus nos levará ao deserto para dependermos somente dele. O que fazer quando se está no meio do oceano, e a sua única segurança, que é o navio, já está quase sendo despedaçado? Podemos apenas correr para os braços daquele que governa o oceano. Aqueles marinheiros estão desesperados, mas não conhecem esses braços. Apenas Jonas. Diante da insensibilidade do profeta, pessoas que não conhecem a Deus chamam sua atenção. O capitão do navio fica abismado com o sono de Jonas em face da morte. É isso que acontece com aqueles que não ouvem a Deus. Estão sonolentos diante da destruição iminente. O capitão pede que Jonas busque o seu Deus. Mas como ele poderia buscar a Deus? Aquilo estava acontecendo por culpa dele. Nesse momento, Jonas começa a se despertar de seu sono espiritual e a perceber a situação trágica em que se encontra.

Deus salva quem ele quer. Deus havia planejado a salvação daquela geração de ninivitas, mas também a salvação de um grupo de marinheiros a caminho de Társis. Jonas estava no lugar certo e na hora certa. Deus governa a história, e antes de levar Jonas a pregar aos ninivitas, levou-o a pregar aos marinheiros e depois o fez voltar para a direção de Nínive de “submarino”. Deus governa a história e faz que as sortes caiam em Jonas. Deus utiliza os meios que quer para cumprir os seus propósitos. Assim, Jonas apresenta-se como um hebreu, um filho de Abraão, que saiu de sua terra, no caminho da obediência ao Senhor, mas Jonas não está seguindo o mesmo caminho de seu pai. Ele diz que teme ao Senhor, mas nesse momento de cegueira espiritual, não estava temendo tanto assim. Ele chama Deus de Yahweh. Esse é o nome impronunciável de Deus. O nome do Deus do pacto. O Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó. O Deus que elegeu Israel para ser seu povo, o governa e se relaciona com ele por meio da aliança. Porém Jonas está transgredindo essa aliança. Ainda assim, sendo um profeta rebelde, Deus usa esse homem para alcançar aqueles marinheiros. Ele apresenta quem é o verdadeiro Deus a eles. Seus deuses não poderiam salvá-los. Eram ídolos feitos por mãos humanas. Mas o Deus de Jonas, era o Deus do céu, que fez e governa o mar e a terra. Nada foge dos seus desígnios e propósitos.

O livro de Jonas é um livro que mostra um Deus soberano que tem por prioridade salvar pessoas. Deus salva os marinheiros no cap. 1. Deus salva Jonas da morte no cap. 2 e Deus salva os ninivitas no cap. 3. Deus salva Jonas da morte no cap. 4 novamente. Aqueles marinheiros foram salvos. Eles creram. Em primeiro lugar, eles clamaram a Yahweh. Eles buscaram a face do Senhor, se voltando para ele. Eles pediram para não perecerem. Eles desejaram a salvação e buscaram a Deus, recebendo-a. Eles temeram em extremo. Aqueles marinheiros tiveram uma fé ainda mais profunda do que do próprio profeta. E por fim, eles ofereceram sacrifícios e fizeram votos a Deus. A palavra “voto” em hebraico (neder) carrega uma obrigação solene de cumprimento. Ou seja, eles desejaram um compromisso com o Senhor. Eles não o buscaram apenas por barganha, mas tiveram gratidão e compromisso com o Deus dos céus, que fez o mar e a terra. Deus governa a história e usa a tempestade para trazer seus filhos de volta e salvar aqueles que não o conhecem. Por fim, Deus salva Jonas por meio de um grande peixe. Deus não apenas salva os marinheiros, mas traz livramento a um rebelde. Não apenas os marinheiros e os ninivitas eram rebeldes e careciam da misericórdia, graça e salvação de Deus. Jonas, um hebreu, também necessitava e também recebeu dessa misericórdia do Deus que quer salvar pessoas de todas as tribos, povos, línguas e raças.

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