Romanos 12.1-2 – O culto racional a Deus

Introdução

O texto de Romanos 12.1,2 é um dos textos mais utilizados atualmente para falar sobre como o cristão deve se comportar no presente século. Sem dúvida esse texto é uma dobradiça que liga tanto a doutrina quanto a prática do ensino de Paulo em sua epístola aos Romanos. Analisaremos dentro do contexto tais implicações e traremos para a vida da igreja hoje. Depois de expor sobre a justificação pela fé, Paulo agora aborda em termos práticos como deve ser o modo de vida do cristão regenerado, que baseado nas misericórdias de Deus, deve oferecer a Deus um culto racional que é fruto de uma mente transformada pelo Espírito, que rejeita ser conformada com este século.

Contudo, diante desse texto, precisamos entender o que seria um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, uma vez que a Igreja Católica, entende erroneamente que a missa é um sacrifício oferecido diariamente ao Senhor. Tanto exporemos o que é um culto racional que vai contra as perspectivas neopentecostais de busca a Deus, sem qualquer compreensão, apenas emoção. Além disso, é necessário entender as ordens do Apóstolo Paulo em não se conformar com o presente século mas permitir-se ser transformado em sua mente pelo Espírito. Por fim, abordaremos sobre a vontade de Deus e como ela pode ser experimentada e provada levando ao cristão a entender que ela é boa, agradável e perfeita.

O texto será abordado a partir da língua original, partindo da análise gramatical e estrutural. Para tanto, será feito uso de ferramentas exegéticas, como o Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, Dicionário Teológico do Novo Testamento e outros dicionários afins. O estudo de variantes será feito com base no The Greek New Testament (4a ed. – UBS/DB) e a análise estrutural a partir do Nestle-Aland Novum Testamentum Graece (27a ed.). Para uma melhor base exegética serão utilizados comentários e obras que tratem temática e exegeticamente do pensamento de Paulo. Além daquelas já citadas, podem ser acrescentadas: Teologia do Apóstolo Paulo (Herman Ridderbos); A Greek-English Lexicon of the New Testmente (William Arndt e F. Wilbur Gingrich); Comentário do Uso do Antigo Testamento no Novo Testamento (Carson e Beale); Romanos: Introdução e Comentário (F. F. Bruce); Comentário a la epístola a los romanos (João Calvino); Comentario de Romanos (Cranfield); Dicionário de Paulo e suas cartas (Hawthorne, Martin e Reid); Commentary on the Epistle to the Romans (Charles Hodge); The Epistle to the Romans (Moule); Romanos (John Stott); e Gramática Grega (Daniel Wallace).

O estudo constará de quatro partes, sendo a primeira a presente introdução, a segunda parte é composta pelo contexto do texto de Romanos 12.1,2 que exporá o contexto histórico, literário e canônico que são relevantes para o entendimento desse texto. Em seguida, uma análise do texto grego, com análise de palavra por palavra em grego, seguida de tradução literal e comentário. Ainda nesta parte será exposto a mensagem para a época e para todos os tempos e as teologia bíblica, sistemática e pastoral relacionadas ao texto. Por fim, o sermão do texto relacionado e uma breve conclusão.

1) Estudo Contextual

1.1) Contexto Histórico

A Epístola aos Romanos foi escrita por volta de 57 d.C.[1], em um período de crescimento do alto império romano. Roma nesta época já tinha por volta de um milhão de habitantes. Uma cidade cosmopolita que abrigava cidadãos de todo o mundo. Roma era a síntese de poder, riqueza e cultura. Conforme crescia o império, cresciam as riquezas e os opulentos romanos se entregavam de mais a mais à promiscuidade. Roma também era o centro das práticas mais pecaminosas e aviltantes. Charles Erdman comenta sobre a degradação da cidade:

Roma era o empório em que tinham todos os povos despejado suas idolatrias e corrupções, seus desregramentos e seu pecado; era Roma um espelho do mundo pagão, com sua sordidez, e miséria, e tremendo pressentimento da ira vindoura.[2]

Na cultura romana, haviam instituído o culto ao deus grego Dionísio, transnominado para Baco, o deus do vinho.[3] Orgias desenfreadas, embriaguez, prostituição, adultério, homossexualismo e outras práticas pecaminosas eram deliberadamente executadas nos cultos a Baco. Os romanos apresentavam seus corpos em sacrifício a esse deus pagão, se entregando completamente à carnalidade. Para os habitantes de Roma, amoldar-se ao esquema deste mundo significava participar do sistema religioso pagão da época. O Panteão Romano recebia todo tipo de sacrifícios a todos os deuses romanos, cujas estátuas ficavam em seu interior.[4] Deus via o perigo que corria a igreja em Roma[5] e teve compaixão, a mesma compaixão de Deus estava no coração de Paulo, que também via o risco que a igreja corria. Pelas misericórdias de Deus, o servo do Senhor suplica aos crentes que se abstivessem dessas práticas. O sacrifício dos romanos a Baco era morto porque estava debaixo do pecado, e no pecado opera a morte. Assim, Paulo insta aos servos de Deus em Roma a apresentarem seus corpos em sacrifício vivo, isto é, que não está sob pecado, santo, totalmente separado da impiedade dos romanos e de todos os demais pecados, e agradável a Deus, porque Deus, sendo puro, se agrada de coisas puras. Fazendo assim, os cristãos em Roma estariam apresentando um culto racional ao Senhor Todo-Poderoso. Além disso, o culto aos falsos deuses romanos eram cultos irracionais, fruto de meros desejos sexuais, orgias, e uma religião com ênfase naquilo que é exterior. Os cristãos romanos vêm deste contexto e agora são desafiados a prestar um culto racional a Deus, não se conformando com o culto romano, nem com o padrão deste século, antes tendo suas mentes transformadas para cultuarem a Deus segundo sua vontade.

1.2) Contexto Literário

1.2.1) Contexto Próximo

Paulo fecha a sessão de Romanos 9.1 a 11.36 com uma doxologia. Termina dizendo que o conhecimento de Deus é profundo, insondável e maravilhoso. A glória é para ele para todo o sempre. A salvação, a justificação, a redenção, a santificação, a adoção, tudo isso vem dele, é por causa dele, e para ele. A partir dessa exaltação a Deus, Paulo agora introduz em Romanos 12.1,2 a última seção da parte teológica da carta de Paulo aos Romanos, depois de dizer que tudo é para a glória de Deus, por causa dele e por ele, ele traz implicações práticas, que também não vêm de nós, mas por causa de sua graça e por sua misericórdia. Agora que eles entenderam o que Deus fez, Paulo explica como devem viver nesta seção.[6] O apelo inicial de Paulo capta a essência do que significa viver como cristão. Após conclamar a igreja a oferecer seus corpos como sacrifício vivo e à renovação de suas mentes, confrontando-os a deixarem-se transformar suas mentes ou se amoldarem aos padrões deste mundo. Nos versículos subsequentes, Paulo deixa claro que a vontade de Deus, que é boa, agradável e perfeita, tem implicações em nossos relacionamentos, que serão transformados pelo evangelho. Então seguem apelos específicos relativos à unidade e aos dons (12.3-8), o amor aos companheiros tanto fiéis quanto incrédulos (12.9-21), as atitudes para com as autoridades (13.1-7) e novamente o amor (13.8-10). Em 13.11-14, Paulo retorna para o ponto em que começou em 12.1,2, com outro lembrete sobre a natureza dos tempos em que agora vivem os cristãos. Paulo encerra essa seção da carta com uma exortação longa ao forte e ao fraco na igreja romana (14.1–15.13).[7] É evidente que nessa última seção, Paulo está escrevendo pensando na situação da igreja romana, frente aos seus desafios naquela época.

Segundo Hodge, a seção de Romanos 12-15 trata de deveres gerais dos cristãos em suas relações: primeiramente com Deus (cap. 12); em segundo lugar, seus deveres políticos ou relacionamento com as autoridades civis (cap. 13), e em terceiro lugar, trata sobre os deveres eclesiástivos, ou aqueles deveres que eles devem ter com outros membros da igreja (caps. 14 e 15).[8]

1.2.2) Contexto Remoto

Depois de expor teologicamente que a justiça de Deus que é recebida pela fé (Rm 1.18-4.25), de expor o evangelho como poder de Deus para a salvação (Rm 5.1-8.39) e por fim fazer um paralelo entre o evangelho e o povo de Israel, Paulo fecha essa parte com uma doxologia em Rm 11.33-36 e agora, a reação correta ao Evangelho da graça que foi revelado nos capítulos anteriores é a entrega da vida a Deus como “um sacrifício vivo”, apresentado no curso do culto racional, de modo que a mente seja transformada e conformada à vontade de Deus.

Paulo sempre relaciona doutrina e dever, fé e conduta. A partir do cap. 12, Paulo passa da exposição para a exortação. O cap. 12 repete os aspectos práticos e básicos da vida santa (cf. caps. 6-8), agora, no contexto da comunidade cristã.[9] A despeito da nossa nova situação em Cristo (“mortos para o pecado mas vivos para Deus” Rm 6.11), agora Paulo enfatiza a necessidade de oferecer nossos corpos para Deus. O restante da última seção da carta, simplesmente, desenvolve e aplica esses mesmos princípios a situações específicas da igreja romana.

1.2.3) Estrutura de Contexto  

1.3) Contexto canônico

Em Romanos 12.1, na Nova Aliança, Paulo traz um novo sentido à linguagem sacrificial. Moisés aspergiu o sangue sobre o povo de Israel como sinal de que os israelitas aceitavam os termos da aliança com Yahweh (Êxodo 24.1-8).[10] No Antigo Testemento, sacrifícios de “aroma agradável”, especialmente o holocausto, proveram a base para o apelo de Paulo para que oferecessem seus corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. O holocausto, que no hebraico quer dizer “aquilo que sobe” (Lv. 1.3-17, 6.8-13), e na septuaginta é traduzido como holokaustosis, que quer dizer “oferta totalmente queimada”, requeria um novilho, um carneiro, um cabrito ou uma ave (Lv 1.3-5,10,14). O ofertante trazia o animal, impunha sua mão sobre ele e o matava no lado norte do altar (Lv 1.3-5,11). O sacerdote pegava o sangue, apresentava-o diante do Senhor e o aspergia ao redor do altar. A ênfase do rito muitas vezes era a purificação, que demandavam holocausto assim como oferta pelo pecado: depois do nascimento (Lv 12.6-8), após o fluxo (Lv 15.14,15) e após hemorragias (Lv 15.29,30). O holocausto significava então completa entrega a Deus associado a oferta pelo pecado no processo de expiação.[11] Ou seja, Paulo, depois de falar sobre o sacrifício de Cristo para expiação pelos nossos pecados, agora exorta a igreja, a continuamente oferecer ao Senhor seus corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a ele, uma entrega completa a Deus e contínua.

A aliança é renovada por meio de Josué, no capítulo 24 e o próprio povo é convocado como “testemunhas vivas” da aliança. Agora, Paulo, em Romanos 12.1,2, exorta os cristãos a aceitarem os termos da nova aliança: obedecer a Deus com mente renovada, e isso significa que eles devem ser sacrifícios vivos. Devem dar testemunho da aliança sendo obedientes a Deus.[12]

O texto de Romanos 12.1 também remonta à figura do sacerdote no Antigo Testamento. No Antigo Testamento o sacerdócio levítico e o sistema sacrificial estavam em vigor, porém a partir da morte e ressurreição de Cristo, esse sacerdócio foi extinguido. Agora, Cristo é o sumo sacerdote (Rm 3.25) que oferece a si mesmo como expiação por nossos pecados, assegurando ao seu povo o acesso contínuo a Deus (Hb 10.19-25). Além disso, todo o povo de Deus é sacerdote no Novo Testamento (1 Pe 2.5,9; Hb 13.15 e Rm 12.1).[13]

2) Estudo Textual

2.1) Tradução do Texto

2.1.1) Texto Grego

Romanos 12.1,2
1 Παρακαλῶ οὖν ὑμᾶς, ἀδελφοί, διὰ τῶν οἰκτιρμῶν τοῦ θεοῦ παραστῆσαι τὰ σώματα ὑμῶν θυσίαν ζῶσαν ἁγίαν εὐάρεστον τῷ θεῷ, τὴν λογικὴν λατρείαν ὑμῶν·
2 καὶ μὴ συσχηματίζεσθε τῷ αἰῶνι τούτῳ, ἀλλὰ μεταμορφοῦσθε τῇ ἀνακαινώσει τοῦ νοός, εἰς τὸ δοκιμάζειν ὑμᾶς τί τὸ θέλημα τοῦ θεοῦ, τὸ ἀγαθὸν καὶ εὐάρεστον καὶ τέλειον.[14]

  

Tradução:

Vs 1

Tradução Por esta razão, exorto-vos, ó irmãos, pelas misericórdias de Deus, que oferteis o vosso corpo em sacrifício, que é vivo, santo, aceitável para Deus, este é o vosso culto racional.
ARA 1 Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.
ACF 1 Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.
NVI 1 Portanto, irmãos, rogo-lhes pelas misericórdias de Deus que se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional de vocês.
Católica 1. Eu vos exorto, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, a oferecerdes vossos corpos em sacrifício vivo, santo, agradável a Deus: é este o vosso culto espiritual.
Comentários A tradução Corrigida Fiel traduz o termo “οἰκτιρμῶν” como “compaixão”, ao passo que as demais traduziram como “misericórdias”. Quanto ao verbo “παραστῆσαι” que é um infinitivo aoristo ativo, a NVI traduziu como “se ofereçam” ocultando a palavra corpo. Quanto a palavra “λογικὴν”, todas as versões traduzem como “racional”, ao passo que a tradução Católica traduz como “espiritual”.
Vs 2
Tradução E não sede conformados com esta geração, mas sede transformados pela renovação da vossa mente, para que experimenteis a vontade de Deus que é boa, aceitável e perfeita.
ARA 2 E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.
ACF 2 E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.
NVI 2 Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.
Católica 2. Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito.
Comentários O verbo “συσχηματίζεσθε” que é um imperativo presente passivo foi traduzido como “sede conformados” na ACF. Ao passo que a NVI traduziu como “se amoldem”. Nós traduzimos assim como a ARA: “vos conformeis”.

O termo grego “μεταμορφοῦσθε” que é um verbo imperativo presente passivo, foi traduzido como “transformem-se” na NVI, como “transformai-vos” na ARA e Católica, e nós traduzimos como a ACF: “sede transformados”.

O termo grego “δοκιμάζειν” que é um verbo infinitivo presente ativo, foi traduzido como “possais discernir” na Católica, como “sejam capazes de experimentar” na NVI, e nós traduzimos como a ARA e ACF: “experimenteis”.

2.1.4) Estrutura do Texto  

Por esta razão, exorto-vos, ó irmãos, (Oração principal)

pelas misericórdias de Deus, (frase preposicional)

que oferteis o vosso corpo em sacrifício, (oração subordinada objetiva)

que é vivo, santo, aceitável para Deus, (clausula infinitiva)

este é o vosso culto racional. (clausula aposicional)

E não sede conformados com esta geração, (Oração principal)

mas sede transformados (oração subordinada adversativa)

pela renovação da vossa mente, (frase preposicional)

para que experimenteis a vontade de Deus (oração subordinada consecutiva)

que é boa, aceitável e perfeita. (clausula infinitiva).

 

2.1.5) Comentário

vs 1. Παρακαλῶ οὖν ὑμᾶς, ἀδελφοί, διὰ τῶν οἰκτιρμῶν τοῦ θεοῦ παραστῆσαι τὰ σώματα ὑμῶν θυσίαν ζῶσαν ἁγίαν εὐάρεστον τῷ θεῷ, τὴν λογικὴν λατρείαν ὑμῶν·

vs 1. Por esta razão, exorto-vos, ó irmãos, pelas misericórdias de Deus, que oferteis o vosso corpo em sacrifício, que é vivo, santo, aceitável para Deus, este é o vosso culto racional.

A conjunção “portanto” (oún) nos dá a ideia de uma conclusão de tudo aquilo que Paulo já falou até aqui. O que será dito, baseia-se no que já foi dito e continua falando sobre isso concluindo. É uma conjunção conclusiva. Depois de discorrer nos primeiros 11 capítulos sobre a Justiça de Deus que é recebida pela fé, deve levar à santificação e é uma justiça soberana, agora Paulo trata de como os romanos devem agir frente a essa justiça.

Paulo inicia seu discurso com o verbo “Παρακαλῶ”. Paulo utiliza esse verbo no presente do indicativo ativo que traz uma ideia de uma súplica constante do Apóstolo Paulo. O verbo parakaleo denota um senso de urgência com uma nota de autoridade (12.8; 15.30; 16.17).[15] Essa palavra pode ter muitos significados como “implorar”, “convidar”, “solicitar” ou mesmo “consolar”.[16] Este termo foi usado no grego clássico para exortar tropas que estavam prestes a entrar em batalha. Embora o parakaleo seja uma palavra forte, vale a pena notar que a forma substantiva (parakletos) é usada para descrever o Espírito Santo que conforta, encoraja e exorta. Paulo utiliza esse termo mais no sentido de “exortar”, denotando um apelo sério, fundamentado no evangelho, aos que já são cristãos a viverem em conformidade com o evangelho que receberam. Segundo Cranfield, o termo parakalo passa a ser usado como um termo técnico para uma exortação cristã, exprime premência e seriedade, mas também denota autoridade, a intimação autoritária à obediência emitida em nome do evangelho.[17] Enquanto nos capítulos anteriores Paulo faz uma exposição, a partir de agora, Paulo passa a exortação.[18]

O apóstolo nos exorta a responder às misericórdias de Deus. A exortação de Paulo é com base nas misericórdias de Deus (διὰ τῶν οἰκτιρμῶν τοῦ θεοῦ), levando em conta aquilo que Deus fez por nós[19]. A preposição διὰ (diá) está com o artigo no genitivo (τῶν) denotando uma ideia de agência e meio.[20] Ou seja, Paulo exorta que as misericórdias de Deus são o meio pelo qual o Espírito Santo age no cristão para que possam oferecer-se como sacrifício em culto racional. Uma vez que somos justificados, salvos, eleitos, adotados, predestinados, tudo isso por causa das misericórdias de Deus, seu amor pactual. Por causa da aliança de Deus devemos nos apresentar diante dele. Não parte do nosso esforço, mas das misericórdias do Senhor. Isso nos mostra que todo esforço moral do cristão é teocêntrico, tendo a origem não no anseio humano de ter uma superioridade moral e nem na esperança ilusória do legalista que pensa que pode guardar a lei por si só, mas o cristão tem sua ação baseada tão somente na ação graciosa de Deus para com ele. A palavra “misericórdias” (οἰκτιρμῶν) é um substantivo genitivo de meio que indica o meio,[21] ou a instrumentalidade pela qual ele devem apresentar seus corpos a Deus. É com base nestas misericórdias que o cristão pode tornar-se um sacrifício a Deus. Esse substantivo no NT sempre está no plural e denota a compaixão de Deus. (cf. 2Co 1.3). É de Deus que procede toda compaixão e então a concede aos eleitos.[22] No Antigo Testamento, essa palavra traduz a palavra hebraica hesed que tem a ver com a relação de Deus com seu povo, na qual é proeminente a ideia de graça.[23] A hesed de Deus culmina em sua aliança com Israel. A misericórdia de Deus se manifesta em seus atos savíficos, que consistem em seu perdão (cf. Dt 13.17, Sl 25.6, Os 1.6-7), libertação de Israel (Cf. Sl 69.16-18, Is 30.18) e em sua restauração dos exilados (cf. Dt 30.3, Is 49.10,123, Jr 12.15, Ez 39.25). Essa misericórdia, a qual Paulo se refere do Antigo Testamento, se estende a todos os povos, e agora, por meio de Jesus, os atos salvíficos de Deus chegam a todas as nações por meio de sua morte na cruz. É por meio da misericórdia que os eleitos são salvos, e é com base nas misericórdias de Deus que o cristão deve andar em fidelidade.

O verbo parastesai (apresenteis) é um infinitivo final, que acompanha o verbo principal (rogo). Neste caso, Paulo roga com o objetivo de que os romanos apresentem seus corpos a Deus. Desta maneira, esse verbo indica o propósito da exortação de Paulo.[24] O verbo também é um aoristo, que dá a ideia de uma entrega de uma vez por todas.[25] O apresentar o corpo ao Senhor deve ser uma resposta à suas misericórdias em um ato e não em um processo de entrega. Assim como os noivos se entregam um ao outro de uma vez por todas na cerimônia do casamento, devemos entregar-nos ao Senhor.

Paulo exorta-os a oferecerem “vossos corpos” (τὰ σώματα ὑμῶν). Dentro da antropologia judaico-cristã, o corpo abrange a pessoa como um todo.[26] É a totalidade da vossa vida concreta, toda a sua pessoa deve ser oferecida a Deus em sacrifício.[27] O cristão deve oferecer a Deus toda a sua vida como sacrifício. Quanto a corpos, Calvino declara: “Por corpos ele tem em mente não só nossa pele e ossos, mas a totalidade daqulo que somos compostos”.[28] O cristão já é de Deus por ser criação dele, e além disso, torna-se de Deus por meio da redenção em Cristo, agora, ele precisa tornar-se de Deus em virtude da sua própria entrega livre de si mesmo. Quanto isso, Stott afirma que nenhum culto é agradável a Deus quando é unicamente interior, abstrato e místico; nossa adoração deve expressar-se em atos concretos de serviço manifestados em nosso corpo.[29] Paulo repete as palavras de Romanos 6: “apresenteis os vossos corpos a Deus”. Segundo Lopes, glorificamos a Deus em nosso corpo quando contemplamos o que é santo, quando nossos ouvidos se deleitam no que é puro, quando nossas mãos praticam o que é reto e quando nossos pés caminham por veredas de justiça.[30]

O substantivo sacrifício (θυσίαν) está no acusativo de modo,[31] ou seja, seus corpos devem ser apresentados como um sacrifício a Deus. Apesar de ter um amplo significado, o apelo do apóstolo é que eles apresentem os seus corpos em “sacrifício” a Deus, relembrando de modo especial os sacrifícios de ações de graças (cf. Lv 1.1–2.16; Sl 27.6; 50.14,23; 96.8; 107.22; 116.17). Ao usar o termo sacrifício Paulo usa um meio claro e eficaz de indicar a necessidade de oferenda complete do cristão a Deus. Os cristãos devem ser totalmente dedicados a Deus.[32] Esse sacrifício não consiste em apresentar a Deus o que por direito é nosso, e sim a nossa vida corporal em ação de graças a Deus, que não apenas nos criou e formou, mas também se entregou por nós e para nós em Cristo. Esse sacrifício é a simples abertura de nossa vida na aceitação do amor de Deus em Cristo. O conceito de apresentação da vida corporal como sacrifício, que transcende e suplanta qualquer oferta de grãos ou de animais, tem raízes nos profetas e nos salmos (cf. Sl 40.6-8).[33]

O sacrifício deve ser vivo, em contraste com um sacrifício morto. O particípio ζῶσαν (que é vivo) é um particípio de maneira[34], ou seja, mostra como deve ser o sacrifício, seguido de dois adjetivos acusativos. Segundo Bruce, a nova ordem tem seus sacrifícios, que não consistem na vida de outrem, como os antigos sacrifícios de animais (Hb 13.15s; 1Pe 2.5).[35] Esses sacrifícios devem ser vivos, ou seja, devem proceder da nova vida do cristão. Paulo indica então que o cristão oferece a si mesmo para viver na “vida nova”(Rm 6.4).[36] Assim como os sacrifícios do AT devem seguir os requisitos de Deus, o sacrifício deve ser santo, e agradável a Deus. O sacrifício deve ser santo, produto da influência santificadora do Espírito. Uma vez que o cristão oferece a si mesmo a Deus, ele não mais pertence a si próprio, mas a Deus. A palavra santo (ἁγίαν) é um adjetivo acusativo de maneira, ou seja, mostra como deve ser o sacrifício oferecido. Essa palavra significa algo reservado a Deus, pertencente a Deus, e uma vez que o cristão se torna um sacrifício vivo e santo, ele também adquire o conteúdo ético a partir do caráter de Deus, tornando-se santo, como Deus é santo.[37] Ridderbos afirma que aquilo que é dedicado a Deus deve ser puro e sem defeito. Por isso, “santo” também pode ser sinônimo de imaculado, inculpável, irrepreensível (cf. Cl 1.22).[38] Além disso, o sacrifício é agradável (εὐάρεστον), que designa o sacrifício como verdadeiro e próprio, que é desejado por Deus e este o aceitará. Esse adjetivo também é um acusativo que aponta a maneira que deve ser o sacrifício: agradável a Deus. Não é um sacrifício oferecido de qualquer maneira, deve ser do modo de Deus, da forma que agrada a Deus. Segundo Murray, as palavras “santo e agradável a Deus” são contrastadas com a corrupção que caracteriza o corpo do pecado e a concipiscência sexual. A santidade é o caráter fundamental, bem como o princípio normativo do crente para que este seja agradável a Deus.[39]

Este é o culto racional de vocês. A palavra culto (λατρείαν)[40] às vezes é associada com o ritual do templo.[41] Paulo afirma que os cristãos romanos ao ofertarem a si mesmos são o sacerdote, o sacrifício e o altar.[42] Em duas ocasiões Paulo utiliza o termo latreia em Romanos. Primeiramente em Romanos 9.4, com uma denotação do culto a Deus no Antigo Testamento, e agora em Romanos 12.1, onde Paulo aplica o termo à vida dos crentes no Novo Testamento. No caso, Paulo não está aplicando o termo no contexto de reuniões, mas à caminhada diária da igreja. A vida toda é um culto espiritual a Deus e todo crente é um sacerdote. Dessa maneira, há uma mudança fundamental em relação ao Antigo Testamento, pois no Novo Testamento não há uma pessoa santa que realiza, de modo substitutivo, o serviço de Deus para todo o seu povo, e nem lugares, épocas ou atos sagrados que criam uma distância entre a religião e a vida diária e de todos os lugares. Todos os cristãos tem igual acesso a Deus, a vida como um todo é serviço a Deus.[43]

O culto deve ser λογικὴν. O adjetivo logikev está na posição atributiva, onde o adjetivo recebe mais ênfase do que o substantivo “culto”[44]. Ou seja, a ênfase de Paulo não está no culto em si, mas em como deve ser o culto. Essa palavra também é traduzida como espiritual, porém não é o mesmo usualmente traduzido por espiritual no Novo Testamento.[45] Para F. F. Bruce, a tradução deveria ser “culto espiritual” em contraste com as exterioridades do culto do templo de Israel.[46] Da mesma maneira, Hodge afirma que é um serviço mental e espiritual em oposição a observações externas.[47] Para Pohl, o culto racional é um culto que responde adequadamente às misericórdias de Deus.[48] Na filosofia grega e no judaísmo helenístico, esse termo é traduzido como racional, com o sentido de apropriado ou adequado. Uma tradução mais literal seria “adequado” ou “razoável” ou “racional”.[49] Sem dúvida, a apresentação do corpo como sacrifício vivo é um serviço espiritual, sob orientação do Espírito Santo (cf. 1Pe 2.5). Porém, Paulo utiliza um termo distinto, não usado por ele em nenhum outro de seus escritos e apenas mais uma vez em todo o Novo Testamento (1 Pe 2.2). O culto que Paulo focalizou é o de adoração a Deus, tendo uma característica racional, porque a adoração deriva de um caráter santo e agradável diante de Deus.[50] A mudança de mentalidade é o imperativo que exprime o ponto essencial do que é oferecido em 12.1: sacrifício vivo, santo e agradável começa com uma transformação de mentalidade. Só isso possibilitará ao cristão a “experiência” (testada e confirmada) de que a vontade de Deus é “boa, perfeita e agradável”. Ou seja, a adoração envolve a mente, razão e intelecto do cristão. É algo racional em contraste com aquilo que é mecânico e automático. Enquanto o sacrifício pagão era morto e mecânico, o sacrifício a Deus deve ser vivo e racional, fruto de um entendimento sobre aquilo que agrada a Deus vivendo de modo santo e agradável para ele.

 

Vs 2. καὶ μὴ συσχηματίζεσθε τῷ αἰῶνι τούτῳ, ἀλλὰ μεταμορφοῦσθε τῇ ἀνακαινώσει τοῦ νοός, εἰς τὸ δοκιμάζειν ὑμᾶς τί τὸ θέλημα τοῦ θεοῦ, τὸ ἀγαθὸν καὶ εὐάρεστον καὶ τέλειον.

Vs 2. E não sede conformados com esta geração, mas sede transformados pela renovação da vossa mente, para que experimenteis a vontade de Deus que é boa, aceitável e perfeita.

Ainda que gramaticalmente paralelo ao vs. 1, esse versículo explica de forma mais detalhada como o oferecimento de nós mesmos como sacrifícios a Deus deve ser realizado.[51] O pensamento central do versículo 2 é o padrão de conduta do cristão. O que Deus requer de nós é nada menos do que uma transformação total de nossa visão de mundo.

O verbo συσχηματίζεσθε é um imperativo médio-passivo presente, que dá a ideia de não permitir que sejam conformados. Primeiramente o verbo é um presente, o que dá a ideia de que eles constantemente não devem deixar-se amoldar. Em segundo lugar, o verbo é uma voz médio-passiva permissiva, que sempre acompanha um imperativo e está relacionado a permissão e desejo.[52] Nesse caso, o verbo dá a ideia de não permitir e nem desejarem serem levados e moldados por esse mundo. Por fim, é um imperativo que mostra que o cristão deve lutar contra qualquer forma desse século. A raiz squema significa tomar forma, ser conformado a, ser dirigido por.[53] Desta maneira, Paulo afirma que eles não devem permitir que sejam conformados, que não tomem a forma do presente século. Traduzindo o imperativo presente na segunda pessoa do plural seria “deixai de permitir que vos conformeis”. Segundo Kittel, squema se refere à decência na conduta humana e por facilmente ter uma referência especial ao vestuário.[54] O squema, deste modo, é um caráter distintivo, que revela o interior por meio daquilo que é exterior. Paulo traz uma ordem aos romanos: não se deixem amoldar pela presente era (τῷ αἰῶνι). Há um padrão que deve ser abandonado, e há um padrão daquilo em que devemos ser transformados.[55] O apóstolo João em 1Jo 2.17 diz: “o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele porém, que faz a vontade de Deus, permanece eternamente”. O padrão do presente século é o padrão do mundo que João afirma em 1Jo 2.15-17, um mundo que passa, que é temporário. A presente era, para Paulo, tem a conotação de um contexto de vida dominado e determinado pelo pecado.[56] O presente século (τῷ αἰῶνι), segundo Moule, é o curso e estado das coisas que seguem o pecado e a morte.[57] Diferentemente, o padrão do cristão é permanente, eterno, proveniente da era vindoura. Enquanto os sacrifícios pagãos, e mesmo judaicos eram oferecidos apenas externamente, sem qualquer busca por santidade, Deus exige do cristão que ele não haja da mesma maneira. O cristão é chamado a não aparentar com aquilo que é deste século. A busca por prazer, por enriquecimento, a busca por uma religião que satisfaça o ego, a centralidade do homem, tudo isso são formas desta era. O cristão é chamado a não permitir que a cosmovisão mundada norteie e molde seus pensamentos, antes, deve negar todas essas coisas. O cristão ainda vive nesta era, porém se entender o que Deus fez por ele em Cristo, saberá que não pode mais se permitir ser moldado e ajustado segundo o modelo e valores desta era.[58] Apesar de já ter sido salvo por Cristo, o cristão terá pressões para se conformar à presente era, sejam externas, sejam internas, mas pelo Espírito, ele pode e deve resistir. F. F. Bruce afirma que “é pelo poder do Espírito neles, penhor da sua herança no século vindouro, que podem resistir à tendência de viverem ao nível deste século”.[59]

            O verbo μεταμορφοῦσθε (sede transformados) é um imperativo presente passivo. Traduzindo seria: “continuai a deixar-vos transformar”. Primeiramente é no tempo presente. Não é algo meramente pontual, mas uma transformação que deve ser contínua, equivale à santificação progressiva.[60] Em segundo lugar está na voz passiva permissiva, que é um passivo confinado ao imperativo que dá indeia de vontade e permissão.[61] Neste caso, o verbo mostra que a transformação não vem deles mesmos, o agente da transformação é o próprio Deus, porém eles devem tanto querer quanto permitir essa transformação. Em terceiro lugar, o verbo está no imperativo, ou seja, é uma ordem ao cristão, é necessário que o cristão não apenas não permita que seu pensamento e atitudes sejam moldados pelo sistema mundano, mas também é necessário que ele permita que sua mente seja transformada por Deus. Não é algo meramente passivo, mas uma responsabilidade do cristão. Seu dever é cooperar ao máximo. Em contrapartida com os padrões passageiros deste século, agora Paulo exorta os romanos a passarem por uma profunda transformação que é permanente. A santificação é um processo de transformação na consciência humana. Paulo está propondo uma transformação na consciência de modo que eles a cada dia sejam mais parecidos com Jesus, que a cada dia, sua mente esteja mais transformada e conformada com as Escrituras. Ridderbos afirma que a transformação da mente também deve ter como objetivo e resultado o fato do homem transformado, desse modo e retirado de dentro do modo de agir do mundo presente, ser preparado e capacitado para experimentar “qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”.[62] Deus transforma a mente do cristão para que ele viva a sua vontade. É impossível andar na lei, sem que haja a transformação dada pelo Espírito da mente humana.[63] À medida que o Espírito Santo renova a mente decaída, o homem para de pensar egocentricamente e passa a pensar nas coisas do alto, centrado na vontade de Deus e não na sua própria vontade. F. F. Bruce afirma ainda que o Espírito Santo transforma o homem para que não apenas aprove sua vontade, mas a faça.[64] Pelo Espírito o homem cumpre o propósito da lei que é ser santo, como Deus é santo.

A palavra “renovação” (ἀνακαινώσει) é um substantivo dativo de agência,[65] ou seja, a transformação da mente do cristão se dá pela renovação aplicada pelo Espírito à mente do eleito. Essa palavra significa uma “renovação completa”, uma “restauração”, uma “mudança para melhor”. Desta maneira, o que o Espírito faz, é uma restauração completa na mente do cristão.

A palavra “mente” (τοῦ νοός) é um substantivo genitivo de fonte ou origem.[66] Ou seja, a renovação deve acontecer a partir da mente do cristão. No caso de mente, Paulo está falando da racionalidade do cristão, todo seu intelecto sendo restaurado pelo Espírito e transformado para ser conforme a imagem de Cristo.

A conjunção εἰς nos dá a ideia de propósito, que significa “para que”, “afim de”. O cristão deve deixar de permitir conformar-se com este século e continuar a permitir ser transformado em sua mente, com o propósito de experimentar a vontade de Deus em sua vida.

O verbo δοκιμάζειν significa “discernir”, “provar”, “pôr à prova” ou “aprovar” (como resultado de pôr à prova). Paulo então nos afirma que o discernimento da vontade de Deus será seguido pela aceitação obediente dela.[67] Desta maneira, Paulo expõe que o cristão é transformado em sua mente de modo que ele próprio seja capaz de, à luz do evangelho, discernir qual é a vontade de Deus. Além disso, poderá experimentar e comprovar que a vontade de Deus é boa, não no sentido de que Deus precise de aprovação, mas para ele próprio viver essa vontade. A vontade de Deus, a ética da nova aliança, conduz para o caminho correto, caminho de vida, e não legalismo. O cristão tem sua mente renovada, de modo que tem a restauração de sua mente, antes caída, escravizada e espiritualmente morta. O homem que foi criado à imagem e semelhança de Deus, por causa da queda, tornou-se nulo em seus pensamentos (cf. Rm 1.21), mortos espiritualmente. Contudo, por causa das misericórdias de Deus, que por meio de Cristo trouxe redenção aos eleitos, agora, o homem é transformado à imagem de Cristo (cf. Rm 8.29). Neste caso, ser transformado significa compartilhar novamente da presença de Deus, e agora poder experimentar e cumprir sua vontade.

            A palavra vontade (θέλημα) está diretamente relacionada a Deus. A vontade de Deus que Paulo que refere é a vontade que pode ser comprovada e experimentada, e foi revelada em todo o livro de Romanos: a vontade salvífica de Deus.[68] Paulo explica em Romanos 2.17ss, que os mestres judaicos da lei pensam que conhecem a vontade de Deus a partir da lei, porém não passam de guias de cegos. A vontade de Deus está revelada na lei, mas não na salvação por meio da lei, como pensavam os escribas e fariseus, mas na salvação pela fé em Cristo. Na revelação da justiça de Deus proveniente pela fé em Jesus Cristo, que por sua morte na cruz trouxe redenção para os eleitos. A vontade de Deus que pode ser experimentada pelos eleitos, é a salvação, justificação, adoção e a santificação por meio dos méritos de Cristo outorgados a eles, e aplicados por meio do Espírito Santo em suas vidas. Neste caso, Paulo está falando da vontade preceptiva de Deus, ou seja, da vontade que Deus prescreve segundo sua própria vontade, o que devemos fazer ou deixar de fazer. A vontade preceptiva de Deus é sua vontade revelada nas Escrituras, seus preceitos como normas do dever para com suas criaturas racionais.[69] O fato de a vontade ser boa, agradável e perfeita deve levar o crente ao comportamento apropriado.

A palavra boa (ἀγαθὸν) provém do termo grego que significa “bom”, “prestativo”, que tem um significado de bem moral.[70] Jesus utiliza essa palavra para dizer: “ninguém é bom senão somente Deus” (Mt 19.17). Um adjetivo que está diretamente relacionado ao caráter de Deus, que é totalmente bom, e por causa disso, a sua vontade é boa. Para os cristãos que vieram do paganismo, talvez fosse possível pensar na religião como uma comunhão mística não-ética e sem restrições morais.[71] Porém Paulo afirma que o cristão, tendo sua mente renovada, passa a experimentar a vontade de Deus, que é moralmente boa e não dá espaço para imoralidade em nenhum sentido.

A palavra agradável (εὐάρεστον) ocorre oito vezes nas cartas de paulo e uma vez em Hebreus. Em Filipenses 4.18 Paulo afirma que a oferta dos filipenses para ele é um sacrifício agradável a Deus. Em Efésios 5.10, Paulo também exorta aos cristãos a provar, experimentar aquilo que é agradável a Deus. Na LXX, essa palavra ocorre como algo que apraz a Deus (Nm 23.27), ou agradável a Deus (Ml 3.4).[72] Dessa forma, Paulo se opõe qualquer coisa que seja contrária à bondade de Deus. Com “agradável”, Paulo enfatiza que a bondade que se trata não é antropocêntrica e sim determinada pela revelação da vontade de Deus, é uma questão de obediência aos mandamentos de Deus, revelados na escritura. Não é possível ser agradável e nem bom, se não estiver de acordo com a vontade revelada de Deus.

Por fim, a vontade de Deus é “perfeita” (τέλειον). Essa palavra significa “completo”, “levado até o fim”, “íntegra”. Ao olhar para Marcos 12.30s temos: “(…) amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma, de todo o entendimento e com todas as tuas forças (…) Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. A vontade de Deus é aquilo que Deus exige de nós e essa vontade é completa, é perfeita.[73] Uma vez que Deus nos reclama totalmente para si e para nosso próximo, isso significa que a vontade de Deus não é manejável ou cumprida apenas parcialmente, mas uma exigência absoluta de Deus, que só Cristo cumpriu, e agora por meio da renovação da mente, o cristão é capacitado e deve estar inteiramente comprometido em viver essa vontade. Lloyd-Jones afirma que nós somente encontraremos contentamento quando formos restaurados, quando nossa mente for transformada e nos tornarmos “participantes da natureza divina” (2Pe 1.4); seremos semelhantes a Ele, “sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante” (Ef 5.27).[74]

2.1.6) Mensagem para a Época da Escrita

À luz de tudo que Paulo havia explicado sobre a justiça de Deus nos capítulos anteriores, agora ele faz uma transição da parte explicativa para a exortativa. Paulo exorta os romanos que, depois de entenderem que são justificados, adotados, que devem andar em santidade, depois de compreenderem as doutrinas da graça na eleição, a persevernança e o cuidado da providência de Deus, agora ele suplica dizendo que todas estas coisa são as misericórdias de Deus, e é com base nelas que eles devem oferecer seu corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus em um culto que é racional, proveniente de uma mente transformada pelo Espírito, diferentemente do culto pagão e do culto prestado pelos judeus no templo, meramente formal e exterior. Paulo os ordena a se permitirem terem suas mentes, ou seja, todo seu intelecto, vontade e emoções transformados internamente pelo Espírito Santo e ao mesmo tempo não se permitirem ser conformados com o presente século, deixando-se levarem pelo legalismo, hedonismo e cultos idólatras, antes ao serem transformados, estarão habilitados tanto para aprovar a vontade de Deus, quanto para agir em conformidade com sua lei, que é boa, perfeita e agradável.

2.1.7) Mensagem para todas as Épocas

A mensagem de Paulo é atual e fala para todas as épocas também. O cristão é desafiado a viver em santidade, consagrando toda a sua vida a Deus, não vivendo uma dicotomia entre o que é sagrado e o que é secular, antes deve ter sua vida como um culto a Deus. Buscando agir em conformidade com a palavra, não andando segundo os costumes dessa época, não flexibilizando a palavra de Deus, e não buscando moldar o culto a Deus em padrões mundanos. Antes, deve não cultuar a si mesmo mas, oferecer a si mesmo como culto a Deus. Antes, oferecia seus membros ao pecado, agora, oferece para honrar e glorificar a Deus. O seu culto não é meramente exterior mas é racional. Ele entende, aplica e vive a palavra de Deus em adoração ao Senhor. Assim, o cristão luta ativamente para não se conformar com este mundo, mas se deixa ser transformado pelo Espírito, pois não é controlado pelo padrão do pensamento do mundo, mas pela Escritura. A transformação exterior é a defesa do cristão contra a conformidade com o espírito do tempo presente. Quando o corpo é consagrado a Deus, então a mente é transformada, o culto torna-se racional e ele passa a experimentar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

 

2.1.8) Teologia do Texto

2.1.8.1) Implicações para a Teologia Bíblica

Sacrifícios e o Culto

O apelo do apóstolo a que apresentemos o corpo em “sacrifício” relembra de modo especial os sacrifícios de ações de graças (cf. Lv 1.1–2.16; Sl 27.6; 50.14,23; 96.8; 107.22; 116.17). Esse sacrifício não consiste em apresentar a Deus o que por direito é nosso, e sim a nossa vida corporal em ação de graças a Deus, que não apenas nos criou e formou, mas também se entregou por nós e para nós em Cristo. Esse sacrifício é a simples abertura de nossa vida na aceitação do amor de Deus em Cristo. O conceito de apresentação da vida corporal como sacrifício, que transcende e suplanta qualquer oferta de grãos ou de animais, tem raízes nos profetas e nos salmos (cf. Sl 40.6-8).[75] Enquanto no Antigo Testamento, tínhamos a figura do Sumo Sacerdote como mediador e líder da comunidade no ensino e nos sacrifícios, agora, no Novo Testamento, cada crente é um sacerdote, e o sacrifício não é mais algo visível e exterior, mas uma vida dedicada ao Senhor. No Antigo Testamento o sacerdócio levítico e o sistema sacrificial estavam em vigor, porém a partir da morte e ressurreição de Cristo, esse sacerdócio foi extinguido. Agora, Cristo é o sumo sacerdote (Rm 3.25) que oferece a si mesmo como expiação por nossos pecados, assegurando ao seu povo o acesso contínuo a Deus (Hb 10.19-25). Além disso, todo o povo de Deus é sacerdote no Novo Testamento (1 Pe 2.5,9; Hb 13.15 e Rm 12.1).[76]

Segundo F. F. Bruce, a nova ordem tem seus sacrifícios, que não consistem na vida de outrem, como os antigos sacrifícios de animais (Hb 13.15s; 1Pe 2.5).[77] Esses sacrifícios devem ser vivos, ou seja, devem proceder da nova vida do cristão. Paulo indica então que o cristão oferece a si mesmo para viver na “vida nova” (Rm 6.4).[78] Assim como os sacrifícios do AT devem seguir os requisitos de Deus, o sacrifício deve ser santo, e agradável a Deus. O sacrifício deve ser santo, produto da influência santificadora do Espírito. Uma vez que o cristão oferece a si mesmo a Deus, ele não mais pertence a si próprio, mas a Deus. O sacrifício é santo pois é algo reservado a Deus, pertencente a Deus, e uma vez que o cristão se torna um sacrifício vivo e santo, ele também adquire o conteúdo ético a partir do caráter de Deus, tornando-se santo, como Deus é santo.[79] Por isso, “santo” também pode ser sinônimo de imaculado, inculpável, irrepreensível (cf. Cl 1.22).[80] Além disso, o sacrifício é agradável, que designa o sacrifício como verdadeiro e próprio, que é desejado por Deus e este o aceitará. Não é um sacrifício oferecido de qualquer maneira, deve ser do modo de Deus, da forma que agrada a Deus. A santidade é o caráter fundamental, bem como o princípio normativo do crente para que este seja agradável a Deus.

2.1.8.2) Implicações para a Teologia Sistemática

Teologia

            Paulo nos ensina sobre a vontade de Deus que pode ser compreendida e experimentada pelo cristão quando este tem sua mente transformada pelo Espírito. Neste caso, Paulo está falando da vontade preceptiva de Deus, ou seja, da vontade que Deus prescreve segundo sua própria vontade, o que devemos fazer ou deixar de fazer. A vontade preceptiva de Deus é sua vontade revelada nas Escrituras, seus preceitos como normas do dever para com suas criaturas racionais.[81]

Santificação

Paulo utiliza o processo de santificação como uma ordem (imperativo) a partir do indicativo, ou seja, a santificação é um processo que tem como base as misericórdias de Deus.[82] O significado específico do conceito de santificação para Paulo é que a nova vida do cristão, como um todo, deve ser qualificada pela santificação como resposta em pureza à eleição de Deus pela graça, como dedicação de si mesmo a Deus em caráter irrepreensível como santo sacrifício. O caráter religioso teocêntrico da nova obediência certamente encontra sua expressão mais cheia de significado no conceito de santificação, assim como, por outro lado, a base e origem dessa obediência não é designada em parte alguma de maneira mais clara do que na graça eletiva e gratuita de Deus.[83]

A santificação na vida do cristão é um processo contínuo e é o propósito de Deus para os romanos. Assim como em 1Coríntios 6.13,14 onde Paulo diz que o corpo do crente deve ser preservado da imoralidade porque todo cristão é uma pessoa santificada, pertencente a Cristo.[84] Hodge afirma que o Espírito habita o povo de Deus e é a fonte permanente de todas as atividades desta vida espiritual que ele implanta na alma.[85]

Antropologia

Por corpo (somata), Paulo traz um significado não apenas de carne ou parte exterior do homem, mas contribui para uma compreensão do indivíduo como um todo. É uma maneira de referir-se ao indivíduo demodo concreto em sua existência.[86] Além disso, Paulo utiliza o termo mente (nous) em um sentido de entendimento, onde normalmente Paulo coloca mente e coração como sinônimos. Esse entendimento pela renovação faz com que o cristão possa discerner a vontade de Deus.[87] Desta forma, temos neste texto uma contribuição tanto para corpo, quanto para mente em Paulo.

2.1.8.3) Implicações para a Teologia Prática

O texto de Romanos 12.1-2 nos mostra o que é muito característico nos ensinos de Paulo: a ética deve fundamentar-se sobre a obra da redenção. Apresentada de maneira mais específica, essa afirmação pode assumer que a ética se origina da união com Cristo, e por isso, da participação na graça pertencente a ele e exercida pore le. Desta maneira, somos chamados à santificação a partir da redenção por meio de Cristo. A ética não é desvinculada da doutrina, antes se baseia no ensino moral que vem da doutrina.[88] Não somos espirituais no sentido bíblico, exceto quando o uso de nossos corpos se caracteriza por uma devoção consciente, inteligente e consagrada ao serviço a Deus. Essa expressão é dirigida contra o externalismo mecânico e, deste modo, a adoração é contrastada com o ceremonial externo dos cultos tanto judaicos como dos cultos pagãos.[89]

Crisóstomo diz:

Como pode o corpo tornar-se um sacrifício? Deixe que o olho não veja nada mau, e ele se tornará um sacrifício; permita que a língua não diga nada vergonhoso, e ela se tornará uma oferta; deixe que a mão não faça nada illegal, e ela se tornará uma oferta de holocaust. Não, isso não será suficiente, mas precisamos ter a prática ativa do bem – a mão precisa dar esmola; a boca precisa abençoar em lugar de amaldiçoar; o ouvido precisa dar atenção sem cessar aos ensinamentos divinos.[90]

Enquanto o sacrifício pagão era morto e mecânico, o sacrifício a Deus deve ser vivo e racional, fruto de um entendimento sobre aquilo que agrada a Deus vivendo de modo santo e agradável para ele. o meio e o resultado do compromisso com Cristo. O meio consiste em não amoldar a esta era, mas ser transformado para a era vindoura pela renovação da mente. Os cristãos devem rejeitar continuamente a presente era a favor da era vindoura. O resultado é que o cristão faz a vontade de Deus. Quanto isso, Stott afirma que nenhum culto é agradável a Deus quando é unicamente interior, abstrato e místico; nossa adoração deve expressar-se em atos concretos de serviço manifestados em nosso corpo.[91] Paulo repete as palavras de Romanos 6: “apresenteis os vossos corpos a Deus”. Segundo Lopes, glorificamos a Deus em nosso corpo quando contemplamos o que é santo, quando nossos ouvidos se deleitam no que é puro, quando nossas mãos praticam o que é reto e quando nossos pés caminham por veredas de justiça.[92]

3) Sermão

Título do Sermão: O culto racional a Deus

Tema: A base, a oferta, o modo e o resultado do culto racional a Deus.

Doutrina: Santificação

Paulo desafia os crentes, com base nas misericórdias de Deus, a oferecerem suas vidas como sacrifício santo, vivo e agradável a Deus, em um culto que é racional e não meramente externo, não se conformando com a presente era, mas deixando-se serem transformados pelo Espírito com o propósito de viverem e experimentarem a vontade de Deus que é boa, agradável e perfeita.

Necessidade: Fazer com que os cristãos compreendam que devem viver para Deus diariamente. Que não há dicotomia para o cristão. Que o culto não é meramente externo. Exortá-los a não seguirem modismos, invencionices que não são baseadas na Escritura e portanto não são agradáveis a Deus e nem santas. Exortação à santidade cristã, a um modo de viver digno diante da eleição.

Imagem: Poesia O Altar de George Herbert. Nascido no País de Gales em 1593, esse poeta e escritor tornou-se um pároco emu ma igreja no interior:

“Senhor, este servo edifice um altar quebrado, feito de um curacao, com pranto cimentado: suas partes, como tua mão as moldou, instrumento humano nunca o tocou. Somente o coração é essa formação, pois nada o vai lavrar, só teu poder sem par. E assim cada parte, do duro baluarte se une neste altar para teu nome louvar: possam estas pedras sempre te louvar. Oh! Faz teu santo sacrifício meu e santifica esse altar para ser teu.[93]

Objetivo: Causar uma mudança na visão sobre a devoção do cristão, que deve ser racional, em uma compreensão do que é o evangelho e na prática do mesmo. Rejeitando tudo aquilo que é contrário à Escritura, e buscando ser transformado pelo Espírito para cumprir a lei do Senhor.

Esboço:

Introdução

Muitas pessoas acham que uma devoção a Deus é um esvaziar-se, perdendo sua pessoalidade, buscando uma espiritualidade subjetiva, ascética e que tem aparência de espiritualidade, mas que não leva a uma vida santa, em conformidade com a Escritura. Hoje nas igrejas há muita ênfase em experiências sobrenaturais e quase nenhuma em viver de modo santo.

Pontos e Subpontos

  • A base do culto racional a Deus (12.1a)

A base do culto racional são as misericórdias de Deus.

  • A oferta do culto racional a Deus (12.1b)

O cristão deve oferecer a si mesmo como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Essa oferta é diária, consagrada e do modo de Deus.

  • O Modo do culto racional a Deus (12.2a)

O culto racional deve levar a rejeitar o padrão do mundo e submeter-se ao Espírito para ter sua mente transformada para compreender a vontade de Deus.

  • O resultado do culto racional a Deus (12.2b)

O resultado do culto racional é que o cristão, depois de ter sua mente transformada pelo Espírito, ele passa a compreender, aprovar e a cumprir a vontade de Deus, baseado nas Escrituras em uma vida de santificação.

Conclusão e Aplicação

Uma vez que somos salvos, devemos oferecer a Deus um culto racional:

  • Compreendendo que só cultuamos porque o Senhor nos salvou, o amamos porque Ele nos amou primeiro;
  • Tendo uma vida agradável ao Senhor, deixando que nossa mão faça o bem, nossa boca o louve, nossos ouvidos ouçam sua palavra;
  • Rejeitando ao padrão do mundo e sendo transformados pelo Espírito, não seguindo modismos ou invencionices, antes sendo guiados pela palavra de Deus;
  • Experimentando e comprovando a vontade de Deus na prática, vivendo e aplicando a palavra a cada área de nossa vida.

 

 

Conclusão

Podemos perceber, após esse trabalho de Romanos 12.1,2, que Paulo inicia as exortações sobre a aplicação da doutrina, após toda a exposição teológica do que Cristo fez. Desta maneira, uma vez que Deus nos chamou, predestinou, justificou, adotou e elegeu em Cristo, devemos, baseados nas misericórdias de Deus, reveladas a nós por meio de Cristo, que nos redimiu, então devemos ofertar nossa vida inteira em sacrifício vivo, ou seja, um sacrifício constante, não apenas externo, e que provém de uma vida dedicada ao Senhor. O sacrifício deve ser santo e agradável a Deus, consagrado a ele, e da maneira dele. Desta forma, estaremos oferecendo a Deus um culto racional, fruto da compreensão da graça de Deus que nos leva à obediência e devoção. Uma vez que sua vida deve ser dedicada a Deus, há dois imperativos presentes passivos aos cristãos: continuai não deixando vos conformar com este século e continuai tendo vossas mentes transformadas. A transformação não vem dele mesmo, mas do Espírito e é continua. Depois de ter sua mente transformada pelo Espírito, o cristão agora, não apenas compreende a vontade de Deus, como é habilitado a se agradar dela e cumpri-la, experimentando-a na prática e comprovando que a vontade preceptiva de Deus é boa, agradável e perfeita.

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[24] WALLACE, Daniel B.; Gramática Grega: Uma Sintaxe Exegética do Novo Testamento; São Paulo: Editora Batista Regular, 2009, p. 590.

[25] WALLACE, Daniel B.; Gramática Grega: Uma Sintaxe Exegética do Novo Testamento; São Paulo: Editora Batista Regular, 2009, p. 557.

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[28] CALVINO, Juan; Comentario a la epístola a los romanos; Michigan: Libros Desafio, 2005, p. 273.

[29] STOTT, John; Romanos; São Paulo: Editora ABU; 2008, p. 389.

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[32] HAWTHORNE, Gerald F.; MARTIN, Ralph P.; REID, Daniel G.; Dicionário de Paulo e suas cartas; São Paulo: Edições Loyola, 2008, p. 1127.

[33] BEALE, G. K.; CARSON, D. A.; Comentário do Uso do Antigo Testamento no Novo Testamento; São Paulo: Vida Nova, 2014, p. 846s.

[34] WALLACE, Daniel B.; Gramática Grega: Uma Sintaxe Exegética do Novo Testamento; São Paulo: Editora Batista Regular, 2009, p. 627.

[35] BRUCE, F. F.; Romanos: Introdução e Comentário; São Paulo: Vida Nova, 2014, p. 182.

[36] CRANFIELD, C. E. B.; Comentário de Romanos; São Paulo: Vida Nova, 2005, p. 267-268.

[37] CRANFIELD, C. E. B.; Comentário de Romanos; São Paulo: Vida Nova, 2005, p. 268.

[38] RIDDERBOS, Herman; Teologia do Apóstolo Paulo; São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2013, p. 296.

[39] MURRAY, John; Romanos; São José dos Campos: Missão Evangélica Literária, 2003, p. 475.

[40] ARNDT, William F.; GINGRICH, F. Wilbur; A Greek-English Lexicon of the New Testment; Michigan: Zondervan Publishing House, 1952, p. 468.

[41] HODGE, Charles; Commentary on the Epistle to the Romans; Michigan: WM. EerdmansPublishing Company, 1947, p. 383.

[42] MOULE, H. C. G.; The Epistle to the Romans; London: Pickering & Inglits Ltd.; 1975, p. 326.

[43] RIDDERBOS, Herman; Teologia do Apóstolo Paulo; São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2013, p. 533.

[44] WALLACE, Daniel B.; Gramática Grega: Uma Sintaxe Exegética do Novo Testamento; São Paulo: Editora Batista Regular do Brasil, 2009, p. 306.

[45] ARNDT, William F.; GINGRICH, F. Wilbur; A Greek-English Lexicon of the New Testment; Michigan: Zondervan Publishing House, 1952, p. 477.

[46] BRUCE, F. F.; Romanos – Introdução e Comentário; São Paulo: Vida Nova, 2014, p. 183.

[47] HODGE, Charles; Commentary on the Epistle to the Romans; Michigan: WM. EerdmansPublishing Company, 1947, p. 384.

[48] POHL, ADOLF; Carta aos Romanos; Curitiba: Editora Esperança, 1999, p. 200.

[49] HENDRIKSEN, William; Romanos; São Paulo: Cultura Cristã, 2011, p. 503.

[50] MURRAY, John; Romanos; São José dos Campos: Missão Evangélica Literária, 2003, p. 475.

[51] CARSON, D. A.; Comentário Bíblico Vida Nova; São Paulo: Vida Nova, 2009, p. 1731.

[52] WALLACE, Daniel B.; Gramática Grega: Uma Sintaxe Exegética do Novo Testamento; São Paulo: Editora Batista Regular, 2009, p. 440.

[53] ARNDT, William F.; GINGRICH, F. Wilbur; A Greek-English Lexicon of the New Testment; Michigan: Zondervan Publishing House, 1952, p. 803.

[54] KITTEL, Gerhard; FRIEDRICH, Gerhard; Dicionário Teológico do Novo Testamento; São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2013, p. 517.

[55] HENDRIKSEN, William; Romanos; São Paulo: Cultura Cristã, 2011, p. 506.

[56] RIDDERBOS, Herman; Teologia do Apóstolo Paulo; São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2013, p. 102.

[57] MOULE, H. C. G.; The Epistle to the Romans; London: Pickering & Inglits Ltd.; 1975, p. 327.

[58] CRANFIELD, C. E. B.; Romanos; São Paulo: Vida Nova, 2005, p. 269.

[59] BRUCE, F. F.; Romanos – Introdução e Comentário; São Paulo: Vida Nova, 2014, p. 138.

[60] HENDRIKSEN, William; Romanos; São Paulo: Cultura Cristã, 2011, p. 508.

[61] WALLACE, Daniel B.; Gramática Grega: Uma Sintaxe Exegética do Novo Testamento; São Paulo: Editora Batista Regular, 2009, p. 441.

[62] RIDDERBOS, Herman; Teologia do Apóstolo Paulo; São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2013, p. 293.

[63] CRANFIELD, C. E. B.; Romanos; São Paulo: Vida Nova, 2005, p. 270.

[64] BRUCE, F. F.; Paul: Apostle of the Heart Set Free; Michigan: Grand Rapids, 1990, p. 200.

[65] WALLACE, Daniel B.; Gramática Grega: Uma Sintaxe Exegética do Novo Testamento; São Paulo: Editora Batista Regular, 2009, p. 163.

[66] WALLACE, Daniel B.; Gramática Grega: Uma Sintaxe Exegética do Novo Testamento; São Paulo: Editora Batista Regular, 2009, p. 109.

[67] CRANFIELD, C. E. B.; Romanos; São Paulo: Vida Nova, 2005, p. 270.

[68] MULLER, D.; Vontade; in: COENEN, Lothar; BROWN, Colin; Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento – Vol 2., São Paulo: Vida Nova, 2000, p. 2680.

[69] HODGE, Charles; Teologia Sistemática; São Paulo: Hagnos, 2001, p. 303.

[70] BEYREUTHER, E.; Bom; in: COENEN, Lothar; BROWN, Colin; Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento – Vol 1., São Paulo: Vida Nova, 2000, p. 241.

[71] CRANFIELD, C. E. B.; Romanos; São Paulo: Vida Nova, 2005, p. 270.

[72] BIETENHARD, H.; Agradar; in: COENEN, Lothar; BROWN, Colin; Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento – Vol 1., São Paulo: Vida Nova, 2000, p. 28.

[73] CRANFIELD, C. E. B.; Romanos; São Paulo: Vida Nova, 2005, p. 271.

[74] LLOYD-JONES, Martin; Romanos: Exposição sobre o Cap. 12; São Paulo: PES, 2003, p. 178.

[75] BEALE, G. K.; CARSON, D. A.; Comentário do Uso do Antigo Testamento no Novo Testamento; São Paulo: Vida Nova, 2014, p. 846s.

[76] FEINBERG, C. L; Sacerdotes e Levitas; in: TENNEY, Merril C.; Enciclopédia da Bíblia; São Paulo: Cultura Cristã, Volue 5, 2008, p. 317

[77] BRUCE, F. F.; Romanos: Introdução e Comentário; São Paulo: Vida Nova, 2014, p. 182.

[78] CRANFIELD, C. E. B.; Comentário de Romanos; São Paulo: Vida Nova, 2005, p. 267-268.

[79] CRANFIELD, C. E. B.; Comentário de Romanos; São Paulo: Vida Nova, 2005, p. 268.

[80] RIDDERBOS, Herman; Teologia do Apóstolo Paulo; São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2013, p. 296.

[81] HODGE, Charles; Teologia Sistemática; São Paulo: Hagnos, 2001, p. 303.

[82] RIDDERBOS, Herman; Teologia do Apóstolo Paulo; São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2013, p. 289.

[83] RIDDERBOS, Herman; Teologia do Apóstolo Paulo; São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2013, p. 298.

[84] WHITE, R. E. O.; Santidade; in: ELWELL; Walter A.; Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã; São Paulo: Vida Nova, 2009, p. 347.

[85] HODGE, Charles; Teologia Sistemática; São Paulo: Hagnos, 2001, p. 1184.

[86] RIDDERBOS, Herman; Teologia do Apóstolo Paulo; São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2013, p. 123.

[87] RIDDERBOS, Herman; Teologia do Apóstolo Paulo; São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2013, p. 125s.

[88] MURRAY, John; Romanos; São José dos Campos: Missão Evangélica Literária, 2003, p. 473.

[89] MURRAY, John; Romanos; São José dos Campos: Missão Evangélica Literária, 2003, p. 475.

[90] CRISÓSTOMO, João; apud in: GREATHOUSE, William M.; A epístola aos Romanos; Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p. 159.

[91] STOTT, John; Romanos; São Paulo: Editora ABU; 2008, p. 389.

[92] LOPES, Hernandes Dias; Romanos; São Paulo: Hagnos, 2010, p. 399-400.

[93] PATE, C. Marvin; Romanos; São Paulo: Vida Nova, 2015, p. 239.

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