Salmo 14 – Ateísmo Prático e Deus

SALMO 14

Introdução:

João é cristão e cursa ensino médio em uma escola pública. Um grupo de jovens com quem ele deseja andar não acredita em Deus. João cresceu indo à igreja protestante, mas ele não diz nada nem age de maneira que os seus amigos saibam da sua crença. Ele crê em Deus mas por fora vive como se Deus não existisse. Nada nas suas palavras ou ações demonstra que ele é um crente.

Maria é cristã e está ingressando à faculdade. Um colega de classe muito simpático a convidou para sair. Ela ficou muito feliz com o convite pois o acha muito atraente. Porém ele não é cristão. Maria ignora isso e agora está pensando em namorar com o rapaz. Ninguém sequer imagina que Maria é uma cristã.

José é cristão e teve mais um filho. Está na empresa há 10 anos. Ele quer muito a promoção para se tornar gerente. Porém a concorrência é grande. Então ele tem se dedicado muito. Trabalha sete dias por semana, não tem tempo para leitura bíblica, ou sequer para ir à igreja com sua família aos domingos. Ele acredita em Deus, mas nesse momento tem coisas mais importantes para buscar.

O que todos eles tem em comum? São cristãos. Mas há algo mais em comum. Eles dizem crer em Deus, mas vivem como se Deus não existisse. Vivem como se não tivessem que prestar contas a Deus. Vivem como se não fossem morrer, e em sua morte, se houver tempo, perceberão que não viveram. Porque só se vive verdadeiramente, se vivemos para a glória de Deus. Satanás é um ateu prático, pois ele crê em Deus, porém vive em desobediência.

Contextualização:

O salmo 14 encontra-se no primeiro dos cinco livros dos salmos e é considerado por muitos teólogos como um salmo de sabedoria. A opressão dos justos é um tema comum mencionado em outras partes do Saltério (Salmos 10, 12), bem como em outros livros de sabedoria.

Há quem defenda que foi escrito em um contexto pós-exílico, principalmente por causa do versículo 7, que faz menção a uma restauração nacional. Contudo, provavelmente, o salmo 53, que é quase idêntico ao salmo 14 foi escrito em um contexto pós-exílico ou provavelmente no contexto da invasão de Senaqueribe, pois mostra um cumprimento prático do texto, justamente por entenderem que se encaixava muito bem à situação que Judá se encontrava. Quanto ao salmo 14, é provável que Davi o tenha escrito em um contexto de fuga de Saul, onde a corrupção e a maldade imperavam sobre Israel governada por Saul, além de uma opressão cada vez maior dos Filisteus. Davi tinha um desejo de ver Israel unido e totalmente liberto da opressão de inimigos que aparentemente eram mais fortes e cruéis.

Algo que nos traz a ideia de que é um salmo de Davi: insensato é uma palavra normalmente usada por Davi nos Salmos e duas vezes usada por ele em 2 Samuel. Outra vez que aparece, é citada por Asafe, uma única vez nos salmos.

O salmo portanto é de Davi ao mestre de canto, para uso nas grandes assembleias, pelo coro, com um maestro ou supervisor.

Davi mostra como o insensato pensa e age em sua relação com Deus. Como Deus vê e age em relação ao insensato. E como o salmista vê a solução do problema. Há três vozes no salmo: do insensato, de Deus e do salmista.

Ideia Exegética: “Davi mostra como o insensato nega a Deus e age como se Deus não existisse, como Deus vê o insensato, conhece seus pensamentos e atos e o julgará, e seu desejo da salvação do justo”.

Ideia Homilética: “Como o insensato pensa e age em relação a Deus, como Deus vê e age em relação ao insensato e como o salmista vê a resolução do problema”.

1) Como o insensato pensa e age em sua relação com Deus (Vs 1)

Diz o insensato no seu coração: Não há Deus.

COMO PENSA:

Diz (qal perfeito) quando seguido de coração (lev), significa pensar, supor. O ateísta prático diz em seu coração. Isto é, supõe que não existe no mundo um governante moral que aplique julgamentos e recompensas.[1]

A palavra hebraica usada para insensato ou tolo é nabal na Escritura e é usada para identificar uma pessoa que é perversa, agressiva, estúpida e desprezível. Em 1Sm 25.25 vemos isso tipificado no marido de Abigail, que se chama justamente Nabal. Por causa da atitude dele com os homens de Davi, essa pessoa tola grosseira e perversa, quase morreu pelas mãos do próprio Davi, porém foi salvo pela esposa. No diálogo de Abigail com Davi, ela diz no versículo 25: “Ele é como seu nome é – o nome dele é tolo e a loucura está com ele”. Davi teve misericórdia por causa de Abigail, mas, depois, Deus o feriu e ele morreu de forma repentina.

O que o insensato não é:

  • Não é um ignorante
  • Não é alguém sem inteligência
  • Não é alguém louco ou sem senso

É alguém que diz no seu coração que não há Deus. Ele conhece a verdade mas vive uma mentira. Ele conhece a criação, ele conhece a natureza, a si mesmo, e ainda assim nega a Deus e sua lei.

Em seu coração (lev) – origem de todas as coisas. Coração desesperadamente corrupto. Esse termo no hebraico significa coração, mente, ou mesmo consciência. O coração do homem ficou endurecido por causa do pecado, e isso não apenas em suas emoções, mas nos seus planos, pensamentos e ações. O coração é a sede de todas essas coisas para o judeu. O ateu prático diz que não há Deus para seus sentimentos, pensamentos e ações. “O coração significa o homem no centro mais secreto de sua existência e como ele é nas profundezas do seu ser”[2].

Em Deuteronômio percebemos que Deus propõe uma religião do coração, onde amar a Deus é o início e o fim da lei.

Não há Deus – ateu praticante. Diz no coração por conta do modo de vida que tinham. Em Israel, ateus praticantes, uma vez que nas escrituras não existem ateus.

COMO AGE:

Corrompem-se (shahat – hiphil) agir ativamente, causar – corrupção da moralidade, transgressão de uma aliança (Ml 2.8). Verbo usado para destruição de toda carne (Sodoma e Gomorra – Gn 13.10), da Babilônia (Jr 51.11) e de Tiro (Ez 26.4).[3] Apodrecido.

Praticam abominação (hiphil): vem do seu coração de forma ativa porque não há Deus governando seu coração. Abominação: devassidão. Ações perversas.

Não há quem faça o bem (asah) – fazer, fabricar, preparar, criar, consertar, servir, Abraão praticou justiça (Gn 18.19). Geralmente usado para cumprimento de uma ordem. Israel deveria concretizar o projeto moral da Torá em suas demandas – construção do tabernáculo, moralidade.

Portanto ele é corrupto nas suas condutas: fala, age, pensa, planeja totalmente à parte de Deus. Não presta contas a ninguém. Ele pode viver simplesmente como o agrada. Ele é seu próprio Deus. Sociedade permissiva. Religião permissiva.

A palavra final com respeito ao ateísmo é pronunciada em Rm 1.22: “Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos”; julgamento este que é vindicado na seqüência: “O que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles (19) … E … desprezaram o conhecimento de Deus” (28).

O oposto a insensato nesse texto não é o sábio, ou quem tem sabedoria. Mas o oposto aqui é bondoso. A principal característica do insensato é que ele é mau. Ou seja, o tolo é definido pela ausência da bondade. Ele vive como se não houvesse aliança, e assim como se não houvesse Deus – “Não há Deus” (v 1). Assim, a descrição dos tolos é de natureza moral; Eles são “perversos, fazem atos horríveis” (o Heb. implica ações que são uma abominação aos olhos de Deus) e não fazem o bem.

Ilustração: Há algum tempo eu morava em Moema e havia começado a fazer um discipulado com um ex-traficante na região do Campanário em Diadema, local onde estou plantando uma igreja. Eu havia chegado há pouco tempo à São Paulo e não conhecia muito bem o transporte público daqui. O discipulado acontecia toda sexta-feira, porém naquela semana eu estava sem carro pois havia sofrido uma colisão. Então procurei durante aquele dia várias pessoas para me explicarem como eu poderia ir para Diadema de transporte público a fim de dar continuidade àquele discipulado. Porém sem sucesso. Ninguém conseguiu me ajudar. Naquele momento pensei em ligar para aquele jovem e dizer que só voltaríamos com o discipulado daqui a duas ou três semanas, uma vez que o carro só ficaria pronto nesse prazo. Contudo, fiquei muito incomodado a ponto de eu não conseguir ficar em casa, e tive que procurar um táxi, mas um pouco revoltado pois gastaria muito dinheiro para atravessar a cidade na hora do “rush“. Entrei no primeiro táxi que encontrei (naquela época não existia Uber), e pedi que me levasse no Campanário. O taxista disse para eu procurar outro táxi, e então fui para o próximo que decidiu me levar (o campanário é um bairro perigoso em Diadema). Perguntei para o taxista quanto ficaria a viagem, e ele respondeu que cerca de R$ 100,00. A caminho de Diadema, o taxista me perguntou se eu tinha namorada lá, e respondi que não. Que tínhamos um trabalho da igreja lá. Então ele começou a criticar as igrejas da televisão, e logo desconversei, passando a falar sobre quem é Jesus. Quando começou a ouvir sobre Jesus, aquele homem ficou desconcertado e me disse: “Eu vivi a minha vida inteira como se Deus não existisse. Eu fiz o mal a vida toda. Eu já tive muitas mulheres, eu bebo, eu fumo, eu desejo o mal para os outros. Não há nada de bom em mim. Deus jamais aceitaria alguém como eu.”

Ele vivia como um ateu praticante. Como alguém que não tem que prestar contas a ninguém.

2) Como Deus vê e age em relação ao insensato (Vs 2-6)

Do Céu YHWH – Deus do Pacto ( aliança).

COMO DEUS VÊ:

Olha (hiphil perfeito): olha ativamente (shacaf) – olhar do alto, vigiar. Do alto, de onde se podia ver Hebrom, Abraão contemplou Sodoma e Gomorra (Gn 18.16). Nada acontece na terra sem que Deus esteja atendo, olhando do alto.[4]

Para ver (raah) – ver, conhecer, escolher. Tornar-se atento a algo. Deus viu a corrupção do homem em Gn 6, Deus desceu para ver a torre de Babel. Do alto, Deus vê. Deus olha para o mundo e procura por adoradores.

O QUE DEUS PROCURA?

Há quem entenda? (sakal) – ser prudente, compreender sabiamente, discernir, agir com sabedoria.

Há quem busque a Deus? (darash) – homens em busca de Deus. “ninguém que por mim se interesse”. Significa estudar, importar-se com, consultar, buscar.

Em João 4.24, o evangelista diz que Deus procura verdadeiros adoradores. Em 1 Cr 9.16, o escritor diz que os olhos do Senhor passam por toda a terra procurando aqueles cujo o coração é completamente dele.

O insensato é indiferente na adoração – não há comunicação com Deus – não tem tempo para Deus. Não há quem busque a Deus. Não há quem o procure. Idolatria. Mesmo em Israel, no templo, com sacrifícios, Deus não era buscado e nem adorado. Não há busca por Deus em seu coração.

O QUE DEUS PENSA ACERCA DO QUE ENCONTRA (O INSENSATO):

Todos pecaram (sur) – desviar-se do curso, voltar-se para ir embora, cessar, desistir, colocar alguém longe. Feito apóstata. Direção moral e espiritual – desviou-se da rota certa. (História de Adão e Eva.)

Israel após o novo começo no Êxodo (depressa se desviou do caminho que lhe havia eu ordenado e fez um bezerro fundido – Ex 32.8)[5]

Juntamente se corromperam: aquele que é insensato, que quer viver à parte de Deus, esse não vai querer se relacionar com os crentes, ele vai buscar o grupo que o aceite da forma que ele é e como o ser humano é coletivo, buscará os que já são imundos, por isso a ideia de juntamente se fizeram imundos. Não há quem faça o bem, também não há nenhum se quer. (Romanos 8.5-8). Agora emprega-se outra palavra para se corromperam, mas não é mais branda no original (ficaram completamente podres – Alach – moralmente corrupto, corrompido. Significa amaldiçoar. Maldição. Se colocaram debaixo de maldição. Violação da lei da aliança[6]).

Todos os seres humanos pareciam estar corrompidos. O problema não era a deficiência mental ou a falta de inteligência; Era a falta de entendimento (“Não compreendem?” Não entendem (yadah) – conhecer, conhecer não apenas por teoria, mas por experimentar). A ausência de compreensão culminou em atos malignos contra o povo de Deus (“meu povo”, vs. 4).

Os obreiros da iniquidade: Obreiros – fazedores, trabalho diário, a obra que o Senhor irá julgar das mãos de cada indivíduo, o que alguém faz e receberá a paga[7]. Da Iniquidade – fazedor de mal, iniquidade, ímpio, maldade, tristeza. A prática da iniquidade não é algo espontâneo ou acidental, brota do coração que é afeito à iniquidade. Acumula iniquidade no coração, e tem munição para utilizar.

Os fazedores de mal são perseguidores do justo: eles são inimigos daqueles que buscam a Deus e vivem para ele. Eles perseguem o justo (descendente da serpente x descendente da mulher). A igreja será perseguida até a segunda vinda. Nunca vai acabar até a vinda do Rei da Glória. No caso do Salmo 14, temos o efeito horizontal dos malfeitores. A opressão que eles impõe sobre o pobre e sobre o justo. Devoram meu povo como quem come pão. Perseguir, destruir o justo se tornou tão comum quanto comer diariamente.[8]

Na sua repreensão à obediencia incompleta de Saul, Samuel afirma que YHWH tem prazer na obediência mais do que em sacrifícios hipócritas. A iniquidade de Saul o leva ser rejeitado por Deus e posteriormente a perseguir Davi.

COMO DEUS AGE:

Tomar-se-ão de grande pavor (Pahad) – tremer, estar apavorado, terror.

A presença de Deus causa terror. O juízo repentino de Deus contra os perversos provocará terror em seus corações que antes estavam tranquilos e dizendo que não há Deus. Aqui temos o contraste quando Deus se apresentará ao ímpio. (Depois da queda – Adão teve medo – ligado ao juízo de Deus).

SODOMA E GOMORRA / DILÚVIO – se davam e casamento

Nabal é ferido por Deus repentinamente. Não foi ferido pelo justo, Davi, mas pelo próprio Deus. Quanto ao pavor vindouro (que 53:5 chama: “terror onde não há a quem temer”):

Is 2:19: “Então os homens se meterão nas cavernas das rochas e nos buracos da terra, ante o terror do SENHOR e a glória da sua majestade, quando ele se levantar para espantar a terra”.

Ap 6.15-17 “Então os reis da terra, os príncipes, os generais, os ricos, os poderosos — todos os homens, quer escravos, quer livres, esconderam-se em cavernas e entre as rochas das montanhas. Eles gritavam às montanhas e às rochas: “Caiam sobre nós e escondam-nos da face daquele que está assentado no trono e da ira do Cordeiro! Pois chegou o grande dia da ira deles; e quem poderá suportar?”

C. S. Lewis: “No fim, aquele Rosto que é o deleite ou o terror do universo tem de ser voltado a cada um de nós.., ou outorgando glória inexprimível ou impondo vergonha que nunca poderá ser curada ou disfarçada.” [9]

O julgamento do Senhor virá sobre eles de repente e, quando chegar, o poder aterrorizador deles sobre os justos terá fim, porque o Senhor vai intervir a favor do seu povo.

Por quê serão destruídos?

Meteis a ridículo o conselho dos humildes. Buwsh –causar vergonha, desonra, infâmia. Eles humilham os propósitos dos humildes. Porém eles serão humilhados. Perseguem os justos. Causam o mal para o justo.

Porém Deus é o refúgio do justo – refúgio, escudo. Teologicamente, essa palavra enfatiza a insegurança e a incapacidade humana em face da calamidade, e a segurança e habilidade divina para amparar e preservar aqueles que se encontram em angústia.

Diferentemente dos ímpios, os humildes (pobre, miserável – Mt 5.3), não tomar-se-ão de pavor quando o Senhor vir. Pois eles estarão seguros. EM Salmo 112.7: “Não se atemoriza de más notícias; o seu coração é firme, confiante no SENHOR.

O Salmista, no salmo seguinte 15 fala do modo como os justos viverão, sendo eles cidadãos dos céus. Aqui no salmo 14 ele diz que o insensato vive negando a Deus no seu coração, e que nele também terá medo, porém no 15.2 ele diz que o que vive de forma justa vive de forma íntegra, pratica a justiça e, de coração, fala a verdade.

Portanto, o salmista diferente dos tolos, entende, que sim, existe um Deus vivo e verdadeiro, que redime para si um povo. E o tolo pratica a tolice a tal ponto de viverem no pecado como algo normal, sem culpa ou pesar, mas mesmo assim, onde não haveriam o que temer, ficarão espantados quando de forma repentina Cristo voltar para julgá-los.

O uso de Paulo do Salmo 14 (Rm 3.10-18) fornece um contexto apropriado para a leitura contemporânea do antigo salmo. [10] É muito fácil para o leitor moderno identificar-se rapidamente com os oprimidos e pensar sempre no “insensato” em termos de outras pessoas. Mas Paulo usa a passagem para estabelecer, além de qualquer dúvida teológica, o mal universal e a loucura da humanidade. O insensato não é uma subespécie rara dentro da raça humana; Todos os seres humanos são insensatos separados da sabedoria de Deus. E as obras do tolo nunca podem garantir a justificação diante de Deus, desprovidas como elas da bondade que é da essência de Deus. O insensato não tem amor nem justiça e para tal, ele deve buscar a sabedoria de Deus. E embora a sabedoria fala de amor, discernimento e moralidade, no contexto NT, a sabedoria tem um componente mais profundo: a sabedoria suprema de Deus deve ser encontrada em uma pessoa: Jesus Cristo.

TODOS NOS ENCONTRAREMOS COM DEUS. Todos morreremos. A questão é como morreremos. Grande diferença entre a morte de gigantes de Deus, que mesmo no coliseu, diante de feras morriam cantando louvores a Deus, e ateus desesperados em seu leito de morte.

Ilustração:  Há alguns anos, eu tinha um amigo, chamado Vitor. Crescemos juntos no mesmo bairro, estudávamos na mesma escola. Vitor era um garoto de boa aparência e gostava de baladas e de namorar quantas garotas pudesse ter. Por sermos muito próximos desde a adolescência, eu sempre o convidava para ir à igreja comigo e a resposta dele era sempre a mesma: não acredito em Deus. Você é louco de ficar indo para a igreja. Olha a quantidade de garotas que estão atrás de nós, as festas. Eu quero aproveitar a vida. Igreja é lugar de gente velha. Quando eu for velho, eu vou para a igreja. Três meses depois chegou uma mensagem no meu celular: O Vitor morreu em um acidente de carro. Tinha 20 anos de idade, estava brigado com seus pais, saindo com uma mulher casada, e não teve tempo de fazer nada.

3) Como o salmista vê a solução do problema (Vs 7)

Tomara – expressa um desejo. Quem dera. (Jussivo)

De Sião (tsion) – outro nome para Jerusalém, profeticamente. De onde virá o Messias.

Salvação (yeshuah) – Salvação – Nome de Jesus em hebraico. Moisés usa essa palavra para evocar o livramento que o Senhor daria ao seu povo (Ex 14.13). Libertação, Salvação. No AT evoca libertação da escravidão.

Restaurar (shuv) – trazer de volta, regressar. Restaurar. Havia apostasia em Israel, ateus práticos. Davi deseja que Deus fizessem que eles voltassem suas faces para Deus e não suas costas. Pessoas mudando de posições ou atitude[11]. O arrependimento gerado em Israel para restaurar o relacionamento com Deus. Mesmo verbo usado para trazer de volta do Exílio, e por causa disso, provavelmente Esdras, reeditou esse salmo no Salmo 53.

Então Jacó exultará – essa palavra está ligada a alegria em Deus. O motivo da alegria está em Deus. Pelo que ele fez, e pelo que ele é. Deus é a causa da alegria. A intervenção divina em favor de Israel, restaurando suas bênçãos abundantes é comparada a uma alegria dos soldados vitoriosos repartindo um grande despojo (Is 9.3). É mais específico do que alegrará. É um termo técnico dentro da linguagem de culto e refere-se especialmente à alegria diante de Deus.

Alegrará Israel (paralelismo sinonímico) o termo smh é usado em paralelo. É um termo mais abrangente. Essa palavra também muitas vezes é usada em contexto de alegria diante do Senhor. Ana utiliza essa palavra quando em seu cântico diz que se alegra na salvação de Deus (1 Sm 2.1). Em 1 Cr 16.10 diz que o coração dos que buscam o Senhor deve alegrar-se.

Davi espera que Deus restaure seu povo, traga justiça e juízo sobre os ímpios, e traga para Israel um estado de bênção e de paz (shalom), prosperidade nacional. Expectativa de libertação de um governo corrupto e dos inimigos. Mas ainda mais, expectativa messiânica.

 

CONCLUSÃO:

Quem é merecedor dessa alegria? Quem é o justo? Quem são os insensatos?

No Salmo 15, Davi mostra quem é o justo. Quem merece o céu. Há uma contraposição com o Salmo 14. Quem se encaixa no Salmo 15? Quem vive sempre com integridade, que sempre pratica a justiça e de coração sempre fala a verdade? Quem nunca fez mal ao próximo e nunca falou mal do seu vizinho? Quem sempre rejeitou o mal e sempre honrou ao Senhor? Quem não comete pecados?

Paulo nos responde em Romanos 3 que não há nenhum justo. Não é apenas Saul ou os filisteus, ou Israel desviado. Somos todos nós. O pavor deveria vir sobre todos.

Quando lemos o livro de Oséias e vemos seu casamento com Gômer, podemos ficar chateados. Mas nós somos Gômer.

A restauração não foi quando Deus matou Saul e levantou Davi unificando Israel e fazendo-a viver tempos dourados.

A restauração não foi quando Deus trouxe de volta os cativos da Babilônia e restaurou a sorte do seu povo para reedificar Judá.

A restauração plena e perfeita ocorre por meio de Cristo. Nele. Aquele que foi perseguido, e teve seu conselho considerado como ridículo. Foi perseguido até a morte.

Na sequência, o editor dos Salmos, inspirado, colocou o salmo 15, que mostra como age o santo, e no Salmo 16, que trata sobre o deleite de se confiar em Deus, ter prazer em Deus que culmina na segurança do verdadeiro crente, que não permanecerá na morte. Aqui Davi tem uma visão acerca do Cristo, daquele que venceria a morte, pois Deus não permitiria que o seu Santo visse corrupção. A vitória vêm por meio de Cristo, o filho perfeito de Davi, aquele que venceu a morte em nosso lugar.

 

Para concluir, vimos que o ateu prático tem três marcas:

  • É indiferente na adoração: vive como se Deus não existisse. Não busca a Deus. Sua alegria não está em Deus, mas sim nos prazeres.
  • É corrupto na sua conduta: fala, age, pensa, planeja totalmente à parte de Deus. Não presta contas a ninguém. Ele pode viver simplesmente como o agrada. Ele é seu próprio Deus. Sociedade permissiva. Religião permissiva.
  • É perseguidor do justo. ele é inimigo daqueles que buscam a Deus e vivem para ele. Ele persegue o justo. (descendente da serpente x descendente da mulher) vs 4, 6 – a igreja será perseguida até a segunda vinda. Nunca vai acabar até a vinda do Rei da Glória.

O Justo pagou por nossos pecados.

 Aplicação

Da mesma maneira o justo, aquele que crê em Cristo, tem três marcas opostas que nós devemos ter e aplicar em nosso dia-a-dia:

  • Busca a Deus. Adora somente a Deus. Sua alegria está em Deus. O fim principal do homem é glorificar a Deus, e fazendo isso, alegrar-se nele para todo o sempre. Plena alegria somente em Deus. Qualquer alegria que não esteja na glória de Deus em qualquer área de nossas vidas, é ateísmo prático. É dizer no coração que existe algo que pode me satisfazer que não o Senhor. Fora dele não há nada que preste.
  • Anda nos caminhos de Deus e cumpre seus mandamentos. Vive para a glória de Deus em seus atos. Quer coma, quer beba, ou faça qualquer outra coisa ele faz para a glória de Deus. Não porque quer ser salvo, mas porque sua alegria está em honrar o Senhor. Ele honra a Deus com suas atitudes. Ele ama a Deus acima de todas as coisas e ao seu próximo como a si mesmo.
  • É perseguido. Em 2 Tm 3.12, Paulo nos adverte que todo aquele que vive piedosamente em Cristo será perseguido. Uma vez que viveremos para a glória de Deus, que andaremos em seus caminhos e reprovaremos toda idolatria e toda perversão e corrupção que vão contra a palavra de Deus, então seremos perseguidos. Seremos perseguidos quando nos posicionarmos contra o aborto, homossexualidade, contra o divórcio, contra o sexo fora do casamento, etc.

Ilustração

Volto ao exemplo daquele taxista. Ele continuou: “Mas não sei o porquê ele não deixou que eu morresse, pois a seis meses eu sofri um derrame, e o médico disse à minha família, que se eu sobrevivesse, eu ficaria preso a uma cama para sempre. Contudo, poucos meses depois eu já estava andando e falando. E agora já voltei a trabalhar”. Naquele momento eu entendi o porquê de estar sem carro e o porquê Deus me colocou naquele táxi. Falei sobre como somos pecadores e totalmente depravados, merecedores da ira de Deus, mas que Deus por meio de Jesus Cristo pagou pelos nossos pecados trazendo redenção para os seus e que ele poderia ser transformado pela graça de Deus. Já havíamos chegado ao local, e ele estava parado com o táxi dentro da favela do vermelhão, chorando muito e dizendo que queria se tornar um discípulo de Jesus. Orei com ele e sugeri que procurasse uma igreja presbiteriana. Depois fui à casa onde teria o discipulado e não encontrei o ex-traficante. Voltei para casa de ônibus. Aquele homem pensava em seu coração que Deus não existia. Ele viveu a vida inteira como se não tivesse que prestar contas a ninguém. Porém, Deus o viu, e Deus trouxe redenção a ele por sua graça e misericórdia por meio de Cristo, o redentor daqueles que creem.

 

[1] LUND, Jerome A.; in: VANGEMEREN, Willen A., Novo Dicionário Internacional de Teologia e Exegese do Antigo Testamento – Volume 1; São Paulo, Cultura Cristã, 2011, p. 434s

[2] HOEKEMA, Anthony; Criados à Imagem de Deus; São Paulo: Cultura Cristã, 2010, p.234.

[3] VAN DAM, Cornelis; in: VANGEMEREN, Willen A.; Dicionário Internacional de Teologia e Exegese do Antigo Testamento – Volume 4, São Paulo: Cultura Cristã, 2011, p. 92s

[4] SCHOVILLE, Keith N., NAUDÉ, Jackie A.; in: VANGEMEREN, Willen A.; Dicionário Internacional de Teologia e Exegese do Antigo Testamento – Volume 4, São Paulo: Cultura Cristã, 2011, p. 240s

[5]THOMPSON, J. A., MARTENS, Elmer A.; in: VANGEMEREN, Willen A.; Dicionário Internacional de Teologia e Exegese do Antigo Testamento – Volume 3, São Paulo: Cultura Cristã, 2011, p. 242s

[6] GORDON, Robert P.; in: VANGEMEREN, Willen A.; Dicionário Internacional de Teologia e Exegese do Antigo Testamento – Volume 1, São Paulo: Cultura Cristã, 2011, p. 394

[7] CARPENTER, Eugene; in: VANGEMEREN, Willen A.; Dicionário Internacional de Teologia e Exegese do Antigo Testamento – Volume 3, São Paulo: Cultura Cristã, 2011, p. 646

[8] CARPENTER, Eugene; GRISANTI, Michael A.; in: VANGEMEREN, Willen A.; Dicionário Internacional de Teologia e Exegese do Antigo Testamento – Volume 1, São Paulo: Cultura Cristã, 2011, p. 302s

[9] LEWIS, C. S.; Peso da Glória, São Paulo: Editora Vida, 2011

[10] Craigie, P. C. (2004). Salmos 1-50 (2a ed., Vol. 19, páginas 148-149). Nashville, TN: Nelson Referência e Eletrônico.

[11] THOMPSON, J. A., MARTENS, Elmer A.; in: VANGEMEREN, Willen A.; Dicionário Internacional de Teologia e Exegese do Antigo Testamento – Volume 4, São Paulo: Cultura Cristã, 2011, p. 56s

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