A Divindade de Jesus foi profetizada no AT

No Antigo Testamento, várias vezes temos a figura chamada de o Anjo do Senhor. Ele ajudou Agar no deserto (Gn 16.7), interveio quando Abraão estava pronto para sacrificar Isaque (Gn 22.11). O Anjo do Senhor foi o protetor de Israel na saída do Egito (Êx 14.19), foi quem falou com Moisés na sarça ardente (Êx 3.2). Foi ele quem apareceu a Gideão (Jz 6.11-18). Em Daniel 3, também é ele quem aparece na fornalha juntamente com Misael, Hananias e Azarias. Nestes casos, o Anjo do Senhor pode ser tocado (no caso da luta com Jacó) e tinha aparência física.[1] À luz da doutrina da Trindade, é possível que todas essas teofanias sejam Cristo pré-encarnado entre seu povo.[2]

Nos profetas vemos um pouco sobre como seria o Messias esperado pelos judeus. Em Isaías 7.14 encontramos uma profecia que aponta para a divindade de Jesus e é repetida em Mateus 1.23: “Portanto, o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e lhe chamará Emanuel”, que quer dizer Deus conosco.” Em seu contexto imediato, o texto se refere a um sinal dado, para que Acaz soubesse que os reis de Israel e Síria não teriam sucesso na guerra contra Judá.[3] A profecia teve cumprimento imediato, porém, também se cumpriu na pessoa de Cristo, conforme vimos em Mateus 1.23. Ele não seria um homem comum, mas sim, Deus conosco.

Em Isaías 9.6, o profeta explica um pouco mais sobre quem seria o Emanuel, citado em Isaías 7.14: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz”. Ele seria Deus forte e Pai da Eternidade. Não é possível associar tais adjetivos a um homem comum. O Messias teria de ser divino. Além disso, em Miquéias 5.2 continua mostrando que o Messias, nasceria temporalmente, mas sua existência é eterna: “E tu, Belém-Efrata, pequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de ti me sairá o que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempo antigos, desde os dias da eternidade”.

Quando lemos o texto de Isaías 6, temos uma teofania, na qual Isaías tem uma visão de Yahweh. Dentro do progresso da revelação, o apóstolo João nos revela em João 12.40,41 que Isaías viu a glória de Jesus no capítulo 6 e cita a mesma profecia de Isaías 6.10. Desta maneira, aquele que estava assentado no trono sendo adorado por Serafins é o próprio Jesus Cristo antes de sua encarnação.[4]

O profeta Jeremias repete por duas vezes em 23.5,6 e 34.14-16: “Eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que levantarei a Davi um Renovo justo; e, rei que é, reinará e agirá sabiamente, e executará o juízo e a justiça na terra. Nos seus dias, Judá será salvo, e Israel habitará seguro; será este o seu nome, com que será chamado: SENHOR, Justiça Nossa”. Jeremias profetiza que o Messias que haveria de vir não seria apenas um descendente de Davi, mas ele também seria SENHOR (Yahweh), Justiça Nossa.

 

Textos do AT que falam de Deus e são aplicados a Jesus pelos autores do NT

Os autores do Novo Testamento citaram textos do Antigo Testamento sobre Deus, aplicando-os de forma consistente à pessoa de Cristo.[5] Em Hebreus 1.8 o autor diz: “mas acerca do Filho: O teu trono, ó Deus, é para todo o sempre; e: Cetro de equidade é o cetro do seu reino”. O autor utiliza o Salmo 45.6 que é um texto dirigido diretamente a Deus (Elohim), e o aplica diretamente a Jesus Cristo.

Paulo, em Efésios 4.10: “(…) para encher todas as coisas”, cita o profeta Jeremias 23.24 onde Yahweh diz que enche os céus e a terra, aludindo que Jesus Cristo é Yahweh. Paulo em 2Coríntios 5.10 afirma que Cristo julgará a todos em seu tribunal, aludindo ao texto de Gênesis 18.25 que fala que o SENHOR é o juiz de toda a terra.

Lucas afirma em Lucas 1.33: “ele (Jesus) reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim”. Ou seja, ele é o rei eterno. Lucas, cita neste texto o Salmo 145.13 que fala do reino de Yahweh que é o reino de todos os séculos. Lucas ainda afirma em Atos 4.12: “E não ha salvação em nenhum outro, porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos”. Lucas afirma que somente somos salvos por meio de Jesus Cristo. Em Isaías 43.11 diz: “Eu, eu sou o SENHOR, e fora de mim não há salvador”. Desta forma, é correto afirmar que Jesus Cristo é o SENHOR do Antigo Testamento.

 

Bibliografia 

[1] FERREIRA, Franklin; MYATT, Alan; Teologia Sistemática; São Paulo: Vida Nova, 2007, p. 502.

[2] MILLER, Stephen R.; Daniel – The new American commentary; Nashville: B & H Books, 1994, p.123.

[3] FERREIRA, Franklin; MYATT, Alan; Teologia Sistemática; São Paulo: Vida Nova, 2007, p. 503

[4] Ibid., p. 503.

[5] Ibid., p. 506.

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