Os Títulos de Jesus no NT apontam para sua divindade

Há alguns títulos dados a Jesus, pelos quais seus discípulos o chamam, ou mesmo o próprio Jesus atribui a si. Em João 20.28, depois de ver as feridas de Jesus, Tomé afirma: “Senhor meu e Deus meu”. Pedro em 2Pedro 1.1 chama Jesus de “nosso Deus e Salvador Jesus Cristo”. João em 1João 5.20 o chama de “Filho de Deus” e de “verdadeiro Deus”. Em Apocalipse 1.8, João o chama de “o Alfa e o Ômega”. Paulo em Romanos 9.5 chama a Jesus de “Deus bendito para todo o sempre”.

Jesus é chamado de Messias.[1] O messias no Antigo Testamento, é o ungido, aquele que foi divinamente ordenado para cumprir alguma unção perante o Senhor. No AT tanto o sacerdote, quanto o profeta e o rei eram ungidos para exercerem seus ofícios. Calvino, nas Institutas diz:

Deve-se notar que cabe uma fórmula aos três ofícios de Cristo. Sabemos que, sob a Lei, tantos os profetas quanto os sacerdotes eram ungidos com um óleo sagrado, donde também o célebre nome de Messias foi imposto ao Mediador prometido. Ainda que reconheçamos que o nome Messias foi usado por uma consideração e razão particular do reino (como mostrei em outro lugar,[2] também a unção profética e a sacerdotal têm seu grau e não são por nós negligenciadas.[3]

Por isso, os evangelhos sinóticos enfatizaram Jesus como o Messias. O messias, segundo Horton, era o representante terreno do Senhor.[4]

Jesus é chamado de Senhor. A palavra kyrios no grego é também utilizada para traduzir o tetragrama (Yahweh), o próprio nome de Deus no Novo Testamento. Jesus é chamado também de kyrios assim como o Pai. Ladd afirma sobre o título Kyrios:

É a atribuição das funções de divindade de Jesus. Se a confissão do Senhorio de Jesus significa salvação (Rm 10.9), o fundamento para esse fato é o conceito do Antigo Testamento sobre o invocar o nome de Jeová. O próprio Paulo deixa isso claro, quando cita Joel 2.32: “E há de ser que todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo” (Rm 10.13). Assim, podemos entender que o Dia do Senhor (1Ts 5.2) tornou-se o Dia do Senhor Jesus (1Co 5.5, 2Co 1.14), o Dia de nosso Senhor Jesus Cristo (1Co 1.8) ou mesmo o Dia de Cristo (Fp 1.6). Como Senhor, o Cristo glorificado exerce as prerrogativas de Deus. Assim, o tribunal de Deus (Rm 14.10) é também o tribunal de Cristo (2Co 5.10). Deus julgará o mundo por intermédio de Jesus Cristo (Rm 2.16); e até o fim do seu reinado messiânico, Deus governa o mundo por intermédio do Senhor glorificado.[5]

Jesus é chamado de Filho do Homem.[6] A expressão “filho do homem” é de longe a mais utilizada a respeito de Jesus em todo o Novo Testamento e o modo favorito de Jesus ao se referir a si mesmo. Ele refere a si mesmo como Filho do Homem por mais de quarenta vezes. Contudo, esse título poderia significar apenas um homem comum, como a própria tradução do termo grego parece trazer. No Hebraico, o significado poderia ser Filho de Adão. Entretanto, ao olhar para o Antigo Testamento, o contexto do título “Filho do Homem” encontra-se no livro de Daniel, quando este tem uma visão, na qual observa quatro animais selvagens, surgindo um após o outro do mar.[7] Eles simbolizam quatro impérios mundiais sucessivos. Depois disto ele diz: “eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do Homem, e dirigiu-se ao Ancião de Dias, e o fizeram chegar até ele. Foi-lhe dado domínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas o servissem; o seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruído” (Dn 7.13,14). Por meio desse título, Jesus Cristo reivindicou para si tanto a dignidade messiânica quanto a função messiânica.[8] Desta maneira, Jesus ao declarar-se o Filho do Homem, dá uma ênfase tanto à sua humanidade quanto sua deidade. Nos Evangelhos é possível vermos que o Filho do Homem vem para julgar, salvar e reinar. Em cada uma dessas ações, Jesus faz isso como ser divino e humano.[9] Ele é o segundo Adão, que é o representante dos homens diante de Deus, mas ao mesmo tempo é o Deus Todo-Poderoso que pode cumprir a lei perfeitamente, pagar o preço pelos pecados da humanidade suportando a ira do Pai e ressuscitar ao terceiro dia.

Jesus é chamado de Filho de Deus.[10] Ele é o filho unigênito de Deus. O termo unigênito também pode ser traduzido como Filho Único, ou seja, o filho único de Deus. Esse termo (monogenês) não implica que Jesus foi criado por Deus e, portanto, é uma criatura, não eterna. Segundo Carson, monogenês não significa filho “unigênito”, mas “singular” (da mesma maneira que Isaque é o “filho da promessa” e de acordo com Hb 11.17, Isaque é um typos de Cristo). [11] Jesus, então é o único que tem o título de monogenês do Pai. A glória revelada pelo Pai, por meio de seu unigênito, é uma glória velada em carne humana, apesar de ser totalmente clara em Cristo (Jo 1.18). A glória aqui descrita está relacionada à natureza santa de Deus manifestada em Jesus[12]. Ele manifestou os atributos divinos, sejam comunicáveis, sejam incomunicáveis. Assim como ele afirma em João 10.30: “eu e o Pai somos um”.

Conforme afirma MacGrath:

No quarto evangelho e nas epístolas joaninas, o termo “filho” (huios) é reservado a Jesus, ao passo que o termo mais genérico “filhos” (tekna) tende a ser aplicado aos cristãos. A noção básica parece ser de que os cristãos, por intermédio da fé, estão aptos a estabelecer um mesmo tipo de relacionamento com aquele que Jesus desfruta com o Pai; todavia, o relacionamento entre Jesus e o Pai é, ao mesmo tempo, anterior e fundamental para o relacionamento existente entre os cristãos e Deus. [13]

Jesus é chamado de Logos. Primeiramente, em Heráclito, o logos é o princípio cósmico eterno que traz ordem ao universo. Para os filósofos estóicos, este mesmo princípio cósmico permeia todas as coisas e provê o padrão de conduta para o homem racional. Para Filo, é a emanação divina que intermediou a criação do universo. João tem um pano de fundo do Antigo Testamento, e o termo “palavra” no AT é davar. Entre seus significados está a revelação de Deus (Jr 1.4) e a poderosa criação de Deus (Gn 1.3ss e Sl 33.6). Constantemente é dito que A Palavra do Senhor veio aos profetas (Is 38.4, Jr 1.4, Ez 1.6). No Salmo 33.6 diz que mediante a palavra de Deus os céus foram feitos. Em Provérbios, a Sabedoria de Deus é personificada (Pv 8.22ss), o que também pode ter sido um pano de fundo para o termo Logos neste versículo e no versículo 1. Contudo, João inclui significado nesta palavra. Aqui a Palavra Criadora de Deus em Gênesis 1, se torna uma criatura, fazendo-se carne e habitando entre nós. A palavra de Deus é uma pessoa, a segunda pessoa da trindade que veio para revelar plenamente a Deus.

Bibliografia

[1] LADD, George Eldon; Teologia do Novo Testamento; São Paulo; Vida Nova, 2003, p. 182.

[2] Ver Capítulo VI, § 3, Livro II em CALVINO, João; A Instituição da Religião Cristã, Tomo I, Livros I e II; São Paulo: Editora UNESP, 2007, p. 327.

[3] CALVINO, João; A Instituição da Religião Cristã, Tomo I, Livros I e II; São Paulo: Editora UNESP, 2007, P. 470.

[4] HORTON, Michael; Doutrinas da Fé Cristã; São Paulo: Cultura Cristã, 2016, p. 475.

[5] LADD, George Eldon; Teologia do Novo Testamento; São Paulo; Vida Nova, 2003, p. 576.

[6] Ibid., p. 196.

[7] HORTON, Michael; Doutrinas da Fé Cristã; São Paulo: Cultura Cristã, 2016, p. 479.

[8] LADD, George Eldon; Teologia do Novo Testamento; São Paulo; Vida Nova, 2003, p. 206.

[9] HORTON, Michael; Doutrinas da Fé Cristã; São Paulo: Cultura Cristã, 2016, p. 480.

[10] LADD, George Eldon; Teologia do Novo Testamento; São Paulo; Vida Nova, 2003, p. 220.

[11] BEALE, G. K. e CARSON, D. A.; Comentário do Uso do Antigo Testamento no Novo, Vida Nova, São Paulo, 2014, p. 532

[12] MACARTHUR, John; The MacArthur New Testment: John 1-11, Moody Publishers, Chicago, 2006, p. 49

[13] MACGRATH; Alister E.; Teologia Histórica; São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2007, p. 408.

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