A Divindade de Jesus foi demonstrada nos Evangelhos

Quando queremos aprender mais sobre uma pessoa, normalmente lemos algumas biografias. É possível que uma biografia apenas não retrate muito bem uma pessoa, por haver possibilidade de distorções. Contudo, Jesus Cristo teve quatro evangelistas que falaram sobre quem era ele. Quatro diferentes homens, com diferentes perspectivas escreveram sobre seu ministério. Todos eles terminam apontando para a morte e ressurreição de Cristo e todos eles destacam que era um homem pleno, porém não apenas um homem comum, ele era plenamente Deus. Além dos evangelhos temos os relatos de Pedro, Paulo e o autor da epístola aos Hebreus que nos relatam sobre a pessoa de Cristo.

Mateus

Mateus, também chamado de Levi, era um publicano, um judeu que ninguém daria valor pois cobrava impostos do seu povo para Roma e vivia disso. Porém, apesar disso, foi chamado por Jesus para ser seu discípulo. Mateus esteve muito perto de Jesus durante seu ministério e pôde relatar sobre quem era ele.

Mateus enfatiza o reinado messiânico de Jesus com o título de “Filho de Davi”. Segundo Blomberg, esse título ocorre nove vezes, oito das quais não há paralelos com os outros evangelhos.[1] Mateus já começa seu evangelho mostrando a genealogia de Cristo, mostrando que ele é o descendente prometido a Abraão, por meio de quem todas as famílias da terra seriam benditas. Além de ser o descendente de Davi que se assentaria no trono para todo o sempre. Na sua concepção, Jesus é chamado de Emanuel (Deus conosco) em Mateus 1.23. Além de enfatizar a onipresença de Jesus em Mateus 18.20: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome ali estarei”, e Mateus 20.20: “Eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século”. Além disso, Mateus enfatiza Jesus como O Filho de Deus, tanto na tentação em Mateus 4, quanto na boca de Pedro que o chama de Cristo, Filho do Deus vivo. Em Mateus 14.33, depois de Jesus ter andado sobre as águas, Mateus relata que os discípulos confessaram ser ele o Filho de Deus e o adoraram, curvando-se diante dele.

Marcos

Marcos não era um dos doze, e era muito jovem quando Jesus morreu. Contudo, foi testemunha de Cristo ressuscitado e estava presente no início da igreja neotestamentária. Marcos teve ajuda de Pedro para escrever seu evangelho e relata claramente sobre quem é Jesus.

Blomberg afirma que Marcos enfatiza tanto a centralidade da cruz quanto a glória de Jesus.[2] Os diferentes títulos cristológicos de Marcos mostram a divindade de Cristo. Ele é chamado de Filho de Deus logo em Marcos 1.1, e termina o Evangelho em Mc 15.39 com o mesmo título: Filho de Deus, na confissão do centurião romano. Marcos certamente tinha interesse em revelar a Cristo como o Filho de Deus. Em Marcos 4.35-41, Marcos termina o relato com uma pergunta que está na boca dos discípulos: Quem é este que até os ventos e o mar lhe obedecem a voz? Essa pergunta está na boca da multidão e dos discípulos aos verem as obras e a vida de Jesus.

Lucas

Lucas, diferentemente de Marcos que teve um discípulo próximo de Jesus (Pedro) para ajuda-lo, e de Mateus e João que estiveram com Jesus, fez uma pesquisa acurada para escrever seu evangelho. Era um médico, meticuloso, e profundo historiador. Ele buscou testemunhas oculares e pesquisou a fundo sobre quem era Jesus e o que ele fez e relatou isso no terceiro evangelho.

Lucas enfatiza o título de “Salvador” para retratar quem é Jesus, enfatizando tanto sua humanidade quanto sua divindade. Em Lucas 2.11, o anjo anuncia: “Hoje, na cidade de Davi, vos nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor”. Blomberg afirma que as palavras gregas para salvador e salvação (soter, soteria, soterion) ocorrem oito vezes em Lucas, nove vezes em Atos e nenhuma nos demais evangelhos sinóticos.[3] Jesus Cristo é aquele que veio buscar e salvar o perdido (Lc 19.11). Em Atos 4.12, Lucas revela as duas naturezas de Cristo: “E não há salvação em nenhum outro, porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos”. Lucas mostra, que o Deus, que é o único que pode salvar no Antigo Testamento (Is 43.11), é o mesmo que salva no Novo Testamento.

João

João era chamado de o discípulo amado. Era o discípulo mais próximo de Jesus, com quem esteve em praticamente todos os momentos. Os doze sempre estavam perto, mas houve momentos que somente João, Pedro e Tiago estavam com Jesus. Entre esses, João era ainda mais próximo. Ele escreve seu evangelho depois de Mateus, Marcos e Lucas, e já percebia algo que os evangelistas anteriores ainda não tiveram que lidar: um proto-gnosticismo que negava a humanidade de Jesus, e ao mesmo tempo, judeus que negavam sua divindade. João portanto enfatiza já no primeiro versículo a divindade de Jesus, e já no versículo catorze sua humanidade.

O Apóstolo João inicia o quarto evangelho afirmando a preexistência e divindade de Cristo. Ele afirma que Jesus Cristo é a palavra criadora de Deus. Jesus Cristo é o logos divino. A palavra logos era utilizada em diversos contextos no século I. Diferentemente do que diziam os estóicos ou Fílon, João tem um pano de fundo do Antigo Testamento, e o termo palavra no AT é davar. Entre seus significados está a revelação de Deus (Jr 1.4) e a poderosa criação de Deus (Gn 1.3ss e Sl 33.6). Constantemente é dito que A Palavra do Senhor veio aos profetas (Is 38.4, Jr 1.4, Ez 1.6). No Salmo 33.6 diz que mediante a palavra de Deus os céus foram feitos. Em Provérbios, a Sabedoria de Deus é personificada (Pv 8.22ss), o que também pode ter sido um pano de fundo para o termo Logos neste versículo e no versículo 1. João utiliza as mesmas palavras de Gênesis 1 em hebraico: “No princípio” (Bereshith), e agora ele inicia traduzindo no grego: “No princípio” (En archê). O que João faz é trazer luz para a criação em Gênesis 1. Moisés nos relata que Deus criou todas as coisas por meio de sua palavra: “Disse Deus: haja […] e houve […]. Todas as coisas vieram à existência por meio da palavra de Deus. Agora, João diz que Cristo é o verbo que estava com Deus no princípio, que o verbo era Deus e que todas as coisas vieram à existência por meio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez. João nos revela que Cristo é Deus, sendo a segunda pessoa da trindade, de uma mesma natureza divina do Pai, e além disso, que ele é a palavra criadora de Deus, que deu origem e é a base da existência de todas as coisas. Ele já existia antes que tudo viesse à existência.

Em João 1.18 temos: “Ninguém jamais viu a Deus, mas o Deus unigênito o tornou conhecido”. O versículo começa dizendo que ninguém jamais, em qualquer momento viu a Deus. O verbo viu (heóraken) nos dá a ideia de que ninguém jamais teve um contato direto com Deus, afinal Ele é espírito e invisível. Ninguém no Antigo Testemento pôde contemplar a Deus no sentido de ver sua face, pois Ele mesmo diz que a Moisés quando o pede para ver sua face que qualquer homem que visse sua face morreria (Êx 33.20). Moisés apenas vê a “forma” do Senhor (Nm 12.8). Em Isaías 6, a visão que o profeta tem do Senhor é terrível. Porém a quem ele vê? O Pai ou o Filho? O apóstolo João nos traz luz sobre esse texto em João 12.41, quando depois de citar a profecia de Isaías 6.10, diz que Isaías profetizou porque viu a glória de Jesus. Ou seja, na teofania de Isaías 6, o Filho é quem está no trono. E isso corrobora com o texto de João 1.18 que ninguém jamais viu o Pai, mas o Filho é quem o revela e quem “é a imagem do Deus invisível” (Cl 1.15).

No final do seu evangelho, João mostra Tomé, curvando-se diante de Jesus em João 20.28 e confessando-o como “Senhor meu e Deus meu”. Jesus naquele momento não o repreende, antes é adorado como Deus.

[1] BLOMBERG, Craig L.; Jesus e os Evangelhos; São Paulo: Vida Nova, 2009, p. 171.

[2] Ibid., p. 155.

[3] Ibid., p. 194.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: