Perspectiva das Confissões Reformadas quanto às Duas Naturezas de Cristo

Confissões Reformadas

1) Catecismo da Igreja de Genebra (1542 d.C.)

O Catecismo da Igreja de Genebra foi feito por João Calvino em Francês entre o final de 1541 e o início de 1542. Esse catecismo era comentado nas reuniões das crianças de dez a quinze anos de idade, que se realizavam na igreja todos os domingos às doze horas, e quatro vezes por ano, nos domingos que antecediam à Santa Ceia, as crianças repetiam os conceitos principais do Catecismo.[1] Em uma pergunta sobre o Credo Apostólico, a respeito da fé em Jesus Cristo, eles deveriam dar esta resposta:

Que Jesus Cristo, sendo Deus igual ao Pai, desceu a este mundo, e se fez homem no ventre da (…) virgem Maria por obra do Espírito Santo, e vindo, cumpriu tudo necessário para nossa salvação, e do céu, de onde subiu depois de ressuscitado, e onde está assentado à direita do Pai, virá no último dia em grande glória e majestade para julgar vivos e mortos.[2] (Tradução nossa).

2) Confissão Gaulesa (1559 d.C.)

A Confissão Gaulesa foi formulada por Calvino e um discípulo Antoine de la Roche de Chandieu, revisado e aprovado pelo sínodo de Paris em 1559, e adotado pelo sínodo de La Rochelle em 1571.[3] Quanto às duas naturezas de Cristo, ela afirma no capítulo XV:

Nós cremos que em uma pessoa, a saber, Jesus Cristo, as duas naturezas estão unidas e inseparáveis e unidas, e no entanto, cada uma permanece com suas próprias características: de modo que, nesta união, a natureza divina, mantendo seus atributos, permaneceu incriada, infinita, (); e a natureza humana permaneceu finita, tendo sua forma, medida e atributos, e embora Jesus Cristo, na ressurreição da morte, teve a imortalidade concedida a seu corpo, a natureza humana não foi modificada, de modo que nós o consideramos em sua divindade não o despojando de sua humanidade.[4] (Tradução nossa).

3) Catecismo de Heildelberg (1563 d.C.)

No Catecismo de Heildelberg, feito em 1563, na pergunta 35: “Que significa: concebido pelo Espírito Santo, nascido da virgem Maria?

A resposta:

Que o eterno filho de Deus, o qual é e permanece Deus verdadeiro e eterno, tomou verdadeira natureza humana de carne e sangue da virgem Maria, por obra do Espírito Santo, para que também fosse a verdadeira semente de Davi e em tudo igual a seus irmãos, exceto por não ter pecado.[5]

4) Confissão de Fé da Igreja Evangélica Valdense

A igreja Valdenses teve início com Pedro Valdo no século XII, quando este rejeitou a autoridade da Igreja Romana e o papado, e defendia uma tradução das Escrituras para cada cristão. Os Valdenses passaram a ser perseguidos pela Igreja Católica e assumiram uma confissão calvinista em 1532. A confissão de Fé da Igreja Valdense foi realizada em 1655 e teve como moderador Juan Léger e seu tio Antonio Léger, que era professor na Academia de Genebra. No artigo XIII, sobre Jesus Cristo eles dizem:

Que há duas naturezas em Jesus Cristo, a divina e a humana, verdadeiramente unidas em uma mesma pessoa, sem confusão, sem separação, sem divisão, sem mudança, conservando cada natureza suas propriedades distintas e que Jesus Cristo é, ao mesmo tempo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem.[6]

5) Exposição Bíblica da Confissão de Fé de Westminster

Na Confissão de Fé de Westminster, cap. VIII, artigos II e III, temos:

O Filho de Deus, a Segunda Pessoa da Trindade, sendo verdadeiro e eterno Deus (…)”.[7] Jesus Cristo, o Messias esperado pelo povo de Deus, é o verdadeiro e eterno Deus conforme podemos encontrar nos textos de João 1.1: “No princípio era o verbo, o verbo estava com Deus e o verbo era Deus”. Em João 8.58 temos: “Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade eu vos digo: antes que Abraão existisse, EU SOU”. Ele é o Deus verdadeiro e eterno.

“(…) da mesma substância do Pai e igual a ele (…)”.[8] Em Hebreus 1.3 lemos: “Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu ser (Deus)”. Em Colossenses 1.15, Paulo diz: “Este é a imagem do Deus invisível…”. Jesus Cristo disse que ele e o Pai são um, em João 10.30, e além disso disse também que quem o vê, vê o Pai em João 14.9.

“(…) quando chegou o cumprimento do tempo, tomou sobre si a natureza humana com todas as suas propriedades essenciais e enfermidades comuns (…)”.[9] Jesus Cristo assumiu a natureza humana no tempo, como vemos em João 1.14 que diz que o verbo, que é Deus, se fez carne e habitou entre nós. Ele foi visto e tocado pelos apóstolos (1Jo 1.1,2). Em Lucas 24.39, em sua ressurreição, Jesus se mostra em carne e osso, podendo ser tocado pelos discípulos. Além disso, Jesus também tinha emoções humanas próprias de quem está sujeito às fraquezas. Em Mateus 26.38 o evangelista nos revela uma angústia na pessoa do Redentor, que é uma emoção humana. Cristo chora tanto à vista de Jerusalém, como quando se encontra com Maria antes de ressuscitar Lázaro. Além disso Jesus precisou se desenvolver, mostrando que era homem (Lc 2.40,52; Hb 5.8).

“…contudo sem pecado…”.[10] Em 1Pedro 2.22 temos que Cristo não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca. Em Hebreus 4.15 diz: “Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado”.

“…sendo concebido pelo poder do Espírito Santo no ventre da Virgem Maria e da substância dela”.[11] Em Mateus 1.18 e em Lucas 1.35 os evangelistas nos revelam que a concepção do Mediador foi realizada pelo Espírito Santo no ventre de Maria, que ainda não havia sido desposada. Mateus 1.23 faz alusão ao texto de Isaías 7.14, que faz a profecia do nascimento virginal do Messias: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco)”. Em Romanos 1.3,4, Paulo afirma que Cristo veio da descendência de Davi segundo a carne, e foi designado filho de Deus com poder. Ou seja, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Em Colossenses 2.9, novamente temos que em Cristo habita, corporalmente (na sua humanidade), toda a plenitude da Divindade. Ele é totalmente Deus, sendo também totalmente homem. Em João 1.14, o verbo que é Deus se faz carne, habita entre nós, e a sua glória, por ser divino, pode ser vista por todos.

[1] STOCKWELL, B. Foster; Catecismo de La Iglesia de Ginebra; Buenos Aires: Editorial “La Aurora”, 1962, p. 7.

[2] Ibid. p. 117.

[3] SHAFF, Philip; The Creeds of Christendom; Grand Rapids: Baker Book House, 1969, p. 356.

[4] Ibid., p. 368s.

[5] MARÍN, M. Gutiérrez; Catecismo de Heildelberg; in: Catecismos de La Iglesia Reformada; Buenos Aires: Editorial “La Aurora”, 1962, p. 155.

[6] SOGGIN, J. Alberto; Confesion de Fe de la Iglesia Evangelica Valdense; in: Catecismos de La Iglesia Reformada; Buenos Aires: Editorial “La Aurora”, 1962, p. 202.

[7] Assembléia de Westminster; Confissão de Fé de Westminster; São Paulo: Cultura Cristã, 2008, p. 76.

[8] Assembléia de Westminster; Confissão de Fé de Westminster; São Paulo: Cultura Cristã, 2008, p. 76.

[9] Ibid., p. 76.

[10] Ibid., p. 76.

[11] Ibid., p. 76.

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