Problemas quanto às Duas Naturezas de Cristo na História da Igreja

1) Problemas quanto às Duas Naturezas na História da Igreja

  • Os problemas quanto à divindade de Cristo

Um dos problemas quanto à divindade de Cristo é chamado também de ebionismo. O ebionismo[1] era uma ramificação do cristianismo que negava o nascimento virginal, considerando que Jesus era um homem nascido normalmente de José e Maria, sendo o Messias predestinado para reinar sobre a terra. A palavra ebionismo deriva do termo hebraico traduzido por “pobre” enfatizando Cristo como um homem simples.

Cerinto (100 d.C.)

Cerinto, que viveu na Ásia Menor, por volta de 100 d.C., dizia que Cristo celestial e Jesus de Nazaré unem-se em um determinado momento. Ele desceu sobre o homem Jesus no momento do batismo, recebendo o Logos. O Cristo celestial fica unido ao homem desde o batismo até antes da crucificação. O afastamento antes de sua morte explica o porquê do abandono do Pai e também o fato de Deus não morrer.[2]

Era Pré-Nicena (Tertuliano)

Tertuliano, nascido por volta de 150 d.C. em Cartago, era advogado, e isso ajudou na elaboração de uma fórmula fundamental para expressar cristologia rejeitando a heresia do modalismo[3] da época.[4] Essa fórmula apresentava o mistério da economia da Trindade de forma que era uma unidade em três pessoas, apresentando Pai, Filho e Espírito Santo como três.[5] Pela primeira vez aparece o termo trinitas, introduzido por Tertuliano na linguagem eclesiástica.

Quanto a Cristo, ele elaborou: “observamos uma dupla condição, não de confusão, mas de conjunção: Jesus em uma só pessoa ao mesmo tempo Deus e homem”.[6] Este foi um primeiro esboço da doutrina das duas naturezas ou poderes de ser, na pessoa de Cristo. Na pessoa do Redentor unem-se dois poderes de ser, o divino e o humano. Ele diz: “ele é chamado filho de Deus, e mais radicalmente Deus, em unidade de substância com Deus”.[7]

Monarquianismo Dinâmico

A Cristologia de Tertuliano causou dificuldades, gerando ideias de apenas um governante e não três, partindo para uma explicação monarquista, de monarchia, “governo de um só”. Exaltavam a “monarquia” do Pai.[8]

Teodoto, um artesão de Roma, [9] ensinava que Jesus era um homem que recebera o Espírito Santo em seu batismo, sendo vocacionado a ser o Messias, não sendo porém divino. O homem Jesus é adotado pelo Pai, recebe o Logos de Deus, mas não é Deus.[10]

Paulo de Samosata (Século III)

Paulo de Samosata era bispo de Antioquia. Ele afirmava que o Logos e o Espírito eram qualidades divinas e não pessoas.[11] Eram poderes de Deus. Ou seja, Jesus era um homem inspirado pelos poderes divinos. O poder do Logos habitou em Jesus, como habitamos nossa casa. A unidade com o Pai era em amor e não em natureza. Jesus foi adotado pelo Pai, recebendo o poder do Logos em seu batismo. Zeloso pelo monoteísmo, Paulo de Samosata afirmava que Deus dinamizou (deu poder) ao homem Jesus em seu batismo.[12] Com ele surge o Adocianismo, no qual a divindade adotou Jesus como filho, que passa ser divino, uma espécie de semideus. Com ele surge também o Subordinacionismo, uma vez que Jesus é subordinado ao Pai e não é Deus na mesma medida que ele. A heresia defendida por Paulo de Samosata é chamada de Monarquianismo Dinâmico.

Ário (256 d.C. – 336 d.C.)

Segundo Ário, presbítero de Alexandria, somente Deus Pai seria eterno e não gerado. O Logos, o Cristo pré-existente, seria mera criatura. Cristo era de uma hierarquia inferior e limitada.[13] Ário abominava a ideia de Paulo de Samosata. Para Ário, Cristo veio do céu e não era um homem comum dinamizado pelo Logos divino. Antes, Cristo era a primeira e mais sublime das criaturas. Ele foi criado por Deus para ser a criatura mais exaltada.[14] É um deus, mas não na mesma medida que o Pai. Jesus não tem a mesma essência do Pai. Ele afirmava que Deus não podia sofrer ou mudar à medida que Cristo podia sofrer e mudar.[15] Ário, em carta escrita a Eusébio, bispo de Nicomédia, diz a respeito de Cristo:

(…) antes de ter sido gerado ou criado ou nomeado ou estabelecido, ele não existia, pois ele não era ingênito. Somos perseguidos porque afirmamos que o Filho tem um início, enquanto Deus é sem início. Eis porquê somos perseguidos (…) porquanto ele não é parte de Deus nem deriva de substância alguma.[16]

Concílio de Nicéia (325 d.C.)

A cristologia de Ário foi rejeitada pelo Concílio de Nicéia. O Credo Niceno afirma: “Cremos em um só Deus, Pai Onipotente, Criador de todas as coisas visíveis e invisíveis”.[17] Desta forma, nega ideias platônicas e gnósticas, que afirmavam ser a matéria má e não criada por Deus. O Credo continua: “E em um só Senhor Jesus Cristo, filho de Deus; gerado do Pai, unigênito da essência do Pai, Deus de Deus, Luz de Luz, verdadeiro Deus de verdadeiro Deus, gerado não feito, consubstancial (homoousios) com o Pai[18], por quem todas as coisas foram feitas no céu e na terra; o qual, por nós homens e pela nossa salvação desceu do céu e encarnou e foi feito homem. Padeceu e ao terceiro dia ressuscitou, subiu ao céu. E retornará para julgar vivos e os mortos. Afirmando a divindade de Cristo e a sua consubstancialidade com o Pai. O Credo condena categoricamente aqueles que não creem na divindade do Filho em igual essência com o Pai. A frase central do Credo está em Cristo ser “consubstancial” (homoousios) com o Pai, ou seja, da mesma substância do Pai. Desta forma nega que Cristo tenha sido uma criatura. Ele não possui nenhuma outra ousia (substância) além da ousia do Pai.[19] 

2) Problemas quanto à humanidade de Cristo

Em uma tendência diametralmente oposta aos ebionitas, temos os chamados docetistas, que negavam a humanidade de Cristo. A palavra dokein significa parecer[20], e eles enfatizavam que Jesus tinha apenas aparência de homem, e consequentemente, os seus sofrimentos foram irreais. Segundo Bettenson, para os docetistas o sofrimento e morte de Cristo eram meras aparências. Ou ele sofria e não podia ser Deus, afinal, Deus não sofre, ou era verdadeiramente Deus e não podia sofrer.[21] Os docetistas tinham raízes greco-orientais que defendem a impassividade divina e da impureza inerente da matéria. Essa heresia influenciou o marcionismo, fundado por Marcião (por volta de 144 d.C.) que cria em dois deuses, um do Antigo Testamento, um demiurgo, que era o princípio do mal, e um Deus Supremo, revelado em Cristo no Novo Testamento. A cristologia de Marcião era docetista no que diz respeito ao corpo de Jesus, pois não havia nascido nem crescido, havia aparecido na terra, de repente, como homem adulto.[22]

Gnosticismo (100 – 200 d.C.)

O gnosticismo tentava explicar a Cristo em termos da filosofia pagã, ou teosofia.[23]

Saturnino foi um gnóstico de Antioquia (130 d.C.) que defendia que Cristo não nasceu, não teve corpo e nem forma, mas foi visto em forma humana, apenas uma aparência.

Basílides[24] (130 d.C.) ampliou o conceito de Saturnino dizendo que Jesus apareceu em forma de homem, realizou atos de poder, porém, não sofreu, antes, um certo Simão de Cirene foi movido a levar a cruz por ele. O mesmo Simão foi crucificado em seu lugar e transfigurado por ele, de forma que as pessoas olhavam para Simão e viam a Jesus. Segundo Basílides, quem reverencia e reconhece aquele que foi crucificado, não deixou de ser escravo e sujeito ao domínio do corpo, mas quem negar o crucificado, fica livre do corpo e conhece a Deus.

Práxeas (200 d.C.)

Práxeas, proveniente da Ásia Menor, tornou-se o líder do chamado monarquianismo patripassiano. Esse movimento foi combatido por Tertuliano (210 d.C.) quando escreveu a obra “Contra Praxeas” (217 d.C.), quando os cristãos eram acusados pelos monarquianos de adorarem mais de um Deus.[25] Essa heresia cristológica estava mais de acordo com o sentimento das massas dos cristãos em sua época, conforme Tertuliano afirma em sua obra. Essa heresia pode ser chamada de patripassionismo, ou seja, o Pai sofreu na paixão de Cristo.

Sabélio (Século III)

Sabélio, o principal líder dos modalistas em Roma, expressou o monarquianismo modalista de forma articulada e desenvolvida. Sabélio fez tudo para preservar a unidade de Deus defendendo para tal uma unipersonalidade. Negava que o Pai, o Filho e o Espírito Santo fossem pessoas distintas. Esse movimento também pode ser chamado de Sabelianismo, pois Sabélio foi um dos seus principais representantes. Sabélio dizia: “O mesmo é o Pai, o mesmo é o Filho, o mesmo é o Espírito Santo. São três nomes, mas nomes para a mesma realidade. Temos um ou três deuses”.[26] Afirmava então que o mesmo Deus agia na história por meio de três semblantes diferentes. Ou seja, Jesus não é homem, mas apenas uma forma temporária de Deus se revelar.

O modalismo foi difícil de ser vencido no século III, pois contava com grande parte da aceitação dos cristãos simples, e estava em “harmonia” com a piedade dominante da época.[27]

Apolinário (310 d.C.)

Apolinário tornou-se bispo em torno de 361 d.C. em Laodicéia e foi o pai do apolinarismo, que é uma negação da plena divindade de Cristo. Segundo Campos, Apolinário sustentava que Cristo tinha um corpo humano, mas não um espírito humano. O espírito humano foi substituído pelo Logos divino.[28] Desta maneira, Cristo não era plenamente homem, mas tinha apenas mente e corpo humanos, enquanto seu espírito era divino. O concílio ecumênico de Constantinopla, em 381 d.C., rejeitou o pensamento apolinariano e afirmou a plena humanidade de Cristo.

3)  Problemas quanto à união das naturezas de Cristo

Escolas de Antioquia e Alexandria

Enquanto Tertuliano pode ser destacado no Ocidente, no Oriente, duas escolas estavam em embate sobre tendências cristológicas contrastantes: a escola de Antioquia e a escola de Alexandria. Antioquia tendia a enfatizar a natureza humana de Cristo (pessoa histórica de Cristo)[29], e a escola de Alexandria enfatizava a natureza divina de Cristo. [30] Elas não negavam as duas naturezas, mas quanto à união das naturezas havia grande desentendimento. Enquanto em Antioquia o foco era a distinção das naturezas, dividindo-as e enfatizando mais a humanidade de Cristo, Alexandria tinha como foco falar da união das naturezas enfatizando o elemento divino. É importante ressaltar que ambas escolas eram consideradas ortodoxas em sua época, e apenas os extremistas das duas escolas foram condenados.

Em Antioquia, Nestório, o bispo de Constantinopla, negava que Maria fosse mãe de Deus (theotokos: portadora de Deus)[31]. Ele enfatizava que Maria era mãe apenas de Jesus como homem. Nestório acreditava que estaria limitando a divindade de Cristo fazendo Deus habitar em um ventre, uma vez que Deus não pode nascer e nem morrer pois é eterno. Assim chamava Maria de anthropotokos (portadora do homem) ou christotokos (portadora de Cristo)[32]. No ventre estaria apenas a natureza humana do Redentor. Contudo, na ênfase de distinguir as naturezas, acabou separando aquilo que é inseparável, sendo atribuído a ele que Cristo, na separação das duas naturezas também seria duas pessoas distintas, uma pessoa humana e uma pessoa divina. O Nestorianismo foi condenado em Constantinopla.

Cirilo, um grande opositor de Nestório e bispo de Alexandria (412- 444 d.C.), escreveu uma carta a Nestório em fevereiro de 430 d.C. que foi lida e aprovada em Éfeso, e posteriormente em Calcedônia. Nessa carta ele diz:

As duas naturezas, que foram unidas a fim de formarem a verdadeira unidade, eram diferentes, mas de ambas houve um só Cristo e um só Filho. Não professamos que a diferença das naturezas foi destruída em virtude da união, mas que, integrados inconcebivelmente na unidade, divindade e humanidade produziram para nós um único Senhor e Filho, Jesus Cristo.[33]

Cirilo lançou o fundamento para a teologia da uniopersonalis de Cristo em suas duas naturezas. Cirilo não tinha problema em afirmar que Maria dera à luz a Deus em carne.[34]

Apolinário, que era de Alexandria, combatendo a tendência de Antioquia de falar das naturezas como apenas conectadas e não unidas, enfatiza a união das naturezas e afirmava que o Logos divino era a alma de Cristo. Não tendo uma alma humana, mas apenas divina. Gregório de Nazianzo[35] em resposta a isso combateu: “o que não foi assumido (por Jesus) não foi sanado ”. Ou seja, Jesus só poderia redimir aquilo que ele também assumiu em sua humanidade, se sua alma não era humana, então, ele não poderia redimir a alma do homem. Assim, a Cristologia de Gregório de Nazianzo venceu a opinião apolinariana no concílio de Constantinopla.

Já em Alexandria, Êutico destacava tanto a união para mostrar que Cristo não é igual a nós. Chegando ao ponto de unir as duas naturezas de tal forma em que há uma espécie de fusão de Deus e homem, gerando uma terceira natureza (divino-humana).[36] A consequência do ensino de Êutico é que Cristo não é nem Deus e nem homem, mas uma nova natureza fruto da união das naturezas. Ao contrário de Nestório, que levava a pensar em duas pessoas em Cristo por enfatizar a separação das naturezas, Êutico leva a pensar em uma pessoa, pela ênfase na união, e uma única natureza fruto da fusão da natureza humana com a divina. Ele parecia propor uma nova espécie de docetismo e monofisismo (mono – uma e physis – natureza).

Em novembro de 448 d.C., Êutico foi convocado pelo Sínodo de Constantinopla para responder à acusação de heresia. Flaviano, arcebispo de Constantinopla o interrogou. Em um determinado momento, Êutico responde: “(…) admito que Nosso Senhor teve duas naturezas antes da encarnação e uma só depois dela (…)”[37]

Êutico foi condenado em 448 d.C. pelo bispo de Constantinopla, Flaviano, e apelou ao bispo de Roma, Leão I, que apoiou Flaviano acerca de Êutico, e então escreveu o Tomo de Leão. O Tomo de Leão foi escrito em 13 de junho de 449 d.C. a Flaviano pelo Bispo Leão (440-461 d.C.). Sobre as duas naturezas ele diz:

Assim, intactas e reunidas em uma pessoa as propriedades de ambas as naturezas, a majestade assumiu a humildade, a força assumiu a fraqueza, a eternidade assumiu a mortalidade e para pagar a dívida de nossa condição, a natureza inviolável uniu-se à natureza que pode sofrer. Desta maneira, o único e idêntico Mediador entre Deus e os homens, o homem Jesus Cristo, pôde, como convinha à nossa cura, por um lado, morrer e, por outro, não morrer. O verdadeiro Deus nasceu, pois em natureza cabal e perfeita de homem verdadeiro.[38]

Esse tomo influenciou a fórmula da Calcedônia que será vista adiante.

Concílio de Éfeso

O concílio de Éfeso não produziu nenhum credo, mas ratificou a teologia de Cirilo defendendo o termo theotokos como correto devido à união hipostática de Cristo. Nesse terceiro concílio ecumênico Nestório foi condenado.

Definição de Calcedônia (451 d.C.)

O Concílio de Calcedônia foi o quarto concílio ecumênico, com cerca de 520 bispos, e não defendeu nem a escola de Alexandria e nem a escola de Antioquia, antes, preservou o que cada escola tinha de ortodoxo, negando os exageros. Esse concílio foi extremamente importante porque reafirmou a fé como confessada em Nicéia e Constantinopla, aceitou como documento ortodoxo o Tomo escrito por Leão e ofereceu uma definição de fé para tratar do mistério do Verbo que se fez carne.[39]

O concílio reafirmou o credo-niceno-constantinopolitano e combateu tanto o Apolinarismo quando afirma: “constando de uma alma racional e de corpo”[40] e não que sua alma era o Logos. O concílio também combateu o Nestorianismo quando diz: “nestes últimos dias, ele foi nascido de Maria, a mãe de Deus, quanto à sua humanidade”. Também foi afirmada a união hipostática de Cristo: “duas naturezas sem mistura, sem mudança, sem divisão, sem separação”.[41] E por fim, afirmou a comunicação de atributos rejeitando o Eutiquianismo:

a diversidade das duas naturezas não sendo de forma alguma destruída por sua união na pessoa, mas as propriedades peculiares de cada natureza sendo preservadas, e concorrendo a uma pessoa.[42]

O Credo Calcedônico hoje serve como um parâmetro para que a igreja possa falar das duas naturezas sem cair no erro. Segundo Berkof (1873-1957), as mais importantes implicações desta declaração do Concílio da Calcedônia podem ser resumidas assim: [43]

  1. As propriedades de ambas as naturezas podem ser atribuídas a uma só Pessoa, como, por exemplo, onisciência e conhecimento limitado.
  2. Os sofrimentos do Deus-homem podem ser reputados como real e verdadeiramente infinitos, ao mesmo tempo em que a natureza divina não é passível de sofrimento.
  3. É a divindade, e não a humanidade, que constitui a raiz e a base da personalidade de Cristo.
  4. O Logos não se uniu a um indivíduo humano e distinto, e sim à natureza humana. Não houve primeiro um homem já existente com quem o eterno Filho de Deus se teria associado. A união foi efetuada com a substância da humanidade no ventre da virgem.

Houve aceitação quase imediata da Definição de Calcedônia no Ocidente. E, em pouco tempo, grande parte da igreja oriental também reconheceu que esta era uma declaração fiel do mistério que está no centro da fé cristã.[44]

O Concílio de Calcedônia não definiu aquilo que não pode ser definido, antes, confessou Cristo como verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Segundo Berkouwer, precisamos ter em mente que os quatro adjetivos negativos de Calcedônia (inconfundíveis, imutáveis, indivisíveis e inseparáveis) são como bóias de sinalização, mapeando estreito canal em que o barco da fé cristã pode navegar.[45] Há grandes perigos de heresias em tentar atravessar essas sinalizações.

4) O Islamismo

O Alcorão cita a pessoa de Cristo algumas vezes e o coloca como uma pessoa exaltada. Entretanto, o Islamismo é uma das religiões que mais veementemente negam a divindade de Cristo.[46] Eles consideram que seu Alá, sua divindade, é uma unidade absoluta e não pode se unir à natureza humana. O muçulmano considera essa possibilidade uma blasfêmia como podemos conferir no Alcorão, Surate 5.17:

São blasfemos aqueles que dizem: Deus é o Messias, filho de Maria. Dize-lhes: Quem possuiria o mínimo de poder para impedir que Deus, assim querendo, aniquilasse o Messias, filho de Maria, sua mãe e todos os que estão na terra?

O Islamismo nega a possibilidade de Alá ter um filho e amaldiçoam os que dizem que Jesus é o Filho de Deus. O Alcorão deixa isso claro:

É inadmissível que Deus tenha tido um filho. Glorificado seja! Quando decide uma coisa, basta-lhe dizer: Seja! (19.35)

Os judeus dizem: Ezra é filho de Deus; os cristãos dizem: O Messias é filho de Deus. Tais são as palavras de suas bocas; repetem, com isso as de seus antepassados incrédulos. Que Deus os combata! Como se desviam! Tomaram por senhores seus rabinos e seus monges em vez de Deus, assim como fizeram com o Messias, filho de Maria, quando não lhes foi ordenado adorar senão a um só Deus. Não há mais divindade além d’Ele! Glorificado seja pelos parceiros que Lhe atribuem! (9.30-31)

Desta forma, segundo Maomé, Jesus Cristo era apenas um homem. Ele era um grande profeta, mas não possuía os atributos de Deus. Para ele, Jesus era um apóstolo de Alá, que fazia milagres e ensinava o islamismo. Porém, a doutrina da divindade de Cristo, para os muçulmanos é uma deturpação do que o próprio Jesus ensinava.[47

5) Cristologia Medieval

A igreja medieval, segundo Horrell, se percebia como tendo uma cristologia sólida e por isso se aplicou a outros campos doutrinários.[48] Entretanto, Horrell afirma que embora a igreja sustentasse a humanidade e divindade de Cristo, sua humanidade foi cada vez mais percebida de forma abstrata e distante. Jesus era humano, mas tinha vantagens pois também era Deus. Desta maneira, Cristo tornou-se tão divino, que os medievais se relacionavam melhor com Maria, os santos e os padres.[49]

6) Reforma Protestante

Durante a Reforma

Martinho Lutero em seu Catecismo Menor, afirma sobre Cristo:

Creio em Jesus Cristo, verdadeiro Deus, nascido do Pai, desde a eternidade, e também verdadeiro homem, nascido da Virgem Maria, é meu Senhor, que me remiu a mim, homem perdido e condenado, me resgatou e salvou de todos os pecados, da morte e do poder do diabo; não com outro ou prata, mas com seu santo e precioso sangue e sua inocente paixão e morte, para que eu o sirva em eterna justiça, inocência e bem-aventurança, assim como ele ressuscitou da morte, vive e reina eternamente. Isso é certíssima verdade.[50]

As confissões e catecismos luteranos e reformados afirmaram completamente as formulações ortodoxas de Calcedônia. Berkauwer afirmou: “as confissões reformadas situam-se, pois, consciente e intencionalmente, no esquema de Calcedônia.[51] Calvino trouxe uma contribuição ao debate cristológico afirmando que Cristo também tinha uma existência fora da carne, o que ficou conhecido como extra-calvinisticum.[52] No Catecismo de Heildelberg, que ainda é usado por cristãos de tradição reformada, principalmente na Alemanha, é afirmado que a natureza divina de Cristo não estava contida, encerrada ou circunscrita pela natureza humana. Mesmo depois da encarnação, a natureza divina de Cristo permanece totalmente com suas propriedades, e está presente fora da carne (extra carnem).[53]

Entretanto houve uma divergência entre Luteranos e Reformados quanto à comunicação dos atributos (communicatio idiomatum). Lutero defendia a presença real de Cristo na ceia, de forma que, após a sua ascensão, a natureza humana de Cristo se tornou onipresente pois sua carne se faz presente na ceia em todos os lugares ao mesmo tempo. Isso levou ao ponto de vista luterano do communicatio idiomatum, onde cada uma das naturezas permeia a outra. Nesse caso, há comunicação de atributos divinos à natureza humana de Cristo. Essa visão foi chancelada na Fórmula de Concórdia pelos luteranos.[54] Visão que foi refutada pelos reformados na Segunda Confissão Helvética.

Segunda Confissão Helvética (1566)

A posição reformada encontra-se na Segunda Confissão Helvética, elaborada em 1562 por Heinrich Bullinger, publicada em 1566 por Frederico III da Palatina, adotada pelas Igrejas Reformadas da Suíça, França, Escócia, Hungria, Polônia e outras, refutando, entre outras heresias anteriores, a posição luterana:

(…) de modo nenhum ensinamos que a natureza divina em Cristo sofreu, ou que Cristo em sua natureza humana ainda está neste mundo e em toda parte. Pois nem pensamos nem ensinamos que o corpo de Cristo cessou depois de sua glorificação, nem que foi deificado e deificado de tal modo que ele tenha deixado de ter propriedades com respeito ao corpo e à alma, tendo se transformado inteiramente numa natureza divina e passado a ser uma substância una.[55]

 7) Teologia Liberal (Século XIX)

Até o século XVIII a cristologia era baseada na doutrina do Logos, Segunda Pessoa da Trindade e a partir daí tentava-se interpretar a encarnação para fazer jus à unidade da Pessoa de Cristo, além de enfatizar a integridade e veracidade das duas naturezas. Uma doutrina que começa com a transcendência de Deus. Contudo, com o passar do século XVIII, teólogos passaram a defender que esse não era o melhor método, focado nas Escrituras em uma visão teocêntrica, mas deveriam estudar cristologia a partir do Jesus histórico, tendo uma perspectiva antropológica chegando a um resultado antropocêntrico e não mais teocêntrico. Esse método começa “de baixo para cima”, começando com a imanência de Deus.[56] O fator determinante para se chegar a um conceito apropriado de quem é Jesus não é mais o que a Bíblia ensina a respeito de Cristo, mas o que suas próprias investigações e conclusões lógicas, além de experiências pessoais com ele podem gerar de conceito sobre quem é o Jesus histórico.[57] Dessa maneira, os liberais despiram o Senhor Todo-Poderoso de tudo que é sobrenatural, por meio de uma “demitologização”. O Jesus, que era o Deus a ser adorado pela igreja, agora passa a ser um mestre da moral a ser imitado apenas.

Friedrich Schleiermacher (1768-1834), um dos representantes dessa teologia, defende que Cristo tinha um perfeito e ininterrupto senso de união com o divino. Ele é o novo cabeça espiritual da raça, acima de Adão, uma vez que conseguiu cumprir perfeitamente o destino do homem, que é ser o homem perfeitamente religioso. Mediante a fé nele, todos os homens podem tornar-se perfeitamente religiosos.[58]

Imannuel Kant (1724-1804) defendia que Cristo era um ideal abstrato, um ideal de perfeição ética. O que salva o homem é a fé no ideal e não na pessoa de Cristo. Jesus apenas simbolizava esse ideal. Deus pode ser encontrado nas verdades da razão, sendo o conteúdo a fé racional, da qual Jesus foi o pregador e quem a viveu plenamente. Kant elimina a pessoa de Cristo como salvadora, e o coloca como um pregador moralista. Jesus não salva, apenas o conceito que ele passa. Assim como Kant, Georg W. F. Hegel (1770-1831) também defendia um racionalismo especulativo que leva a entender que Jesus era um mestre humano que nos trouxe um código de moralidade para ser vivido.[59]

Friedrich W. Ritschl (1806-1876), depois de Schleiermacher, é quem exerce mais influência sobre a teologia liberal moderna. Ele enfatiza muito mais a obra de Cristo do que sua pessoa. Defende que a obra de Cristo é que teria determinado a dignidade de sua pessoa. Ele era mero homem, contudo, em face do que ele fez, é atribuído a ele a divindade como predicado.[60] Ou seja, quem pratica as obras de Deus pode ser descrito em termos de Deus. Assim, Cristo tem valor divino por revelar Deus em suas obras de justiça.

No início do século XX, o teólogo alemão Adolf von Harnack (1851-1930) defendeu em seu livro Das Wesen des Christentums (O que é o cristianismo?) que o evangelho não diz respeito a Jesus e sim ao Pai. Para Harnack as formulações cristológicas da teologia patrística, dos concílios ecumênicos foram uma “aguda helenização do cristianismo.[61]

O Jesus histórico defendido pelos teólogos liberais não é encontrado no Novo Testamento. O que esses teólogos fazem é tirar a autoridade das Escrituras, e atribuir a si mesmos a autoridade de dizer o que é palavra de Deus e o que não é. Escolhem passagens isoladas acreditando que estão excluindo possíveis interferências no texto, e eles mesmo é quem interferem criando um Cristo conforme sua própria crença, que eles mesmos criaram

8) Testemunhas de Jeová

A organização atual das Testemunhas de Jeová foi iniciado, no fim do século XIX, por um grupo de estudantes que publicava suas conclusões em uma revista que hoje é chamada “A Sentinela”. Charles Taze Russsel foi o primeiro líder do grupo de estudantes, o primeiro editor da revista “A Sentinela” e o fundador das Testemunhas de Jeová. Charles era filho de pais presbiterianos de ascendência escocesa-irlandesa. Ele foi instruído na fé cristã, mas tinha grandes preocupações com algumas doutrinas questionando doutrinas do inferno de fogo literal e da predestinação pessoal. Pensava que Deus não poderia ser sábio ou amoroso enviando pessoas para o inferno que ele predestinou de antemão. Posteriormente passa a ser influenciado pela Igreja Adventista até que fundou a revista sentinela e o grupo de estudos que deu origem às Testemunhas de Jeová.

Em sua confissão de fé, quanto a Jesus Cristo, as Testemunhas de Jeová afirmam:

“Seguimos os ensinos e o exemplo de Jesus Cristo. Nós o consideramos como nosso Salvador e o Filho de Deus. Por isso somos cristãos. Mas aprendemos na bíblia que Cristo não é o Deus Todo-Poderoso, ou seja, a Bíblia não apoia a doutrina da trindade”.[62] Em sua doutrina afirmam: “Tivesse Jesus sido a parte igual do Filho numa Divindade, teria sabido o que o Pai sabia. Mas Jesus não sabia, pois não era igual a Deus.” (Deve-se crer na Trindade, p. 19). Ainda: “Naturalmente, não seria assim se o Pai, o Filho e o Espírito Santo fossem co-iguais em só Deus.” (Raciocínios, p. 402).

Os Testemunhas de Jeová fizeram sua própria tradução das Escrituras (tradução Novo Mundo) dizendo ser essa a verdadeira tradução correta da bíblia, tendo porém mais de duas mil adulterações no texto sagrado.[63] Podemos citar como exemplo o texto de Tito 2.13, que a Tradução Novo Mundo traduz assim: “ao passo que aguardamos a feliz esperança e a gloriosa manifestação do grande Deus e [do] Salvador de nós, Cristo Jesus”. Eles incluem uma preposição que não existe no texto grego, como se Paulo estivesse falando do Pai e de Cristo. Entretanto, Paulo diz no texto grego: tou megalou Theou kai soteros hemon Iesou Christou, que em português literalmente significa: “do grande Deus e salvador nosso, Jesus Cristo”.

Desta forma, os Testemunhas de Jeová são uma seita ebionista que surgiu no século 19, e que perpetua até hoje, negando a divindade do Filho.

9) O Espiritismo e o Panteísmo

Segundo Allan Kardec, Jesus Cristo é o grande exemplo, o arquétipo da humanidade. Aquele que nos mostrou como louvar o Bem e o Belo.[64] Jesus é como um exemplo de seguidor da lei moral. Segundo Kardec, Jesus foi animado pelo espírito divino[65], ou seja, são ebionitas modernos. Jesus não pode ser o Deus criador e redentor, pelo contrário, ele é um dos espíritos mais exaltados e evoluídos. A diferença entre nós e Jesus não é de ordem qualitativa e sim quantitativa.[66] Ele é uma alma como nós, porém está mais desenvolvido espiritualmente do que nós. Já no espiritismo afro-brasileiro, Jesus é um dos orixás. Jesus é Oxalá, uma divindade ou espírito criado por Olorum e subordinado a ele.[67] Eles dizem que Jesus descobriu o sentido verdadeiro da vida adquirindo uma fé indestrutível no criador, Olorum. Desta maneira, também negam que Jesus é Deus igualmente ao Pai, mas que é uma criação deste

10) Atualmente nas Igrejas Evangélicas Brasileiras

Realizamos uma pesquisa  com sessenta cristãos evangélicos na cidade de São Paulo no primeiro semestre de 2016 com perguntas sobre quem é Jesus. Cristãos oriundos de igrejas presbiterianas, batistas, metodistas, congregacionais, assembleia de Deus, e outras igrejas tradicionais, pentecostais e neopentecostais. Os resultados nos trouxeram um pouco do pensamento evangélico brasileiro sobre a pessoa de Cristo.

Percebemos uma grande dificuldade entre os crentes quanto a sua fé na pessoa do Redentor e em definir suas duas naturezas de forma clara e sem heresias. Na pesquisa, podemos perceber que a grande maioria das pessoas defende o monarquianismo modalista, rejeitando a doutrina da Trindade, rejeitando ser Cristo uma pessoa distinta do Pai.

Também podemos perceber uma espécie de nestorianismo moderno (uma separação das naturezas a ponto de defenderem duas pessoas distintas em Cristo), quando negam ser Maria a mãe de Jesus como Deus.

É possível perceber que quando não há uma clara compreensão de Cristo como Deus, há uma ênfase exagerada em moralidade colocando Cristo mais como um exemplo de vida do que como Redentor. Dessa forma, aqueles que pensam assim procuram fazer boas obras para salvarem a si mesmos. O serviço deles visa sua própria redenção, ou seja, não compreendem isso como consequência da salvação, mas como causa dela. Dessa maneira vemos uma tendência para um ebionismo moderno (negação da divindade de Cristo e ênfase na moralidade). Por outro lado, quando não se tem uma compreensão de Cristo como homem pleno, como se fosse apenas aparente (docetismo), então não há uma busca por um padrão elevado de santidade, uma vez que pensam ser impossível ser imitadores de Jesus.

O problema que temos hoje é que quanto a uma das doutrinas mais essenciais da fé cristã, os crentes têm grandes dificuldades. É possível que conheçam muito sobre a cruz, morte e ressurreição, ou seja, a obra de Cristo, mas demonstram pouco conhecimento sobre a pessoa do Redentor.

Tanto a negação da plena humanidade quanto a negação da plena divindade de Cristo levam ao esvaziamento da fé cristã pois é necessário que ele seja Deus e homem para ser Redentor. Diante disso, no próximo capítulo passaremos a abordar biblicamente à luz da Confissão de Fé de Westminster a pessoa teantrópica (divina e humana) de Cristo.

[1] KELLY, J. N. D.; Patrística: origem e desenvolvimento das doutrinas centrais da fé cristã; São Paulo: Editora Vida Nova, 1994; p. 104.

[2] CAMPOS, Heber Carlos de; As duas naturezas do Redentor; São Paulo: Cultura Cristã, 2014; p. 140s.

[3] Modalismo era uma heresia que considerava que Deus se apresentava em três formas diferentes.

[4] OLSON, Roger; História da Teologia Cristã; São Paulo: Editora Vida Nova, 2001; p. 95ss.

[5] KELLY, J. N. D.; Patrística: origem e desenvolvimento das doutrinas centrais da fé cristã; São Paulo: Editora Vida Nova, 1994; p. 84.

[6] KELLY, J. N. D.; Patrística: origem e desenvolvimento das doutrinas centrais da fé cristã; São Paulo: Editora Vida Nova, 1994; p. 112

[7] BETTENSON, Henry; Documentos da Igreja Cristã; São Paulo: ASTE, 2001, p.71s

[8] KELLY, J. N. D.; Patrística: origem e desenvolvimento das doutrinas centrais da fé cristã; São Paulo: Editora Vida Nova, 1994; p. 86

[9] TILLICH, Paul; História do Pensamento Cristão; São Paulo: ASTE; 1988; p. 71

[10] KELLY, J. N. D.; Patrística: origem e desenvolvimento das doutrinas centrais da fé cristã; São Paulo: Editora Vida Nova, 1994; p. 86

[11] TILLICH, Paul; História do Pensamento Cristão; São Paulo: ASTE; 1988; p. 72

[12] CAMPOS, Heber Carlos de; As duas naturezas do Redentor; São Paulo: Cultura Cristã, 2014; p. 141s

[13] TILLICH, Paul; História do Pensamento Cristão; São Paulo: ASTE; 1988; p. 76

[14] CAMPOS, Heber Carlos de; As duas naturezas do Redentor; São Paulo: Cultura Cristã, 2014; p. 144

[15] OLSON, Roger; História da Teologia Cristã; São Paulo: Editora Vida Nova, 2001; p. 151ss

[16] BETTENSON, Henry; Documentos da Igreja Cristã; São Paulo: ASTE, 2001, p. 83s

[17] Ibid., p. 62

[18] MACGRATH; Alister E.; Teologia Histórica; São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2007, p. 46

[19] Ibid., p. 46

[20] KELLY, J. N. D.; Patrística: origem e desenvolvimento das doutrinas centrais da fé cristã; São Paulo: Editora Vida Nova, 1994; p. 104

[21] BETTENSON, Henry; Documentos da Igreja Cristã; São Paulo: ASTE, 2001, p. 77

[22] KELLY, J. N. D.; Patrística: origem e desenvolvimento das doutrinas centrais da fé cristã; São Paulo: Editora Vida Nova, 1994; p. 105

[23] BETTENSON, Henry; Documentos da Igreja Cristã; São Paulo: ASTE, 2001, p. 78

[24] Ibid., p. 78s

[25] CAMPOS, Heber Carlos de; As duas naturezas do Redentor; São Paulo: Cultura Cristã, 2014; p. 357s

[26] TILLICH, Paul; História do Pensamento Cristão; São Paulo: ASTE; 1988; p. 73.

[27] CAMPOS, Heber Carlos de; As duas naturezas do Redentor; São Paulo: Cultura Cristã, 2014; p. 359.

[28] Ibid.; p. 360s.

[29] TILLICH, Paul; História do Pensamento Cristão; São Paulo: ASTE; 1988; p. 87.

[30] Ibid.; p. 89.

[31] TILLICH, Paul; História do Pensamento Cristão; São Paulo: ASTE; 1988; p. 88

[32] Ibid.; p. 88

[33] BETTENSON, Henry; Documentos da Igreja Cristã; São Paulo: ASTE, 2001, p. 95

[34] CAMPOS, Heber Carlos de; A União das naturezas do redentor; São Paulo: Editora Cultura Cristã; 2004; p. 33

[35] OLSON, Roger; História da Teologia Cristã; São Paulo: Editora Vida Nova, 2001; p. 197

[36] CAMPOS, Heber Carlos de; A União das naturezas do redentor; São Paulo: Editora Cultura Cristã; 2004; p. 40s

[37] BETTENSON, Henry; Documentos da Igreja Cristã; São Paulo: ASTE, 2001, p. 96s

[38] BETTENSON, Henry; Documentos da Igreja Cristã; São Paulo: ASTE, 2001, p. 99

[39] FERREIRA, Franklin; MYATT, Alan; Teologia Sistemática; São Paulo: Vida Nova, 2007, p. 490.

[40] BETTENSON, Henry; Documentos da Igreja Cristã; São Paulo: ASTE, 2001, p. 101.

[41] Ibid., p. 101.

[42] BETTENSON, Henry; Documentos da Igreja Cristã; São Paulo: ASTE, 2001, p. 101.

[43] BERKOF, Louis; História das Doutrinas Cristãs; São Paulo: PES, 1992, p. 98.

[44] FERREIRA, Franklin; MYATT, Alan; Teologia Sistemática; São Paulo: Vida Nova, 2007, p. 491

[45] BERKOUWER, G. C.; A Pessoa de Cristo; São Paulo: ASTE, 2011, p. 68.

[46] FERREIRA, Franklin; MYATT, Alan; Teologia Sistemática; São Paulo: Vida Nova, 2007, p. 485

[47] ZAKA, Anees; COLEMAN, Diane; The Truth about Islam; Phillipsburg: P & R Publishing, 2004, p. 59-62.

[48] HORRELL, J. Scott; Apostila de teologia sistemática, São Paulo: FTBSP. 1990, p.56.

[49] Ibid., p. 56.

[50] FERREIRA, Franklin; MYATT, Alan; Teologia Sistemática; São Paulo: Vida Nova, 2007, p. 494

[51] BERKOUWER, G. C.; A Pessoa de Cristo; São Paulo: ASTE, 2011, p. 65.

[52] CALVINO, João; As institutas, São Paulo: Cultura Cristã, 2006, Livro II.13.4 e Livro IV.17.12,30.

[53] CAMPOS, Heber Carlos de; A União das naturezas do redentor; São Paulo: Editora Cultura Cristã; 2004; p. 277-287

[54] BERKOF, Louis; A História das Doutrinas Cristãs; São Paulo: PES, 1992, p. 105.

[55] BEEKE, Joel R.; FERGUSON, Sinclair B.; Harmonia das Confissões Reformadas; São Paulo: Cultura Cristã, 2006, p. 64.

[56] FERREIRA, Franklin; MYATT, Alan; Teologia Sistemática; São Paulo: Vida Nova, 2007, p. 497.

[57] BERKOF, Louis; A História das Doutrinas Cristãs; São Paulo: PES, 1992, p. 107.

[58] Ibid., p. 108.

[59] BERKOF, Louis; A História das Doutrinas Cristãs; São Paulo: PES, 1992, p. 108s.

[60] Ibid., p. 111.

[61] MCGRATH, Alister; Teologia sistemática, histórica e filosófica; São Paulo: Vida Nova, 2005, p. 423.

[62] Quais são as crenças principais das Testemunhas de Jeová; Disponível em: http://www.jw.org/pt/testemunhas-de-jeova/perguntas-frequentes/crencas-testemunhas-de-jeova, acesso em 21 de mar. 2017.

[63] SENA, Luciano; disponível em: <http://www.mcapologetico.blospot.com&gt;, acesso em 21 de mar. 2017.

[64] KARDEC, Allan; O livro dos espíritos; Araras: Ide – Inst. De Difusão Espírita, 2008, p.468.

[65] Ibid. p.308.

[66] FERREIRA, Franklin; MYATT, Alan; Teologia Sistemática; São Paulo: Vida Nova, 2007, p. 484.

[67] Estudo da Umbanda: Olorum, Deus, O criador; disponível em : <http://estudodaumbanda.wordpress.com/2008/03/2-%E2%80%93-olorum-deus-o-criador/amp/&gt;, acesso em 9 de maio de 2017.

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