A União das Naturezas de Cristo

A Unipersonalidade de Jesus

A união das naturezas de Cristo, chamada também de união hipostática, ou unio personalis, segundo Muller é:

(…) a aquisição da natureza humana pela pessoa eterna e preexistente do Filho de Deus de tal forma que atrai a natureza humana em unidade com a pessoa divina sem divisão ou separação de naturezas, mas também sem mudança ou confusão de naturezas; todavia de tal forma que os atributos de ambas as naturezas pertençam à pessoa divino-humana e contribuam conjuntamente para a obra de salvação.[1]

Jesus Cristo, que é Deus desde a eternidade, ao encarnar, torna-se também humano, unindo as duas naturezas em uma única pessoa, tornando-se uma pessoa divina e humana ao mesmo tempo, sendo verdadeiro Deus e verdadeiro homem.

Quando falamos de duas naturezas em uma única pessoa, é importante ressaltar a diferença entre natureza e pessoa. Natureza tem a ver com aquilo que é essencial. No caso de Cristo, ao dizer que tem uma natureza divina, estamos enfatizando que possui as características essenciais da divindade como onisciência, onipotência, onipresença, eternidade, imutabilidade, etc. No que diz respeito à natureza humana, estamos nos referindo às propriedades físicas, racionais, morais e espirituais.[2] Desta forma, Cristo tem em sua pessoa, duas naturezas que possuem todas as propriedades necessárias para ser plenamente homem, e plenamente Deus. Campos afirma que uma “pessoa” é uma individualidade autoconsciente.[3] Cristo é uma individualidade autoconsciente, dotado de sentimento, vontade, pensamento e consciência, porém com atributos divinos e humanos, totalmente separados, sem que um modifique o outro. Quanto a pessoa, entendemos que é uma individualidade autoconsciente com uma subsistência independente. Uma pessoa não é apenas algo que existe, mas que também é auto-consciente, ou seja, que reflete sobre si mesma. Dessa forma Cristo não tem duas personalidades, mas apenas uma que possui duas naturezas distintas: divina e humana. Por causa do desejo divino de salvar pessoas como nós, era necessário enviar um ser divino e humano. É importante compreendermos que natureza é um conjunto de propriedades que caracterizam uma substância. A natureza fala dos atributos que caracterizam a Cristo. Para ser homem é necessário que ele tenha todas as propriedades que um homem tem para ser homem. Ou seja, Cristo não precisava ter pecado para ser essencialmente homem, pois o pecado não é inerente ao ser humano. Era necessário que fosse imagem e semelhança de Deus em carne.

Em Romanos 1.3,4 vemos Paulo se referindo a Cristo como carne (humano) e filho de Deus (divino). Em Gálatas 4.4, Paulo afirma que Cristo nasceu (humano) e já era (divino). Em Romanos 9.5 temos novamente a afirmação que ele descende segundo a carne (humano), mas que é Deus bendito para todo sempre (divino).

1) Fundamento Bíblico para a Unipersonalidade de Jesus

No Antigo Testamento

O profeta Isaías fala a respeito do Messias que viria como alguém que teria duas naturezas: “portanto, o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que a virgem conceberá e dará a luz um filho e lhe chamará Emanuel”. (Is 7.14). O nome dele significa “Deus conosco”, pois ele seria Deus entre os homens, além de ser nascido de uma mulher virgem. Na sequência, acerca do mesmo menino Isaías diz:

Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. (Is 9.6). (Grifo nosso).

Novamente vemos uma única pessoa com duas naturezas distintas. Ele é nascido de uma mulher, no tempo, portanto possui uma natureza humana. Mas ao mesmo tempo ele é eterno e também chamado de Deus Forte, tendo também uma natureza divina.

O profeta Jeremias também fala sobre o Messias como alguém que possui duas naturezas:

Eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que levantarei a Davi um Renovo justo; e, rei que é, reinará, e agirá sabiamente, e executará juízo e justiça na terra. Nos seus dias, Judá será salvo, e Israel habitará seguro; será este seu nome, com que será chamado: SENHOR, Justiça Nossa. (Jr 23.5,6).

O nome pelo qual o Messias será chamado é SENHOR, Justiça Nossa. Apontando para Cristo o nome de Deus, Yahweh, mostrando sua divindade, e ao mesmo tempo, será levantado de Davi, sendo sua descendência, e portanto, tendo uma natureza humana.

No Novo Testamento

Quando os apóstolos mencionavam a Jesus Cristo, o faziam como uma personalidade única e não dividida, contendo duas naturezas. Paulo em Romanos 1.3-4 diz: “acerca de seu Filho, que, como homem era descendente de Davi, e que mediante o Espírito de santidade foi declarado Filho de Deus com poder, pela sua ressurreição dentre os mortos: Jesus Cristo, nosso Senhor”. Ele é homem e Deus ao mesmo tempo, sendo uma única pessoa.

Em Filipenses 2.6-11, que já vimos anteriormente, a palavra “forma” (morphé) que indica a ideia de uma essência interna,[4] é utilizada tanto para Cristo ter a forma de Deus, e que assumiu também a forma de servo, em semelhança de homens. Ou seja, Paulo nos indica que Cristo era uma única pessoa que tinha duas naturezas: divina e humana. Maia afirma que aqui não há nenhum docetismo. Jesus Cristo não é um ser celestial com mera aparência humana, antes é verdadeira e plenamente humano, porém, sem pecado.[5]

Em alguns textos bíblicos podemos ver atributos divinos sendo associados com a natureza humana de Jesus e vice-versa:

  • Pedro, discursando no templo, diz que os judeus mataram (humanidade) o Autor da Vida (divindade): “Dessarte, matastes o Autor da Vida, a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, do que nós somos testemunhas”. (At 3.15).
  • Mateus afirma que o filho que nascerá de Maria (humanidade) se chamará Jesus pois salvará o seu povo dos seus pecados (divindade): “Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles”. (Mt 1.21).
  • Lucas refere-se a Jesus como um filho que nascerá de Maria (humanidade) porém que seria chamado de Filho do Altíssimo (divindade): “Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás pelo nome de Jesus. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai; ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim”. (Lc 1.31-33).
  • Paulo refere-se a Cristo, como descendente dos patriarcas segundo a carne (humanidade), e como Deus bendito (divindade): “Deles são os patriarcas, e também deles descende o Cristo, segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito para todo o sempre. Amém!” (Rm 9.5).
  • Paulo, em 1Coríntios, afirma que os homens crucificaram (humanidade) o Senhor da glória (divindade): “Sabedoria essa que nenhum dos poderosos deste século conheceu; porque, se a tivessem conhecido, jamais teriam crucificado o Senhor da glória”. (1Co 2.8).
  • Paulo, em Colossenses, diz que em Cristo habita corporalmente (humanidade) toda plenitude da divindade: “Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo; porquanto nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da divindade”. (Cl 2.8-9).

Vemos em Jesus Cristo, sua humanidade e divindade concomitantemente:

  • Em seu primeiro milagre, o mesmo Jesus que participa socialmente de um casamento em Caná, é aquele que transforma água em vinho ao ser informado que o vinho acabara. (Jo 2.1-11).
  • O mesmo Jesus que depois de um dia de curas, ensinamentos e caminhadas, adormece profundamente no barco, mesmo em meio à uma tempestade, é aquele que dirige a sua voz como Senhor da criação aos ventos e ao mar dizendo: “Aquieta-te”. (Mc 4.35-41).
  • O mesmo Jesus que tem sede depois de uma longa viagem à beira do poço em Sicar, é aquele que conhece o passado da mulher samaritana. (Jo 4.1-18).
  • O mesmo Jesus que chora ao ver o sofrimento de Maria pela morte de Lázaro, é aquele que depois de quatro dias[6] ressuscita Lázaro. (Jo 11.1-46).

 

2) Fundamento Confessional para a Unipersonalidade de Jesus

Os quatro Concílios Ecumênicos foram importantes para o entendimento da humanidade, divindade e unipersonalidade do Senhor Jesus. Stott resume desta forma:

Assim, o Concílio de Nicéia (325) garantiu a verdade de que Jesus é verdadeiro Deus, enquanto o Concílio de Constantinopla (381) garantiu que Jesus é verdadeiro homem. Em seguida, o Concílio de Éfeso (431) garantiu, que apesar de ser Deus e homem, Jesus é uma só pessoa, enquanto o Concílio de Calcedônia (451) garantiu que, apesar de uma única pessoa, ele tinha duas naturezas, divina e humana.[7]

Calvino seguiu de perto a fórmula de Calcedônia:

Quando se diz que o Verbo foi feito carne (Jo 1.14), não se deve entender que ou tivesse se convertido em carne ou tivesse sido confusamente misturado à carne, mas, tendo tomado para si, desde o ventre da Virgem, um templo no qual habitaria, de modo que aquele que era Filho de Deus, foi feito Filho do Homem; não por uma confusão de substância, mas pela unidade da pessoa. Assim asseverarmos que de tal maneira está unida a divindade com a humanidade, que cada uma retém integralmente suas propriedades, e, sem dúvida, ambas constituem Cristo.[8]

Temos na Confissão de Fé de Westminster a fórmula final para a unipersonalidade de Cristo:

O Filho de Deus, a segunda Pessoa da Trindade, sendo verdadeiro e eterno Deus, da mesma substância do Pai e igual a Ele, quando chegou o cumprimento do tempo, tomou sobre si a natureza humana com todas as suas propriedades essenciais e enfermidades comuns, contudo, sem pecado, sendo concebido pelo poder do Espírito Santo no ventre da Virgem Maria, e da substância dela. As duas naturezas, inteiras, perfeitas e distintas – a Divindade e a Humanidade – foram inseparavelmente unidas em uma só pessoa, sem conversão, composição ou confusão; essa pessoa é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, porém um só Cristo, o único Mediador entre Deus e o homem.[9]

Desta forma a Confissão de Fé de Westminster ensina que Cristo é da mesma substância do Pai e igual a ele. Afirma assim a plena natureza divina de Jesus. Ele é verdadeiro Deus.

Além disso, ele assumiu a natureza humana com todas as propriedades essenciais e da mesma substância de Maria. Afirmando assim a plena natureza humana de Jesus. Ele é verdadeiro homem.

Por fim, a CFW ensina a Unipersonalidade de Cristo. É uma união sem confusão, sem mistura e sem transferência de atributos de uma natureza para a outra. É uma união sem mudança, ele continua sendo totalmente Deus e totalmente homem sem mudança alguma em sua pessoa. É uma união sem divisão, sem separação. Agora, como Deus-homem, Jesus nunca mais será apenas Deus, mas para sempre o Filho de Deus encarnado.[10]

O Breve Catecismo de Westminster aborda sobre este tema na pergunta 21: Quem é o Redentor dos eleitos de Deus?:

O único Redentor dos eleitos de Deus é o Senhor Jesus Cristo, que sendo o eterno Filho de Deus, se fez homem, e assim foi e continua a ser Deus e homem em duas naturezas distintas, e uma só pessoa, para sempre.[11]

3) Características da Unipersonalidade de Jesus

É uma união temporal

A unipersonalidade de Cristo ocorre no tempo. Quando Cristo é concebido no ventre de Maria, acontece a união das naturezas de Jesus. Portanto, a unipersonalidade não é eterna, mas sim temporal.[12] A segunda pessoa da Trindade é eterna e estava fora do tempo, pois este é uma criação de Deus e Cristo, como segunda pessoa da trindade criou o tempo, estando acima dele. Porém a pessoa divina e humana de Cristo não é eterna, mas tem um começo na história dos homens, sendo nascido de Maria e gerado pelo Espírito Santo. Apesar, de ser uma união temporal, tal união não é temporária.

É uma união perene

A unipersonalidade do Senhor Jesus, apesar de não ser eterna, é perene, permanece para todo o sempre.[13] Como já vimos, o Breve Catecismo afirma isso na pergunta 21: “(…) sendo o eterno Filho de Deus, se fez homem, e assim foi e continua a ser Deus e homem em duas naturezas distintas, e uma só pessoa, para sempre”. (Grifo nosso).

Nas Escrituras podemos comprovar isso em Atos 17.31 que diz:

porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de um homem que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos.

Lucas afirma, que Jesus Cristo é o homem designado por Deus para julgar o mundo no Dia do Senhor. Ou seja, Cristo permanece como homem ainda hoje, não deixando sua natureza humana quando ressuscitou e ascendeu ao Pai.

Em Romanos 9.5, Paulo afirma:

deles são os patriarcas, e também deles descende o Cristo, segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito para todo o sempre. Amém!

Ou seja, Jesus Cristo, é o homem que descende dos Patriarcas (Abraão, Isaque e Jacó) segundo a carne e que é Deus Bendito para todo o sempre. Neste caso, Paulo está afirmando que Cristo não deixará de ser homem, sendo para sempre Deus e para sempre homem. O mesmo afirma o autor aos Hebreus no capítulo 13.8: “Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e o será para sempre”.

Por fim, o apóstolo João afirma em 1Jo 3.2:

Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é.

João afirma que na sua volta, Jesus Cristo se manifestará e seremos como ele é em sua humanidade. Portanto, Cristo continua homem e será homem para todo sempre, e na nova criação nossa humanidade será exatamente como a dele.

É uma união que não provoca mudanças na Trindade

A unipersonalidade do Senhor Jesus não mudou a Trindade santa. Antes era: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. Após a encarnação, Campos afirma que a Trindade fica constituída como: Deus Pai, Deus Filho encarnado, Deus Espírito Santo.[14] Deus não muda, pois não foi acrescido de uma outra pessoa, antes, apenas a natureza humana é acrescida à segunda pessoa da Trindade. O Verbo ao tornar-se carne, não perde seu papel na trindade, tampouco tem seu papel mudado. A pessoa divina assume a natureza humana sem perder sua divindade.

É uma união que preserva intactas as duas naturezas

Cristo ao assumir a natureza humana não perde nenhum atributo divino, e sua humanidade também não é mudada pela natureza divina. Sendo Deus, ele não tem limites. Sendo homem, ele é limitado. Porque o Redentor tem uma natureza divina, ele é infinito, eterno e imutável. Porque Jesus tem uma natureza humana, ele é finito, temporal e mutável. Contudo, a natureza divina de Cristo não deixa de ter seus atributos porque ele assume atributos humanos.

Campos afirma que, segundo a sua natureza humana, Jesus está no céu neste momento e, segundo sua natureza divina, ele está em toda a parte, pois é onipresente.[15]

Apesar de não haver alterações, há efeitos da divindade sobre a natureza humana. Sendo Deus, Cristo, como homem, não recebe a imputação do pecado original em seu nascimento, nascendo sem pecado. Como resultado da união das naturezas, o Deus-homem tanto é adorado (Mt 2.11, 14.33, 28.9) como adora (Jo 17.4). Tanto é crido (Jo 9.38), como crê (Hb 2.13). Tanto é objeto da oração (Mt 8.2, 20.30; Mc 1.40, 5.22), como é o sujeito da oração (Lc 9.18, 11.1). Agora, o homem pode adorar outro homem, Jesus Cristo, podendo confiar nele e prestar-lhe obediência.

Quanto à sua natureza divina, não há efeitos por ter assumido uma natureza humana. Alguns fazem uma exegese de Filipenses 2.7, quanto ao esvaziar-se, dizendo que Cristo perdeu alguns de seus atributos. Sabemos que não é verdade, como vimos anteriormente, pois ele apenas abriu mão de sua glória, esvaziando-se se sua autoridade, submetendo-se à lei. Cristo, em sua encarnação, pode deixar de usar algum dos seus atributos divinos, porém sem perde-los.

É uma união que aproxima Cristo de nós

A encarnação foi uma condescendência. Quando Cristo se fez homem, ele se colocou debaixo de limitações, abaixando-se para estar à nossa altura, falando nossa linguagem. Cristo, para todo o sempre tem a nossa natureza. Campos afirma sobre a união das naturezas de Cristo:

Por causa dessa união, ele fez uma obra e se uniu inseparavelmente a nós. Somente ele pode ser chamado de nosso “irmão mais velho”; só ele pode ser o cabeça do corpo do qual todos somos membros; só ele é o Mediador entre nós e Deus.[16]

4) Distinções na Unipersonalidade de Jesus

Cristo, sendo uma pessoa com duas naturezas, possui volição, intelecto e sentimentos próprios. Cada uma de suas naturezas possui atributos próprios que fazem que Jesus Cristo tenha pensamentos, sentimentos e vontades humanas e divinas. Conforme escreve Berkof:

Pode-se dizer que a pessoa é todo-poderosa, onisciente, onipresente, e assim por diante, mas também se pode dizer que é um varão de dores, de conhecimento e poder limitados, e sujeito às necessidades e misérias humanas. Devemos ter o cuidado de não entender a expressão no sentido de que alguma coisa peculiar à natureza divina foi comunicada ou transmitida à natureza humana, e vice-versa.[17]

Pensamentos como Deus e como Homem

Jesus Cristo pensava como Deus. Uma vez é que da mesma substância do Pai, ambos concordavam em todos os pensamentos. Sendo a segunda pessoa da Trindade, Jesus Cristo tem uma mente infinita. Entretanto, ao mesmo tempo, Jesus pensa como homem e tem uma mente limitada. A Bíblia diz que Jesus cresceu em conhecimento e graça diante de Deus e dos homens (Lc 2.52). Em Hebreus 5.8, que diz que o Cristo “aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu”, mesmo sendo Deus, em cuja essência onisciente não há espaço para conscientização de ordem alguma. Entretanto, Jesus tinha uma mente sem pecado e perfeita.

Sentimentos como Deus e como Homem

Jesus Cristo sentia como Deus. O mesmo amor que o Pai tem pelos eleitos (Jo 3.16), é o amor que Cristo tem pelos seus. A mesma ira que Deus tem contra o pecado, é a mesma ira que Jesus tem contra o mal. Entretanto, ao mesmo tempo, Jesus tem sentimentos humanos. Ele chora, sente angústia e se entristece. Nenhum desses sentimentos podem ser atribuídos a Deus.

Vontades como Deus e como Homem

Jesus Cristo tinha vontades como Deus. Quando Cristo acalma uma tempestade, ele não pede ao Pai, antes, sua vontade é a mesma do Pai, e a tempestade se acalma. O mesmo acontece quando a água se transforma em vinho e quando multiplica pães e peixes ou quando ressuscita Lázaro, o filho da viúva de Naim e a filha de Jairo. Entretanto, Jesus também tem uma vontade humana. Em Mateus 4.2 vemos que Cristo teve fome, e portanto teve vontade de comer, mesmo tendo uma natureza divina que não é suscetível às vontade do universo da criação. Em Mateus 26.39, no Getsêmani Jesus ora: “Meu Pai, se possível, passe de mim esse cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres”. Jesus Cristo, sendo homem, tem o desejo de autopreservação, de fugir da morte e da dor. Aqui vemos claramente uma vontade humana de Cristo, mas ao mesmo tempo sua submissão total ao Pai.

[1] MULLER; apud; CAMPOS, Héber Carlos de; A União das Naturezas do Redentor; São Paulo: Cultura Cristã, 2005, p. 86s.

[2] CAMPOS, Héber Carlos de; A União das Naturezas do Redentor; São Paulo: Cultura Cristã, 2005, p. 88.

[3] Ibid., p. 89.

[4] COSTA, Hermisten Maia Pereira da; Fé em Jesus Cristo: Verdadeiro Deus e Verdadeiro Homem; Goiânia: Editora Cruz, 2015, p. 51.

[5] Ibid., p. 52.

[6] Na crença judaica popular da época, quando uma pessoa morria, em até três dias um profeta poderia ser usado por Deus para ressuscitá-la. Porém, depois de quatro dias, não havia mais possibilidade de ressurreição, e se houvesse, só Deus poderia fazê-lo.

[7] STOTT, John; O Incomparável Cristo; São Paulo: ABU, 2006, p.83.

[8] CALVINO, João; A Instituição da Religião Cristã, Tomo I, Livros I e II; São Paulo: Editora Unesp, 2007, p. 458.

[9] Assembléia de Westminster; Confissão de Fé de Westminster; São Paulo: Cultura Cristã, 2008, p. 76.

[10] CAMPOS, Héber Carlos de; A União das Naturezas do Redentor; São Paulo: Cultura Cristã, 2005, p. 104s.

[11] Assembléia de Westminster; Breve Catecismo de Westminster; São Paulo: Cultura Cristã, 2009, p. 26.

[12] CAMPOS, Héber Carlos de; A União das Naturezas do Redentor; São Paulo: Cultura Cristã, 2005, p. 111s.

[13] CAMPOS, Héber Carlos de; A União das Naturezas do Redentor; São Paulo: Cultura Cristã, 2005, p. 112.

[14] Ibid., p. 113.

[15] Ibid., p. 114.

[16] Ibid., p. 114.

[17] BERKOF, Louis; Teologia Sistemática; São Paulo: Cultura Cristã, 2009, p. 297.

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