Bem-aventurados os pacificadores

“Bem-Aventurados os pacificadores porque serão chamados filhos de Deus”. Mateus 5.9

Introdução:

Precisamos nos lembrar de algumas verdades:

Todas as bem-aventuranças apresentam o caráter do cristão. Esse caráter não pode ser desenvolvido nem adquirido naturalmente. Não podemos adquirir essas qualidades a não ser pelo Espírito Santo.

Todas as bem-aventuranças são para todos os cristãos. Não podemos escolher uma em detrimento da outra.

As bem-aventuranças estão intimamente ligadas, conectadas. Uma leva à outra.

“Bem-aventurados os humildes de espírito

Bem-aventurados os que choram

Bem-aventurados os mansos

Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça

Bem-aventurados os misericordiosos

Bem-aventurados os limpos de coração

Bem-aventurados os pacificadores”.

O Dr. Martin Lloyd-Jones propõe um paralelismo entre duas metades das bem-aventuranças.

A primeira parte em relação a Deus, e a segunda parte em relação ao próximo.

A primeira bem-aventurança: Humildade de Espírito, reconhecimento da minha miséria espiritual, está em paralelo com a quinta bem-aventurança: misericordiosos. Porque Deus teve compaixão da minha miséria, eu tenho coração para com a miséria dos outros.

A segunda bem-aventurança: os que choram, um choro de arrependimento, está em paralelo com a sexta bem-aventurança: os limpos de coração. Uma vez que me arrependo dos meus pecados, sou perdoado, purificado, limpo desse pecado, recebendo um novo coração.

A terceira bem-aventurança: os mansos, aqueles que são dominados por Deus, aqueles que não buscam vingança, aqueles que têm certeza que não merecem, e portanto não exigem nada, antes são gratos por tudo. (Ex. Cachorro). Mansidão não é fraqueza, é força sob controle. Uma consequência dessa mansidão que temos, sendo dominados por Deus, isso nos levará a ser pacificadores.

Jesus Cristo fala do reino dos céus e dos valores dos cidadãos desse reino aqui. Os judeus não esperavam um messias assim. Eles esperavam uma paz política. Jesus Cristo veio, em um primeiro momento, para trazer outro tipo de paz.

Vivemos dias em que não há paz. As pessoas estão em busca de paz. Há paz verde (greenpeace). Vegetarianos querem paz para os animais. As pessoas levantam bandeiras brancas, se vestem de branco sempre mostrando que desejam por paz. Mas que paz estão buscando? Por que a ONU não consegue promover a paz? Por que há tantas guerras? Por que irmão mata irmão? Como podemos ser fazedores de paz?

Bem-aventurados os pacificadores porque serão chamados filhos de Deus é uma bem-aventurança extremamente apropriada para nossos dias, bem como foi em toda história da igreja.

  • Por que o mundo precisa de paz?

A queda trouxe morte. A comunhão com Deus foi perdida e agora há guerras, divisões, conflitos de interesses, busca por ser o mais forte, mais poderoso.

O homem precisa de paz porque não a tem. A paz é consequência da obediência a Deus. O homem não obedece a Deus e portanto não tem paz. Contudo o homem sabe, em seu coração religioso, que ele precisa de paz. A paz tem sido buscada por todos os lados.

Remédios são criados para simular paz no coração. Tranquilizantes que matam aos poucos, viciam, mas não podem produzir paz.

Grades, seguranças armados, muito dinheiro são buscados como forma de produzir paz, contudo não podem gerar paz.

Os países mais ricos do mundo são os que tem maior índice de suicídio.

EVANGELIZAÇÃO: MISSÃO DA IGREJA, NECESSIDADE DO MUNDO: Ser pacificadores é uma missão para a igreja. E o mundo precisa de pacificadores.

  • O que não é ser pacificador

Não se trata de uma disposição natural. Não se trata de algo a ser desenvolvido.

Promover a paz não se trata de criar mecanismos que possam limitar, regular ou mesmo acabar com a violência buscando produzir paz. Essa paz não se trata de ausência de conflitos.

Não se trata de ser alguém complacente ou ser alguém que busca a paz a qualquer preço, como alguém que quer evitar todo tipo de conflito. Pessoas assim não podem ser pacificadoras pois são destituídas de um senso de justiça e retidão.

A paz não é promovida apenas evitando o conflito armado.

  • Quem pode ser um pacificador

Somente alguém limpo de coração pode ser um pacificador. Alguém que foi purificado, que busca viver os valores morais de Deus. Alguém que ama a Deus acima de todas as coisas. Alguém que chora por seus pecados e por pecados de outros. Alguém que é dominado por Deus. Alguém que é misericordioso. Alguém que é humilde.

A paz está em escassez porque não há paz nos corações dos homens. Essa paz que não existe dentro, é transformada em guerra fora.

Somente um homem que tem paz em seu coração pode promovê-la a outros.

Ele tem paz com Deus. Ele foi reconciliado por meio de Cristo Jesus. Ele não mais está se escondendo de Deus. Ele tem a paz que excede todo entendimento e que não depende de circunstâncias.

Horatio Spafford: Hino 108 (HNC): Aflição e paz.

Horatio Gates Spafford foi um presbiteriano convertido a Cristo através do evangelista Moody (séc 19).

Horatio se tornou um advogado prospero na cidade de Chicago, mesmo depois de seu sucesso financeiro, continuou mantendo um relacionamento estreito com Moody e com um profundo interesse pelas campanhas de evangelização. Tinha apurado gosto pela musica e era devotado ao estudo das Escrituras.

Meses antes do grande incêndio que atingiu a cidade de Chicago, em 1871, Horatio tinha feito pesados investimentos financeiros em uma área que foi totalmente destruída pelo fogo. Não bastasse esse terrível abalo financeiro, Spasfford passou por uma dolorosa perda de um filho. Esta morte trouxe grande sofrimento para toda a família.

O piedoso advogado, procurando um tempo de refrigério e descanso, resolveu viajar com a esposa e as 4 filhas para a Europa, onde se encontraria com Moody e Sankey em uma cruzada evangelística na Inglaterra, em 1873.

Em novembro daquele ano, devido a inesperados compromissos de negócios, Spafford precisou permanecer em Chicago; mas ele enviou sua esposa e as suas 4 filhas conforme já estava programado no navio S.S. Ville du Havre.

Sua expectativa era seguir viagem dias depois. No dia 22 de novembro de 1873, o navio sofreu um acidente e naufragou em 12 minutos. Dias depois, os sobreviventes finalmente chegaram em Cardiff, no Pais de Galles, e a senhora Spafford mandou um telegrama ao seu marido: “SALVA, PORÉM SÓ”. Ele perdeu as 4 filhas de uma vez só.

Com toda essa angústia Horatio escreveu uma linda música buscando trazer a memória o que podia dar esperança a ele. A alegria eterna que ninguém e nada pode roubar foi expressa por ele na música que escreveu:

“SE PAZ A MAIS DOCE ME DERES GOZAR, SE DOR A MAIS FORTE SOFRER

OH! SEJA O QUE FOR TU ME FAZES SABER QUE FELIZ COM JESUS SEMPRE SOU

REFRÃO: SOU FELIZ COM JESUS SOU FELIZ COM JESUS, MEU SENHOR

EMBORA ME ASSALTE O CRUEL SATANÁS E ATAQUE COM VIS TENTAÇÕES;

OH! CERTO EU ESTOU, APESAR DE AFLIÇÕES, QUE FELIZ EU SEREI COM JESUS!

A VINDA EU ANSEIO DO MEU SALVADOR EM BREVE VIRÁ ME LEVAR

AO CÉU ONDE VOU PARA SEMPRE MORAR COM OS REMIDOS NA LUZ DO SENHOR”.

Esse homem, mesmo em face das piores circunstâncias, tinha paz em seu coração, e levou e leva paz a outros.

Paulo, mesmo na prisão, era um pacificador.

Um pacificador não quer sua glória e exaltação. Ele desaparece para que Cristo cresça. Por quê?

  • Quem pode dar paz aos homens?

Cristo é a nossa paz. Colossenses 1.20: “havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus”.

Os homens estão em guerra consigo mesmos, com o próximo e com Deus. O problema não é externo, mas dentro deles. Quem pode purificar seus corações? Quem pode transforma-los? Somente Jesus Cristo. Jesus Cristo é quem veio para representar homens diante de Deus a fim de que pudessem ter paz com Deus, paz com o próximo e paz dentro de si mesmos. Cristo reconcilia por meio do seu sacrifício vicário todas as coisas. Ele é o criador de todas as coisas, e ele é o redentor de todas as coisas.

Pacificadores no grego é eirenepoiói. Literalmente significa fazedores de paz, a junção do verbo poiéo (fazer) com a palavra eirene (paz). A palavra eirene é a tradução para o grego de Shalom em hebraico. Essa paz não se trata meramente de um sentimento. É um estado de bênção e prosperidade. A Shalom de Deus ocorre somente quando há um povo em obediência, vivendo em plena comunhão com Deus. Não se trata de ter coisas, mas de ter a presença de Deus no meio do seu povo, o sustentando, o abençoando.

Com a queda ninguém poderia ter a shalom. Cristo veio para trazer a shalom para os homens. Assim louvavam a Deus milhares de anjos no dia em que Cristo nasceu: “Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem” Lucas 2.14.

Fazedores de paz na verdade não produzem a paz, apenas a levam a outros. Como? Por meio de Cristo Jesus. Paz para as nações? Cristo. Missionários precisam ser enviados para dizer que não precisamos de guerras. Paz entre os indígenas? Cristo. Cristãos dizendo que não precisam temer os espíritos maus da floresta.

Aplicação:

Paz entre nós

  • Devemos, como pacificadores, a nos calar quando é preciso. Nem tudo que falamos é necessário. Quando aprendemos a não falar o que não devemos, teremos muito menos discórdia por onde passarmos. A língua é um pequeno órgão que pode destruir o mundo. Controle sua boca. Aprenda a ouvir mais e falar menos. “Seja pronto para ouvir e tardio para falar” Tiago 1.19.
  • Devemos encarar todas as situações à luz da Palavra de Deus. Podemos ouvir que alguém pecou. Isso me diz respeito? Ouvir isso mudará ou acrescentará alguma coisa? Ouvir uma crítica sobre outra pessoa é lícito? Como devo agir biblicamente? O erro do meu irmão não me dá liberdade para errar também.
  • Devemos sempre estar abertos e positivos em relação ao nosso próximo para estabelecer a paz. Não são sete vezes, são setenta vezes sete.
  • A paz de Deus não é paz a qualquer preço. Ele fez a paz conosco a um preço imenso, o preço do sangue que era a vida do seu Filho unigênito. Nós também, embora em escala menor, vamos descobrir que fazer a paz é um empreendimento custoso.
  • Ou, então, podemos não estar pessoalmente envolvidos numa disputa, porém lutando pela reconciliação de duas pessoas ou dois grupos que estão separados, em divergência. Neste caso, será o sofrimento de ouvir, de despir-se de preconceitos, de tentar entender com simpatia os dois pontos de vista oponentes, de arriscar- se a ser mal interpretado, de receber ingratidão, ou de até fracassar.

Paz no mundo

  • Devemos ser proclamadores do Evangelho da paz. Cristo é a nossa paz. Ser pacificador é levar Cristo ao mundo.
  • Não devemos ser idólatras. Qualquer coisa que seja apontada como substituto daquele que é a nossa paz é o ídolo. O comunismo, o capitalismo, um partido político, uma política social, uma organização internacional, um estilo de vida, etc. Não podemos produzir paz de nenhuma forma a não ser por Cristo. Nossa suficiência vem dele. Unicamente dele. Apontamos para ele. Ele basta. Porque ele é quem pode redimir todas as coisas. Isso não significa estagnação, mas uma vida centrada nele. O evangelho na prática. Imitando-o e diminuindo para que ele cresça.
  • Quando vivermos dessa maneira, seremos chamados de filhos de Deus.. Temos esse direito por causa do que Cristo fez. E quando temos a paz, por meio de Cristo, e quando levamos essa paz a outros, mostramos que pertencemos a Deus, e nos tornamos mais parecidos com Jesus. As pessoas olharão para nós e verão Cristo em nós. Você talvez seja a única pregação que muitos verão.

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