Mateus 6.10: Seja Feita a Tua Vontade assim na terra como no céu

SEJA FEITA A TUA VONTADE

Mateus 6.10: faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu.

Não devemos exercer a nossa justiça com o fim de ser vistos pelos homens. Cuidado com a motivação mesmo nas coisas espirituais. Cuidado com a motivação ao dar esmolas, ao orar e ao jejuar.

Qual nossa motivação ao orar? Mudar a vontade de Deus? Que Deus faça o que nós queremos?

Temos uma sequência lógica. O resultado da vinda do Reino de Deus será o cumprimento da sua vontade.

No céu, sempre se cumpre de modo perfeito a vontade de Deus. Da mesma maneira, aqui na terra, o desejo dos crentes é de cumprir a vontade do Senhor.

 

1) Nossa Vontade X Vontade de Deus

O coração humano, que é o centro do homem na antropologia bíblia, é o centro da VONTADE, EMOÇÕES E PENSAMENTOS.

Por causa do pecado de Adão, o nosso coração e mente foram corrompidos e nossa tendência natural é de desejar aquilo que é contrário à vontade de Deus. Queremos receber louvor em vez de dar louvor a Deus, queremos ter coisas em vez de dar e dispô-las a serviço de Deus, queremos que as pessoas e Deus se submetam à nossa vontade. Queremos que a nossa vontade seja feita nos céus e na terra!

Quando oramos com essa súplica em mente, entramos num conflito entre a nossa velha e corrompida natureza, com suas vontades e caprichos, de um lado, e a vontade boa, perfeita e agradável de Deus, de outro. A oração é o longo caminho que nos leva a submeter a nossa vontade à de Deus.

Santo Agostinho dizia que “Deus é como o médico: não atende aos desejos do doente; atende apenas às exigências da saúde”.
Quando oramos, estamos dizendo, que nossa VONTADE não é importante, nossas EMOÇÕES não são importantes, nossos PENSAMENTOS não são importantes. Todos eles devem ser submissos à VONTADE DE DEUS.

O que é a Vontade de Deus?

 

2) A Vontade de Deus 

  1. VONTADE DECRETIVA E VONTADE PRECEPTIVA

A.1) Vontade Decretiva 

A vontade decretiva é aquela por meio da qual Deus ordena ou decreta tudo aquilo que decide que tem de acontecer, seja por meio da sua agência direta, ou através da agência irrestrita das suas criaturas racionais. Nessa vontade Deus não permite ser resistido. Para executar essa sua vontade ele não consulta a opinião dos homens. Os homens não têm participação nessas suas decisões.

A.2) Vontade Preceptiva

A vontade preceptiva (que diz respeito aos preceitos) é a vontade que Deus prescreve para nós. É a regra de vida que Deus aponta para suas criaturas morais trilharem, indicando os deveres que elas têm que cumprir, ou que ele impõe sobre elas. Essa vontade está revelada nas Escrituras. É a norma de conduta estabelecida por Deus para todas as suas criaturas morais, sejam elas crentes ou não.

Esta vontade preceptiva nem sempre é feita. Nem tudo o que Deus requer de nós como norma de vida é obedecido.

VONTADE PERMISSIVA – está dentro da vontade soberana de Deus, cumpre os seus propósitos, mas Deus não é o agente da ação. É quando Deus permite que sua vontade preceptiva não seja cumprida.

QUATRO NÍVEIS DA VONTADE DE DEUS:

  • Nível Cósmico

Na dimensão cósmica o pedido é para que tudo o que Deus criou cumpra o papel original determinado por Deus, é um pedido para que a ordem das coisas criadas seja corrigida. Para que a redenção ocorra sobre toda a criação.

  • Nível Nacional

Na dimensão nacional é um pedido para que a nação aprove leis e tome decisões que seram favoráveis à vontade revelada na Palavra. Clamamos para que a nação tenha o Senhor como seu Deus, para que os governantes temam ao Senhor.

  • Nível Eclesiástico

Do ponto de vista eclesiástico, seja feita a tua vontade, é um pedido para que a igreja de Jesus Cristo viva em unidade, em obediência à palavra. Que os sacramentos sejam administrados corretamente, que a disciplina seja exercida, que a pregação seja fiel e que os crentes vivam o evangelho com fidelidade.

  • Nível Pessoal

Leon Morris diz que o pedido “Não aponta para uma aquiescência passiva, mas para uma identificação ativa do adorador com a consumação do propósito divino; se nós oramos isso, devemos viver dessa forma”. Nos mantemos crentes mesmo quando não sentimos, não vemos, não tocamos, e mesmo quando tudo está dando errado, pois confiamos na vontade de Deus.

 

3) Nosso Exemplo

VONTADE DE CRISTO:

Jesus Cristo tinha vontades como Deus. Quando Cristo acalma uma tempestade, ele não pede ao Pai, antes, sua vontade é a mesma do Pai, e a tempestade se acalma. O mesmo acontece quando a água se transforma em vinho e quando multiplica pães e peixes ou quando ressuscita Lázaro, o filho da viúva de Naim e a filha de Jairo. Entretanto, Jesus também tem uma vontade humana. Em Mateus 4.2 vemos que Cristo teve fome, e portanto teve vontade de comer, mesmo tendo uma natureza divina que não é suscetível às vontade do universo da criação. Em Mateus 26.39, no Getsêmani Jesus ora: “Meu Pai, se possível, passe de mim esse cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres”. Jesus Cristo, sendo homem, tem o desejo de autopreservação, de fugir da morte e da dor. Aqui vemos claramente uma vontade humana de Cristo, mas ao mesmo tempo sua submissão total ao Pai.

Jesus dizia: meu alimento é fazer a vontade do meu Pai. A coisa pela qual eu vivo, o que me mantém de pé (João 4.34).

Nós realmente não somos como Jesus. E estamos pedindo para ser como Cristo. Queremos fazer tua vontade. Nossa única necessidade , ser semelhante a Jesus. Esse é o projeto de Deus para nós. Essa é a vontade de Deus para nós! SER COMO JESUS. Fomos chamados para sermos totalmente submissos à vontade de Deus.

 

PEDIDO ESCATOLÓGICO:

Finalmente, existe um aspecto escatológico nesse pedido também. Craig Keener o comenta da seguinte forma: “A santificação do nome de Deus, a consumação de seu reino e o fazer de sua vontade são todas variações da mesma promessa do fim dos tempos: tudo será arrumado algum dia. Aqueles que anseiam pela vontade de Deus na terra no futuro, devem viver consistentemente com aquele desejo no presente, trabalhando pela justiça e procurando fazer a vontade dele aqui (6.33; 26.39)”.

 

Aplicação

  1. Procure conhecer a vontade do Senhor
  2. Esforce-se para descobrir a vontade de Deus

b.1. É legítimo o que eu quero fazer?

Esta é uma pergunta muito importante. Às vezes essa pergunta define a nossa situação, porque o que é contrário à lei não deve ser feito. Portanto, se existe algum preceito na lei divina contra o que você pensa fazer, então certamente você não deve fazer.

b.2. Traz edificação para mim o que quero fazer?

Em outras palavras, você poderia perguntar-se: “O que vou fazer melhora o meu relacionamento com Jesus Cristo? Melhora o meu relacionamento com as outras pessoas? Faz-me crescer em maturidade?”

1Co 10.23 – Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm; todas são lícitas, mas nem todas edificam.

b.3. Será de grande ajuda para os outros o que quero fazer?

Eu não posso perguntar se será bom somente para mim, mas também para o bem-estar dos outros.

1Co 10.33 – … assim como também eu procuro em tudo, ser agradável a todos, não buscando o meu próprio interesse, mas o de muitos, para que sejam salvos.

b.4. Há o perigo de me tornar escravo do que quero fazer?

Há certas coisas que não são más em si mesmas mas podem se tornar um ídolo para nós. Seja a internet, novelas, séries de Netflix, jogos, etc. Paulo deixa essa matéria bem clara:

1Co 6.12 – Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm. Todas as cousas me são lícitas, mas não me deixarei dominar por nenhuma delas.

b.5. Traz glória para Deus o que quero fazer?

Esse é o princípio básico que norteia os demais acima. Tudo deve ser feito para a glória de Deus.

1 Co 10.31 – Portanto, quer comais, quer bebais, ou façais outra cousa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus.

Por fim:

Quais são as tuas vontades que têm contrariado a vontade revelada de Deus?

Quais são as áreas de sua vida ou hábitos pecaminosos que precisam ser crucificados?

Quais são as coisas que você não gosta de fazer, mas que refletem a vontade de Deus e, portanto, tem que ser feitas?

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