Mateus 6.11,12: Pedindo por Pão e por Perdão

Pedindo por Pão e Perdão

“o pão nosso de cada dia dá-nos hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas assim como nós temos perdoado aos nossos devedores;” Mateus 6.11-12

Na segunda metade da oração modelo, o pronome possessivo passa de “teu” para “nosso”. Primeiramente nos preocupamos com o nome, o reino e a vontade de Deus, e agora então, expressamos nossas necessidades de Pão, Perdão e Proteção. Reconhecemos que precisamos de Deus para prover nossas necessidades, confiando nele, dependendo dele, e vivendo para ele.

Agora trata-se de nossas necessidades e como vivemos. Nessas três petições somos chamados a confiar e depender de Deus, mas também ser generosos e prudentes.

Consequência das três primeiras petições, então pedimos as próximas três. O Pão, o Perdão e a Proteção devem ser para santificar o nome de Deus, mostrar a vinda do Reino de Deus e confirmar a vontade do Pai. Tudo em nossa vida o glorifica, o exalta.

1) O pão nosso de cada dia dá-nos hoje.

Alguns comentaristas do passado não conseguiam crer que Jesus pretendesse que nosso primeiro pedido fosse literalmente o pão para o corpo. Para eles, isso era algo material e mundano, e não cabia bem em uma oração espiritual a Deus. Diziam então que o pão a que Cristo se referia devia ser espiritual. Porém, o reformador Martinho Lutero afirmou que o pão era um símbolo de todas as coisas necessárias para a preservação da vida.

Como pedir por pão leva a santidade do nome de Deus, implementa seu reino e cumpre sua vontade?

  •  Aponta para a paternidade do Pai. Dependemos dele. Confiamos nele.

Primeiramente pedimos ao Pai porque reconhecemos que Deus é quem é o nosso provedor, perdoador e protetor. Reconhecemos a nossa dependência dele. E confiamos nele diariamente para nos sustentar com tudo aquilo que é necessário para nossa vida.

Em 2012 tive um encontro com o Jefferson (que ficou famoso por um vídeo no Youtube cantando: Para Nossa alegria) e ele me contou sobre uma experiência que teve com Deus. Certo dia, estava lavando louça, e sua mãe estava trabalhando. Eles eram muito pobres. Ele teve vontade de comer pão fresco. Contudo, ele sabia que sua mãe não teria dinheiro para lhe dar para comprar pão e por isso orou ao Senhor pedindo que desse condições à sua mãe, para que quando ela chegasse lhe desse dois reais para ele ir à padaria comprar pão, e voltaria para casa glorificando a Deus. Enquanto ele orava e lavava a louça, seu avô chega em casa. Ele trazia pão fresco. Mas não apenas pão fresco, disse o Jefferson, ele trazia queijo também. Deus ouviu sua oração e lhe deu mais do que pedira.

Deus é nosso pai e se alegra em cuidar de nos e prover para nós nos mínimos detalhes. Não existem coisas grandes ou pequenas para Deus.

Pedimos por Pão Nosso. Não me esqueço do meu irmão. Estou pedindo pela chuva. Pelo padeiro. Pelo meu irmão. Não é uma oração egoísta.

Resumo da Lei: Amar a Deus acima de todas as coisas e ao meu próximo como a mim mesmo. Me preocupo com a honra a Deus nas primeiras petições e conosco e nosso próximo nas últimas três.

Quando pedimos pelo pão, isso não implica que não irei trabalhar. Estou pedindo que Deus dê chuva, saúde aos agricultores, ao padeiro, ao meu irmão e a mim para trabalharmos. Pedimos que ele que provê todas as coisas nos sustente e nos abençoe. Trabalhamos pelo nosso salário e alimento, mas reconhecendo nossa dependência de Deus. Assim Deus fez no Antigo Testamento com seu povo no deserto. Diariamente ele enviava Maná do céu. Mas eles tinham que colher e preparar seu alimento. Além disso, tinham que colher do maná diariamente, dependendo da provisão diária de Deus. Se colhessem para mais do que um dia, o maná estragava.

 

2) Perdoa-nos as nossas dívidas assim como nós perdoamos os nossos devedores

“Ser cristão é perdoar o imperdoável nos outros, pois Deus perdoou o imperdoável em nós.” (Phillip Yancey)

“Se realmente conhecemos Cristo como nosso Salvador, os nossos corações são quebrantados, não podem ser duros, nem podemos negar o perdão.” (Dr Martin Lloyd-Jones)

O perdão é o que traz vigor à alma assim como o pão traz vigor ao corpo. O pecado é comparado a uma dívida, algo impagável, que jamais poderíamos quitar. Mas quando Deus perdoa o pecado, ele anula a penalidade e cancela o escrito de dívida que era contra nós. Podemos ser perdoados porque Deus decidiu sofrer o dano. Quando perdoamos alguém estamos dizendo que sofremos o dano. Alguém me deve, então eu sofro o dano. Não é que não custou nada.

Ao orarmos: “Perdoa-nos as nossas dívidas assim como nós perdoamos”, não é barganha com Deus. Não perdoamos para ser perdoados. Não recebemos o direito de ser perdoados quando perdoamos. Antes, Deus nos perdoa, e assim, somos regenerados, nos arrependemos dos nossos pecados, cremos no Senhor Jesus Cristo, e o sinal da nossa conversão, da nossa regeneração é ter um espírito perdoador. Percebemos quão pecadores nós somos, e assim, temos compaixão das pessoas ao nosso redor. O pecado dos outros contra nós passa a ser insignificante diante do nosso pecado diante de Deus.

Ao sermos regenerados, nos tornamos humildes de espírito, reconhecendo que não temos nada, não podemos nada, e não somos nada diante da santidade de Deus. Nos reconhecemos como miseráveis diante do Senhor. E isso nos leva a ser misericordiosos. Porque Deus teve coração para com a nossa miséria, então nós temos coração para com a miséria dos outros.

Ao não perdoar o nosso irmão, estamos considerando sua dívida maior do que a nossa para com Deus. Isso não é possível. Ilustrando isso, Jesus conta a parábola do credor incompassivo (Mt 18.23-35). Sua conclusão é: “Perdoei-te aquela dívida toda (que era imensa)…; não devias tu, igualmente, compadecer-te do teu conservo, como também eu me compadeci de ti?” (v. 33). Somos chamados a perdoar, porque fomos infinitamente perdoados.

Cristo nos deu o exemplo na cruz: “Pai, Perdoa-lhes porque eles não sabem o que fazem”. Da mesma maneira, Estevão ao ser apedrejado. E ali, o jovem Saulo via aquele homem de Deus perdoando seus algozes. Posteriormente, Paulo percebeu ser o maior dos pecadores, e assim sendo, torna-se um grande perdoador.

Só há dois lugares onde Deus trata com nossos pecados: na Cruz ou no Inferno. Na Cruz há o perdão. No Inferno a punição. Da mesma forma, em nossa vida podemos ir à cruz ou ao inferno com relação ao pecado de outros. Tomamos a cruz ao perdoar, vivemos o inferno ao não perdoar.

Perdoar não é um ato que tira o pecado do outro, mas tira o fardo de nossas costas.

 

O pão e o perdão são as necessidades do nosso corpo e de nossa alma diante de Deus. “Não só de pão viverá a pessoa, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mateus 4.4). A palavra se tornou carne e habitou entre nós, o verbo de Deus, Jesus Cristo, veio para ser o pão do céu que nos alimenta, a fim de trazer salvação para nós. Ele morreu por nossos pecados. Por isso, na ceia do Senhor, podemos tomar do pão e ser alimentados espiritualmente, unidos ao nosso Redentor, salvos por ele, para a glória dele.

Conclusão:

Entre os quinhentos mil huguenotes exilados na Holanda pela persegui­ção de Luiz XIV, encontrava-se Sawin, um grande pregador. Em um de seus sermões da série publicada em seis volumes, ele se dirige a Luiz XIV mostrando como um cristão deve agir com seus perseguidores:

“E tu, terrível príncipe, que uma vez honrei como meu rei e que ainda respeito como azorrague nas mãos do Todo-poderoso Deus, tu terás uma par­te nos meus melhores votos! Estas províncias que tu ameaças, mas que o bra­ço de Deus protege; este país, que encheste de refugiados, mas fugitivos ani­mados pelo amor; estas paredes, que contêm mil mártires feitos por ti, mas aos quais a religião torna vitoriosos; todos estes ainda ressoam bênçãos em teu favor. Permita Deus que a venda fatal, que esconde de teus olhos a verda­de, possa cair. Que Deus esqueça os rios de sangue com que inundaste a ter­ra, os quais o teu reino fez que fossem derramados. Que Deus apague do seu Livro as injúrias que nos fizeste e, enquanto recompensa os sofredores, que perdoe aqueles que nos causaram tanto sofrimento. O Deus que te fez um mi­nistro dos seus juízos para nós e para toda a Igreja faça-te um despenseiro dos seus favores, e um administrador da sua Graça.”

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