Mateus 7.1-5: Não julgueis

Mateus 7.1-5: Não julgueis

Introdução:

Naquela floresta havia uma águia e uma coruja. Ambas tinham medo que uma ou outra comesse os seus filhotes. Um dia fizeram um acordo:

— Basta de guerra — disse a coruja.

— O mundo é grande, e tolice maior que o mundo é andarmos a comer os filhotes uma da outra.

— Perfeitamente — respondeu a águia.

— Também eu não quero outra coisa.

— Nesse caso combinemos isso: de agora em diante não comerás nunca os meus filhotes.

— Muito bem. Mas como posso distinguir os teus filhotes?

— Coisa fácil. Sempre que encontrares uns filhotes lindos, bem feitinhos de corpo, alegres, cheios de uma graça especial, que não existe em filhote de nenhuma outra ave, já sabes, são os meus.

— Está feito! — concluiu a águia.

Dias depois, andando à caça, a águia encontrou um ninho com dois monstrengos dentro, que piavam de bico muito aberto.

— Horríveis bichos! — disse ela. — Vê-se logo que não são os filhos da coruja.

E comeu-os.

Mas eram os filhos da coruja. Ao regressar à toca a triste mãe chorou amargamente o desastre e foi ajustar contas com a rainha das aves.

— Quê? — disse esta admirada. — Eram teus filhos aqueles monstrenguinhos? Pois, olha não se pareciam nada com o retrato que deles me fizeste…

Duas formas de ver as mesmas criaturas. Apenas uma com graça e amor. Jesus Cristo nos chama a atenção nesse texto para não agirmos como a águia.

 

Contexto:

Repetição da palavra hipokrités por quatro vezes no Sermão do Monte em relação à prática da justiça:

  • 2 – Quando der esmolas não faça como os hipócritas que querem ser glorificados pelos homens.
  • 5 – Quando orar, não seja como os hipócritas que querem ser vistos pelos homens.
  • 16 – Quando jejuar, não seja como os hipócritas que querem se mostrar para os homens.

E agora, no vs. 5 temos: Hipócrita, tira primeiro a trave (viga) do teu olho, e então verás claramente para tirar o argueiro (palha) do olho do seu irmão.

 

vs. 1 Não julgueis

Certamente este é um dos versos mais conhecidos da Bíblia. É também um dos mais mal

compreendidos. O entendimento comum das palavras de Jesus é que não temos o direito de analisar de forma crítica nada nem ninguém, mas que devemos reconhecer o direito de cada um de pensar e agir da maneira que achar melhor sem ser moralmente criticado ou repreendido por isso. O problema dessa interpretação das palavras de Jesus Cristo é que, logo em seguida e no mesmo sermão, Ele manda que a gente faça uma avaliação crítica de determinadas pessoas:

“Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados em ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores. Pelos seus frutos os conhecereis…” (Mt 7.15-16)

Jesus ordena que a gente faça uma análise crítica para descobrir se alguém é um falso profeta ou não. O meio de avaliar isso, segundo Jesus, é “pelos seus frutos”.

 

Quis Jesus dizer que toda forma de julgamento não é válida para nós? Não.

Quis Jesus dizer que não podemos avaliar as ações, reprovar atitudes, analisar palavras? Não.

No versículo seguinte, 7.6, Jesus ensina que devemos considerar certos indivíduos como cães ou porcos.

Jo 7.24: Não julgueis segundo a aparência, e sim pela reta justiça.

1Co 5.12: Pois com que direito haveria eu de julgar os de fora? Não julgai vós os de dentro?

1Co 6.3: Não sabeis que havemos de julgar os próprios anjos? Quanto mais as coisas desta vida!

Gl 1.8,9 (ainda que um anjo venha do céu se anunciar algo diferente seja anátema); Fp 3.2 (acautelai-vos dos cães e dos maus obreiros); Tt 3.10 (evita o homem faccioso depois de admoestado duas vezes); 1Jo 4.1 (provai se os espíritos procedem de Deus).

É evidente que Jesus não está ensinando que não devemos julgar. Mesmo porque, o próprio Cristo estava julgando e condenando as atitudes dos escribas e fariseus.

Muitos usam esse texto para defenderem que não se pode exercer a disciplina eclesiástica, uma vez que todos somos pecadores. Todos temos telhado de vidro. Mas é isso que as Escrituras nos ensinam? É isso que Jesus está falando aqui?

Essa afirmação se assemelha a um político corrupto não querendo condenar outro político corrupto. Somos homens e mulheres regenerados, lavados e remidos pelo sangue de Jesus. Um alto preço foi pago pela nossa redenção. A graça não é barata. A santificação é algo seríssimo para Deus. Sem santidade ninguém verá o Senhor.

Aquele que vive na prática do pecado, segundo as Escrituras em 1João é filho do diabo.

 

O QUE JESUS QUIS ENSINAR?

Ele quis ensinar que é errado alguém concentrar sua atenção na pequena mancha que há no olho do seu irmão, e enquanto assim faz, ignora a trave que há no seu próprio olho. O Senhor Jesus aqui condena o espírito de censura, o juízo áspero, a autojustificativa em detrimento de outros. O exercício do julgamento sem misericórdia, sem compaixão, sem longanimidade e sem EMPATIA.

Jamais devo emprestar minha boca para destruir meu irmão.

Que tipo de juízo é sem misericórdia?

  • Fofocas (quando eu não sigo o exemplo de Mateus 18.15-20).
  • Vingança (quando eu desejo matar no coração – não falo, não cumprimento, não exerço misericórdia).
  • Juízo parcial (quando uso dois pesos e duas medidas).
  • Foco apenas em alguns tipos de pecados.
  • Hipocrisia (condeno aquilo que eu pratico).

O que Jesus condena aqui era um pecado muito comum, o que evidencia, por exemplo, o fato de que Davi condenou à morte um homem rico que, conforme fizeram o rei acreditar, roubara e matara a cordeirinha de um homem pobre, e, ao condená-lo, Davi não compreendeu assim que estava condenando a si próprio. (2Sm 12.1-7).

Jesus condena a atitude de inclinação a buscar faltas nos outros enquanto se faz vistas grossas para as próprias faltas.

 

Vs. 2: com a mesma medida que medir os outros, sereis medidos.

Jesus está mostrando que se nosso julgamento for sem misericórdia, seremos julgados sem misericórdia.

1Ts 5.14: Admoeste o insubmisso, console o desanimado, ampare o fraco. E devemos ser longânimos com todos.

MEDINDO O OUTRO MAS O PECADO É MEU

Certo dia uma moça estava à espera de seu vôo, na sala de embarque de um Aeroporto. Como ela deveria esperar por muitas horas resolveu comprar um livro para matar o tempo. Também comprou um pacote de biscoitos. Sentou-se numa poltrona na sala vip do aeroporto, para que pudesse descansar e ler em paz.

Ao seu lado sentou-se um homem. Quando ela pegou o primeiro biscoito, o homem também pegou um. Ela se sentiu indignada, mas não disse nada. Ela pensou: “Mas que cara de pau. Se eu estivesse mais disposta, lhe daria um tapa na cara”.

A cada biscoito que ela pegava, o homem também pegava um. Aquilo a deixava tão indignada que não conseguia reagir. Restava apenas um biscoito e ela pensou: O que será que o abusado vai fazer agora? Então o homem dividiu o biscoito ao meio, deixando a outra metade para ela.

Aquilo a deixou bufando de raiva. Ela pegou o seu livro e as suas coisas e se dirigiu ao embarque. Quando sentou confortavelmente, numa poltrona, no interior do avião, olhou dentro da bolsa, e, para sua surpresa, o pacote de biscoito estava ainda intacto. Ela sentiu muita vergonha, pois quem estava errada era ela, e já não havia mais tempo para pedir desculpas.

 

Vs. 3-5: Tire a trave do teu olho antes de olhar o argueiro do irmão

A trave é uma pesada peça de madeira usada em construção como suporte horizontal para travar o madeiramento. O argueiro é uma pequenina farpa de palha ou madeira, uma minúscula lasca de uma trave.

Jesus usa essa figura mostrando que é impossível alguém procurar algo pequeno no irmão, enquanto há algo muito grande dentro dos seus olhos. Como pode querer remover o argueiro do olho do irmão, e não se preocupar com a trave que se encontra no seu olho?

FARISEUS

Essa é uma atitude dos fariseus. Eles são chamados de Hipócritas. Eles se consideravam justos e desprezavam os outros (Lc 18.9).

Todos precisam examinar a si mesmos (1Co 11.28) a fim de que não andem buscando faltas nos outros, enquanto estão praticando coisas ainda piores.

PODEMOS JULGAR?

 

Vs. 5: quando a trave é retirada, então posso retirar o argueiro do olho do irmão.

Quando, pela soberana graça, a trave é removida dos nossos olhos, o cristão está habilitado para ver claramente e remover o argueiro do olho do seu irmão. Ele estará em condições de restaurar seu irmão com espírito de brandura, misericórdia e longanimidade.

Jesus Cristo não está desestimulando a disciplina mútua, mas condenando veementemente o considerar-se superior e querer exercer disciplina sem antes ter uma autodisciplina. Além disso, Cristo condena um juízo baseado em justiça própria e não baseado na justiça de Deus. Se alguém repara no argueiro no olho do seu irmão, mas não se importa com a trave no próprio olho, ela não pode estar julgando conforme a reta justiça de Deus.

COMO FAZER?

  • Buscar a santificação constantemente e examinar seu coração. Por que estou fazendo isso?
  • Não seja precipitado. Ouça mais e fale menos. Não dê ouvidos a boatos. Não dê ouvidos a fofocas. É verdade? É bom para o corpo? Já falou com as pessoas envolvidas? Não entre em assuntos que não lhe são devidos. Condenar o pecados dos outros sempre é muito mais fácil.
  • Se tenho pecado em alguma área, eu não posso exortar um irmão com pecado na mesma área? Todos somos pecadores. Quando não exorto um irmão que está pecando, eu não o amo. O problema aqui não é a exortação, mas a motivação do coração. O fariseu quer destruir. O cristão quer a restauração. Devo exortar com espírito de brandura, com amor, e com graça. Devo reconhecer-me fraco diante de um fraco. Mesmo que não tenha o mesmo pecado, tenho outros.
  • Devo examinar com cuidado como meu irmão está. Ele tropeçou (o que todo cristão faz – é disso que se trata o argueiro) ou ele está caído na prática do pecado (a trave). Eu não posso querer condenar um cristão, que tropeça, enquanto estou caído. Devo estar de pé, cuidando para não cair, e ajudar meu irmão se levantar.

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