Marcos 5.21-43: Quando a graça de Deus nos toca em meio à tragédia

Mc 5.21-43 – Quando a graça de Deus nos toca em meio à tragédia 

Introdução:

Duas histórias de desastres. Temos aqui um sanduíche. O evangelista João Marcos gosta disso. Ele começa com uma história, a corta no meio contando outra história e depois termina com a história que começou mostrando que estão relacionadas.

A primeira história mostra um chefe da sinagoga. Ele tinha tudo, mas sua filha estava em estado terminal. Um desastre. Sem esperança. Ele a viu nascer, crescer, falar as primeiras palavras. Sua princesa. Mas agora sua vida está esvaindo. Você sabe qual o sentimento de um pai vendo seu filho morrer?

A segunda história mostra uma mulher que está vendo sua vida esvair há 12 anos. Uma hemorragia. Uma enfermidade cruel que a afasta de tudo. Ela não pode ser tocada por ninguém, pois que a tocar é considerado impuro cerimonialmente. Ela não sabe o que é um abraço há 12 anos. Onde ela senta, ninguém mais senta. Onde ela toca, ninguém mais toca. Ela perdeu sua vida social, e cerimonialmente não pode entrar no templo. Ela gastou tudo tentando melhorar mas só piorava. Um desastre. Sem esperança.

 

Há todo tipo de situações que podem trazer uma tragédia.

Um motorista bêbado.

Um sinal vermelho.

Uma ultrapassagem errada.

Uma piscina nao coberta.

Um homem nervoso com uma arma.

 

Nessas duas tragédias, temos cinco paralelos:

 

1) Duas pessoas que creem 

Jairo tem fé em Jesus e mantem sua fé por três vezes.

Primeiro ele sabe que só Jesus pode curá-la e vai até Jesus.

Segundo, ele tem o atraso mas não desiste. Você imagina estar em uma ambulância mas está parada em um bloqueio na terceira ponte em Vitória? Seu filho está morrendo mas tem alguém precisando de ajuda querendo se jogar da ponte.

Algo parecido acontece. Tinha mais alguém precisando de Jesus.

Terceiro, ele recebe uma ligação. Na verdade não é uma ligação, mas algo parecido com uma ligação: sua filha morreu. Entretanto, Cristo diz: Não temas, crê somente. E Jairo manteve a fé.

 

Além da fé de Jairo, temos a fé daquela mulher enferma.

Marcos sempre mostra mulheres exemplares no caminho de Jesus. Essa era uma delas. Ela é um exemplo de fé. Não temos o nome daquela mulher, ela não é importante naquela sociedade. Mas ela é um paradigma de fé.

Jesus diz para aquela mulher: a tua fé te salvou, vá e fica livre do mal.

Assim que Jesus aplaude a fé da mulher, Jairo recebe a notícia da morte de sua filha. Teria ele fé?

Jesus diz: não tenha medo. Apenas tenha fé. Você viu o que aconteceu? Apenas creia.

 

2) Duas filhas que sofrem

A mulher teve fé e Jairo é chamado a ter fé.

A mulher ficou enferma 12 anos. A filha de Jairo tinha 12 anos.

Deus usa histórias como testemunho. Sofrimentos como pregações.

Aquela mulher estava morrendo por 12 anos. A menina morreu aos 12 anos.

A mulher estava atrás de Jesus (vs. 27). Essa é uma postura do discípulo no evangelho de Marcos. Mc 1.17, 20 (Vinde após mim… Seguiram após Jesus). Mc 8.34 (Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me).

Essa mulher é o discípulo que devemos imitar. Ela está no lugar certo, ela tem fé, ela é curada. Então ela é chamada de filha. Outros são chamados de crianças no evangelho de Marcos. Nenhum outro é chamado de filho ou filha no evangelho de Marcos. Ela agora faz parte da família de Jesus. Purificada, justificada, salva. Filha de Deus.

Agora há duas filhas nessa história. Temos a filha de um chefe da sinagoga que tinha muitos servos. E uma filha pobre, que não tinha ninguém que a apresentasse, defendesse. E é a essa que Jesus chama de filha.

Aquela miserável se torna a filha do centro da história. Jesus se importa. A agenda de Jesus não é a agenda dos homens. Importa a ponto de parar. Importa a ponto de chama-la de filha. O Deus que para diante dos não importantes.

Eu não sei que desastre acometeu você esse ano. Talvez nenhum ainda. Ainda. Morte e enfermidade podem vir. Você sabe que Jesus se importa?

 

3) Duas multidões que não têm fé 

Você terá fé como essa mulher ou será como as duas multidões sem fé?

Vs 30-31 – a ironia do texto é que Jesus sabia quem o tocou. A mulher sabia que o tocou. Nós leitores sabemos quem o tocou. Quem não sabia eram justamente os discípulos. Eles não conhecem Jesus ainda. Eles não conhecem seu cuidado, sua misericórdia e seu amor. Suas agendas são outras. Seus olhos não veem ainda como ele. Eles não tem fé.

Vs. 39, 40 – A multidão ri dele. Quem ele pensa que é? Ele não entende que ela está morta?

Eles não o conhecem também. Eles não sabem do seu cuidado, misericórdia e amor. Eles não tem fé. Jairo é chamado a crer como aquela mulher.

Será que somos como essas multidões sem fé?

Deus nos salvou em Cristo da condenação eterna. Nos livrou do mal. E somos incapazes de confiar diante dessas tragédias temporárias?

Devemos crer mas continuar dependendo desesperadamente de Jesus. Como a mulher enferma.

 

4) Duas pessoas que sofreram 

Em Marcos o verbo sofrer é conjugado apenas para duas pessoas. Essa mulher e Jesus.

Marcos 8:31

Então, começou ele a ensinar-lhes que era necessário que o Filho do Homem sofresse muitas coisas, fosse rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e pelos escribas, fosse morto e que, depois de três dias, ressuscitasse.

É usado também para ela o verbo padecera (5.26). Também é usado apenas para Jesus (8.31 e 9.12).

Ela é um modelo de discípulo que segue a Jesus. Temos imitado a Jesus no sofrimento? Ela é o paradigma seguindo os passos de Jesus.

Além disso, é dito que ela tinha um fluxo de sangue por 12 anos. Sangue é usado apenas duas vezes em Marcos. Aqui e em Marcos 14:24: “Então, lhes disse: Isto é o meu sangue, o sangue da [nova] aliança, derramado em favor de muitos”.

Apenas duas pessoas em Marcos sangraram.

Marcos está nos mostrando que essa mulher é especial. Uma verdadeira discípula de Jesus. Diante do desastre ela depende desesperadamente de Jesus.

O texto não nos ensina que toda enfermidade será curada. Elas serão um dia. O foco está na fé do discípulo verdadeiro de Jesus. Mostra como nós podemos lidar com qualquer problema nesse mundo como filhos de Deus, dependendo desesperadamente de Jesus. Não temos razão para ter medo.

 

5) DUAS PESSOAS TOCADAS 

Vs. 41-42

Veja como a narrativa termina

Jesus toca a menina, assim como a mulher o tocou.

Vs 25-27 – sete particípios até o verbo principal: tocou-lhe.

Sete gerúndios até o verbo principal.

A imundícia contamina pelo toque. só não acontece com Cristo. Ela o toca e não é ele que fica imundo, ela quem é purificada.

Sem o toque de Jesus tudo vai mal. Quando Jesus toca, as coisas são consertadas. A vida social, a vida emocional, a dignidade, a cura, a salvação.

Precisamos desesperadamente do toque de Jesus.

Quando tocamos irmãos, tocamos a pele de Jesus. Quando um irmão precisa de um abraço, de cuidado, estamos tocando Cristo. Permitam que sintam o toque de Cristo por meio de nós.

A igreja é a pele de Cristo. Sinta-se livre para pedir um abraço. Sinta-se livre para abraçar.

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