Marcos 14.1-11: Quem sou eu no caminho do discipulado?

Marcos 14.1-11 – Quem sou eu no caminho do discipulado?

Introdução:

O evangelho de Marcos narra uma longa jornada da galileia para Jerusalém. Cristo está indo em direção ao Calvário, e seus discípulos não compreendem bem a sua missão. Mas eles estão no caminho juntamente com Jesus, alguns que se sacrificam por Jesus e outros que sacrificam Jesus para sua autopromoção.

O que Jesus demanda de nós nesse caminho?

Nesse texto temos uma espécie de “sanduíche” (os fariseus buscam matar Jesus por meio de uma traição / A pecadora que ungiu Jesus / A traição de Judas por dinheiro). Temos vários momentos onde o “sanduíche” é feito propositalmente por Marcos:

  • Mc 2.1-17(Cura do paralítico em Cafarnaum / Chamado de Levi / Pecado comparado a uma doença);
  • Mc 3.20-35 (Jesus vai para casa e os parentes de Jesus querem o prender / A blasfêmia dos escribas / a família de Jesus);
  • Mc 5.21-43 (Pedido de Jairo / Cura da mulher enferma / ressurreição da filha de Jairo);
  • Mc 8.11-26 (Fariseus pedem um sinal / O fermento dos fariseus / A cura do cego em Betsaida)
  • Mc 11.12-26 (Figueira sem fruto / A purificação do Templo / A figueira seca)
  • Mc 14.1-11 (O plano para tirar a vida de Jesus / A unção de Cristo pela pecadora / A traição de Judas).

Temos dois tipos de discípulos nessa perícope: 1) Aquele que sabe quem é Jesus e reconhece sua missão sacrificando-se por aquele que sacrificou-se por ele; 2) Aquele que não sabe quem é Jesus, não reconhece sua missão e por isso sacrifica Jesus para obter lucro ou auto-promoção.

 

1) Sacrificando a si mesmo

3 vezes aos pés de Jesus. Morte de Lázaro – 4 dias. Agora agradece.

Seu sacrifício para o Senhor foi:

a) Profuso

⁃Vaso de Alabastro com perfume: Ela quebrou o vaso de alabastro, dando tudo sem reservas. Ela deu abundantemente.

b) Puro

Não havia mistura. Ela não guardou uma parte e completou com água. Ela ofereceu tudo, profusamente, um perfume puro.

Na cultura judaica esse perfume era comprado pouco a pouco ao longo dos anos sendo acondicionado. Porque a moça preparava-se para o grande dia da sua vida: o dia das suas núpcias. Maria coloca a serviço de Jesus aquilo que tinha mais significado em sua vida. Tudo para o Senhor.

c) Preciosíssimo

Eu estou fazendo para Jesus o meu melhor? O alabastro é uma pedra ornamental com um perfume precioso – preciosíssimo. Nardo – essência pura. Essa essência não era encontrada em Israel. Só no alto das montanhas do Himalaia. Mateus 26 diz que o vaso estava cheio com uma libra de perfume (meio litro). Judas avaliou o perfume em 300 denários (300 dias de trabalho). Era comprado gota e gota e acondicionado nesse vaso de pedra. Ela quebra o vaso, ela não abre. Ela não quer que sobre nem uma última gota.

Ilustração:

A mulher deixou o frango congelado por 23 anos. Ela então ligou para a empresa perguntando se ainda estava bom. Ele respondeu, se manteve sempre congelado, nao deve ter estragado. Mas certamente o gosto não esta muito bom. Recomendo que não coma. Exatamente, vamos doar para a igreja.

Ela sacrifica para Cristo e é reprovada pelos discípulos, aqueles que nada querem oferecer (vs. 4 – 5):

Os próprios discípulos reprovam a mulher. Como desperdiçar tanto dinheiro aos pés de Jesus? Tantos Iphones, Macbooks, impressoras, ar-condicionados, tanto investimento que poderia ser feito.

 

1) Se indignaram: pra que o desperdício de bálsamo (apóstolos indignados). Estão com raiva não porque derramou, mas pra quem: Jesus. Se fossem os pobres eles gostariam. 2) Eles murmuravam contra ela por causa do valor ofertado a Jesus. Judas avalia em 300 denários apoiado pelos apóstolos. Dava para resolver o problema de muita gente.

Não se trata de Jesus não cuidar dos pobres. Mc 10, depois de encontrar o Jovem rico, Cristo fala do perigo das riquezas. Se trata da prioridade na missão.

Maria entendeu. Ela sabe que Jesus vai morrer.

 

Mas os discípulos não! Eles ainda não compreenderam sua missão e nem quem é Jesus.

2) Sacrificando Jesus

Por três vezes de Mc 8.31, 9.31, 10.33-34 Jesus fala sobre sua missão com seus discípulos. Que ele morreria e ressuscitaria.

Qual foi a resposta desses homens?

8.31 – Pedro o repreende

9.31 – eles discutem entre si quem é o maior

10.33-34 – Tiago e João querem sentar-se à direita e esquerda de Cristo.

Mc 14.27 – Jesus diz que eles o abandonariam. Pedro diz: jamais.

 

Buscam autopromoção. Consumidos por um auto-direcionamento. Totalmente ignorantes sobre a missão de Jesus.

A mulher dessa história não fala uma palavra. Mas ela entendeu a missão de Jesus. E faz algo que marcou Jesus profundamente.

 

Ela faz um sacrifício extravagante. Profuso, puro e precioso.

Vs. 9 – Por causa disso ela foi profundamente prestigiada.

Sem nome, insignificante, inconveniente, pecadora, rejeitada, ignorada. Ela será lembrada para sempre. Porque ela entendeu a missão de Jesus.

A missão é entender quem é Jesus, o que ele veio fazer e darmos tudo para ele.

Ela entendeu, ouviu, e respondeu.

Os discípulos? Não deram nada. Queriam lucrar sobre Jesus.

 

Vs. 10 – 30 moedas

Ela sacrificou tudo que tinha para Jesus. Ele sacrificou Jesus para lucrar.

Ela deu dinheiro para o enterro de Jesus. Judas ganhou dinheiro para trair Jesus.

Judas avaliou o sacrifício daquela mulher: 300 denários. Um ano de trabalho. Hoje em dia, cerca de 12 mil reais. Naquela época, muito mais que isso. Pelo menos dez vezes mais do que o valor pelo qual Judas traiu Jesus.

Judas avaliou Jesus para sacrifica-lo: 30 moedas de prata. Um mês de trabalho. Um siclo tinha 11 gramas. Eram 330 gramas de prata. Cerca de um mês de trabalho. Hoje em dia, cerca de 900 reais. Naquela época, valia o preço de um pedaço de terra, que foi comprado para se tornar um cemitério, chamado Campo de Sangue.

Êxodo 21.32: Se o boi chifrar um escravo ou uma escrava, dar-se-ão trinta siclos de prata ao senhor destes, e o boi será apedrejado.

 

Discípula devota x discípulo traiçoeiro

Quem é você?

Porque ele ofereceu a si mesmo como sacrifício, pagando um alto preço. Se entendemos a missão de sermos seus discípulos, devemos oferecer um sacrifício extravagante.

O que você dará por Cristo? Aquele que deu tudo por você.

Pensamos que nossas vidas são valiosas demais. Importantes demais. Nosso tempo é importante demais para gastarmos com os outros. Nem estamos fazendo nada demais, mas somos importantes demais.

Exemplo: Sadraque, Mesaque e Abedenego.

O que ofereceremos? Tempo, dinheiro, recursos, a vida?

 

CONCLUSÃO

Amy Carmichael (1867-1951)

Rejeitada por duas agencias missionarias. Na terceira foi enviada para a Índia. Pegou uma febre altíssima que disseram que ela não duraria 6 meses. Ela ficou 55 anos na Índia sem nunca ter voltado para sua terra natal, sacrifício extravagante.

Seu sacrifício rendeu 35 livros e honrarias. Mas ela nunca voltou para recebê-las.

“Por favor, me ajude! Não me mande de volta para o templo”, gritou Preena, agarrando o pescoço da missionária. A data era 6 de março de 1901, e o local era Pannaivilai, uma vila do estado de Tamil Nadu, perto da ponta meridional da península indiana. Os gritos eram de uma criança de apenas 7 anos que acabara de fugir de um templo hindu, onde era mantida em escravidão, ao lado de muitas outras, sendo preparada para “casar-se” com os deuses – ou, em outras palavras, tornar-se uma prostituta cultual.

Preena (ou “olhos de pérola”) já tinha uma história. Vendida ao templo pela própria mãe, tentara fugir duas vezes. Com apenas 5 anos, conseguiu percorrer mais de 30 km sozinha e voltar para a família. A guardiã do templo chegou logo atrás, e a mãe, com medo de incitar a ira dos deuses, desprendeu à força os braços da filha que a agarravam desesperadamente e a devolveu à sua carrasca. Depois da segunda fuga, Preena teve as duas mãos marcadas por um ferro incandescente.

Amy Carmichael, filha de pais presbiterianos, com apenas 3 anos, depois de aprender que Deus faz milagres em resposta à oração, Amy resolveu colocar a lição em prática: orou para que seus olhos castanhos fossem trocados por azuis, iguaizinhos aos de sua mãe! No dia seguinte, cheia de fé, acordou e foi diretamente ao espelho para ver a resposta. Qual não foi sua decepção quando viu que nada havia mudado! “‘Não’ também é uma resposta”, explicou a mãe.

Foi só muitos anos mais tarde, na Índia, que Amy entendeu o porquê dessa resposta negativa. Depois de ouvir histórias chocantes sobre o que acontecia com as meninas que eram levadas para o templo, Amy quis descobrir por si mesma a verdade. Para não chamar a atenção, ela escureceu a pele com pó de café e colocou trajes indianos. Ao vê-la, uma amiga exclamou: “Que bom que você tem olhos castanhos, Amy! Se tivesse olhos azuis, jamais passaria como indiana!”.

Foi assim que, sozinha, sem nem mesmo o apoio de alguns colegas missionários, Amy começou a invadir os recintos escuros dos templos indianos e enfrentar o poderoso sistema maligno que imperava ali desde o século 6.

Durante os 50 anos de ministério da Amy Carmichael na Comunidade Dohnavur, mais de mil meninas e meninos (que eram escravizados também, embora em menor número) foram resgatados e adotados.

 

“Se eu não tiver compaixão pelos meus colegas, como o Senhor teve compaixão de mim, então não conheço nada do amor do Calvário. Se posso ferir o outro ao falar a verdade, mas sem me preparar espiritualmente, e sem sentir mais dor do que o outro, então não conheço nada do amor do Calvário. Se os elogios dos outros me alegram demais e acusações me deprimem; se não posso passar por mal-entendidos sem me defender; se eu gosto de ser amado mais que amar, servido mais que servir, então não conheço nada do amor do Calvário. Se quero ser conhecido como quem acertou em uma decisão, ou quem a sugeriu, então não conheço nada do amor do Calvário. Se eu ficar no lugar que pertence apenas a Jesus, fazendo-me necessária demais para uma pessoa, em vez de levá-la a se agarrar nele, então não conheço nada do amor do Calvário. Se eu me recusar a ser um grão de trigo que cai na terra e morre, então não conheço nada do amor do Calvário. Se eu quero qualquer lugar no mundo, a não estar no pó ao pé da cruz, então não conheço nada do amor do Calvário.”

Uma mulher que se sacrificou pelo Senhor.

Quem sou eu no caminho do discipulado?

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