Gênesis 32.22-32 – Lutando pelas Bênçãos de Deus [Jacó]

Jacó: Lutando pelas Bênçãos – Gn 32.22-32 

Introdução: 

Frank Abagnale tem a dúbia distinção de ser um dos mais proeminentes fraudadores e vigaristas da América. Sua vida chegou a Hollywood (no filme de 2002, Catch Me If You Can, onde ele foi interpretado por Leonardo DiCaprio), para não mencionar em um musical da Broadway. Ele afirma ter assumido pelo menos oito identidades, incluindo um médico, um advogado e um agente federal. Abagnale também escapou da prisão duas vezes.

Muitos vivem uma vida de engano. De aparências. De mentiras. Na vida conjugal, no trabalho, nas finanças, na família. Contudo, é impossível ter uma vida próspera baseado nas trapaças.

 

1)     Enganando para ser abençoado 

Na cultura hebraica, o nome tinha grande influência na vida da pessoa. Não era apenas uma questão estética, mas carregava significado. Para um hebreu, isso poderia inclusive apontar para como seria o futuro daquela pessoa. Jacó foi afetado profundamente por isso. Tanto que, muitos anos depois, quando já tivera seu nome mudado, Jacó recusou-se a fazer o mesmo com um filho. Em Gênesis 35.18, a parteira dá o nome ao menino de Benoni (que significa filho do meu sofrimento), porque Raquel morreu ao dar-lhe a luz. Porém, Jacó rejeitou tal nome, e deu o nome ao menino de Benjamin (que significa filho da mão direita, o filho amado).

Jacó recebeu um nome que era uma espécie de maldição. Ele foi chamado de enganador, suplantador. Estaria ele fadado a ser chamado assim por toda a sua vida. E assim Jacó viveu sua vida, enganando.

Ele aproveitou um momento de fraqueza do seu irmão, para tirar-lhe o direito de primogenitura. Ele aproveitou um momento de cegueira do seu pai, para mentir e se passar por Esaú, roubando-lhe a bênção.
Qual o propósito de Jacó em tudo isso? Ser abençoado por Deus.

Aplicação: Queremos que Deus nos abençoe a despeito de uma vida de mentiras. Queremos enganar a Deus. Mantemos nossa vida de pecado, ignorando que precisamos pedir perdão pois somos prepotentes demais para reconhecer nossos erros. Ignorando que precisamos nos arrepender de nossos pecados, pois achamos que Deus perdoa.
Jacó queria prosperar quebrando a lei. Porém, quem pela espada fere, pela espada será ferido. Quem engana, é enganado.
Jacó, agora está em crise.
Gn 28:10-17 – Jacó estava em crise. Ele mentira para o pai em nome de Deus. Tomara os destinos da sua vida em suas próprias mãos, duvidando do propósito do Senhor. Enganara o seu irmão Esaú. Agora, para salvar sua vida, precisa fugir.

Ele acreditou que enganando seu irmão e seu pai ele seria abençoado. Porém, a bênção que recebeu não trouxe uma transformação para sua história, antes, tudo tornou-se pior que antes.

 

2)     Barganhando para ser abençoado
Deus toma a iniciativa e revela-se a ele em Betel. Deus era o Deus de Abraão e Isaque, mas ainda não o Deus de Jacó.

Deus faz promessas a Jacó a despeito de Jacó ainda não conhecer a Deus pessoalmente. Deus promete estar com ele, guardá-lo, ampará-lo. Jacó tem uma experiência profunda em Betel, Casa de Deus, mas ainda não com Deus.

Talvez você já tenha tido grandes experiências do poder de Deus. Talvez você já teve experiências tremendas na casa de Deus. Talvez você já ouviu sobre as promessas de Deus. Mas você ainda não teve um encontro transformador com o Senhor.

Deus abençoou Jacó dando-lhe sua presença, proteção e prosperidade. Deus fez de Jacó um homem próspero: dando-lhe uma grande família e muitos bens. Deus estava cercando a vida de Jacó com bênçãos especiais. Mas Jacó ainda não estava salvo.

Da mesma forma, Deus tem nos abençoado. Ele tem nos guardado. Ele tem nos dado o pão de cada dia. Ele tem nos dado a família. Deus tem lhe dado saúde, família, bens. Mas você já está salvo? Você já teve um encontro profundo com Deus?

Jacó tem uma visão. Ele vê uma escada que ligam os céus à terra. Há uma ligação entre os céus e a terra. Existe um mundo espiritual. Em Cristo, a visão da escada de Jacó se cumpre: João 1.47-51.

Jacó chama àquele lugar de Betel. A Palavra Betel é a união da palavra beyt(casa) com a palavra el(Deus). Jacó chama aquele lugar de Casa de Deus. O propósito de Deus é de estabelecer casa e morada em nosso meio. Deus é o Deus que faz sua morada entre nós. Quando os homens viraram as costas para Deus, ele decidiu fazer seu tabernáculo entre nós. Ele fez uma ligação entre céus e terra e enviou seu filho para morar entre nós (Jo 1.14).

As promessas dadas a Jacó são mais dramáticas do que as que foram dadas a seu pai e seu avô: pelo menos Abraão e Isaque já eram casados quando essas promessas foram concedidas, embora sem filhos; Jacó, por outro lado, não era nem casado, e lhe são prometidos numerosos descendentes através dos quais o mundo seria abençoado.

Deus se revela a Jacó, porém, embora Jacó reconheça a visão transcendente que acaba de ver (28.16-18), seu voto em seguida mostra seu desconhecimento sobre quem é Deus e sua prepotência em querer barganhar com o Senhor. Veja a relação entre as declarações de Deus e o voto de Jacó.

Deus diz: “Eu estou contigo” (28.15a) – Ele responde: “Se Deus estiver comigo” (28.20b)
Deus diz: “Te guardarei” (28.15ba)  – Ele responde: “E [se] ele me guardar” (28.20c)
Deus diz: “Onde quer que fores” (28.15b)  – Ele responde: “nesta jornada que empreendo” (28.20c), “E [se] ele me der comida … e vestes” (28.20d)

Deus diz: “E eu te farei voltar” (28.15c) – Ele responde: “E [se] eu retornar (28.21a)

Deus diz: “Para esta terra” (28.15c) – Ele responde: “Em paz — para a casa do meu pai” (28.21a)

Deus diz: “Não te desampararei” (28.15d) – Ele responde: “Então o Senhor será o meu Deus” (28.21b)
“Então esta pedra será a casa de Deus” (28.22a)
“E certamente te darei um dízimo” (28.22b)

Jacó demonstra considerável arrogância: ele claramente não está aceitando a palavra de Deus. Ele acaba de ouvir Yahweh se identificar como o “Deus de Abraão, seu pai, e o Deus de Isaque.”

Jacó está agora exigindo que este Yahweh seja o “Deus de Jacó” também. E, se isso não bastasse, ele se atreve a adicionar uma condição extra: comida e roupas. Jacó não apenas desconsidera a terra prometida para ter alimentos e vestuário, mas sua demanda se concentra em si mesmo: “dê-me”, sem pensar em sua posteridade (28:14).

Os interesses de Jacó parecem muito mais egoístas e prepotentes. Sem mencionar sua preocupação com seu próprio retorno pessoal à sua “casa paterna”, enquanto os interesses de Deus são mais perspicazes e globais – para devolvê-lo a “esta terra”, a Terra Prometida. Em outras palavras, Jacó está trocando promessas com Deus: se Deus cumprir suas promessas, então eu guardarei as minhas.

Cumpra sua parte e eu cumprirei a minha. Contudo, Jacó ainda não entendeu. O Deus de Abraão, e de Isaque ainda não era o seu Deus.

Aplicação: Contudo Deus não está preocupado com o que fazemos, mas em transformar o nosso caráter.

E Deus abençoa a Jacó, Deus o guarda, apesar de ele não merecer. Jacó foi enganado por seu tio mas ainda assim Deus o abençoou. Deus o fez prosperar. Jacó pôde ver a boa mão do Senhor sobre sua vida, e aquele que chegou até aquela terra apenas com um cajado na mão, agora está saindo de lá com onze filhos, duas mulheres e duas concubinas, muitos animais e riquezas.

 

3) Buscando a Deus para ser abençoado 

Jacó agora está voltando para sua terra como Deus prometeu. Mas ele ainda não o conhece. Ele ainda tem medo e não confia no Senhor. Jacó, sem dúvida, estava preocupado com o perigo para si mesmo e com a família, mas vemos em Gênesis 32.1 que haviam anjos de Deus o acompanhando, mostrando o cuidado e proteção de Deus com Jacó durante toda sua jornada.

Jacó, com medo, recorre a seus velhos truques. Jacó envida esforços para aplacar a ira de seu irmão que ele havia enganado. Com medo e angustiado (32.7,11), ele envia mensageiros com notícias e com presentes (32.3–6) e divide seu povo em dois grupos (32.7–8), tentando escapar das consequências de sua traição a seu irmão há duas décadas.

Jacó dá instruções a seus mensageiros: eles devem declarar que Esaú é seu “senhor”, e que ele é o “servo” de Esaú (32.4, também 32.5, 18, 20; 33.5, 14). Contudo, quando ele ora a Deus, chama Esaú apenas de seu irmão. Ele não se vê como servo, mas diz isso visando apenas sua segurança. Quando ele ora a Deus, ele se chama de servo de Deus em Gn 32.10. Ou seja, Jacó serviria aquele que lhe fizesse o que ele queria.

Ele está disposto a ser o “servo” de quem quer que o mantenha fora de perigo, seja Deus ou Esaú. Jacó está disposto a manipular o homem e Deus, se isso funcionar bem para ele no final.

Mas bajulação a seu irmão e a promessa de gado não surtiu efeito imediato (32.3-6). Então, Jacó tenta buscar a Deus em seguida (32.9-12). Mas não há resposta de Yahweh. Então, Jacó pensa estar sozinho. Agora ele envia três tropas de animais – 550 animais ao todo – à frente de si mesmo, para dar a seu irmão Esaú (32.13-21).

Chega a noite e Jacó está agora em um momento crucial em sua vida. O que acontecerá com ele? É quando ele começa a lutar com ninguém menos que Deus (32.24, 30). Ele pensa estar só, e agora existe um homem que o está resistindo. Ele ficou por último, fez todas as pessoas irem à frente para o perigo, ficando para trás, porém, lá atrás, ele é confrontado por um homem que passa a lutar com ele. Jacó tentou enganar para ser abençoado, tentou barganhar para ser abençoado, tentou manipular de todas as formas para conseguir se sair bem, mas agora está em uma luta que mudará a sua história.

Percebendo com quem ele estava lutando, Jacó pede para ser abençoado. De fato, ele se recusa a deixar o Senhor ir até ser abençoado (32.26). Ele agora busca a Deus para ser abençoado e ter sua história transformada.

DEUS O CONFRONTA: Qual é o seu nome? Qual é a sua história? Ele precisa assumir que é Jacó, o enganador. EU MUDAREI A SUA HISTÓRIA. DEUS O TRANSFORMA. ISRAEL – Deus prevalece. Deus luta e vence.

Nesta fase final de sua história, vemos em Jacó um homem que estava sendo moldado por Deus. Todas essas muitas décadas, ele estava tentando garantir uma bênção ou outra por sua própria movimentação e manejo, por agarrar o calcanhar e atacar, manipulando, conspirando, trapaceando e enganando.

Agora ele percebeu a verdadeira fonte da bênção: Deus. E com razão, ele se apega a Deus até ser abençoado.

Deus responde ao pedido de Jacó com uma mudança de nome, de “Jacó” para “Israel” (32.27-28): “El (Deus) luta” – ou seja, Deus luta por você, então você não precisa lutar por você mesmo. E finalmente, o homem que tem perseguido a bênção todos os seus dias é abençoado! O que começou à noite (32.22), termina com o amanhecer (32.31). Uma nova era havia começado.

 

Conclusão: 

A luta de Jacó com o Anjo do Senhor, que era o próprio Deus (Gn 32.24-30; Os 12.3-5), aponta para uma vitória que Israel teria sobre Jesus Cristo. Israel mataria o Filho de Deus, crucificando-o. E por meio da aparente derrota do Anjo do Senhor, Jesus Cristo, o Senhor, Israel seria abençoado e vitorioso, por meio de sua morte, teria vida. Por meio da sua crucificação, o povo de Deus, descendência de Jacó, seria abençoada com a vida eterna!

Entretanto, depois dessa luta, Jacó sai ferido na perna. Ele nunca mais conseguiria defender a si mesmo. Ele nunca mais conseguiria lutar por si. Ele agora dependeria da provisão, proteção de Deus para sempre.

Bênção de Deus a Jacó:

“Gênesis 35.10-12”: Disse-lhe Deus: O teu nome é Jacó Já não te chamarás Jacó, porém Israel será o teu nome. E lhe chamou Israel. Disse-lhe mais: Eu sou o Deus Todo-Poderoso, sê fecundo e multiplica-te, uma nação e multidão de nações sairão de ti, e reis procederão de ti. A terra que dei a Abraão e a Isaque dar-te-ei a ti e, depois de ti, à tua descendência”.

Agora, Deus era o Deus de Abraão, Isaque e Jacó. A história não se tratava mais de Jacó, mas uma nação. A história não se resumia a ele, mas à história da redenção de Deus.

Gênesis 37.2: “Esta é a história de Jacó: Tendo José, dezessete anos…” A história de José e seus irmãos eram a história de Jacó. Ele foi abençoado para abençoar nações e povos. Por meio dele, viria um descendente que abençoaria todas as famílias da terra.

A bênção de Deus vai muito além das nossas expectativas e do nosso egoísmo. Deus quer nos transformar para abençoar a outros. Diferentemente de Abraão e Isaque, que tiveram outros filhos, porém apenas um foi abençoado por Deus. Os doze filhos de Jacó foram abençoados. As doze tribos de Israel. Deus o abençoou doze vezes mais. E de uma delas, viria o Messias, a maior bênção de Deus para a humanidade!

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