Habacuque 3: Um louvor em meio à tempestade

Contexto: 

Habacuque vê o mal vindo sobre seu povo, aparentemente não há esperanças. Mas sua esperança está no Senhor, seu Deus. 

Depois de ouvir sobre o juízo de Deus sobre Judá e sobre os Caldeus, agora Habacuque ora ao Senhor. Diante de todo o mal tanto do povo de Deus, quanto do mundo, a palavra que termina o Cap. 2 é: “O SENHOR, porém, está no seu santo templo, cale-se diante dele toda a terra. 

E então, se em Hc 2.4 vemos Habacuque dizendo que o justo viverá pela fé, agora ele demonstra que vive pela fé. Ele escreve um salmo. 

Vivemos dias maus. Onde o sofrimento ocorre ao justo e ao ímpio. Onde o mundanismo impera, mesmo na igreja. Onde a morte e a dor nos aflige constantemente, mas diante de todo o mal, somos chamados a viver pela fé. 

2) vs. 2 – Diante da crise, devemos nos humilhar diante da mão do Senhor. 

  • Tenho ouvido 

Como nos sentimos diante da palavra do Senhor? 

  • Alarmado (yaretiy): aterrorizado, temeroso, estar em profunda reverência 

Por quê? Porque somos pecadores diante de um Deus santo. Você tem noção diante de quem está? Temos noção do que é ser cristão? Do que é ser imitador de Jesus? O que significa dizer que queremos ser parecidos com Cristo? 

  • Aviva a tua obra (faze-nos viver – não nos deixes morrer – alusão ao justo viverá pela fé)
  • Aviva (Haya): Dar vida, faça viver. A obra de Deus é movida por Deus. Homens mortos não podem gerar vida. Não existem estratégias para avivamento. Não existem atalhos ou métodos. Apenas buscar a face de Deus em oração e louvor com reverência e temor. 

A questão aqui não é um avivamento temporal em algum momento da história. Mas toda a obra do Senhor. A obra que Deus começou e vai completa-la até o dia final. 

Faze a tua obra conhecida. O foco não é o avivamento, mas a obra do Senhor. O foco não está no momento, mas nos frutos. Muitos focam nas experiências sobrenaturais e o desejo de viver um avivamento, mas o foco das Escrituras não está em um momento, mas da obra de Deus ser conhecida no decurso dos anos. Deus não está preocupado com um momento, mas com a vida do seu povo. A obra da regeneração, que leva à uma vida santa. 

  • Na tua ira, lembra-te da misericórdia 

A obra de Deus está totalmente baseada na IRA e na MISERICÓRDIA de Deus. Deus não pode ignorar sua ira, mas é rico em usar de misericórdia. 

IRA (rogetz): Palavra ocorre apenas 7 vezes no AT. Cinco delas no livro de Jó. Perturbação (Jó 3,17,26), inquietação (Jó 14.1), trovão (Jó 37.2), ira (Jó 37.2, 39.24). 

Lembra-te (zakar) mesmo verbo em: 

  • Gn 8.1 (Lembrou-se Deus de Noé e fez baixar as águas). 
  • Gn 9.15 (me lembrarei da minha aliança) 
  • Gn 19.29 (lembrou-se Deus de Abraão e tirou a Ló do meio das ruínas)
  • Gn 30.22 (lembrou-se Deus de Raquel, ouviu-a e a fez fecunda) 
  • Êx 2.24, 6.5 (Ouvindo Deus o seu gemido, lembrou-se da sua aliança com Abraão, com Isaque e com Jacó) 
  • Me lembrarei da minha aliança (Lv 26.42, 45)

Habacuque pede que o Senhor se lembre da sua aliança. Mas não por causa dos méritos de seu povo, mas com misericórdia. 

da MISERICÓRDIA (rachem): amor, compaixão, afeição terna. A raiz dessa palavra está relacionada à palavra “ventre”. Dentro da antropologia judaica, o ventre era o lugar dos sentimentos, das afeições. Habacuque pede que Deus seja movido por misericórdia. 

Amor paternal de Deus por nós. Ele não nos pune como nós merecemos. 

Palavra mais repetida em Isaías quanto à compaixão de Deus para com seu povo (Is 14.1; 30.18; 49.10, 13, 15; 54.8, 10; 55.7; 60.10). 

2) Vs. 3 – 15 – Diante da crise, devemos nos lembrar dos gloriosos feitos do Senhor 

Êx 13.3 (lembrai-vos deste mesmo dia, em que saístes do Egito), 20. 8 (lembra-te do Dia de Sábado, para o santificar). 

Nm 15.39-40 (para que vos lembreis de todos os mandamentos do SENHOR e os cumprais) 

Dt 7.18 (lembrar-te-às do que o SENHOR, teu Deus fez) 

Dt 8.2 (Recordar-te-às de todo o caminho pelo qual o SENHOR, teu Deus, te guiou)  

Dt 8.18 (te lembrarás do SENHOR, porque é ele o que te dá força)  

Quais feitos: 

  • Quem é Deus e o que Deus faz

Vs. 3: Deus vem de Temã e do monte Parã vem o Santo. 

O Senhor vem de Temã e do Monte Parã. O profeta mostra os passos mediante os quais Deus guiou seu povo à posse da Terra. Os dois locais são os limites da jornada de Israel no deserto. Temã é associada com Edom (Ob 9; Am 1.12). Parã designa a área do deserto, na região do Sinai (Gn 21.21; 1Rs 11.18; Dt 33.2). Habacuque descreve Deus em movimento do Sinai até Edom para a posse da terra prometida. 

No Sinai, o povo de Israel é chamado a ser santo, assim como o Senhor é o Santo. Aqui vemos a santidade de Deus em ação. 

Vs. 4-5: Ele é glorioso, resplendor como a luz, poderoso. 

O caráter de Deus é santo, glorioso, ele é luz e nele não há treva alguma. 

Vs. 6: Ele faz tremer a terra, sacode as nações, esmigalham-se os montes 

Diante do caráter santo de Deus a terra treme. Diante do juízo do Altíssimo, nada fica de pé. Com as dez pragas, Deus julgou o Egito e Faraó e libertou o seu povo. Da mesma maneira, ele fará com a Assíria e a Babilônia. 

Vs. 7: Vejo as tendas de Cusã em aflição, terra de Midiã treme

Cusã (um lugar na Arábia ou Mesopotâmia) citado em Jz 3.8-11, como o primeiro opressor de Israel. Midiã (povo inimigo de Deus que pagou a Balaão para amaldiçoar Israel). São os inimigos do povo de Deus. Eles estão em aflição e tremem diante do juízo do Senhor. Aqueles que fazem Israel tropeçar serão julgados. 

Vs. 8-11: Os rios, o mar, fendes a terra, os montes se contorcem, o sol e a lua param. 

Há uma carruagem do Senhor, ele está vindo triunfante sobre a criação para salvar seu povo e para destruir o mal. 

Nada na criação se compara à glória e ao poder do Criador. Tudo se desfaz diante dele. 

Vs. 13: Ele sai para salvar seu povo, para salvar o seu ungido 

Vs. 14-15: Ele traspassa a cabeça dos inimigos com as suas próprias lanças, marcha pelo mar. 

Ele vem como um guerreiro para salvar seu povo, e ao mesmo tempo salvar  o seu ungido (Meshiach)

Há um cálice da ira de Deus que está cheio. Esse cálice será derramado. Por que o Messias também está relacionado aqui? Porque o cálice é derramado sobre os ímpios para a destruição, e sobre o Messias para a salvação do povo de Deus. 

Cristo tomou o cálice da ira de Deus em nosso lugar. Habacuque mostra que tanto Judá como os Caldeus mereciam a destruição. Mas aqueles que confiam no Messias, recebem a salvação do ungido do Senhor. Que morreu na cruz em nosso lugar. Ele sorveu o cálice da ira para nossa redenção. 

Deus é o responsável pela destruição do mal e pela salvação do seu povo. 

Ele marcha triunfante e destrói todo mal. 

3) Vs. 16-19 – Diante da crise, devemos nos alegrar no Senhor

Vs. 16: Fiquei esperando pelo dia da angústia que virá contra o povo que nos acomete (virá o juízo sobre os Caldeus). Mas quando? Devo esperar em silêncio. 

Estou desesperado, o que fazer? 

Vs. 17a: Mesmo quando a figueira não floresça  

Ainda que  (ki): algo que certamente acontecerá. A guerra deixará a terra desolada. As coisas não irão bem. A quebra da lei do Senhor, extinguir os valores da família, abandonar os valores do reino de Deus trazem improdutividade e esterilidade à terra. 

Gn 3.7: Adão e Eva cosem folhas de figueira para cobrirem suas vergonhas. 

Mateus 24.32: “Aprendei, pois, a parábola da figueira: quando já os seus ramos se renovam e as folhas brotam, sabeis que está próximo o verão”. 

O florescer da Figueira era o sinal de que os tempos frios estavam acabando e que o sol voltaria a brilhar. A esperança renascendo. Contudo, Habacuque diz: ainda que não tenha nada visível que prove que o sol voltará a brilhar, a minha confiança está no SENHOR. A minha alegria está em Deus. 

Vs. 17b: nem haja fruto na vide, o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento, as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, 

Completa carestia. Judá era uma população que era movida por agricultura e pastoreio de ovelhas e gado. Habacuque diz: ainda que não tenhamos NADA, minha alegria está no SENHOR. 

Os recursos podem faltar, mas Deus Não falta. Pode faltar a provisão, mas não falta o provedor. 

E se perdermos tudo? Onde está a nossa esperança? O que devemos fazer em tempos de crise? E se Deus não curar? E se o milagre não vier? E se eu não prosperar? E se a morte chegar? 

Vs. 18: Eu, no SENHOR, exultarei. Minha alegria está no Deus da minha salvação 

Ele é quem me salva, minha alegria está nele. A alegria do profeta não depende de circunstâncias, porque Deus é sua rocha e fortaleza. Ele é imutável, por isso nada pode tirar sua alegria e salvação. Por isso, mesmo no coliseu, em face da morte, homens e mulheres cantavam ao Senhor ao serem mortos pelos seus algozes.

Vs. 19a: O SENHOR é minha fortaleza 

Vs. 19b: faz os meus pés ligeiros como os da corça e me faz andar em lugares altos (2Sm 22,34, Sl 18.33) 

Deus aprumou os joelhos antes trôpegos (vs. 16) e agora deu firmeza e rapidez aos seus pés. A corça podia correr pela floresta e subir aos montes mais elevados. Era um símbolo de força, firmeza de passos mesmo em terrenos extremamente difíceis. O profeta diz que Deus não tirou o terreno difícil, mas sustentou seus pés para subir ao lugar mais alto. 

Passamos pelo vale, mas Deus nos faz chegar aos lugares altos. Ele nos faz subir com asas como águias e renova as nossas forças (Is 40.31).

Quanto maior a nossa privação, maior o nosso deleite em Deus. 

Conclusão: 

André Leandro, um amigo de Viçosa, no dia 03 de outubro de 2006, escreveu  esse texto em seu blog “O Coelet”. Ele faleceu cerca de um mês depois em virtude do câncer que estava tratando: 

“Qual o fim supremo e principal do homem?”

“Essa é a primeira pergunta do Catecismo Maior de Westminster e do Breve Catecismo. A resposta segundo o catecismo é :“O fim supremo e principal do homem e glorificar a Deus e gozá-lo para sempre.” (Rom. 11:36; 1 Cor. 10:31; Sal. 73:24-26; João 17:22-24)

A pergunta poderia ser formulada da seguinte forma: “Para quê Deus criou o homem?”. A resposta seria a mesma, “para que o homem O glorifique e O goze para sempre”. Do ponto de vista humano, a resposta do catecismo seria muito agradável e confortável, se tivesse ficado apenas no “gozá-lo para sempre”. 

Embora essa questão passe muito despercebida por alguns cristãos, descobri nela o ponto central da minha fé. Simplesmente porque ela coloca a minha existência fundamentada na glória de Deus. O fato de existir para glorificar a Deus põe a baixo todas as minhas tentativas de felicidade terrena e desligada da presença de Deus. Põe a baixo toda a minha felicidade fundamentada no conforto e sucesso pessoal. Deus nos criou para a sua glória, e isso continua sendo verdade mesmo quando aparentemente possamos perder a esperança de viver. 

Em alguns momentos nossa fé precisa ser apurada pelo fogo, para realmente termos convicções sobre a veracidade e firmeza dela. Só tomamos consciência se de fato cremos no que dizemos que cremos, quando da confiança nessas verdades depende a nossa vida.

“É fácil dizer que você acredita que uma corda seja forte e segura, enquanto a está usando apenas para amarrar uma caixa; mas imagine que deva dependurar-se nessa corda sobre um precipício. Será que não iria primeiro descobrir o quanto na verdade confia nela?” C.S. Lewis

Aprender a glorificar a Deus em toda e qualquer circunstância é algo muito profundo. E muito doloroso, quando as circunstâncias em que nos encontramos, não são assim, digamos, tão favoráveis assim. Embora doloroso, assim e somente assim, poderemos alcançar a plena felicidade. Plena, porque nem mesmo as circunstâncias, ou “o mundo caindo sobre nossas cabeças” são capazes de tirar o nosso gozo de glorificar a Deus.” 

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