Joel 2.1-17: O Dia do Senhor, um chamado ao arrependimento

Introdução

Conta-se a história de que Leonardo da Vinci, levou anos para pintar seu quadro: ” A Santa Ceia”. Em vão ele procurava um modelo apropriado para a face do Salvador. Então ele encontrou um cantor de um coral, em uma igreja, cujos traços nobres lhe chamaram a atenção. Imediatamente ele chamou o rapaz Pietro Bandinelli, para posar para o quadro, e deu a Jesus a fisionomia do rapaz em seu quadro. Por muitos anos ele continuou pintando o seu quadro. Os discípulos estavam quase todos prontos, e só faltava o modelo para Judas Iscariotes, aquele que traiu Jesus. Da Vinci passou, então a andar pelas ruas de Roma, procurando um rosto adequado. Finalmente achou a pessoa com o rosto certo. Era o de um sujo e esfarrapado mendigo, com uma expressão ameaçadora em seu semblante. Ele estava parado em uma esquina e logo foi convidado para servir de modelo, o que imediatamente aceitou. Mas, quando o pintor contemplou os traços do mendigo mais atentamente, de susto, o seu pincel lhe caiu da mão. tratava-se do mesmo Pietro Bandinelli, cujo bonito rosto, o pintor já havia usado como modelo para o rosto do Salvador. O que é que havia transformado o anterior rosto angelical em um rosto de bandido, de Judas? A pobreza? A fome? a doença ou coisa parecida? Não, o pecado o havia rebaixado tanto! Ele se tornara um alcoólatra, um viciado jogador. Havia descido degrau por degrau, até que seu rosto mais parecia o de um homem mau do que de um anjo.

Da mesma maneira, a igreja torna-se motivo de escárnio e horror, quando abandona os caminhos do Senhor. Fica desfigurada.  

  1. 2.1-11 – A vinda do Dia do Senhor 

Vs. 1 – O exército da destruição

Joel não está apenas vendo a destruição dos gafanhotos, mas a partir dessa destruição ele vê o Dia do Juízo Final. A cena é muito impactante.  

A cena torna-se militar, mais que isso, temos proporções cósmicas. 

Tocar o shofar ou chifre de carneiro era um sinal pelo sentinela que ficava sobre o muro dando o alarme em caso de invasões inimigas e outras calamidades. 

Meu santo monte, Sião, é o local mencionado porque era elevado, porque alojava os sacerdotes cujo dever era soar o alarme e porque seus habitantes podem ter se enganado, pensado que ele fosse inviolável. 

Com o alarme, os moradores perturbam-se diante de acontecimentos tão temíveis que só podem ser descritos como o dia do Senhor. 

Porque está próximo um dia de escuridade e densas trevas. A espessa nuvem de gafanhotos que é comparada a um exército que traz escuridão sobre a terra. Eles vem sobre a cidade. 

À sua frente há um jardim, atrás, um deserto. Mostra a destruição total. 

Os gafanhotos são comparados a cavalos, e carros que devoram. É ensurdecedor e terrível. Eles saltam sobre as montanhas. 

Termina falando sobre o Dia do Senhor. Duplo cumprimento. Os céus se agitando, a terra tremendo, o sol e a lua escurecidos, as estrelas sem luz. São sinais do juízo de Deus. 

Deus está lutando contra o seu povo. Devemos nos perguntar, contra quem estamos nos posicionando? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Mas se Deus for contra nós, não há esperança. 

O toque da trombeta emoldura esse texto profético. É uma imagem, porém, que se perde entre os tantos ruídos que fazem nosso cotidiano. Que paralelo poderíamos fazer? Que fatos apelam hoje ao interesse público de forma massiva e maciça? E que pertinência esses fatos e alarmes têm com nossa realidade mais imediata? Que diferença fazem para o exercício do amor próximo?

Nossa cultura é excepcionalmente comunicacional e plural. Estamos envolvidos em um constante sentimento e ilusão de “assembleia reunida” por meio das tantas redes de informação. Receber uma notícia ou outra difere à medida de nossa relação com a realidade envolvida nos fatos. Além de muitas trombetas e toques diferentes, vivemos sob ameaças que, se bem pensadas, pouco nos dizem respeito. Quantos de nossos medos são secundários? Quantos de nossos sentimentos de culpa são obsoletos?

A mensagem profética é sempre economicamente eficaz, porque é uma mensagem que visa nos desfragmentar. Os profetas criticavam as idolatrias não porque Deus precisava que o defendessem. A crítica profética dirige-se, antes de tudo, ao coração humano fragmentado e dividido conforme seus deuses e desejos mais primários. O monoteísmo é um artefato teológico profético por excelência. Por ser “mono”, opera efetivamente como uma “redução” de custo religioso. Orações, penitências, jejuns têm de ser feitos comedida e eficientemente. Eficiente em relação a uma forma justa de pensar e agir humanamente, focada em um Deus zeloso e misericordioso.

2) 2.12-17 – Um chamado ao arrependimento: A esperança de livramento 

Embora o julgamento está às portas, não é tarde demais para se arrepender. O convite bondoso vem do próprio Senhor. O mesmo Senhor que troveja do céu em juízo, traz esperança de livramento. 

Vs. 12 – agora mesmo (atah) – sinal de urgência. Não é para amanhã, não é para o mês que vem. Não é para quando as coisas estiverem mais tranquilas. Pessoas estavam atarefadas demais em Sodoma e Gomorra, e não tiveram tempo para buscar a Deus e serem salvas da destruição iminente. 

Vs. 13 – rasgai o vosso coração e não as vossas vestes 

A contrição interna é mais importante do que uma manifestação meramente externa. Rasgai o coração significa: modifiquem a atitude de vocês. Um coração quebrantado e contrito perante o Senhor (Sl 51.17). 

Porque o SENHOR, vosso Deus, é misericordioso (hannun – gracioso, atributo usado apenas a Deus, aquele que ouve o choro do oprimido), compassivo (rahum – sempre relacionado à compaixão de Deus ), tardio em irar-se (arek – longo, comprido, paciente, tardio para irar-se), grande em benignidade (rav hesed – o amor leal de Deus, as misericórdias que se renovam a cada manhã), e se arrepende do mal (naham– se arrepender, ter compaixão, consolar-se a si mesmo). O arrependimento do Senhor ocorre em resposta ao arrependimento humano (mesma palavra em Jn 3.10). 

Ronaldo Adelino da Costa. Esse presidiário fora levado para o Presídio Aníbal Bruno e colocado na cela do isolamento, um quarto pequeno sem energia elétrica. Ronaldo contou que naquele lugar o pensamento que se tem é só de morte. Porém, dois dias depois passados naquela cela, a vida de Ronaldo mudou. O testemunho dele é que “um homem chegou na porta da cela e pediu para que eu chegasse mais perto, pois ele queria orar por mim. Ele colocou as mãos na minha cabeça e orou. A partir dali, senti que não estava só. Nunca mais vi aquele irmão, nem sei seu nome”, revelou o Ronaldo, que já havia participado de uma igreja, mas se desviara, [note também o efeito do orar com imposição de mão]. Hoje, Ronaldo Adelino da Costa, embora cumprindo pena de 34 anos, é casado, pai de três filhos e é pastor – pastor da Igreja Evangélica Interdenominacional do Presídio Aníbal Bruno – são 140 membros em um campo missionário com mais de 2.500 homens.

Os atributos de Deus. 

Quando isso ocorre? 

Duas vezes. 

Na primeira vinda, na Cruz. Na segundo vinda, acontecerá. 

Vs. 14 – Quem sabe ele não se voltará e se arrependerá e deixará após si (não mais o deserto), mas uma bênção, oferta de manjares e libação (não mais destruição, mas a restituição total dos danos causados pelos gafanhotos. As ofertas mostrarão o relacionamento restaurado, pois os sacrifícios diários foram renovados. 

As provisões materiais de Deus ao seu povo são para adoração a ele e conforto dos seus. Essas coisas estão totalmente interligadas.  

Então, o profeta, encorajado por essa mensagem de esperança traz imperativos ao povo: 

Vs. 15-16: 

  • Tocai a trombeta (mostrar que as coisas não vão bem, é um estado de calamidade. Devemos levar com a seriedade que é devida. 
  • Promulgai santo jejum (o que é o jejum? Fome por Deus. Levar ao estado físico, o desejo da alma. Pano de saco e cinzas. Um sinal visível de arrependimento. Devemos rasgar o coração, e isso traz mudanças visíveis também. Em 1756, o rei da Inglaterra convocou um dia solene de oração e jejum, por causa de uma ameaça por parte dos franceses. John Wesley comenta esse fato em seu diário, no dia 06 de fevereiro: “O dia de jejum foi um dia glorioso, como Londres raramente tem visto desde a restauração. Cada igreja da cidade estava lotada, e uma solene gravidade estampava-se em cada rosto. Certamente, Deus ouve a oração, e haverá um alongamento de nossa tranquilidade. A humildade transformou-se em regozijo nacional porque a ameaça da invasão dos franceses foi impedida. O mesmo ocorre com Ezequias e Senaqueribe). 
  • Proclamai assembleia solene (Convocar todo o povo para buscar a face do Senhor) 
  • Congregai o povo 
  • Santificai a congregação (mas não é uma congregação unida apenas, uma união sem santidade é abominável ao Senhor. Mas para a santificação. Para o crescimento na palavra). 
  • Ajuntai os anciãos, Reuni os filhinhos e os que mamam, saia o noivo e a noiva (todos sem exceção. Até o noivo e a noiva e o bebezinho). 
  • Chorem os sacerdotes (os sacerdotes devem ser aqueles que mostram contrição, e não apenas vivem de uma religião exterior). 

Orem: 

Vs. 17: 

Poupa o teu povo, ó SENHOR, e não entregues a tua herança em opróbrio, para as nações façam escárnio dele. Por que hão de dizer entre os povos: Onde está o seu Deus? 

Pedem por libertação. O pecado enfraquece a igreja e fortalece as mãos do inimigo. O testemunho da igreja é apagado e o povo de Deus é envergonhado e derrotado. Então devemos clamar a Deus, não fiados nos merecimentos do povo, mas na generosidade do Deus da Aliança. 

Para que o nome do Senhor não seja envergonhado. A maior preocupação do profeta não é com a condição do povo, mas com a glória de Deus. Esse é o fim último da nossa vida. 

Quando a igreja não glorifica a Deus, as pessoas duvidam da existência do Senhor. Quando a igreja anda na aliança, as pessoas veem Deus na vida da igreja. 

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