Joel 2.18-32: A Restauração Completa do Povo de Deus

Introdução: 

Quando o Espírito do Senhor é derramado, pescadores iletrados, incrédulos, temerosos, que negaram a Jesus por medo de criados, se tornam em pregadores intrépidos, eloquentes e usados por Deus até a morte. 

Quando o Espírito do Senhor é derramado, a igreja cresce em comunhão, conversão, arrependimento, graça. 

O Espírito foi derramado, e as sombras se tornaram em clara luz. O que antes era apenas tateado, agora está dentro de nós. 

Eles não tinham nada, mas eram os homens mais prósperos do mundo! 

Vivemos dias em que o ter é mais importante que o ser. Em que o material está acima do espiritual. Nesse texto vemos que Deus se preocupa tanto com o material como com o espiritual. Mas que este é muito superior àquele. 

Contexto: 

Grande crise financeira em Judá:

  • Praga de gafanhotos 
  • Grande seca havia se instalado por alguns anos, provocando incêndios e graves problemas financeiros. Um país que dependia da agricultura. Faltava alimento, recursos, e prejudicava o trabalho do templo. 

Joel interpreta a praga como um juízo de Deus contra seu povo porque não estavam servindo a Deus de todo coração, embora tivessem muita religiosidade externa. 

Ele vê a invasão de gafanhotos e as calamidades como um prenúncio do dia do juízo final. Em que Deus virá para julgar. 

  1. Restauração Material (vs. 18-27)
  • A vitória sobre os gafanhotos. Joel vê uma vitória em seu tempo, e uma vitória futura. Ele vê uma prosperidade material e uma prosperidade espiritual. 

Os verbos do vs. 18 e 19, introdutórios, estão no imperfeito (hebraico) que pode ser traduzido no passado. A ideia aqui é que houve um período de tempo entre o choro dos sacerdotes e do povo e a resposta do Senhor. Não foi algo instantâneo e repentino. 

Joel deu o diagnóstico de juízo e a nação atendeu, se arrependendo, prestando o devido culto de lamentação. E agora, Joel recebe o oráculo divino de proclamação da salvação de YHWH.  

Vs. 18: O Vs. 14 mostra que Deus poderia dizer não ao povo. Contudo, ele responde com um glorioso sim. Ele se mostrou “zeloso” (yqane) – ter ciúmes, ser zeloso. O ciúme como atributo divino denota uma profunda preocupação e um amor zeloso quando o objeto desse amor é ameaçado. 

Ilustração: Pai protegendo um filho do perigo. Uma galinha protegendo seus pintinhos. 

O verbo compadeceu-se (yhamol) é o mesmo que “poupar”no vs. 17 (poupa o teu povo). Ele ecoa a petição como uma resposta específica à oração. Deus ouve a oração feita com sinceridade diante dele. Deus não despreza o coração compungido. 

Terra e Povo. Deus tem uma aliança com seu povo, e deu-lhe uma terra. Eles quebraram essa aliança e viram a terra ser prejudicada. 

Vs. 19: Envio cereal, vinho e óleo (ofertas de manjares e de libação). A aliança foi restaurada!! 

Deus é sensível às necessidades físicas e psicológicas do povo de Deus. Ele promete restaurar o suprimento de alimentos destruído pelos gafanhotos (cf. 1.10). E remover o escárnio das nações sobre seu povo. YHWH agora é aliado do seu povo na guerra contra os gafanhotos. Eles serão levados para longe, com um vento forte e serão destruídos. 

Vs. 21 – Não temas, regozija-te e alegra-te porque YHWH faz grandes coisas. Isso é mais que uma mensagem de consolo. É uma ordem. Confiar no Senhor e se alegrar nele (Hb 3). 

Alegrai-vos e não temais porque: 

Vs. 22: os pastos ficarão verdes de novo, as árvores darão fruto, a figueira produzirá (a figueira produzir era uma esperança do sol nascer para Israel). A vide produzirá (alegria). 

Vs. 23: Deus dará chuva temporã (primeira chuva – Salmo 84.6: o qual, passando pelo vale árido, faz dele um manancial, de bênçãos o cobre a primeira chuva) e serôdia (última chuva – chuvas de março e abril que amadurecem os cereais da Palestina).

Vs. 24: as eiras se encherão de trigo, os lagares de vinho e de óleo. 

Vs. 25: restituir-vos-ei os anos que foram consumidos. Comereis abundantemente, e vos fartareis e louvareis o nome do Senhor. 

A bênção que Deus nos dá deve redundar em glória para ele. 

Vs. 27: E  sabereis (yada) 

Deus responde à petição do vs. 17: eles dirão: “Onde está o Deus deles?”. Todos saberão que eu estou no meio de Israel. 

Aplicação: Não andeis ansiosos quanto ao que comer ou vestir. Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça e todas as outras coisas vos serão acrescentadas. 

Quando me preocupo com o nome, a vontade e o reino de Deus, ele se preocupa com meu pão diário, minha proteção e em me perdoar. 

2) Restauração Espiritual (vs. 28-32) 

Gosto muito do texto de Daniel 9. Que narra a oração de Daniel. Ele percebe que a profecia de Jeremias falava sobre 70 anos de cativeiro, e Daniel já estava a 70 anos na Babilônia. Então ele começa a orar pedindo perdão pelos pecados do povo. 

Enquanto ele orava, diz o texto, que o anjo Gabriel chega rapidamente voando. Ele foi voando muito rápido para falar com Daniel. Era algo urgente. Então, ele diz que vai além. Que a profecia não diz respeito apenas àquele tempo e aquela geração. A profecia ia muito mais além. Eram 70 semanas, que culminavam na redenção do povo de Deus e sua vitória final. 

Aqui, Joel tem um vislumbre da vitória final do povo de Deus. Ele vê a vinda do Reino de Deus. 

Vs. 18: Depois destas coisas, eu derramarei do meu Espírito sobre toda a carne. 

O oráculo fala de uma nova era de perfeito relacionamento com Deus. Jeremias havia descrito essa era como a lei escrita nos corações (Jr. 31.31-34; Sl 40.8). Ezequiel a descreveu como a doação de um novo coração (Ez 36.26,27). O desejo de Moisés: Nm 11.29: “Tomara todo o povo do SENHOR fosse profeta, que o SENHOR, lhes desse seu Espírito”. Haviam escravos de todas as nações no meio de Israel. 

O povo de Deus se voltou para o Senhor, e Deus derramaria de si sobre eles.  

Há duas ênfases na primeira seção sobre a restauração da aliança de Deus com seu povo: 1) o Espírito será dado em abundância; e 2) será dado sobre toda a carne. 

O texto tem um tom escatológico, tendo em vista a palavra “depois” (aḥȧrē), o que implica que esta promessa seria cumprida por Deus em um tempo adiante. Há um cumprimento deste texto em Atos 2 de forma contínua, onde há um cumprimento inicial em Pentescostes que continua durante o período da Igreja, até o cumprimento final na segunda vinda de Cristo.  Em Atos 2, a partir do verso 16, Pedro explica que o derramar do Espírito que acabara de acontecer era o cumprimento da profecia de Joel. O derramar do Espirito sobre toda carne, abriria o período denominado “últimos dias”, e se manifestaria em pessoas de todos tipos, não só homens, mas também mulheres, jovens, crianças e servos. 

O oráculo fala de uma nova era de relacionamento entre Deus e seu povo, diferente dos dias atuais em que ele vivia. Jeremias tinha descrito essa em termos de da lei escrita nos corações (Jr 31.31-34) e Ezequiel descreve como a doação de um coração novo (Ez 36.26,27). No ministério de Joel, a nação de Israel, não andava com fidelidade e intimidade com Deus. 

Depois do juízo de Deus, sua misericórdia vem sobre seu povo e agora temos uma restauração da aliança de Deus de forma plena. Há duas ênfases na primeira seção sobre a restauração da aliança de Deus com seu povo: 1) o Espírito será dado em abundância; e 2) será dado sobre toda a carne. 

Toda carne quem: Cada setor da sociedade, jovens e velhos, homens e mulheres, escravos e cidadãos livres, todos estarão aptos para receber dos oráculos de Deus, sem mediadores, sem sombras. 

Vs. 29: O que é receber o Espírito Santo? Compreender os Oráculos de Deus. Não haveria mais necessidade de um profeta em Israel, porque todos profetizariam (compreender a Palavra do Senhor para aplica-la). Todos teriam o testemunho interno do Espírito. Todos contariam com a iluminação do Espírito Santo. 

Profetizarão, Sonharão, Terão visões: Eram as três formas que um profeta recebia os oráculos de Deus. José (Gn 37.5), Salomão (1Rs 3.15), Daniel (Dn. 4.5) sonharam. Jeremias (Jr 25.13), Miquéias e Urias (Jr 26.18, 20), todos os profetas profetizavam. Visão: Natã, Jacó (Gn 46.2), Ezequiel (Ez 1.1), Daniel (Dn 4.5), 

O Derramamento do Espírito Santo terminaria com o exercício profético no meio do povo de Deus. Não um, mas todos agora seriam sacerdotes e não precisariam de mediação entre eles e Deus. Também não precisariam de intermediários para ouvir a voz de Deus, porque a palavra do Senhor seria impressa em seus corações, e eles teriam condições de ouvir a voz de Deus, pela iluminação do Espírito quando se aproximassem da Lei do Senhor. 

E eles poderão compartilhar desse conhecimento de Deus com outros profetizando, ou seja, pregando sobre quem é o Deus com quem eles se relacionam. A palavra “profetizar” quando usada no Novo testamento está relacionada à pregação da Palavra.

Vs. 30-32: Destino de todas as nações 

Também se inicia um um wĕhāyâ. É um indicador de tempo e uma cláusula consecutiva. Que é consequência do derramamento do Espírito. Agora, todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo. O tempo da restauração do povo de Deus é chegado. 

Vs. 30, 31: Mostrarei prodígios no céu e na terra: sangue, fogo e colunas de fumaça. O sol se converterá em trevas, e a lua, em sangue, antes que venha o grande e terrível Dia do SENHOR. 

O Senhor mostrará “prodígios”. Essa palavra significa sinais, maravilhas, milagres ou símbolos. Neste caso, os prodígios ou sinais do Dia do Senhor, serão mostrados tanto no céu como na terra, ou seja, em toda a dimensão cósmica, em todos os planos. Naquele momento, céus e terra estarão diante do Senhor e do seu poder. Os prodígios são sangue, fogo e colunas de fumaça, que são símbolos de uma guerra que o Senhor empreenderá contra os inimigos. Ao mesmo tempo, ao citar essas palavras, o autor descreve o juízo de Deus como um sacrifício mundial à sua santidade, quando serão julgadas pelo Senhor por desprezarem sua glória. Ao mesmo tempo que mostra cidades queimadas, tropas ensanguentadas, e fumaça de destruição deixando seu rastro. A palavra “colunas de fumaça” pode ser traduzida como “cogumelos”, em um sentido como “em forma de árvore” ou “nuvem de cogumelo”, o que nos dá a ideia de uma fumaça que sai de um vulcão em erupção, ou mesmo de uma grande explosão.

Essas imagens passadas pelo profeta nos remetem aos feitos de Deus no Êxodo,  em que o julgamento do Egito significava a libertação de Israel. O rio Nilo se torna em sangue (Êx 7.17), a saraiva e fogo ferem a terra (Êx 9.24) e o monte Sinai fica encoberto de fumaça (Êx 19.18). Além disso, esse texto nos remonta ao texto de Apocalipse, quando o Dia do Senhor virá e ele julgará as nações. 

Na linha 10, temos o sol escurecido e na linha 11, a lua em cor de sangue. Em Deuteronômio 30.15-20, Deus toma os céus e a terra como testemunhas do seu pacto com o povo, como testemunhas imutáveis diante de um povo volúvel. Quando Cristo morre na cruz, o sol se tornou em trevas durante o período que Jesus esteve na cruz. Os céus se enegrecem e a terra treme na morte de Cristo. Agora, no Dia do Senhor, novamente as testemunhas do pacto se manifestam. O sol e a lua mostrarão sinais quando o Senhor executar sua justiça contra os ímpios.

Vs. 32: E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo, porque, no monte Sião e em Jerusalém, estarão os que forem salvos, como o SENHOR prometeu, e, entre os sobreviventes, aqueles que o SENHOR chamar. 

Invocar o Nome do SENHOR: No mundo semítico, o nome de uma pessoa costumava ter um significado que ia além da mera identificação, era uma descrição do caráter ou de sua condição. O nome de Deus representa a natureza essencial de Deus revelada ao povo como uma força atuante em sua vida.   Com isso podemos entender que a expressão é “indicativa de um ser pessoal ou da totalidade do caráter santo de Deus”.  Neste caso, eles não devem buscar um teísmo qualquer, mas devem uma dedicação exclusiva a Yahweh. Na sua adoração é ao nome de Yahweh e nada além do seu nome que eles devem clamar. 

Serão Salvos: O verbo será salvo (yimmaliṭ) está no Nifal, ou seja, é passivo. Neste caso, o texto mostra que a salvação de Deus não vem deles, mas do Senhor. Além disso, esse verbo é um Imperfeito que dá a ideia de uma situação que ocorre como consequência de outra.  Neste caso, a salvação do Senhor, vem depois que eles clamam a Ele. 

Sião e Jerusalém: “Pois, no monte de Sião e em Jerusalém”. A conjunção “pois” (kî), é uma conjunção explicativa e mostra que a salvação daquele que clama está localizada “no monte de Sião e em Jerusalém”. O monte Sião e Jerusalém são destacados como o lugar da presença de Deus, onde sua glória é vista de forma mais brilhante dentro da revelação do Antigo Testamento (Sl 99, 110, 122, 126, 128, 134, 146, 147). Normalmente no Antigo Testamento, o monte de Sião e Jerusalém são termos para denotar o mesmo lugar. Assim, na Jerusalém, ou na “cidade da paz” , terá localizado a salvação daquele que clama. 

Deus promete por meio do profeta que localizará a salvação em Sião para todo aquele que chame o nome do Senhor. O verbo “prometeu” ou “falou” é um qal perfeito, e mostra gramaticalmente o fato que, no caso de Deus, uma promessa é certeza.

Entre os sobreviventes os que o SENHOR chamar: Em Jerusalém haverá libertação, e agora, o profeta explica que aqueles que serão libertos ou salvos, são os sobreviventes, os que restarem. Todos os sobreviventes são aqueles que foram chamados pelo Senhor. Ou seja, Deus salvará, não porque eles clamaram, como se a salvação dependesse da escolha humana, mas porque antes disso, Deus os chamou. 

Conclusão: 

Um homem cristão, temente a Deus, trabalhador, esforçado, honesto voltava para casa depois de um dia longo de trabalho, ele estava com saudade de sua mulher e do filho pequeno. Fazia apenas seis meses que ele havia se tornado pai, e tinha muito desejo de chegar logo em casa e ver o seu filhinho.

Ele se dirige até a estação de trem. E quando ele está lá esperando a locomotiva, ele vê uma menina, uma criancinha que devia ter no máximo quatro anos, atravessando no meio dos trilhos. E ele sabe que aquilo é muito perigoso, e não há nenhum adulto acompanhando a criança. Ele fica imaginando. Se o trem chegasse, certamente atropelaria a menininha.

Sem pensar duas vezes, ele salta da plataforma. E andando pelo meio dos trilhos vai e pega a garotinha em seus braços, olha para trás e vê que o trem está chegando. Ele sai correndo com aquela menininha nos braços. As pessoas na plataforma que viram aquilo começam a torcer por ele e a gritar. – Corra, corra! Venha rápido! E ele se esforça e o trem vem chegando cada vez mais perto, até que ele consegue colocar a garotinha na plataforma. Porém quando ele vai saltar, o trem o apanha e ele não consegue escapar.

A multidão sentiu um frio na boca do estomago, muitos chegaram a desfalecer com aquela cena, outros começaram a chorar. – O homem morreu! Sussurravam alguns. As pessoas ficaram comovidas. E olham para a garotinha que não entende nada do que está acontecendo, e que nem imagina que sua vida foi salva por aquele desconhecido.

Nisto, no meio da multidão, surge uma mulher e toma a menininha pela mão. Dá uma bronca na filha, e diz:

– Menina onde você estava andando! Que eu te procurava até agora.

E sai sem dizer uma única palavra. Alguém interrompe aquela mulher e diz:

– Minha senhora sabe o que acaba de acontecer? Ela responde:

– Não sei. Estou muito brava, estava procurando minha filha.

– Pois é. Aí debaixo do trem, tem um homem, que nós não sabemos quem é. E nem vimos o seu rosto direito. Mais ele salvou sua filha da morte. Tirou a sua filha do meio dos trilhos. Colocou-a em segurança na plataforma. Porém, ele mesmo não salvou a sua própria vida. Ele morreu. Morreu para salvar sua filhinha.

E você sabe o que aquela mulher disse? NADA. Não respondeu nada. Pegou a filhinha pela mão e saiu do meio da multidão sem olhar para trás, como se nada tivesse acontecido. Como se ela não tivesse sido beneficiada. Como se a sua filha não tivesse sido salva.

O que está entre a restauração física e a restauração espiritual? A CRUZ. 

JESUS é centro de tudo. 

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