Salmo 19: Estamos desafinados na orquestra da criação?

Introdução:

Um instrumento desafinado destoando da música.

Há muito barulho em nossa cabeça. Há barulho em todo lugar que nos atrapalha de ouvir a voz do Criador. Como podemos ouvir a Deus, deixando o barulho, e ouvindo a bela melodia da criação?

Contexto:

Dividido em três partes. Há três vozes no salmos. Duas primeiras falam da voz da criação (ciências exatas ou da natureza também), a revelação geral de Deus, a segunda parte, fala da lei do Senhor, a voz de Deus (ciências humanas – direito).

1) A Voz da Criação (vs. 1-6)

Aponta para as obras de Deus. Discurso sem palavras. Céus proclamam a glória de El (Elohim). Gn 1 e 2. Revelação geral.

Sobre esse salmo, Addison Alexander Hodge afirma que é a ideia é de um testemunho perpétuo comunicada pela figura de um diane uma noite seguindo um após o outro como testemunhas numa sucessão ininterrupta… A ausência de linguagem articulada, longe de enfraquecer o testemunho, o torna mais forte. Mesmo sem linguagem ou palavras, os céus testificam de Deus a todos os homens.

Design inteligente

Matemática – regra de ouro / A harmonia da criação.

Esta regra de ouro é conhecida por muitos de nós ligados ao design, arquitectura, fotografia, publicidade, escultura, pintura, música… entre outras artes e técnicas.

Você deve de estar a perguntar o porquê da importância desta proporção?
No entanto, posso adiantar-lhe que é uma “regra” base para atingir a perfeição utilizada por antigas civilizações até mesmo antes de Cristo.

Ainda há quem diga que é a proporção divina, a proporção utilizada por Deus para dar forma ao mundo pelo facto de ser descoberta em muitos aspectos. Este número de Ouro é representado pela letra grega (Phi). O número Phi corresponde a 1,618. Segundo a Proporção Áurea é de 1 cm para 1,618 cm, sendo essa a relação de equilíbrio ideal.

Razão entre o comprimento e a largura do Parthenon em Athenas: 1,618.

Mas em 1200, Leonardo Fibonacci um matemático que estudava o crescimento das populações de coelhos desenvolveu a mais famosa sequência matemática: a Série de Fibonacci. (1 1 2 3 5 8 13 21 34 55…) e descobre que a média da proporção de crescimento é… 1,618. Os números por vezes variam por defeito ou por excesso, mas a média é sempre 1,618, exatamente a mesma proporção utilizada nas pirâmides do Egipto e no retângulo de ouro dos gregos!!!

Pois é. Com todas estas coincidências (ou não) os cientistas começam a fazer estudos matemáticos sobre a natureza e obtêm descobertas fantásticas como a espiral logarítmica:

– A proporção de abelhas fêmeas em comparação com abelhas machos numa colméia é de 1,618.
– A proporção que aumenta o tamanho das espirais de um caracol é de 1,618.
– A proporção em que aumenta o diâmetro das espirais sementes de um girassol é de 1,618.
– A proporção em que diminuem as folhas de uma árvore à medida que subimos é de 1,618.
– As estrelas distribuem-se perante um astro principal numa espiral obedecendo à proporção de 1,618.

– Medindo a sua altura dividindo pela altura do seu umbigo até o chão; o resultado é 1,618.
– Medindo o seu braço inteiro, dividindo pelo tamanho do seu cotovelo até ao dedo; o resultado é 1,618.
– Meça a sua perna inteira e divida pelo tamanho do seu joelho até o chão. O resultado é 1,618.

A perfeição da criação:

A inteligência indicada em um livro, não está no livro em si, mas no seu autor. A inteligência de uma calculadora ou qualquer invenção não encontra-se no objeto, mas no criador. A inteligência em uma obra de arte, não encontra-se na obra em si, mas no artista.

Hodge cita o exemplo do olho humano para indicar que Deus é o criador de todas as coisas:
No olho, por exemplo, existe o mais perfeito instrumento ótico construído em harmonia com as leis secretas da luz. Encontramos ali o único nervo do corpo suscetível às impressões da luz e das cores. Esse nervo se abre na retina. A luz é recebida através de um orifício no globo, o qual passando pelo mais delicado complexo de músculos, é ampliado ou contraído, segundo o grau de luz que se projeta na retina, cuja ampliação ou contração não depende da vontade mas dos estímulos da luz propriamente dita. A luz, contudo, meramente atravessando um orifício, não provoca a imagem do objeto do qual foi refletida. Portanto, ela se faz passar através de lentes perfeitas na forma, tanto para refratar os raios como para conduzi-los a uma correta focalização na retina. Se a câmara interior do olho fosse branca, então refletiria os raios entrando na pupila em todos os ângulos, tornando a visão impossível… Essa câmara é alinhada com um pigmento preto. Por meio de um arranjo muscular delicado, o olho é capacitado a adaptar-se à distância de objetos externos para que a correta focalização possa ser preservada. Essa é uma pequena parte das maravilhas exibidas por esse órgão singular do corpo… Esse órgão é formado nas trevas do ventre materno, com uma auto-evidente referência à natureza e propriedades da luz, das quais a criatura para cujo uso ele foi formado não tinha nenhum conhecimento nem experiência.

A distância da terra para o sol e para a lua. O besouro bombardeiro (joga um ácido nos seus inimigos). Mas porque esse ácido não o derrete? Porque ele tem duas substâncias em compartimentos distintos em seu corpo, que entram em contato quando são expelidos e entram em combustão.
TUDO APONTA PARA O CRIADOR. OLHE PARA A BELEZA DO MUNDO AO SEU REDOR E PERCEBA QUE NADA DISSO É MAIS BELO DO QUE O CRIADOR. E SEM NENHUMA VOZ, A CRIAÇÃO LOUVA ESTRONDOSAMENTE AO CRIADOR.

2) A Voz de Deus (vs. 7-10)

A lei do Senhor é perfeita. Na revelação especial ele é YHWH (vs. 7). Gênesis 2.4. O Deus que se revela.

Em Atos 17, Paulo fala do Deus Desconhecido aos cidadãos atenienses. Eles o conheciam pela revelação geral, mas agora poderiam conhece-lo pela revelação especial.

Tudo que a revelação especial é: comunicação com palavras.

Uma sequência de paralelismos sintéticos. São paralelos, e acrescentam informações sobre a Voz de Deus.

Lei, Testemunho, Preceitos, Mandamento, Temor e Juízos são sinônimos, e as palavras que se seguem são características dadas pelo salmista sobre a PALAVRA DE DEUS e o que ela gera naquele que a segue.

A lei do SENHOR é perfeita (tamiym): completa, total, inteira, integral. Nada falta, temos nela tudo que precisamos para nossa vida com Deus.
E restaura (shuwb) a alma: retornar, voltar, ir de volta. Faz nossa alma se voltar para o nosso criador. A restauração da alma é quando ela está em contato com o SENHOR. Ela é perfeita para nosso relacionamento com Deus.

O testemunho do SENHOR é fiel (aman): é confirmado, nutri, substantivo pode significar pai adotivo, mãe adotiva ou enfermeira. Aquele que carrega. Também pode ser traduzido como os pilares da porta. Aquele sustenta, que firma, que é seguro e estável. O testemunho do SENHOR nos carrega, nos sustenta porque não poderíamos ficar de pé diante da sua santidade.
E dá sabedoria aos símplices (mahechymat petyi): hacham – sabedoria, ser sábio, instrui. Petyi – aquele que é ingênuo, tolo. Deus transforma tolos e débeis em sábios. A sabedoria não se encontra em conhecer muito, mas em viver a palavra de Deus. Há muitos doutores tolos, e muitos iletrados sábios.

Os preceitos do SENHOR são retos (yashar): reto, honesto, correto, direito.
E alegram o coração (samach): regozijar-se, exultar, ficar alegre.
Quanto mais glorificamos a Deus, andando nos seus caminhos, mais nos alegramos nele. Não há fonte de alegria eterna a não ser o SENHOR.

O mandamento do SENHOR é puro (bar): puro, claro, sincero.
E ilumina os olhos (owr): tornar claro, brilhar. Estávamos cegos, e agora vemos.
John Newton: eu era cego, mas agora vejo.

O temor do SENHOR é límpido (tahowr): limpo, puro (moral e eticamente).
E permanece para sempre (omedet laad): estar de pé, permanece, mantém. Para sempre.

Os juízos do SENHOR são verdadeiros (emeth): verdadeiro, firme, fiel, credibilidade, certeza.
E todos igualmente justos, mais desejáveis que o ouro e mais doces que o mel. Não há dúvidas.

Para afinar um instrumento é necessário um diapasão que dá a nota. A Bíblia é quem nos dá a nota sobre como devemos viver nesse mundo.

Transição: Sente-se em desequilíbrio. Vê a perfeição da criação de Deus e da palavra de Deus. E é confrontado pelo seu pecado.

3) A minha voz (vs. 11-14)

Romanos 1.19-21: “porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são por isso indesculpáveis; porquanto tendo o conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus”.

Por meio desses mandamentos somos admoestados (zahar): admoestar, avisar, ensinar, trazer luz.

Quem pode discernir as próprias faltas? Somente por meio da Lei do Senhor percebemos a gravidade do nosso pecado e o quanto merecemos a condenação.

O fato de termos as revelações geral e especial, nos torna indesculpáveis diante de Deus. Porque nossa voz está desafinada com toda melodia da criação. Então Davi clama: absolve-me (naqah): ser puro, ser inocente. Davi claramante pede: SENHOR, me justifica.

Somente depois de sermos justificados, então somos santificados. Podemos agora, estar em consonância com a melodia da criação, não mais dissonantes.

Vs. 14: Que minhas palavras sejam agradáveis na tua presença.

Que a fala dele seja compatível com o grande coral que glorifica a Deus.

Meditar: higgayown – meditar, música solene. Que a música do meu coração seja de acordo com a tua.

Meditar na criação e na palavra de Deus são coisas fundamentais que Deus usa para corrigir o nosso coração.

Cristo teve harmonia com o Pai. Ele cumpriu a lei perfeitamente. Rm 8.29.

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