Salmos 24: O Rei da Glória

“Quem subirá ao monte do SENHOR? Quem há de permanecer no seu santo lugar? O que é limpo de mãos e puro de coração”. Salmos 24.3,4a

O Salmo 24 foi escrito por Davi, e colocado em uma sequência lógica messiânica dos Salmos 22, 23 e 24. Onde o primeiro retrata o sofrimento do Messias, seguido de sua confiança em Deus e sendo levado a um vale de sombra de morte, e por fim em uma conclusão mostrando a glorificação e vitória do Messias.

Quem pode estar diante dele? Quem subirá ao monte do SENHOR? Quando Davi cita o monte do SENHOR, é possível que Davi esteja falando do Monte Sinai ou Monte Sião, pois estão associados às teofanias e à aliança. Provavelmente, Davi se refere ao Monte Sião, que também é chamado de monte santo (Sl 2.6), e posteriormente Davi fala do lugar santo. Sião é o lugar onde Deus vive para sempre (Sl 68.17) e também denota especialmente o papel de Yahweh como Rei e como Criador. 

A resposta em seguida mostra os requisitos ao povo para adorarem ao SENHOR, para subirem à sua presença. Davi provavelmente está pensando no Tabernáculo ou no Templo que seria construído futuramente.

O verbo permanecer ou subir aparece algumas vezes em textos escatológicos e messiânicos: “de Israel subirá um cetro” (Nm 24.17). Jó afirma: “eu sei que o meu Redentor vive e por fim se levantará sobre a terra” (Jó 19.25). Neste caso, quem pode subir ou permanecer no santo lugar, perante o Senhor? Davi faz uma pergunta que aponta para o Messias, ele é quem subirá, o cetro, o Rei da Glória que subirá ao monte santo do Senhor para a redenção dos povos.

O que é limpo de mãos e puro de coração. 

Davi agora começa a descrever o caráter daquele que subirá ao monte santo, que pode permanecer diante do Deus Todo-Poderoso. Davi faz duas afirmações positivas, do que ele é. 

Ele é limpo de mãos.

A palavra “puro” (neqiy) significa também ser livre, isento de culpa, inocente. Essa palavra está diretamente ligada a sacrificar, derramar libações, carregando o significado de ser puro, limpo, imaculado. Essa palavra, no sentido forense, significa a absolvição da culpa. Ao se declarar uma pessoa limpa ela é posta em liberdade. Nesse caso recorre a uma conduta ética fortalecida por meio da absolvição jurídica. Ele não tem pecado diante de Deus. O termo mãos, implica a questão de suas ações. Em suas ações ele não tem pecado. É totalmente inocente. Além de não fazer o mal, ele faz o bem. Ele é inocente e justo. O povo de Deus deve buscar andar em santidade e ter suas ações de acordo com a lei do Senhor. E quando pecar, deve buscar em arrependimento, o perdão de pecados por meio do sacrifício, tornando-se limpo.

Ele é puro de coração.

A palavra puro (bar) significa potassa ou sabão, usados para lavar. O termo também se refere aos procedimentos purificadores do Messias (Ml 3.2). Ele tem seu coração limpo. O termo coração (lebab) significa a sede dos pensamentos, sentimentos, vontade e emoção. Ele é puro em todos os sentidos. Tanto em seus sentimentos, quanto pensamentos e vontades. Ele é plenamente puro. Os pensamentos do povo de Deus devem ser de acordo com a lei, tendo sua mente cativa aos mandamentos do SENHOR, amando-o acima de todas as coisas.

“Levantai ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos ó portais eternos, para que entre o Rei da Glória”. (vs. 7, 9). 

Na última parte do salmo temos quatro vezes a ordem para que os portais sejam abertos, duas vezes a entrada do Rei, duas vezes a pergunta sobre quem é o Rei da Glória e por fim, duas vezes a resposta com os atributos do Rei. O recurso da repetição no hebraico tem um significado de intensificação e força. É um hebraísmo. Por quatro vezes os portais são ordenados a serem abertos para receberem o Rei vitorioso. Esse Rei é Yahweh que mantém sua criação e leis. Ele é aquele que conquista a cidade e reina sobre ela. 

Uma questão importante é que portões são esses. Há pelo menos três possíveis interpretações. A primeira é de que seria a entrada de Jerusalém, e Davi juntamente com o povo em procissão entram na cidade com a Arca do Senhor, e o Rei da Glória é o Senhor representado pela Arca da Aliança. Uma segunda interpretação seriam as portas do Templo, e a entrada no Templo do Senhor. Por fim, acreditamos que as portas são uma alusão ao santuário celestial como em Gn 28.17 “é a casa de Deus, a porta dos céus”. Nesse caso, o salmista dá uma ordem às portas para serem abertas, para que os portais eternos, ou seja, não é apenas a porta da cidade de Jerusalém (na época de Davi), mas as portas da Nova Jerusalém, portas eternas, para que o rei da Glória entre, o Messias, o Rei dos Reis. Aqui nos é pintado um retrato da entrada do rei triunfante. Ele venceu, conquistou a cidade para sempre. Sua vitória é eterna e agora ele toma posse dessa cidade. Ele é o vencedor que pode entrar por esses portais eternos.

Davi termina dizendo que aquele que tem esses atributos é o Rei da Glória. Essa é a resposta para Israel. Sua vitória não vem pelo seu próprio braço, nem pela sua própria força ou pelo seu próprio poderio militar, mas pela força, poder, exércitos e comando do SENHOR Todo-Poderoso, aquele que venceu as forças do mal, e estabeleceu a paz. Aqui temos uma visão também Messiânica, onde o Messias é aquele que venceu na cruz. Ele removeu a ignomínia do seu povo, cancelou o escrito de dívida que era contra eles, encravando-o na cruz e despojou os principados e potestades, e publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz (Colossenses 2.14,15). Temos também uma descrição que é muito semelhante à descrição que o Apóstolo João nos dá de Cristo no livro de Apocalipse 19.11-16. Nestes versículos, João escreve:

“E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele chama-se Fiel e Verdadeiro; e julga e peleja com justiça. E os seus olhos eram como chama de fogo; e sobre a sua cabeça havia muitos diademas; e tinha um nome escrito, que ninguém sabia senão ele mesmo. E estava vestido de veste tingida em sangue; e o nome pelo qual se chama é A Palavra de Deus. E seguiam-no os exércitos no céu em cavalos brancos, e vestidos de linho fino, branco e puro. E da sua boca saía uma aguda espada, para ferir com ela as nações; e ele as regerá com vara de ferro; e ele mesmo é o que pisa o lagar do vinho do furor e da ira do Deus Todo-Poderoso. E no manto e na sua coxa tem escrito este nome: Rei dos reis, e Senhor dos senhores.”

Podemos ver João mostrando Cristo sendo seguido pelos exércitos do céu e sendo chamado de Rei dos reis. Além disso, pela descrição que o Apóstolo dá, podemos ver a supremacia de Cristo. Portanto, Cristo é descrito em Apocalipse 19 como o Rei supremo, seguido pelos exércitos do céu, e muito poderoso na batalha. Em comparação, o Rei da glória do Salmo 24 é descrito como aquele que é forte e poderoso, poderoso na batalha, e Senhor dos exércitos. Portanto, o Salmo 24 descreve um rei supremo que é o Senhor da guerra e poderoso na batalha e ninguém pode derrotá-lo. Em última instância esse Rei é Jesus Cristo, o Rei dos reis e Senhor dos senhores, a ele toda a glória, para todo o sempre. Amém!

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