Romanos 12.9-21: Como vencer o mal que nos rodeia?

Texto: Romanos 12.9-21 

Contexto: 

Romanos 12.1-8 – Transformai-vos pela renovação da vossa mente e não vos conformeis. Antes sejam humildes, unidos e servos. 

Nos vs. 1-8, Paulo traz uma ideia mais ampla de como deve ser nossa transformação e serviço no corpo de Cristo, mostrando-nos em termos gerais o que o discipulado cristão requer. Nos vs. 9-21 ele dá passa a abordar detalhadamente as atitudes e ações particulares que devem ser desenvolvidas a partir dos princípios estabelecidos nos vs. 1-8.

1) O cristão detesta o mal e se apega ao bem (vs. 9)

Nestes cinco versos, Paulo traz atributos que o cristão deve ter, começando com amor.

1 – “Amor (agápe) seja sem hipocrisia (anupokritos)”(v. 9a). Em grego, há quatro palavras que significam amor – ágape, philos, eros e storge. Ágape é um amor significativo, frequentemente usado para descrever o amor de Deus pelas pessoas (5: 5, 8, 8:39). Aqui, Paulo usa a palavra para descrever o amor que nós devemos amar. Anupokritos significa genuína – honesto – não hipócrita – ao contrário do ator (hypokritos – de onde vem a palavra “hipócrita”), que se esconde atrás de uma máscara e expressa sentimentos escritos em um manuscrito e não no coração.

Agápe genuíno é amor altruísta – amor que quer o melhor para aquele a quem amamos. No entanto, muito do que o mundo chama de amor é amor próprio. 

Pense em quanto amor romântico é direcionado para satisfazer necessidades pessoais (sexo, segurança, etc.), em vez de atender às necessidades da outra pessoa. Considere um vendedor que finge interesse em uma família apenas para ganhar sua confiança e poder vender um produto. Até mesmo o pastor é tentado a prestar muita atenção ao crescimento da igreja, a fim de equilibrar os orçamentos.

Paulo coloca o amor em primazia entre os outros atributos. Amor define o tom para os outros doze comportamentos que surgem a partir de expressões naturais de amor – “é, são as maneiras em que o amor é realmente demonstrada, e não uma versão falsa”

2 – “Detestai (apostugountes) o mal”(v. 9b). Apostugountes é uma palavra forte para expressar nojo ou aversão, ou ter medo de algo. A resposta cristã apropriada contra o mal não é apenas para evitá-lo, mas ter aversão ao mal. 

Nos acostumamos tanto com esse século e tomamos tanto a forma dele que a maldade e o pecado deixaram de ser um espanto para muitos cristãos. Que inicialmente passam a tolerar o mal, para depois passar a praticar, aceitar e defender. Isso ocorre em relação à homossexualidade e o aborto em nossos dias. 

Se devemos “odiar o mal”, devemos praticar as disciplinas espirituais de ler, orar e viver em uma comunidade cristã. “Odeio o mal” requer uma renovação diária da fé para discernir bem onde está a linha entre o bem e o mal.

Abominar alguns males é mais fácil do que odiar os outros. Por exemplo, é fácil odiar o genocídio, o terrorismo ou o abuso sexual de crianças. É fácil odiar um relacionamento casual entre uma filha e um jovem que não é do nosso agrado. É fácil ficar aterrorizado com o vício em drogas de uma criança. É menos fácil, no entanto, detestar males que nos tentam pessoalmente, álcool, dinheiro, ambição, narcisismo, auto-satisfação, passividade ou leniência para o mal.

Paulo nos diz que nós devemos rejeitar todo o mal – em todas as suas formas – que abominam cada ocorrência do mal – o mal dentro de nós, tanto quanto ele reside em nosso vizinho – abominar o mal tanto quanto o bombeiro odeia os perigos ocultos que ameaçam seu trabalho – ódio ao mal como uma mãe odeia as drogas encontradas no quarto de seu filho – considerar o mal como um inimigo. 

Há uma tensão entre “amor sem hipocrisia” (v. 9a) e “detestar o mal” (v. 9b). Devemos odiar o pecado ao mesmo tempo em que amamos o pecador – algo difícil de equilibrar – mas odiar o mal é uma das maneiras pelas quais demonstramos amor genuíno. Nós odiamos o mal porque ele tem a capacidade de destruir aqueles a quem amamos. 

3 – “apegando-se (kollomenoi – de kollao) ao bem”(v. 9c). Como detesto o mal? Apegando-me ao bem. 

Kollao é uma palavra grega que significa unir ou colar, e é a palavra de onde vem a palavra de colágeno, a proteína que tem como função manter as células unidas, muito presente na pele humana. O que Paulo chama aqui, então, é que nós unir “para o bem” – que se unem inseparavelmente “para o bem”, bem como tendões ósseos e músculos. Quando lesionamos um tendão e desconectamos o músculo, a ferida é fisicamente muito dolorosa. Assim é qualquer ruptura espiritual em nosso vínculo “para o bem”.

Versos 10-13 eles são compostos de dez preceitos cercado por três variações da palavra grega para amor phil – Filadélfia e philostorgoi – fraternal e amor da família (v. 10) e Philoxenian – amor da família (v 13).

2) O Cristão ama seu próximo (vs. 10)

“Amai-vos cordialmente (philostorgoi) uns aos outros com amor fraternal (filadélfia)”(v. 10a). Aqui, Paulo vai da palavra ágape às palavras storge e philos. Storge é grego para “amor de família – normalmente entre pais e filhos”, e philos é grego para amor fraterno, entre irmãos. Então, em sua aplicação pedindo que nós amemos uns aos outros, Paulo não pára – usa todas as palavras gregas para o amor (exceto eros, sexual, amor próprio em alguns relacionamentos, mas não outros). “Afeição familiar deve substituir o ‘julgamento’ difícil (14: 3-4, 10) e o ‘desrespeito’ (14: 3, 10). Um amor entre líderes e liderados e entre iguais. 

“Preferindo-vos em honra uns aos outros” (v. 10b).Como eu amo? Preferindo em honra. 

Quando falta amor, às vezes queremos ser mais do que os outros e sentir que vencemos quando eles perdem. Queremos derrotar – ganhar o prêmio. Queremos ganhar, em parte para nos sentirmos melhor e, em parte, para as pessoas nos admirarem. No final, o comportamento ambicioso é muitas vezes uma tentativa de obter aprovação e, portanto, se sentir valorizado e amado. Mas a ambição divide as pessoas. 

Qualquer pessoa é capaz de encontrar defeitos, somente pessoas maduras veem as qualidades do outro. Reconheça a grandeza dos outros. Pessoas magoadas, magoam pessoas. Somos chamados a levantar pessoas ao invés de derruba-las. 

3) O cristão serve com perseverança (vs. 11-13) 

“No zelo não sejais remissos (preguiçosos)” (v. 11a). 

Maldito aquele que faz a obra do Senhor relaxadamente. Temos que oferecer o nosso melhor. Se o presidente dos Estados Unidos vier ao culto faremos melhor? Se tiverem mais pessoas faremos melhor? O Deus Todo-Poderoso está diante de nós e servimos a Ele.

“Sede fervorosos de espírito; servindo (douleuontes – de douleuo) ao Senhor “(v. 11c). Douleuo fala de um serviço semelhante ao da escravidão – um serviço realizado em cativeiro. Como cristãos, servimos sob obrigação.

Ao servir ao Senhor, tenham um espírito fervoroso (usado como um sentimento extremado). Não faça nada “meia-boca”, mas entregue-se completamente. 

“Regozijai-vos na esperança” (v. 12a). Nossa alegria não deve estar nas riquezas, prestígio ou poder, mas na esperança da vinda do Nosso Senhor. Nossos olhos devem estar na eternidade, pois se nossa esperança se resumisse à esta vida, seríamos os mais infelizes dos homens. 

“Sede pacientes (hypomenontes) na tribulação” (v. 12b).Hypomenontes tem a ver com duradoura perseverança. A palavra tribulação (thlípsis) significa literalmente prensa, aperto. É quando uma azeitona é prensada e produz azeite. Paulo diz que diante das prensas, devemos ser pacientes, pois Deus está produzindo algo bom por meio da tribulação.  

 A palavra hebraica correspondente em português para prensa de azeite é Getsêmani. Podemos ensinar nossos filhos que, assim como Cristo tinha que passar pela “prensa de azeite”, nós também teremos. Haverá coisas em nossa vida que vamos sentir como se estivéssemos sendo colhidos, esmagados e prensados. Mas, se deixarmos que essas coisas nos ensinem, irão se transformar em algo doce, benéfico, curativo e nutritivo para os outros.

É porque Ele passou pela prensa de azeite que podemos nos recuperar de nossas tragédias com esperança e paz em nossos corações. Se nossos filhos tiverem pecado, nós podemos ajudá-los a se recuperar e aprender. Se eles tiverem sido machucados pela negligência de outros, também podemos ajudá-los a aprender com a prensa de azeite.

“Perseverantes (proskarterountes) na oração” (v. 12c).O pensamento aqui é muito semelhante à advertência anterior de Paulo à igreja em Tessalônica: “Orai sem cessar” (1Tessalonicenses 5:17). A oração é uma maneira pela qual o cristão recebe força. Os cristãos do primeiro século que sofreram perseguição precisaram de oração constante para ter a força necessária para manter a fé. 

“Compartilhai as necessidades dos santos” (v. 13a).Os primeiros cristãos levaram a sério as necessidades das viúvas e outras pessoas vulneráveis, particularmente na igreja. O compartilhar não é uma “fofoca santa”, mas procurar saber as necessidades dos irmãos para auxilia-los. 

“Praticai (diokontes) a hospitalidade” (v. 13b).Diokontes implica perseverar ou seguir em frente. Paulo apoia a ideia de que procuramos oportunidades para oferecer hospitalidade de maneira ativa.

O autor de Hebreus fala da hospitalidade de Abraão quando ele diz: “Não se esqueça da hospitalidade, porque, por meio dela, algumas pessoas, sem saber, receberam anjos” (Hebreus 13.2).

4) O Cristão trata aos outros com bondade (vs. 14-16)

“Abençoai os que vos perseguem, abençoai e não amaldiçoeis”. (v. 14). 

Diante da perseguição em Roma, os cristãos são chamados a reagir diante da perseguição abençoando os perseguidores. Assim como Cristo em sua morte pede ao Pai que não imputasse aquele pecado aos seus algozes, Paulo diz que não devemos desejar o mal dos nossos perseguidores, mas o seu bem. Da nossa boca sairá aquilo que está cheio o nosso coração. Que nosso coração esteja cheio de bênçãos. 

“Alegrai-vos com os que se alegram: chorai com os que choram” (v. 15).Somos chamados a nos alegrar com as vitórias e nos entristecer com as tragédias dos nossos irmãos. Compartilhar as necessidades físicas e espirituais.  

“Tende o mesmo sentimento (phroneo) uns para com os outros” (v 16A.)- a auto eis allelous phronountes -. Literalmente “Pensando a mesma coisa”. Como podemos ter o mesmo pensamento? Porque temos o mesmo cabeça. A mesma doutrina dos apóstolos, somos chamados a ter a mente de Cristo, 

“em lugar de serdes orgulhosos, condescendei com o que é humilde” (v. 16b).A tese central desta epístola é que somos todos pecadores (3.9) e que todos somos salvos pela graça de Deus e não por aquilo que fazemos (3.24). Portanto, somos todos iguais sob a graça de Deus. Ao invés de querer estar por cima, queiram servir. Ao invés de ter os pés lavados por outros, sejam aqueles que lavam os pés. 

“Não sejais sábios aos vossos próprios olhos” (v. 16c).Este é um bom conselho para todo relacionamento humano. A humildade une as pessoas, mas o orgulho as separa. 

Ilustração: Um garotinho diz para sua mãe:

– Mãe, eu tenho três metros de altura.

Ela responde:

– Não, meu amor, você já é um homenzinho, mas não é tão alto assim.

– Sou sim, mãe. Eu medi!

– É mesmo, meu amor. E com que você se mediu?

– Com este “metro” aqui, ó.

E mostrou para a mãe uma régua de 30cm.

5) O Cristão vence o mal com o bem (vs. 17-21)

“Não torneis a ninguém o mal pelo mal” (versículo 17a) tem um significado semelhante para “abençoar aqueles que o perseguem: abençoe e não amaldiçoe” (versículo 14). Não vencemos o mal praticando o mal, antes vencemos o mal com o bem. 

Quando sou agredido devo agredir? 

Ilustração: 

Ao sair do seu veículo, um sujeito bateu a porta na lataria do carro que estava estacionado ao lado, num pátio de um supermercado.

Foi apenas um risco sem maior importância, que facilmente desapareceria com um pouco de cera automotiva, mas o dono do outro carro, um sujeito fraquinho e raquítico, ficou muito nervoso e falou um monte de besteiras para ele, ofendendo-o profundamente na frente de várias pessoas e de seu filho, que estava com ele.

Não contente em xingá-lo , provocou-o à briga, mas o homem não cedeu às suas provocações.

Depois que ele foi embora, seu filho lhe disse:

– Puxa, pai, você “dá dois” dele… por quê o senhor não deu uns tapas no cara, pelo tanto que ele te ofendeu?

– Filho, se um desconhecido tenta de dar um pacote suspeito no meio da rua e você o recusa, a quem pertence o pacote? – perguntou-lhe o pai.

– A ele mesmo, é claro!

– Assim também são os insultos, meu filho, seu eu os recebo, são meus; se não os recebo, continuam pertencendo à pessoa que tentou dá-los para mim.

“Esforçai-vos por fazer o bem perante todos os homens” (v. 17b).Devemos ser cautelosos, não apenas mostrando comportamento adequado, mas também aparências. Não basta apenas ser bom, mas fugir da aparência do mal. 

“se possível, no que depender de vós, tende paz com todos os homens” (vs. 18).Quando Paulo diz para “viver em paz com todos os homens”, ele insere duas condições – “Se possível” e Infelizmente, há  situações onde não há possibilidade de paz (como a legítima defesa ou a guerra justa para parar o mal). “O cristianismo não é uma tolerância permissiva que aceita qualquer coisa e fecha os olhos para tudo. O momento pode vir quando houver uma batalha a ser travada e, quando for, o cristão não se afastará dela “(Barclay, 170). Mas, naquilo que é possível e depende de nós devemos sempre ter paz com todos. Sendo cristãos, se vemos um homem batendo em uma mulher, não devemos ter paz com ele. Somos chamados a parar o mal ainda que para isso tenhamos que declarar guerra. O mesmo se aplica a Hitler assassinando judeus na Segunda Guerra Mundial. 

“Não vos vingueis a vós mesmos, amados; mas dai lugar à ira; porque está escrito: a mim me pertence a vingança: eu é que retribuirei, diz o Senhor” (vs.  19).Se uma pessoa merece punição, Deus cuidará disso, seja agora ou no Dia do Juízo. Deixar o assunto nas mãos de Deus resolve muitos problemas. Quando Paulo diz: “Minha é a vingança”, ele cita Deuteronômio 32.35. Deus fará juízo e da maneira correta. Nosso papel não deve ser de fazer justiça com as próprias mãos, pois nos colocar no papel de juízes é pecado, e tampouco faremos justiça. 

“Pelo contrário, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber, porque, fazendo isso, amontoarás brasas vivas sobre sua cabeça “(v. 20).Paulo cita Provérbios 25.21-22 quase exatamente (ver também Hebreus 10:30).

Se nós virmos nosso inimigo em necessidade devemos ajuda-lo naquilo que ele precisa. Devemos agir para com aquele que nos odeia, como nós gostaríamos de ser tratados. Aja como você gostaria que agissem com você. 

“Fazendo isto, amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça” (v. 20c).Podemos destruir um inimigo tornando-o nosso amigo. Esse verso significa que fazendo o bem, traremos vergonha ao inimigo. Talvez ele até se arrependa do mal que nos fez. Muitos algozes de cristãos se converteram por conta da conduta dos homens de Deus em face da morte. 

“Não te deixes vencer do mal, mas vence (nika – conquista) o mal com o bem” (v. 21). Os romanos tinham uma ideia de vencerem seus inimigos estabelecendo a pax romana. A pax romana (que durou entre 28 a.C. até 180 d.C) é definida por Plínio, o Velho:  “imensa majestade da paz romana, essa dádiva dos deuses que parece ter trazido os Romanos ao mundo para o iluminar”. 

Os romanos crucificavam aqueles que eram contrários à pax romana, que fazia que todos cumprissem a lei romana, que incluía o culto ao imperador. 

Porém, Cristo inverteu a pax romana. Deus usa o instrumento de punição da Pax Romana para fazer paz com os homens. Na cruz ele venceu o mal com o bem. E somos chamados agora a fazer o mesmo. Ele cumpriu toda a lei. Somos justificados pela fé em Cristo, o Justo. 

Como o mundo pode ser transformado? Pelo poder do evangelho. Vence o mal com o bem. Com a prática da justiça. Com a proclamação da cruz de Cristo. Ele é a nossa paz! 

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