Lucas 15.11-32: A Parábola dos Dois Filhos

Introdução: Você já perdeu alguma coisa? Uma carteira com muitos documentos ou dinheiro? Não é maravilhoso quando encontramos dinheiro perdido dentro de algum bolso? 

Já perdeu um voo? Correu, correu, mas viu o embarque terminar e teria que ir depois. 

Ou quando perdeu um emprego e conseguiu encontrar um novo. 

Ou viu seu time perder uma final de campeonato? E depois o viu ganhar aquele mesmo campeonato em uma outra vez. 

Esse texto fala exatamente da alegria do reencontro. Aquilo que estava perdido e foi achado. Dentre 100 ovelhas, uma se perdeu e o pastor a reencontra e dá uma festa. Dentre 10 moedas, uma se perdeu, e a dona de casa a reencontra e dá uma festa. Agora, há dois filhos, um deles se perde, e o pai o reencontra e dá uma festa. 

O que Jesus está querendo ensinar? Ele se dirige a fariseus e escribas: vocês se alegram quando animais e dinheiro são encontrados, mas não se alegram quando pessoas são salvas. 

Hoje aprenderemos que: Um filho, buscando o prazer, comeu com porcos. O outro, em busca de mérito próprio vivia como escravo. Mas o pai está sempre disposto a receber seus filhos de volta em arrependimento. 

Temos dois quiasmos nessa parábola. Onde o centro de cada um é o discurso dos filhos. Duas atitudes distintas. 

Contexto: 

Fariseus e mestres da lei: eram os melhores judeus daquela época. Procuravam guardar a lei da melhor maneira. Se havia possibilidade de pecar, então criavam leis de cerca. Acreditavam que a salvação era por mérito. Por isso faziam o melhor que podiam. Ao mesmo tempo eram julgadores e se consideravam melhores que os outros. Também eram hipócritas e queriam ser vistos pelos outros. 

Publicanos e pecadores: eram os piores judeus daquela época. Pouco ou nada sabiam da lei. E mesmo se soubessem, não viviam de acordo com os preceitos estabelecidos. Não guardavam as leis de cerca. Eram vistos como traidores, não jejuavam, não faziam longas orações, não eram dizimistas fieis, não eram vistos como dignos do amor de Deus. 

5 temas primários para com os dois filhos

PECADO: dois tipos de pecados básicos – viver longe de Deus e o pecado daquele que pensa estar perto de Deus 

ARREPENDIMENTO: o arrependimento de um homem que sabe que não pode salvar-se, e o não arrependimento de um homem que pensa que pode salvar-se a si mesmo. 

GRAÇA: O amor gracioso de um Deus que deseja salvar o perdido, seja publicano e pecador, seja fariseu e escriba. 

ALEGRIA: a alegria da restauração do perdido.

FILIAÇÃO: um filho é restaurado da morte e da servidão. Outro filho iniste em permanecer como servo.

  1. O descontentamento na casa do Pai 
  • ajuntou tudo o que tinha (não deixou nada para ter que voltar). 

Tudo que ele faz vai contra o padrão hebraico de um filho que honra seus pais. 

Desprezo por sua herança. Falta de consideração por seu pai. Exigência de seu direito. Recebimento da herança. 

O pai podia fazer a divisão de sua herança antes de sua morte. A mishna abre precedente para isso. Porém o usufruto dessa herança só poderia ser feito após a morte do pai. Ele tinha o direito de usufrui-la enquanto vivesse. Depois de sua morte, os filhos poderiam vender os bens ou fazer o que quiser com eles. 

O filho não pede apenas a divisão, ele quer vender a sua parte. É como se dissesse, meu pai morreu pra mim. 

⁃ descontentamento com a igreja

⁃ Descontentamento com os irmãos

⁃ Descontentamento com Deus

⁃ tudo fora é mais atrativo. 

⁃ Busca por alegria momentânea 

O pai divide a herança entre os filhos. E dá a parte que cabe ao mais novo. Sem puni-lo como ele merecia, antes dando-lhe a liberdade tão sonhada. 

Ele junta tudo que tem e vai para bem longe do pai. 

  • Buscando o prazer fora da casa do Pai 

Dois momentos: 

Estava em trevas e não sabia 

Agora, depois de sua ingratidão, sua desonra ao pai, ele vai embora. E entra em um segundo estágio ainda pior. 

Ele busca por prazer imediato. Por curtir a vida. Ele quer aproveitar bastante. Ele não pensa em seu futuro, tampouco no destino eterno de sua alma. 

Ele gasta tudo. Ele vivia uma festa. Sua vida era uma festa constante. Ele era o anfitrião dessa festa. Prazeres e mais prazeres. Mas em um momento a festa acabou. Seu dinheiro acabou. Sua festa era temporária. 

E para piorar, algo que não dependia dele, houve fome naquela terra. Isso não era culpa dele, mas isso só piorava o fundo do poço. 

Um abismo chamando outro. Ele agora tem que trabalhar para comer. Ele agora recebe muito pouco. Ele está mendigando. Cuidando de porcos. Ele que pouco se importava com a lei, se vê humilhado, cuidando de um animal imundo, e pior que isso, desejando comer aquilo que os porcos comiam, mas nem isso lhe era dado. 

As alfarrobeiras selvagens, que eram comidas pelos porcos eram arbustos com gosto amargo e sem nenhum valor nutritivo. Elas cresciam nas pastagens do Oriente Médio e não serviam para nada, só para ser comida de porcos. 

Qual o resultado? 

⁃ buscando liberdade se tornou escravo 

⁃ Buscando prazer, comeu com porcos. 

⁃ Buscando independência, tornou-se dependente. 

Ele vive dissolutamente. Ele busca pela alegria na morte. Buscava pelo prazer. Buscava por alegria e contentamento. Onde está a alegria? As pessoas buscam por prazer o tempo todo. 

Na página pornográfica. Na busca por mulheres ou homens. No desejo pelo proibido. No anseio por ter mais dinheiro. Sempre correndo atrás do tesouro no fim do arco-íris. 

Segundo estágio: estava em trevas e sabia.

Duas desgraças lhe sobrevém: gastou tudo e veio grande fome no país. Começou a passar necessidade. 

Buscando o prazer, ele agora está cuidando de porcos. 

Buscando ser livre, se tornou um escravo do seu prazer. 

Buscando alegria, agora vê a sua infelicidade. 

  • Voltando para a casa do Pai: Arrependimento 

Ele tentou fugir do arrependimento. Ele maquinou para tentar se reerguer sozinho. Ele buscou um emprego. Mas as coisas só pioraram. 

Ele estava fora de si. Fora de si quando estava nos prazeres. E fora de si no fundo do poço. Estava cego, perdido, morto. Ele estava cego mesmo na casa do pai. Ele não conseguia perceber o amor do pai, o cuidado do pai, a alegria da casa do pai. 

Mas agora ele cai em si. Agora ele enxerga claramente. 

Ele se lembra do Pai. Sua visão agora é outra. Era cego, mas agora pode ver. 

Vemos arrependimento. Ele desperdiçou. Não há nada que preste fora da casa do Pai. Ele perdeu o relacionamento com o Pai. Ele perdeu o acesso à casa do Pai. Ele perdeu a filiação. Ele perdeu a dignidade. Ele perdeu tudo. 

É preciso coragem para voltar. É preciso transformação para mudar. Ele anseia pelo pai. Ele volta para o pai. 

Ele planeja o que dizer. Vemos seu arrependimento pelo que diz, trata-me como um de seus empregados. 

Existiam três tipos de servos em uma propriedade judaica naquela época: – doulos (escravos): faziam parte da propriedade, eram quase parte da família. Como o damasceno Eliézer. 

  • escravos de classe inferior (paidês) – que eram subordinados aos servos. 
  • Servos assalariados (misthios): eram estranhos, não pertenciam à propriedade, eram apenas trabalhadores ocasionais, que eram empregados quando necessário. Tinham uma posição muito mais precária que os outros, pois nos tempos difíceis estavam por sua própria conta. Não teriam emprego. 

Sua volta é humilhante. Tornar-se um assalariado agora é humilhante. Ele não se vê como um filho, e sabe que seu irmão não o aceitará de volta, afinal agora ele é o único herdeiro. Ele tampouco poderá galgar posições uma vez que falhou miseravelmente. 

O pai o espera. O amor do Pai sempre o esperou. Vinha ele ainda longe. O Pai aguarda o retorno do filho. Seus olhos sempre estavam no horizonte esperando pelo filho. 

Há o reencontro. Ele quer se explicar. Ele espera talvez um sermão do pai. Talvez rejeição. Ele procura as melhores palavras. Ele ensaiou no meio do caminho. 

A ATITUDE DO PAI 

Esse pai não tem nada a ver com o deus que os fariseus adoram. Eles criaram o seu próprio deus. Seu deus jamais aceitaria publicanos e pecadores. Seu deus jamais receberia um filho pródigo sem no mínimo repreende-lo duramente. Na sua visão bandido bom é bandido morto. Na sua visão, eles são muito melhores e eles merecem o céu. 

Mas Jesus retrata o pai. O Deus que é pródigo em amar. 

O pai não o deixa falar. Ele o abraça. 

O pai manda os servos lhe vestirem. Atitude para com um rei. O pai não o manda se banhar e trocar de roupa. Mas que os servos o vistam com a melhor roupa (provavelmente a roupa do próprio pai). Roupa que o pai usava em grandes ocasiões. Vestes festivais eram caríssimas. 

Isaías 61.10 temos: “Porque ele me cobriu com vestes de salvação, e me envolveu com o manto de justiça”. 

Coloca um anel em seu dedo. Provavelmente um anel de sinete, que significa que ele tem a confiança do pai e a filiação novamente. Ele assina com o nome do pai. Ele tem a mesma identidade do pai. 

As sandálias mostram a liberdade de volta. Ele foi embora buscando liberdade e voltou como um escravo. Agora o pai lhe devolve a liberdade, a dignidade e a filiação. 

O pai manda matar o novilho cevado. Estava sendo preparado para uma grande ocasião. Ela chegou. Dependendo do tamanho da honra do hóspede, o anfitrião matava um animal para recebe-lo bem. Neste caso, o pai manda matar o melhor novilho que ele tinha.

Meu filho estava morto e reviveu. Estava perdido e foi achado. 

Jesus veio para que os filhos perdidos de Deus fossem resgatados. 

  • O descontentamento na casa do Pai 

Agora vemos o outro irmão. Ele aparece pela primeira vez. Ele nunca saiu da casa do pai. Mas também está cego. Ele ainda não caiu em si. Ele ainda tenta se auto-justificar. Ele não vê o cuidado e nem a alegria da casa do pai. Há uma festa na casa do pai, mas ele se recusa a participar dela. A festa não é só para o filho pródigo, é para o pai e para o filho mais velho se alegrarem com a volta do seu irmão. 

Irmão mais velho está cheio de ressentimento e rancor contra seu pai. Ele não gosta do seu irmão, mas seu maior ódio é contra seu pai. 

Jesus revela que o maior rancor dos fariseus não é contra os pecadores e publicanos mas contra o próprio Deus que decidiu salva-los. Eles são mais rebeldes que os pecadores. Estes se arrependeram e agora enxergam, aqueles continuam cegos e rebeldes. 

Irmão mais velho está cheio de auto-justificação (ele é o filho ideal, ele é o servo ideal). Como ele pensa sobre si. 

Auto-justificação. 

Tinha uma festa mas não quis participar. Quer criticar apenas. Ele não aceita participar, pois estaria honrando o seu irmão juntamente com todos. Estaria recebendo-o de volta. Ele não aceita isso. Pelo contrário, ele quer mostrar que seu irmão é rebelde e merece outra coisa que não é uma festa. Ele merece que todos estejam ao seu redor para apedreja-lo pela quebra do quinto mandamento e não para honra-lo. 

No início da parábola, o filho mais novo insulta o pai e vai embora. No fim da parábola, o filho mais velho insulta seu pai publicamente, repreendendo-o e não entrando na festa. Um começa como escravo e o outro como filho, e a parábola termina com um sendo restaurado como filho, e o outro permanecendo como escravo. 

O filho mais velho está descontente. 

⁃ descontentamento porque nunca é bom o suficiente 

⁃ Descontentamento porque cobra dos outros um padrão inatingível 

⁃ Descontentamento porque acha que pode agradar a Deus por suas obras, mas nunca consegue 

Religiosos e moralistas. Julgam ser melhores pelo tempo que tem igreja. Pela denominação que tem. Julgam-se salvos porque nasceram na aliança. Mas não sabem que estão cegos, pobres e nus, julgando-se ricos, abastados e poderosos. 

O texto termina com um filho arrependido, e quanto ao outro nada é dito. Pois os pecadores e publicanos estavam arrependidos diante de Cristo, os fariseus e escribas ao ouvir estavam sendo chamados ao arrependimento. 

Da mesma maneira hoje Deus está chamando filhos pródigos e filhos mais velhos ao arrependimento neste dia.

Ilustração: 

Uma tarde, um menino aproximou-se de sua mãe, que preparava o jantar, e entregou-lhe uma folha de papel com algo escrito. Depois que ela secou as mãos e tirou o avental, ela leu: * Cortar a grama do jardim: R$3,00 * Por limpar meu quarto esta semana R$1,00 * Por ir ao supermercado em seu lugar R$2,00 * Por cuidar de meu irmãozinho enquanto você ia às compras R$2,00 * Por tirar o lixo toda semana R$1,00 * Por ter um boletim com boas notas R$5,00 * Por limpar e varrer o quintal R$2,00 * TOTAL DA DÍVIDA: R$16,00. A mãe olhou o menino, que aguardava cheio de expectativa. Finalmente, ela pegou um lápis e no verso da mesma nota escreveu: * Por levar-te nove meses em meu ventre e dar-te a vida -NADA * Por tantas noites sem dormir, curar-te e orar por ti -NADA * Pelos problemas e pelos prantos que me causastes – NADA * Pelo medo e pelas preocupações que me esperam – NADA * Por comidas, roupas e brinquedos – NADA * Por limpar-te o nariz – NADA * CUSTO TOTAL DE MEU AMOR – NADA. Logo após isso, pegou um lápis e escreveu com uma letra enorme: “TOTALMENTE PAGO”. 

  • Chamado para voltar para a casa do Pai 

Meu filho, tudo que é meu, é seu. O pai quer abrir seus olhos. Veja, você não esta aqui como um servo (douleuo). Isso é inapropriado. Você é meu filho mais velho. Seu direito de herança é o dobro do direito dele. Mas você ainda está infeliz?

Ele não apenas quer a herança, ele mostra o seu desejo íntimo de que o outro não receba nada e mais, receba a punição. Graça para mim, juízo para eles. 

Conclusão: 

Lucas 9 – 19 – Jesus está à caminho de Jerusalém e conta essas parábolas. Ele está indo em direção à cruz. Para resgatar os perdidos como nós, tanto para salvar filhos pródigos quanto filhos mais velhos. 

Quem somos? Independente que quem sejamos, precisamos desesperadamente da graça de Jesus nesse dia. 

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