Atos 2.42-47 – As marcas de um avivamento – Uma vida que é um culto a Deus

Introdução:  

Jorge Müller nasceu em 1805, de pais que não conheciam a Deus. Com a idade de dez anos, foi enviado a uma universidade, a fim de preparar-se para pregar o Evangelho, não, porém, com o alvo de servir a Deus, mas para ter uma vida cômoda. Gastou esses primeiros anos de estudo nos mais desenfreados vícios, chegando, certa vez, a ser preso por vinte e quatro dias. 

A Bíblia tornou-se a fonte de toda a sua inspiração e o segredo do seu maravilhoso crescimento espiritual. Antes de falecer, disse que lera a Bíblia inteira cerca de duzentas vezes; cem vezes o fez estando de joelhos. 

Ao mesmo tempo, Jorge Müller fundou a Junta para o Conhecimento das Escrituras na Nação e no Estrangeiro. O alvo era: 1) Auxiliar as escolas bíblicas e as escolas dominicais. 2) Espalhar as Escrituras. 3) Aumentar a obra missionária. 

UMA VIDA DE PERSEVERANÇA NA PALAVRA.

Quando estava ainda no seminário, nos cultos domésticos de noite com os outros alunos, freqüentemente continuou orando até a meia-noite. De manhã, ao acordar, chamava-os de novo para a oração, às seis horas. 

Certo pregador, pouco tempo antes da morte de Jorge Müller, perguntou-lhe se orava muito. A resposta foi esta: “Algumas horas todos os dias. E ainda, vivo no espírito de oração; oro enquanto ando, enquanto deitado e quando me levanto. Estou constantemente recebendo respostas. Tenho orado 52 anos, diariamente, por dois homens, filhos dum amigo da minha mocidade. Não são ainda convertidos, porém, espero que o venham a ser. – Como pode ser de outra forma? Há promessas inabaláveis de Deus e sobre elas eu descanso”. 

UMA VIDA DE PERSEVERANÇA NAS ORAÇÕES. 

Nesses dias, quando começou a provar as promessas de Deus, ficou comovido pelo estado dos órfãos e pobres crianças que encontrava nas ruas. Ajuntou algumas dessas crianças para comer consigo às oito horas da manhã e a seguir, durante uma hora e meia, ensinava-lhes as Escrituras. A obra aumentou rapidamente. Quanto mais crescia o número para comer, tanto mais recebia para alimentá-las até se achar cuidando de trinta a quarenta menores. 

Ele orava com noventa pessoas sentadas às mesas: “Senhor, olha para as necessidades de teu servo…” Essa foi uma oração a que Deus abundantemente respondeu. Antes de morrer, testificou que, pela fé, alimentava 2.000 órfãos, e nenhuma refeição se fez com atraso de mais de trinta minutos. 

São de Jorge Müller estas palavras: “Muitas repetidas vezes tenho- me encontrado em posição muito difícil, não só com 2.000 pessoas comendo diariamente às mesas, mas também com a obrigação de atender a todas as demais despesas, estando a nossa caixa com os fundos esgotados. Havia ainda 189 missionários para sustentar, cerca de 100 colégios com mais ou menos 9.000 alunos, além de 4.000.000 de tratados para distribuir, tudo sob nossa responsabilidade, sem que houvesse dinheiro em caixa para as despesas”. 

UMA VIDA DE PERSEVERANÇA NA COMUNHÃO E NO PARTIR DO PÃO. 

UMA VIDA QUE ERA UM CULTO A DEUS. 

Muito se fala em avivamento. O que é avivamento? 

Muitos desejam um avivamento, não porque tem sede de Deus, mas porque querem ter seu nome na história. Não é porque anseiam viver uma vida santa diante de Deus, mas porque querem experimentar coisas sobrenaturais. UM AVIVAMENTO É UMA IGREJA INTEIRA QUE TEM UMA VIDA DE CULTO A DEUS. 

Em Atos 2 temos um avivamento. E os sinais do avivamento são manifestos em Atos 2.42-47. 

Contexto: 

A narrativa de Atos 2.42-47 relata o que ocorre na história da igreja após o Pentecostes. Essa festa, que é a Festa das Semanas no AT (Ex 34.22; Nm 28.17; Dt 16.10), é a segunda das três grandes festas de peregrinação em Israel e conclui o ciclo de tempo iniciado na Páscoa.[1]É chamada de Pentecostes porque ocorre no quinquagésimo dia após a Páscoa (primeiro dia após sete semanas). A festa era de alegria e ação de graças pela conclusão da colheita e nela o trabalho era proibido. Nesse contexto, milhares de judeus e prosélitos de todas as partes do mundo subiam a Jerusalém para celebrar a festa de Pentecostes. Entre estes se encontram aqueles que foram alcançados pela pregação de Pedro que atingiu cerca de três mil homens e então dá-se início à igreja neotestamentária. 

            O período narrado em Atos 2.42-47 cobre cerca de três a cinco anos da igreja primitiva[2], mostrando como viviam os convertidos pela pregação do apóstolo Pedro após a festa de Pentecostes durante os primeiros anos da igreja.  

Nesse texto percebemos que Lucas destaca os elementos essenciais presentes na igreja primitiva: a doutrina, a comunhão, o partir do pão e as orações na prática religiosa da igreja cristã em Jerusalém. É possível vermos um paralelismo entre os quatro elementos citados neste versículo e o conteúdo desse resumo exposto nos versículos a seguir, a saber: 1a) doutrina e 1b) sinais dos apóstolos no vs 43; 2a) comunhão e 2b) todas as coisas em comum no vs 44; 3a) no partir do pão e 3b) partiam pão de casa em casa no vs 46; 4a) nas orações e 4b) louvor a Deus no vs 47. A seguir explicaremos cada um dos versículos que estão em paralelo com o resumo do vs 42. 

1) a igreja persevera 

A igreja não precisa de métodos. Não precisa de atrativos. Ela sempre será triunfante 

Sempre permanecerá de pé, se está sempre de joelhos. 

Em seguida, Lucas enfatiza quatro elementos da vida da igreja naquele momento. O verbo particípio “perseverando” é um particípio de modo que mostrara como eles estavam continuamente perseverando. Segundo Marshal[3], esses quatro elementos caracterizam uma reunião cristã na igreja primitiva, mais do que uma visão de elementos independentes. Os quatro elementos citados após o verbo “perseveravam” são dativos de modo[4], ou seja, especificam como a igreja persevera. 

UMA VIDA COMO CULTO A DEUS. LUCAS USA OS ELEMENTOS DE CULTO COMO SENDO UMA PRATICA DIARIA DA IGREJA. 

Uma igreja vive um avivamento quando sua vida diária é um culto a Deus. 

2) a igreja persevera na doutrina dos apóstolos 

Logo que chegou à igreja, o pastor encontrou-se com um jovem aluno da Escola Dominical e resolveu indagar alguma coisa sobre a lição que seria estudada naquela manhã de domingo inundada de sol: – Fernando, quem derrubou os muros de Jericó? O jovem estranhou a pergunta, mas defendeu-se com veemência: – Eu não! Eu nem estava lá! Assustado com a resposta, o pastor murmurou: – É … com certeza não estava. E foi imediatamente conversar com a professora da classe daquele jovenzinho. Achou-a dentro da sala, aguardando a entrada dos alunos: – Imagine a irmã que perguntei ao Fernando quem derrubou os muros de Jericó, e ele fez questão de me garantir que não tinha sido ele… A professora, dona Clotilde, assentiu: – Olha, pastor, o Fernando não costuma mentir. Se ele afirmou que não foi ele, é porque não foi mesmo. O pastor, ainda mais assustado, encaminhou-se ao diretor da Escola. – Irmão Pedro, bom dia. – Bom dia, pastor. Contou tudo o que havia acontecido até então e, desconcertado, ouviu o irmão Pedro dizer: – Bem, pastor, se a própria professora da classe está convencida de que o Fernandinho não fez isso, é porque não deve ter feito mesmo. Vamos dar crédito ao rapaz. O pastor saiu desanimado. À porta do seu gabinete, deparou-se com o tesoureiro. – Venha cá, irmão Jorge, quero a sua opinião a respeito de um assunto – e voltou a narrar tudo. O tesoureiro ficou pensativo e, enfim, deu o seu parecer: – Eu acho, pastor, que a essa altura não adianta ficar discutindo quem fez, quem não fez. Vamos mandar arrumar logo esses muros e colocar um ponto final nessa história.

Teologia de mais, devoção de menos? São mais piedosos aqueles que conhecem menos? São mais crentes aqueles que menos estudam a Bíblia? Quantas vezes ouvi que ir para o seminário seria perigoso. 

Perseverar na doutrina é conhecer a doutrina e pratica-la. Não é possível praticar sem conhecer. Não é possível ser um bom medico sem ter estudado medicina. Não é possível viver o evangelho sem conhecer o evangelho. Ser imitador de Jesus sem conhecer Jesus. E a fé vem pelo ouvir a palavra. É uma igreja que ama a DOUTRINA. Não há distinção entre conteúdo e prática no cristianismo. Andam juntos. Só há ortodoxia se houver ortopraxia. 

O Conhecer correto só é correto se leva à obediência. 

Perseverar na doutrina é perseverar na obediência à palavra. 

Igrejas morrem porque não praticam a palavra. Não conhecem e não praticam. Recebe do alto. As igrejas da Ásia Menor morreram. As igrejas mães da Europa morreram. 

Quem são os apóstolos? Aqueles que aprenderam com Jesus. Quem são os homens mais piedosos das Escrituras? 

Daniel, Jeremias, Isaías, Elias, Eliseu, João Batista, Paulo, João… Todos conheciam profundamente as Escrituras. 

Desconheço um crente piedoso que não seja completamente fascinado pelo estudo das Escrituras Sagradas. 

Cito aqui o exemplo do nosso irmão diácono emérito Sr. Fernando Delacosta. Ele aprendeu a ler, lendo a Bíblia. A primeira vez que ele pegou a bíblia nas mãos, ele demorou mais de quatro horas apenas para encontrar o Salmo 23. Esse homem já leu a bíblia inteira 13 vezes. Ama estudar as Escrituras. Não poucas vezes nos assentamos para falar sobre aquilo que ele aprendeu lendo naquela semana. 

Vs. 43 E havia temor em cada alma, muitos prodígios e sinais eram feitos por meio dos apóstolos.

            Lucas descreve aqui a impressão de que toda a ocorrência e, em particular, a conversão inegavelmente sincero de um número tão grande feito da multidão, mesmo em não-convertidos. Um temor santo os domina, pois estavam inconscientemente levados a reconhecer a mão de Deus, e eles viram e sentiram seu poder. 

Eles também podem temporariamente ter tido um pressentimento de que “ira vindoura”, que virá sobre os inimigos obstinados de Deus e perceberam que estavam nessa situação.[5]Além disso podiam sentir a proximidade Deus em seu meio e isso causa temor.[6]

No vs. 43 e em outros lugares escritos por Lucas (Lucas 1.12, 65; 7.16; Atos 5.5,11; 19.17) o termo φοβος é usado para se referir a reverência religiosa, por causa dos sinais e maravilhas (4.30; 5.12), para vir sobre “cada alma” (ψυθη παση). Lucas demonstra que o efeito dos milagres é a autenticidade da obra de Deus na vida dos seguidores de Jesus. Jesus dotou os apóstolos de autoridade para realizar milagres. As palavras “muitos prodígios e sinais” ecoam com a profecia de Joel e constituem seu cumprimento (Joel 2.19; 2.30).[7]

  • ESTUDO BÍBLICO DE quarta-feira
  • EBD 
  • PGs

3) persevera na comunhão  

A palavra κοινωνίᾳ vem de κοινός, “comum”. Uma relação entre indivíduos que tem interesses mútuos em comum que leva a uma participação ativa e interesse nas necessidades do próximo.[8]

A primeira declaração denota uma prática geral, universal: todos os que criam estavam no mesmo lugar e tinham tudo compartilhado (2.44). A unidade da comunidade é empiricamente demonstrado pela sua partilha de todos os bens. Essa prática é desenvolvida em 2.45: Eles estavam vendendo suas propriedades e posses e distribuindo a todos, segundo cada um havia uma necessidade.[9]

Além disso eles compartilhavam  o que tinham uns com os outros. Koinonia também significava a oferta. 

            O terceiro elemento que demonstra como a igreja perseverava é “no partir do pão” (τῇ κλάσει τοῦ ἄρτου) que é a maneira utilizada pelo Apóstolo Paulo para se referir à ceia do Senhor. 

É possível que Lucas esteja falando tanto da festa Ágape[10]de comunhão, quanto de refeições em comum, quanto da Ceia do Senhor. Partindo … pão (2.46) é uma abreviação de Lucas para a Ceia do Senhor e refere-se a um aspecto da adoração corporativa da igreja primitiva. Além disso, ao partilhar o alimento com alegria e humildade, a comunidade estava seguindo o exemplo de Jesus. 

Vs 44, 45 E todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum, e vendiam suas propriedades e bens e os repartiam por todos, segundo a necessidade de cada um.

A partir de agora Lucas aparentemente trata de uma descrição mais geral a respeito da vida dos cristãos da igreja primitiva.[11]Tanto no culto, quanto também em suas vidas, mostrando que o culto influenciava no modo de viver dos novos convertidos. Os vs. 44-45 devem ser considerados juntos. 

Além disso “tinham” (εἶχον) tudo em comum (κοινά). Aqui Lucas relata o tipo de comunhão que os cristãos tinham em Jerusalém. Não era uma comunhão aparente, ou em algumas áreas, mas tinham tudo em comum. Neste caso é necessário entender o que significa o “ter tudo em comum” e também o verbo “vendiam” (ἐπίπαρασκον)  seus bens (κτήματα, imobiliário, ὑπάρξεις, bens pessoais). Neste caso, cada cristão que tinha alguma propriedade ou bem pessoal, não considerava isso exclusivamente seu, antes compartilhava com seus irmãos e colocava seus bens à serviço do Reino.[12]

O caso aqui não significa que todos venderam todas as suas propriedades, mas que quando havia necessidade de vender, seja para cumprir a lei, seja para ajudar os necessitados, eles o faziam e “distribuíam” (διεμέριζον) conforme a necessidade de cada um. Deve-se notar que essa comunidade vendia seus bens de maneira voluntária, pois não tinha ninguém ou lei que a obrigasse a vender os que tinham[13].

Obviamente estamos falando de cristãos judeus que permaneceram em Jerusalém para ser ensinados e agora, 3 mil pessoas juntas na igreja. Não era fácil. Porém, eles tinham um só coração e uma só mente. Eles perseveravam na doutrina e na comunhão. 

Nossa vida não é só para nós. Deus nos dá coisas para servirmos a outros. Deus nos coloca onde estamos para abençoarmos. 

Rico para com Deus: hospitalidade. Ricos que abriam suas casas para ser uma igreja (Filemon). 

Comunidade de bens (At 2.42-47 e 4.32-35). Entre os 12, eles não tinham um lugar. A bolsa era compartilhada. Uma casa servia para muitos. 

Sejamos uma comunidade com os valores do reino. (Caso do presbítero que deu seu carro para o casal de missionários). 

Auxílio aos pobres – no contexto de igreja – hospitalidade, deixar os bens à disposição. 

No caso de pobres fora da comunidade da fé, o auxílio é somente casual. Contexto de esmolas. 

Calvino: ide em paz e lembrai-vos dos pobres. 

Diarista – pode pagar mais, não oprima o jornaleiro. Você pode pagar, pague. 

Comunhão é mais do que estar Juntos.

Comunhão é sentir da dor do outro. Compartilhar as necessidades. Comunhão Horizontal. Para os lados. 

Os 3 mil que antes eram inimigos, agora são irmãos. 

Tertuliano diz: as contribuições eram proporcionais e segundo as condições. Ajudar a sepultar pessoas. Órfãos, idosos, que sofreram naufrágio, que perderam tudo. Servir os necessitados. Não algo obrigatório e compulsório, mas de modo generoso e voluntário. 

A igreja servia 

Imperador Juliano no ano 350, que queria perseguir os cristãos, mas não o fez, pois dizia: quem irá cuidar dos pobres? Esta religião avançou em grande parte por causa do amor e serviço aos estrangeiros. Pelo cuidado deles em sepultar os mortos. Nenhum deles é mendigo. E esses galileus ímpios não cuidam apenas dos seus pobres mas dos nossos também. 

Oferecer uma carona. Perceber aqueles que estão desempregados. 

Ovelha sozinha é petisco de lobo. Mas quando estamos no aprisco do supremo pastor, nada nos falta e não precisamos temer. Na comunhão da igreja Deus ordena a sua bênção. 

Não existe cristianismo egoísta. De internet. Damos a nossa vida uns pelos outros. 

Chamado ao serviço. A amar ao próximo. Recebemos dons para compartilhar. 

4) persevera nas orações e adoração 

Uma igreja que ora e que adora. Comunhão Vertical. De baixo para cima.

O último elemento citado por Lucas é “nas orações”. É possível que aqui os cristãos observavam as horas de oração marcadas pelos judeus (At 3.1)[14]Os crentes se dedicavam à oração (2.42d) e é  dado o conteúdo em At 2.47: Eles louvaram a Deus e tiveram seu favor. 

Sua oração tem uma dimensão vertical na comunidade louvando a Deus (Lc 24.53), e uma dimensão horizontal levando-os a contarem com a simpatia do povo.[15]Uma igreja que era vista. Sua adoração e vida reverberava na comunidade. 

Vs. 46 E diariamente perseverando com uma só mente no templo e partindo o pão em cada casa, tomavam refeição em alegria e sinceridade de coração,

Lucas descreve a vida cristã e utiliza o termo todos os dias para isso. Os cristãos vão ao templo, reunindo-se nos pátios, provavelmente no pórtico de Salomão (Atos 3.11; 5.12) para oração e louvor a Deus.[16]Além disso, se reúnem nas casas para comer pão em unidade. 

            A palavra “uma só mente” (ὁμοθυμαδὸν) é traduzida muitas vezes como unânimes.

Essa palavra ocorre doze vezes em todo Novo Testamento, sendo dez delas no livro de Atos. É uma palavra que está intimamente ligada com a igreja primitiva. Era uma igreja singular porque tinha uma só mente. Essa palavra nos dá a ideia de em uníssomo, trazendo uma imagem musical, onde um conjunto de notas, mesmo diferentes, harmonizam em grau e tom. Assim como os diferentes instrumentos entram em harmonia em uma orquestra dirigida por um maestro, assim o Espírito Santo harmoniza a vida dos membros da igreja de Cristo. 

A expressão “uma só mente” é tipicamente hebraica”[17]pois no Antigo Testamento essa expressão era utilizada como em  Deuteronômio 6.5: “Amarás, pois, o Senhor teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força”, e isso se repete em Dt 10.12, 11.13 e 13.3. Além disso, o Senhor Jesus reafirmou essas palavras em Marcos 12.30: “Amarás, pois o Senhor Teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força”. Dessa forma, como todos amavam a Deus com toda sua mente, então tinham um entendimento único, voltado para Deus. 

SUA MENTE ERA MOLDADA PELA PALAVRA. NÃO HAVIAM VARIAS INTERPRETAÇÕES. NÃO EXISTEM VÁRIAS VERDADES. APENAS UMA. 

O destaque especial é dado ao ato de partir pão (κλᾷν ἄρτον), que dificilmente seria digno de nota, uma vez que era algo que necessariamente deveria acontecer. Porém Lucas utiliza esta frase mostrando que a harmonia dos cristãos no templo expandia para os lares, onde comiam juntos com alegria e humildade de coração. Em Atos, a palavra alegria (ἀγαλλιάσει) é repetida muitas vezes, dando ênfase à influência do Espírito Santo (Atos 8.8, 39; 13.48, 52; 15.3; 16.34).[18]

5) gera frutos dados pelo Senhor – é uma igreja que cresce 

Vs. 47 louvando a Deus e tendo a graça de todo o povo. E o Senhor acrescentava lhes os que iam sendo salvos diariamente.

            Lucas conclui dizendo que o Senhor acrescentava novos convertidos à igreja. Nesse caso, Lucas emprega o título de Senhor (κύριος) como o agente na obra de salvar seu povo, cumprindo a profecia de Joel 2.32 “todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo”. Esse termo deve ser considerado como “estavam sendo salvos”, não em um sentido gradual de salvação individual, mas em salvação diária de indivíduos, que iam sendo acrescentados à igreja.[19]

A sua presença e testemunho eram contagiantes.[20]A palavra graça (χάριν)que também significa “favor”, mostra  que os habitantes de Jerusalém viam os cristãos com bons olhos e assim o público em geral tinha uma impressão favorável acerca da comunidade cristã[21]. Portanto aqui a expressão graça de modo geral significa benevolência ou boa vontade, a qual a igreja tinha da multidão por meio da graça de Deus. Calvino menciona que por ajudar tão generosamente os necessitados, eles encontraram favor de pessoas de fora da igreja.[22]

            A última frase do capítulo é testemunha de que o crescimento externo da igreja não cessou após o dia de Pentecostes, mas, pelo contrário, de forma constante prosseguiu, embora não na mesma maneira impressionante. Este crescimento, porém, não deve ser visto como um processo natural, mas como uma operação da graça, como um ato do exaltado Senhor da Igreja (ὁ κύριος προςετίθει).[23]

Aplicação: 

CRESCIMENTO EM ATOS 

At 1.15 – umas 120 pessoas

At 2.41 – quase 3 mil 

At 4.4: quase 5 mil 

At 4.32 – multidão

At 6.7 – multidão inclusive sacerdotes

At 8.4 – toda parte 


[1]TENNEY, Merril; Enciclopédia da Bíblia; São Paulo: Editora Cultura Cristã; 2008, p. 914

[2]GAEBELEIN, Frank E.; The Expositors Bible Commentary – John & Acts; Michigan: Zondervan, 1981, p. 288

[3]MARSHAL, I. Howard; The Gospel of Luke; Grand Rapids: Eerdmans, 1992, p. 204-206

[4]WALLACE, Daniel B.; Gramática Grega: Uma Sintaxe Exegética do Novo Testamento; São Paulo: Editora Batista Regular do Brasil, 2009p. 161

[5]LANGE, J. P., SCHAFF, P., GOTTHARD, V. L., GEROK, C., & SCHAEFFER, C. F. (2008). A commentary on the Holy Scriptures: Acts. Bellingham, WA: Logos Bible Software, p. 56–60

[6]KISTEMAKER, Simon; Comentário do Novo Testamento: Atos; São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2006, p. 156

[7]KISTEMAKER, Simon; Comentário do Novo Testamento: Atos; São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2006, p. 156

[8]VINCENT, M. R.. Word studies in the New Testament. New York: Charles Scribner’s Sons, 1887, volume 1. p. 456s

[9]PARSONS, M. C. Acts. Grand Rapids, MI: Baker Academic, 2008, p. 48-51

[10]A Festa Agápe era uma refeição comum entre os cristaos na igreja primitiva que se tornou comum no primeiro e Segundo século. 

[11]KISTEMAKER, Simon; Comentário do Novo Testamento: Atos; São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2006, p. 156

[12]LANGE, J. P., SCHAFF, P., GOTTHARD, V. L., GEROK, C., & SCHAEFFER, C. F. (2008). A commentary on the Holy Scriptures: Acts. Bellingham, WA: Logos Bible Software, p. 56–60

[13]PATON, Gloag James; A Critical And Exegetical Commentary on the Acts Of the Apostles; p. 163.

[14]MARSHAL, I. Howard; Atos; São Paulo: Vida Nova, 2014, p. 83

[15]PARSONS, M. C. Acts. Grand Rapids, MI: Baker Academic, 2008, p. 48-51

[16]KISTEMAKER, Simon; Comentário do Novo Testamento: Atos; São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2006, p. 158

[17]KISTEMAKER, Simon; Comentário do Novo Testamento: Atos; São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2006, p. 234

[18]KISTEMAKER, Simon; Comentário do Novo Testamento: Atos; São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2006, p. 159

[19]KISTEMAKER, Simon; Comentário do Novo Testamento: Atos; São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2006, p. 160

[20]WITHERINGTON, B.; The Acts of the Apostles: a socio-rhetorical commentary; Grand Rapids, MI: Wm. B. Eerdmans Publishing Co., 1998, p. 159-163

[21]KISTEMAKER, Simon; Comentário do Novo Testamento: Atos; São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2006, p. 236

[22]CALVIN, John; Calvin’s Commentaries on the Bible: Acts; in Olive Tree App

[23]LANGE, J. P., SCHAFF, P., GOTTHARD, V. L., GEROK, C., & SCHAEFFER, C. F. (2008). A commentary on the Holy Scriptures: Acts. Bellingham, WA: Logos Bible Software, p. 56–60

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